Cosima Cormier - 04/08/2020
Life is Strange é um jogo single player de aventura dividido em 5 episódios, publicado pela Square Enix em 2015 e que rendeu duas continuações. Durante o game você joga com a personagem principal Max Caufield e faz escolhas que trazem consequências, mas há uma diferença: a habilidade que ela possui de voltar no tempo e refazer algumas das suas escolhas. LIS é um jogo cheio de personagens complexos, segredos e acontecimentos chocantes.
Mais Profundo do que Parece
O jogo se passa em Arcadia Bay, cidade natal de Maxine Caufield, uma mulher de 18 anos que retorna para começar sua faculdade de fotografia. Entre classes, ela presencia um assassinato no banheiro da instituição e, ao tentar parar o assassino, ela acaba voltando no tempo e assim descobre seus poderes. A história também apresenta a melhor amiga de infância de Max, Chloe Price, uma punk que está em busca de Rachel Amber, sua amiga que desapareceu misteriosamente da cidade. O game acaba girando em torno do reencontro de Chloe e Max, dos poderes recém descobertos pela protagonista e da busca por Rachel, além de como tudo isso influencia na chegada de um tornado apocalíptico que, de acordo com as visões de Max, irá destruir toda Arcadia Bay em exatamente 1 semana.
Life is Strange foca em criar relacionamentos autênticos entre os personagens e abordar problemas reais como bullying, suicídio, abuso de drogas, violência e entre outros, tudo com responsabilidade. O objetivo dos criadores foi trazer um jogo a partir de uma visão adolescente que apontasse como os jovens lidam com essas questões delicadas que fazem parte de suas vidas, algo que todos nós já passamos por. O resultado dessa tentativa consegue ser bem impactante e por isso a classificação indicativa de LIS é de 16 anos.
Durante os cinco episódios do jogo (Chrystalis, Out of Time, Chaos Teory, Dark Room e Polarized) podemos conhecer um pouco mais dos personagens multifacetados que o jogo apresenta, fazendo com que nos apaixonemos por eles (ou comecemos a odiá-los rs), o que dificulta as decisões que deverão ser tomadas ao longo da história.
Polaroids e Música Indie/Folk? Temos!
Seria um jogo Indie sem polaroid e música folk? Não seria, e LIS com certeza não decepciona em relação a isso, na verdade até nos recompensa quando tiramos as fotos! Cada foto tirada do ambiente desbloqueia um troféu e temos acesso a elas depois no diário de Max, que podemos acessar a qualquer momento no jogo. Esse diário contém relatos e desenhos feitos pela protagonista, além das informações dos personagens com quem ela se relaciona.
Além disso, as músicas do jogo são incríveis, cabendo sempre no momento pelo qual os personagens estão passando. Através desse game Syd Matters encontrou minha playlist no Spotify e está morando lá até hoje.
Outra qualidade a ser pontuada é a arte do game, que buscou criar personagens com estéticas comuns para submergir os jogadores, além das texturas do jogo terem sido desenhadas a mão visando criar uma particularidade em sua arte.
As Escolhas Realmente Importam?
Sim e não. Algumas escolhas são bobas como quando onde você escolhe entre comer panquecas e bacon com ovos, mas outras são decisões cruciais que arriscam a vida de outros personagens. Ao meu ver, os criadores queriam deixar o jogo mais leve com decisões assim e também dar a devida importância para as pequenas coisas. Então, sugiro levar a maioria dos impasses a sério.
Em vários momentos você terá mais de duas opções de diálogo e essas aumentam conforme a sua exploração do mapa, podendo te ajudar a resolver um problema com 100% de acerto. Após o final de cada episódio, é possível ver a estatística mundial dessas escolhas.
Em relação ao romance no jogo (que obviamente não podia faltar), a escolha é completamente sua de com quem irá acontecer, o que me agradou muito quando estava jogando porque nenhuma narrativa foi obrigatória. Vale ressaltar que o papel da sexualidade dos personagens fica em segundo plano durante o 1º jogo da franquia, o que rendeu críticas da comunidade LGBT+ (há outros motivos de crítica, mas com spoiler), mas aparente isso foi melhorado em Life is Strange: Before the Storm, um prequel. É sabido pelo fandom que Max Caufield é bissexual e Chloe Price é queer.
Veredito
Life is Strange é um jogo que me marcou porque trata de assuntos importantes que não somos ensinados a lidar na adolescência e, consequentemente, não sabemos lidar na vida adulta. O jogo abre nossos olhos para várias situações que ocorrem a nossa volta e nós não percebemos, ou ao menos achamos normal. Vale muito a pena explorar a vida de Max Caufield e de seus conhecidos em Arcadia Bay.
Outra coisa muito relevante é que entre 2015 e 2016 o jogo levou 38 prêmios em diferentes premiações, recebendo a apreciação que tanto merece. Vale super a pena conferir e sabiam que, para mim, é #Pricefield forever.
LIFE IS STRANGE
Desenvolvedora: DONTNOD Entertainment
Publicadora: Square Enix
Lançamento: Jan - Out de 2015
Plataformas: PS3 e PS4, X360 e XONE, PC, Mac e Linux, Mobile