Os projetos têm por objetivo apresentar as motivações que levam o estudante a interessar-se pela investigação de um determinado tema, uma proposta de trabalho e as suas hipóteses iniciais. O projeto precisa ser formalizado, quando for submetido a um edital de fomento, ou na realização de trabalhos de conclusão de curso. Em outros casos, ele pode funcionar como uma referência para as atividades que serão desenvolvidas no âmbito da pesquisa ou da extensão, quando são previstas a materialização de resultados em publicações.
[abordar a delimitação do corpus de pesquisa: tema, pergunta e objetivo]
É necessário, em um projeto, delimitar o objeto de análise (o corpus) e os seguintes aspectos:
Tema;
Pergunta;
Hipótese;
Objetivo;
Justificativa;
Referencial Teórico;
Metodologia;
Cronograma;
Financiamento.
Quanto à hipótese, deve-se levar em consideração que é uma expectativa de resultado a confirmar-se ou não. Não há nenhum prejuízo ao projeto se os resultados alcançados ao longo ou ao final da pesquisa não coincidirem com a hipótese inicial. Pelo contrário, é uma conquista quando o percurso em atividades acadêmicas resulta em aprofundamento na área de interesse e em amadurecimento intelectual.
Já a justificativa deve expor, à comunidade acadêmica e/ou à sociedade em geral, os motivos pelas quais esse projeto deve ser realizado. Quais são os ganhos ou as contribuições que resultarão do tempo, dedicação e financiamento empregados na realização da atividade proposta? Pode ser uma pergunta difícil de responder, mas é extremamente necessária.
Os cinco primeiros tópicos devem ser apresentados por qualquer estudante que deseja iniciar um projeto de pesquisa ou de extensão. Os restantes, entretanto, para um iniciante nesse tipo de atividade, podem necessitar de orientação. O referencial teórico geralmente é compartilhado pelo orientador a partir de seus próprios projetos (chamados programas ou projetos guarda-chuva), que o estudante se vincula para desenvolver o seu.
[expandir texto sobre o referencial teórico: acostumar-se a observá-lo nos textos lidos]
A metodologia, por sua vez, define como deverá ser realizado o processo de pesquisa ou de extensão: passos/fases e tipos de análise, por exemplo. Além dos pontos acima citados, devem ser contemplados em um projeto o cronograma (isto é, o tempo total de duração previsto e o tempo que será necessário para o desenvolvimento de cada uma das etapas) e os custos envolvidos, quando houver financiamento.
O cronograma deve ser construído com indicação de progressão do trabalho mês a mês, prevendo as etapas necessárias para a realização do projeto na sua integridade. Cada projeto tem a sua peculiaridade, que deve se refletir na definição das etapas. Contudo, para fins de exemplificação, segue uma proposta a ser adaptada:
Definição do corpus de pesquisa. Primeiro mês do primeiro semestre.
Levantamento de bibliografia sobre a obra do autor e sobre a metodologia de pesquisa. Do primeiro mês ao terceiro mês do primeiro semestre.
Escrita do Projeto de TCC. Do antepenúltimo mês ao último mês do primeiro semestre.
Leitura e sistematização do referencial teórico. Do segundo mês do primeiro semestre ao segundo mês do segundo semestre (incluindo recesso).
Análise do texto literário. Do último mês do primeiro semestre até o segundo mês do segundo semestre (incluindo recesso).
Elaboração de sumário. Primeiro mês do segundo semestre.
Escrita do texto. Segundo mês do segundo semestre até o penúltimo mês do segundo semestre.
Entrega da versão do TCC para a banca avaliadora. Penúltimo mês do segundo semestre.
Defesa do TCC. Último mês do segundo semestre.
Entrega da versão final do TCC para o Repositório Institucional. Último mês do segundo semestre.
Quanto aos projetos de Trabalho de Conclusão de Curso, a dedicação empregada deve, antes de tudo, ser uma fonte de prazer. O estudante tem a liberdade de escolha entre os temas que o inquietaram ao longo de sua formação, que foram abordados de forma superficial ou mesmo nem foram contemplados. A busca por um orientador também deve ser considerada não por "camaradagem" ou "facilidade", mas por afinidade de pesquisa, seja pelo objeto de interesse ou pelo recorte teórico-metodológico, por exemplo.
Vale a pena verificar o Currículo Lattes dos possíveis orientadores, os projetos em andamento, os TCCs orientados anteriormente e a sua relação com orientandos e ex-orientandos para balizar a sua escolha, de preferência com antecedência. A dedicação do estudante ao projeto também deve ser (ou tende a ser) proporcional às expectativas que são criadas para o projeto proposto.
Seguem as questões que vão orientar a elaboração do parecer do avaliador sobre seu projeto, em termos de "atende" ou "não atende":
O texto está organizado com todos os elementos textuais descritos no “Manual de trabalhos acadêmicos da UFFS”?
A problemática do estudo é pertinente para o curso de Letras?
Quanto ao referencial teórico: possui um embasamento consistente?
A metodologia está bem descrita? Atende a necessidade do estudo em questão?
O cronograma apresentado é viável para ser executado, tendo em vista a metodologia descrita no projeto?
As citações diretas e indiretas atendem as especificações do manual do trabalho?
Quanto às referências usadas, estão de acordo com as normas descritas no Manual? Todas as referências listadas no item Referências constam no corpo do trabalho?
As leituras abaixo indicadas são recomendadas para o início da elaboração do projeto, a fim de atender o referencial teórico-metodológico a ser adotado na realização de seu trabalho. Com a definição do corpus de pesquisa e dos objetivos, mais leituras que deem conta da especificidade do projeto para o seu desenvolvimento serão indicadas.
➡️ FUP Estruturas poéticas emergentes da modernidade.
AGAMBEN, Giorgio. O que é o contemporâneo? In.: O que é o contemporâneo e outros ensaios. Tradução de Vinicius Nicastro Honesko. Chapecó, SC: Argos, 2009.
CULLER, Jonathan. Teoria Literária: uma introdução. Tradução de Sandra Vasconcelos. São Paulo: Beca, 1999.
DURÃO, Fábio. Metodologia de pesquisa em literatura. São Paulo: Parábola, 2020.
ECO, Umberto. Tese "científica" ou tese política? In.: Como se faz uma tese. 22 ed. São Paulo: Perspectiva, 2009, pp. 20-32.
MOTTA-ROTH, D.; HENDGES, G. H. Projeto de pesquisa: In.: Produção textual na universidade. São Paulo: Parábola editoral, 2010.
SANTIAGO Silviano. Análise e Interpretação. In.: Uma literatura nos trópicos: ensaios sobre dependência cultural. 2 ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2000.
SONTAG, Susan. Contra a interpretação. In.: Contra a interpretação e outros ensaios. Tradução de Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.
VALENCY, Gisèle. A crítica textual. In.: BERGEZ, Daniel et al. Métodos críticos para a análise literária. Tradução Olinda Maria Rodrigues Prata. São Paulo: Martins Fontes, 1997.
ZUMTHOR, Paul. Performance, recepção, leitura. Tradução de Jerusa Pires Ferreira e Suely Fenerich. São Paulo: Cosac Naify, 2007.
Para a análise de poemas
ADORNO, Theodor W. Palestra sobre lírica e sociedade. In.: Notas de Literatura I. Tradução de Jorge M. B. de Almeida. São Paulo: Duas Cidades; Ed 34, 2003.
BARBOSA, João Alexandre. As ilusões da modernidade. In.: As ilusões da modernidade. São Paulo: Perspectiva, 2009.
GENOVESE, Alicia. Poesía y modernidad. In.: Leer poesia: lo leve, lo grave, lo opaco. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2023.
PAZ, Octavio. O poema. In.: O arco e a lira. São Paulo: Cosac Naify, 2012.
SANTIAGO, Silviano. Singular e anônimo. In.: Nas malhas da letra: ensaios. Rio de Janeiro: Rocco, 2002.
SERMET, Joëlle de Sermet. O endereçamento lírico. Tradução de Francine Fernandes Weiss Ricieri e Maria Lúcia Dias Mendes. Lettres Françaises, Araraquara, v. 20, ed. 2, p. 261-279, 2019.
SISCAR, Marcos Siscar. O discurso da crise e a democracia por vir. In.: Poesia e crise: ensaios sobre a "crise da poesia" como topos da modernidade. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2010.
Para o ensino de literatura
CANDIDO, Antonio. O direito à literatura. In: Vários escritos. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2011.
COMPAGNON, Antoine. Literatura para quê?. Tradução de Laura Taddei Brandini. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2009.
COSSON, Rildo. Letramento Literário: teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2014.
JOUVE, Vincent. A significação artística; Ensinar literatura. In.: Por que estudar literatura? Tradução de Marcos Bagno e Marcos Marcionilo. São Paulo: Parábola, 2012.
MELLOUKI, M'hammed; GAUTHIER, Clermont. O Professor e seu mandato de mediador, herdeiro, intérprete e crítico. Educação & Sociedade, Campinas, vol. 25, núm. 87, mayo-agosto, 2004, p. 536-571.
ROUXEL, Annie. Aspectos metodológicos do ensino da literatura. In: DALVI; REZENDE; JOVER-FALEIROS (org.). Leitura de literatura na escola. São Paulo: Parábola Editorial, 2013. p.17-33.
TODOROV, Tzvetan. A literatura em perigo. Tradução de Caio Meira. Rio de Janeiro: DIFEL, 2009.
Para a análise de narrativas
BARTHES, Roland. A morte do autor. Da obra ao texto. O efeito de real. In.: O rumor da língua. Tradução de Mário Laranjeira. 2ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
BARTHES, Roland S/Z. Tradução de Léa Novaes. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1992.
BARTHES, Roland. Introdução à análise estrutural da narrativa; TODOROV, Tzvetan. As categorias da narrativa literária. In.: BARTHES et. al. Análise estrutural da narrativa. Tradução de Maria Zélia Barbosa Pinto. 5 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.
GENETTE, Gérard. O discurso da narrativa: ensaio de método. In.: Figuras III. Tradução de Ana Alencar. São Paulo: Estação Liberdade, 2017.
GENETTE, Gérard. As fronteiras da narrativa. In.: Figuras II. Tradução de Nícia Adan Bonatti. São Paulo: Estação Liberdade, 2015.
SCHOLES, Robert; KELLOGG, Robert. O significado na narrativa. In.: A natureza da narrativa. Tradução de Gert Meyer. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1977.
TODOROV, Tzvetan. A análise estrutural da narrativa. In.: As Estruturas narrativas. Tradução de Leyla Perrone-Moises. São Paulo: Perspectiva, 2011.