Foto: FERNANDA LIGABUE/ISA
No Brasil, os modelos de transição energética para a urgente redução do uso de combustíveis fósseis são em geral centrados no lucro e na exploração de recursos e não consideram as necessidades das comunidades e territórios coletivos, que são utilizados como infraestrutura e fonte de recursos, a exemplo de água para hidrelétricas e minério para as tecnologias de eletrificação, o que agrava as desigualdades sociais e os impactos ambientais.
As estratégias impulsionadas pelos setores públicos e privados no Brasil estão condicionadas a interesses econômicos e lobby político, e carecem de um planejamento territorial estratégico e integrado. Neste contexto, as comunidades tradicionais são
drasticamente impactadas pelas consequências sociais e ambientais de empreendimentos hidrelétricos e minerários; ao mesmo tempo que ficam expostas à contaminação e toxicidades e sujeitas à pobreza energética por não acessarem a rede elétrica ou por falta de condições de arcar com as tarifas cobradas por concessionárias.
Povos indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais vêm contribuindo para a transição energética justa por meio das ações de proteção territorial e da instalação de unidades domiciliares de energia solar em seus territórios, do fortalecimento de capacidades para a manutenção de equipamentos e da adoção de tecnologias adaptadas, como fogões eficientes e carneiros hidráulicos.
Suas experiências evidenciam que a transição energética verdadeiramente justa deve ser conduzida com a participação e o protagonismo das comunidades tradicionais, com a promoção e garantia de seu acesso à energia e com a minimização dos impactos negativos em seus territórios.
Websérie Floresta iluminada - energia limpa para os povos da Amazônia
Websérie dividida em três episódios, que viaja por três territórios amazônicos com iniciativas diferentes. Em cada um, a produção investigou as necessidades de energia elétrica, o desafio de superar a dependência do caro e poluente diesel e as oportunidades das populações de serem abastecidas por energia limpa alternativa, como solar, eólica ou biomassa. O documentário é dirigido por Fernanda Ligabue.
Rede Energia e Florestas
Rede de organizações atentas à causa do pleno direito à energia limpa e sustentável, conforme preconiza a legislação brasileira e o objetivo do Desenvolvimento Sustentável número 7 da Organização das Nações Unidas. estas organizações vêm trabalhando ao longo de décadas com ênfase na Região Amazônica, em prol do desenvolvimento regional sustentável das populações tradicionais e indígenas.
Site https://www.energiaecomunidades.com.br/quem-somos/
Publicação do Observatório do Clima (OC)
ARAÚJO, Suely e TSAI, David (orgs). Futuro da energia: visão do observatório do clima para uma transição justa no Brasil. São Paulo: Laboratório do Observatório do Clima (LABOC), 2024.
Apresenta uma visão factível e tecnicamente fundamentada para uma transição energética justa, com compromissos firmes que buscam corrigir injustiças e evitar impactos socioambientais negativos, sem ignorar o crescimento da demanda energética em diferentes cenários de crescimento econômico e as particularidades e desafios de diferentes setores. Este estudo integra a Estratégia Brasil 2045 do OC, mediante a qual se defende que nosso país pode se tornar a primeira grande economia do mundo a sequestrar mais gases de efeito estufa do que emite, tornando-se negativo em carbono até o ano de 2045.