Resenha Crítica de Saúde Mental/ Participação Cidadã/ Qualidade de vida. DISCENTE: Rebeca Costa Rocha – 7º período de Enfermagem Unesulbahia.
É fato que muitas mudanças ocorreram nas últimas décadas nas áreas de saúde.
Tivemos reformas com a implantação do SUS em nosso país, com a ideia de equipes multidisciplinares, com a intersetorialidade para avançar nos processos que envolvem a saúde-doença.
Nos campos de saúde mental, também tivemos reformulações. Na parte médica, a psiquiatria avançou no sentido de amplos estudos nos tratamentos medicamentosos e na descoberta de diagnósticos em saúde mental, possibilitando pesquisas voltadas para a mente e comportamento.
E na enfermagem, vemos avanços nas abordagens com o paciente, terapêuticas, pesquisas e estudos científicos de técnicas para o cuidado e gerenciamento de controle de casos.
Com a institucionalização do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), foi possível abrir as portas para os novos olhares nesta área, e dar a oportunidade de alcançar os pacientes de forma holística, humana, integral e com equidade.
Tornou-se lugar-comum entre os profissionais de saúde repetir a seguinte definição da OMS (Organização Mundial de Saúde): ‘’A saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afecções e enfermidades’’.
Entende-se então, que saúde não é apenas ausência de doença, mas qualidade de vida.
Porém, dizer que um indivíduo possui qualidade de vida é mais complexo do que apenas dizer essas palavras. Um indivíduo saudável, portanto, é ter suas crenças e cultura preservadas, ser capaz de amar, sentir-se amado, poder trabalhar e oferecer serviços, produzir bens, ter suas potencialidades e capacidades testadas e desenvolvidas, ter oportunidades de aprender, poder se comunicar e interagir com sua comunidade, enfim, a lista é grande. Por isso, destaca-se tanto a importância da enfermagem para pacientes psiquiátricos, que muitas vezes, por conta de sua patologia, têm a sua qualidade de vida prejudicada. E destaca-se também o CAPS, como sendo um veículo para devolver, reintegrar e acolher esses indivíduos.
Os manejos em saúde mental no Brasil ainda estão se reformulando, pois, recentemente ainda tínhamos a internação nos ‘’manicômios’’ como terapia principal. Porém, sabemos que a renovação de ideias é crescente e ganha espaço nos Centros de Atenção em muitos lugares, inclusive em nossa região, no Extremo Sul da Bahia.
Assim, para efetivar essas ideias, existe a proposta dos projetos de Participação Cidadã. Esses projetos incluem os movimentos sociais que utilizarão das interdisciplinas para obter resultados: Educação ambiental, abandono de drogas (ex.: deixar o uso de tabaco), promoção de autoestima utilizando as áreas de psicologia, atividades e aprendizados em nutrição, educação física, exercícios em fisioterapia, farmácia, musicoterapia, educação nas escolas (onde é capaz de ampliar a dimensão do projeto, focando em triagem, aconselhamento, identificação e encaminhamento de algum transtorno ou patologia) e etc.
Os projetos citados são direcionados à saúde mental, uma vez que já são instituídos muitos outros de promoção à saúde para patologias incapacitantes.
Além disso, o papel do enfermeiro no CAPS vem se destacando cada vez e proporciona autonomia para gerenciar e liderar as devidas participações.
Dessa forma, com a mobilização social, envolvendo desde as famílias, comunidade até a equipe multidisciplinar, será possível fazer valer a reforma psiquiátrica que está em andamento no nosso país.