Bibliografia


Algumas obras de iniciação

1. Sobre a teoria da Evolução em geral

  • WINSTON, Robert, Evolução, Revolução. De Darwin ao ADN, Porto, DK – Civilização, Editoras, Lda., 2009

   Obra destinada essencialmente a um público juvenil, apresenta-se sob a forma de uma enciclopédia visual. Constitui uma excelente introdução à teoria da Evolução, com uma perspectiva histórica que abarca algumas ideias anteriores a Darwin e os desenvolvimentos posteriores, a par de inúmeras curiosidades.


  • BROWNE, Janet, A Origem das Espécies de Charles Darwin, Lisboa, Gradiva, 2008

   Esta obra, da autoria de uma das maiores biógrafas de Darwin, constitui uma excelente e acessível apresentação da génese das teorias de Darwin e da sua recepção. A sua mensagem é clara: a obra e o pensamento de Darwin estão perfeitamente actuais, constituindo um marco na história das ciências. Imprescindível!


  • Série “Fundamentos e Desafios do Evolucionismo”, publicada em Portugal pela editora Esfera do Caos, sob a direcção científica de André Levy, Francisco Carrapiço, Helena Abreu e Marco Pina
  • Títulos da série: Evolução: História e Argumentos (vol. 1); Evolução: Conceitos e Debates (vol. 2); Vida: Origem e Evolução (vol. 3); Homem: Origem e Evolução (vol. 4).

    A presente série, constituída por artigos de diversos autores - alguns dos quais portugueses -, visa esclarecer os conceitos-chave do Evolucionismo e apresentar os principais debates no seio da moderna Biologia Evolutiva. Apesar de os artigos serem acessíveis, o leitor deverá possuir alguns conhecimentos básicos prévios sobre a teoria da Evolução de modo a tirar proveito da obra em toda a sua extensão.


2. Sobre a teoria da Evolução Humana


  • DUNBAR, Robin, A história do homem. Uma nova história da evolução da humanidade, Lisboa, Quetzal, 2006
      Esta obra apresenta, numa linguagem acessível ao leitor não especializado, a temática da evolução do ser humano nas suas facetas biológica, mental e cultural. Sob a perspectiva da Psicologia Evolucionista, é traçada a linhagem do Homem na “árvore da vida” desde que se afastou do ramo dos símios, enquanto é analisada a sua singularidade em termos do desenvolvimento de capacidades cognitivas (que culminam na reflexão), linguísticas, sociais (destaque para o comportamento sexual, sobretudo na formação de pares monogâmicos) e artísticas. Por fim, é abordado o fenómeno religioso, enquanto dimensão especificamente humana que nos eleva acima da experiência mundana – sem esquecer que a evolução é um processo contínuo que usa materiais preexistentes, não visa a perfeição (não há um desígnio) e não é gratuita.


  • POTTS, Richard; SLOAN, C.,  What does it mean to be human?, Washington D.C., National Geographic, 2010
      Esta obra constitui o compêndio oficial de apoio à exposição do Smithsonian Museum of Natural History no âmbito do Hall of  Human Origins. A questão "O que significa ser humano?" é apresentada com base em evidências científicas de milhões de anos de evolução, desde as nossas origens enquanto primatas até à nossa experiência actual como indivíduos que partilham este percurso evolutivo com todos os outros seres humanos. Após uma introdução sobre o significado do conceito de origem evolutiva, o livro divide-se em 3 partes: Ser humano, tornar-se humano; o princípio da singularidade humana; e a origem de nós mesmos. Profusamente ilustrada, constitui uma obra acessível e abrangente, imprescindível para uma melhor compreensão do ser humano.

  • GRAY, John,  Sobre Humanos e Outros Animais, Lisboa, Lua de Papel, 2007

      O título original é "Cães de Palha" (Straw Dogs) baseada na passagem de Lao Tzu em que este afirma «O céu e a terra são inexoráveis e, para eles, as miríades de seres da criação não passam de cães de palha». Para Gray, o Homem é um animal que sobrevaloriza a sua suposta racionalidade, que se crê  livre para se criar a si próprio e ao mundo. É um ser da natureza que vive na ilusão do progresso sustentada pelo humanismo liberal, mas «fora da ciência, o progresso é simplesmente um mito» e o conhecimento não o torna melhor nem mais livre. O humanismo «não é ciência, mas religião - a fé pós-cristã pela qual os humanos podem fazer um mundo melhor do que aquele em que viveram até hoje». Mas o mundo não precisa de ser salvo nem o ser humano é senhor do seu destino. Uma obra provocadora, quase aforística, que dá que pensar.


  • RIDLEY, Matt, A Rainha de Copas, Lisboa, Gradiva, 2oo4
        O subtítulo da obra é  "O Sexo e a Evolução da natureza humana",  o que aponta para a temática da sexualidade como um aspecto essencial a ter em conta quando se pretende compreender as características universais inerentes à natureza humana. Na perspectiva do autor, a natureza humana evoluiu tendo na sua base características e comportamentos sexuais que a foram moldando ao longo das eras.


    


Obras e documentos de Charles Darwin

1.
Obras completas de Charles Darwin on-line (em inglês):
disponível em http://darwin-online.org.uk/

           A Biblioteca Universitária de Cambridge disponibilizou online um conjunto de documentos pessoais do cientista Charles Darwin, entre os quais uma primeira versão da obra "A Origem das Espécies". Observe-se ainda as anotações e  as ilustrações científicas de animais e plantas efectuadas pelo punho de Darwin.


2. Correspondência de Charles Darwin on-line (em inglês): em http://www.darwinproject.ac.uk/home

           Neste site é possível aceder na íntegra a cerca de 6000 cartas escritas por Darwin a vários correspondentes, bem como recolher informações acerca de outras 9000, permitindo uma pesquisa por temas.


3. Obras de Darwin traduzidas em português

 


Acerca de temáticas mais específicas


1. Sobre o Criacionismo e o Evolucionismo:


  • LEPELIER, Thomas , A Heresia de Darwin – O eterno retorno do Criacionismo, Lisboa, Texto Editora, 2009

     Esta obra constitui uma excelente introdução à querela entre o Criacionismo e o Evolucionismo. Escrita de uma perspectiva histórica, simples e objectiva, procura dar conta do fio condutor desta controvérsia. A obra começa com o capítulo “Fixismo ou Transformismo? O problema da geração nos séculos XVII e XVIII” e termina com “O regresso do Grande Relojoeiro. Uma história a quente do Intelligent Design”. Pelo meio, aborda os movimentos anti-darwinistas e o renascimento do Criacionismo, que doravante se reclama “científico”.


  • AVELAR, Teresa; NEVES, J. Carreira, Evolução a duas vozes, Lisboa, Bertrand Editora, 2009

    Uma das raras contribuições portuguesas integrada nas comemorações do bicentenário do nascimento de Darwin e no século e meio sobre a publicação da sua obra mais notável. A ideia de “Evolução a duas vozes” é inteiramente verdadeira, já que a bióloga Teresa Avelar e o teólogo Carreira das Neves nunca entram verdadeiramente em diálogo. São duas visões da querela, em que a primeira rejeita a possibilidade de coexistência entre a Ciência e a Religião, enquanto o segundo encara-as como duas formas complementares de aproximação à verdade. Imprescindível!


  • GASPAR, Augusta (coordenação), Evolução e Criacionismo: uma relação impossível, Lisboa, Quasi, 2007
   
       O subtítulo da obra, onde se encontram textos da autoria de Augusta Gaspar, Teresa Avelar, Octávio Mateus e Frederico Almada, indica de imediato ao leitor a posição destes cientistas: não é possível estabelecer qualquer relação de diálogo ou mesmo de tolerância entre os criacionistas e os evolucionistas.
     Segundo os autores, a obra tem por objectivo alertar para os problemas criados pelo criacionismo dito "científico" no sociedade em geral e no campo do ensino em particular. A obra aborda a história do Criacionismo Científico, descrevendo os vários movimentos criacionistas e apresentam-se alguns dos seus principais proponentes, ideias e estratégias de divulgação. Apresentam igualmente uma síntese da evolução darwiniana, como é entendida actualmente, incluindo as modificações e debates mais recentes em biologia evolutiva. Assim, pretendem separar os domínios científico e do senso comum/religioso, mostrando que não que ter medo do evolucionismo.

       

  • RUSE, Michael, The Evolution-Creation Struggle, Harvard, Harvard Univ. Press, 2006
        Michael Ruse é um filósofo da ciência, que se considera apoiante da teoria da evolução, mas cuja postura moderada e mesmo crítica lhe tem valido um lugar à parte - quase maldito - no panorama evolucionista. Nas suas diversas obras, Ruse tem procurado sobretudo identificar os aspectos culturais envolvidos no esforço humano para compreender a origem da vida. 
       Neste livro, Ruse explora as origens comuns ao Criacionismo e ao Evolucionismo que remontam à crise da fé perpetrada pelo Iluminismo, bem como as forças sociais da época victoriana que se manifestaram antes e após a publicação da Origem das Espécies.  Oferece uma breve história do fundamentalismo e do surgimento da biologia evolutiva como ciência durante os anos 30 e 40 do século XX, traçando o caminho até aos dias de hoje através da análise do papel de actores como o evolucionista ateu Richard Dawkins e os apoiantes do 'Intelligent Design' . Finalmente, procura compreender a razão pela qual os criacionistas rejeitam a ciência, alguns cientistas transformaram a evolução numa  «religião secular» e ambos os factores se tornaram fonte de uma tensão cultural bem patente.
      Conforme se afirmou «A prerequisite of progress in this cultural struggle is that we should recognize the metaphysical assumptions underlying dogmatic forms of scientific naturalism, and be willing to investigate the concerns that motivate criticism. Ruse has done his best to reveal both.»--John Hedley Brooke (Nature 20051126)
  • CURADO, Manuel (org.), Porquê Deus se temos a Ciência?, Porto, Fronteira do Caos Editores, 2009
  Da contra-capa: "Deus não se vai embora. Todas as pessoas mais cedo ou mais tarde têm de ter uma posição sobre a existência de Deus. Não se conhece nenhuma sociedade que não tenha crenças e comportamentos religiosos. Estes dois factos são extraordinários. Se existissem excepções, a vida humana seria radicalmente diferente. Pensemos em indivíduos hipotéticos que vivessem toda uma vida sem se questionarem sobre a existência de uma entidade criadora do que existe ou a fonte do sentido para a existência do homem e do mundo. Este é um exercício difícil porque não reconhecemos traços de humanidade nesses indivíduos hipotéticos. Talvez algumas pessoas tenham sido e sejam assim. Talvez. É justo, contudo, afirmar a seu respeito que lhes falta algo, como se a grandeza da condição humana passasse obrigatoriamente por uma relação pessoal com a questão de Deus. O mesmo poderia ser afirmado a respeito de uma sociedade que não tivesse crenças religiosas, comportamentos abertamente religiosos e em que ninguém apelasse ao religioso. A imaginação de uma sociedade deste tipo é ainda mais violenta porque ainda mais improvável. Seja como for, a relação entre os seres humanos e o religioso é inesgotável. O presente volume procura compreender alguns dos aspectos dessa relação."
     A obra é constituída por um conjunto de artigos de cariz filosófico, em que o artigo de Manuel Curado, intitulado "O Futuro de Deus", apresenta o maior desafio ao leitor, dado o processo de desconstrutivo e provocador que lhe subjaz. Aqui, segundo o autor, «defende-se que só existe uma forma de religião em todos os povos da terra. (...) Defende-se igualmente que a religião organizada tem afinidades muito profundas com a ciência moderna e que, de facto, uma é o rosto da outra.(...) Tendo isto em atenção, propõe-se uma reflexão sobre o futuro de Deus e o futuro dos seres da Criação. Sem ambiguidade, é defendida a ideia de que o futuro do primeiro não é tão brilhante como o futuro dos segundos.» (pág. 85).