“EUROPA: A Discoteca do nosso descontentamento”
A memória do homem na contemporaneidade é unicamente o presente. O homem nunca se apoderou de um senso de eternidade nem compreendeu da insignificância do momento presente. A Europa está decadente, é um problema civilizacional, é o destino inevitável de cada cultura, depois vem o seu término. A decrepitude espiritual e a metrópole mutante, representam um fim, no qual sempre se chega com certeza.
Nos vários lugares da terra, erguem-se megacidades, pontos onde convergem a vida inteira de vastas regiões. A metrópole significa o cosmopolitismo, não pressupõem um povo, mas uma massa. A aversão dessa massa recua até aos instintos do homem primitivo, pois a humanidade é um conceito zoológico. Um novo sedentário surgiu, um parasita, o habitante das metrópoles, criatura meramente afeita aos factos, desligada, parcela das massas flutuantes, amorfas e sem religião, imbuído de profunda antipatia. Este é o homem que representa a direcção ao inorgânico, ao fim. A vida é a realização da possibilidade, e para o homem existe exclusivamente possibilidades extensivas. O homem do ocidente já não dispõe de capacidade de criar “cultura”. As suas possibilidades “culturais” estão esgotadas. Uma época que harmoniza com o espírito das metrópoles é uma fase de decadência, basta observar o mundo em que vivemos. O cepticismo e a ironia é o retrato da civilização. Corrói a imagem do mundo que nos foi legada pela cultura precedente. A decadência da cultura ocidental está espalhada pelo mundo.