O FIM DA HISTÓRIA


No verão de 1989, surgia o ensaio de Francis Fukuyama sobre os sinais do “Fim da História e o último homem”, o autor identificava muito poucas alternativas credíveis às democracias liberais de mercado, como sendo uma espécie de horizonte insuperável da nossa época. No inverno de 1989, o Muro de Berlim caía, era o princípio do fim da Guerra Fria, o liberalismo e a democracia tinham triunfado definitivamente sobre o comunismo. O século XX fechava finalmente as portas a todos os seus horrores históricos. O declínio dos regimes fascistas e comunistas, as enormes turbulências políticas, as crises económicas e a contestação intelectual tinham terminado, o mundo estava a retornar ao seu ponto inicial, ao "triunfo" do sistema liberal ocidental. Tornava-se evidente que tinha vencido os seus opositores devido a não existirem alternativas credíveis a este modelo.

Hoje, mediante o novo século XXI, depois das “Revoluções Coloridas” e da “Primavera Árabe”, da continuação das intermináveis guerras, dos incontáveis imigrantes, da Crise Europeia, do Brexit, Francis Fukuyama elaborou uma nova teoria. A luta de classes afinal não acabou, mas passou a ser protagonizada pela classe média educada, culta, instruída e sapiente dos seus deveres e direitos. As “Revoluções Coloridas” (2000) foram levados a cabo pela classe média desiludida. Na “Primavera Árabe” (2011), as manifestações foram impressionantes, sobretudo pelo protagonismo da classe média, utilizando as redes sociais e as novas tecnologias para interagir. Na Europa com o “Movimento 15-M”, os “Indignados” que ocuparam as praças de Madrid e na América do Norte com Movimento Occupay Wall Street, a classe média reagi-o à disparidade entre o crescimento económico e a qualidade de vida. Em 2014 voltou a acontecer em Hong Kong, novamente com grande mobilização jovem, optando pela desobediência civil em detrimento da violência, utilizando a guerrilha tecnológica contra a vigilância policial. A classe média é uma força com a qual têm de se contar e que só lhe falta uma “Internacional” para ganhar amplitude mundial. No presente as “Revoluções Coloridas” com as suas dúbias democracias, ainda estão por vingar, a “Primavera Árabe” foi substituída pelo “Outono dos Generais” e dos Revolucionários. Na Europa, América do Norte e mesmo em Hong Kong, os movimentos brilharam, mas perderam força.