UTOPIA
“A noção de finalmente haver paz no mundo através da absorção dos estados individuais em grupos maiores federados e, em última análise, numa só federação, não é coisa nova: já era o ideal de quase todos os pensadores do século XIX.” (Friedrich Hayek)
O caminho que seguimos, este movimento planeado pelos burocratas Europeus em conluio com os organizadores dos monopólios é perigoso. Tem por objectivo ser um sistema unidimensional (Marcuse), no qual a sociedade corporativa, surge como monopólios organizados, como pequenos “estados”, semi-independentes, autónomos e as decisões dos gestores desses “estados” afectam claramente a sociedade. Uma nação que consinta uma tão grande acumulação de poder, não pode permitir que fique exclusivamente sob controlo de gestores particulares. Não deixa de ser uma ilusão julgar que o empresário interage numa sociedade competitiva, mas sim através de uma posição privilegiada. O facto que muitos correm riscos e apenas alguns triunfam, justifica este modelo corporativista. A mudança na opinião pública pela sua influência na legislação tem sido o mais importante factor com que esta evolução seja possível. As medidas que servem para combater os monopólios existem para reforçar o poder dos próprios monopólios. Cada investida, tende a criar interesses que irão ajudar a reforçá-lo. Um sistema em que grandes grupos privilegiados lucram com um monopólio é politicamente totalitário. Um dos factores decisivos da ascensão do fascismo no continente Europeu durante o princípio do século XX foi a existência de uma classe média que foi despojada dos seus bens.
Para haver uma ordem internacional, não é desejável que as fronteiras nacionais marquem diferenças vincadas no estilo de vida. Se os recursos dos diferentes países, forem tratados como propriedade exclusiva dessas mesmas nações, estamos mal, pretende-se o planeamento económico feito internacionalmente. O planeamento à escala internacional resume-se à imposição de regras e dogmas económicas para todos, por parte de um pequeno grupo de burocratas, especialistas relegam os problemas específicos de cada nação, para o limbo, no fundo, impõem a todos de forma impiedosa os seus fins e conceitos.
Uma autoridade Europeia estar a decidir os interesses e opiniões dos vários povos, é empreender o controlo da vida económica de pessoas e ideais com valores divergentes, é assumir responsabilidades que implicam o uso da força e uma posição de domínio. É quase uma certeza que num sistema Europeu planificado, as nações mais ricas por isso mais poderosas iriam impor os seus dogmas às nações carenciadas. Tentar uma coisa destas, numa região povoada por várias pequenas nações, é empreender uma tarefa que só pode ser levada a cabo pela “força”. Perceber que qualquer que seja a decisão tomada, haverá muitos, a maioria, a quem a ordem de prioridades escolhida parecerá extremamente injusta. O seu ódio em breve se virará para a potência que na realidade decide o seu destino. É impossível haver justiça quando cada esforço tem de ser aprovado e quando nada pode ser feito sem o aval da autoridade central de Bruxelas. A gestão dos recursos Europeus por organismos mais ou menos autónomos, um sistema de monopólios reconhecido por todos os governos, mas submetido a nenhum, tornou-se inevitavelmente o pior dos logros, mesmo aquele a quem foi atribuída a administração se revelaram fieis guardiões dos interesses particulares que lhes foram confiados. Os estados individuais vão-se cada vez mais transformando em unidades de administração económica.
O objectivo de uma organização federativa persiste como esperança no próximo grande passo do progresso da civilização. A ideia é reconstruir a civilização em grande escala, mesmo quando os povos eram mais felizes enquanto evitavam a influência perniciosa da centralização. É a através da propaganda da UE, da concentração de todos os poderes e das decisões principais numa única organização, que o homem comum compreende que não conseguiremos preservar a democracia e fomentar o seu desenvolvimento. Aqueles que pregam a UE, que mais não é do que a projecção das tendências desde o século XIX, desejam dos muitos males que a Europa sofre hoje em dia. Estas esperanças devem ser consideradas impraticáveis e utópicas.