As terras do Sítio Rodeador, à época da formação do Arraial, eram de propriedade do sargento de ordenanças João Francisco da Silva, mais tarde, arrendadas ao ex-soldado de milícias, Silvestre José dos Santos. Os referidos ermos férteis, ainda hoje sobrevivem da agricultura, mas que já se entrelaçam pelas práticas do turismo, que destacam a beleza natural da região, embelezada pela monumental Pedra do Rodeador, que de acordo com o Profº Flávio Cabral, “se constituía em sua base numa espécie de lugar sagrado”.
Cada vez mais crentes nas histórias de milagres que a cada dia iam se multiplicando pela região e os arredores dos cariris, e principalmente, encantados pela forte ideia do aparecimento de Nossa Senhora e de Dom Sebastião, a comunidade do Rodeador foi aumentando, fato este que originou um arraial que foi batizado de “Cidade ou Reino do Paraíso Terreal”. O nome não se justifica apenas pela crença e pelo mito a Dom Sebastião e as ideias propagadas por Silvestre; mas também pela exuberante beleza que a natureza ali esculpira. com suas águas cristalinas, flores, floresta, rochedos e animais para caça; nisso podemos verdadeiramente chamar de Paraíso.
No livro – Paraíso Terral: A Rebelião Sebastianista na Serra do Rodeador, Pernambuco, 1820 – do Prof.º e historiador Flávio Cabral, é possível obtermos um perfil das pessoas e lugares que formavam o Paraíso Terreal:
“O povo concentrado na cidade do Paraíso Terreal provinha de vários lugares do próprio território do Bonito (Bananeira, Gavião, Pau D’arco, Sítio do Meio, Gengibre), da Ribeira do Una (que corresponde ao território banhado por este no lugar da Água Preta), freguesia do Capibaribe, Bezerros, Santo Antão, Bom Jardim, Limoeiro, Santo Antônio de Tracunhaém, Goiana e dos Cariris Velhos (Sertão do Ceará). Em sua maioria, consistiam em pessoas que variavam entre 20 e 60 anos, casadas, analfabetas e mestiças. Constituíam um contingente numeroso e móvel.”
Para maior fortalecimento da comunidade, uma irmandade foi criada, a do Bom Jesus da Lapa, onde os líderes eram Silvestre e seu cunhado Manoel Gomes das Virgens; os mesmos tidos como “Procuradores de Cristo”. Na sequência, eram distribuídos em números de 12 pessoas, chamados de “Sabidos” os que assumiam algumas funções nos diversos rituais; os demais adeptos, ou seja, o restante do povo, era chamado de “Ensinados”.
Como toda comunidade, o Arraial, a Cidade ou o Reino do Paraíso Terreal tinha em sua organização sócio-política, uma hierarquia e alguns méritos destacados entre os adeptos, a irmandade do Bom Jesus da Lapa, que condecorava com a distribuição de diversas fitas coloridas, cada uma com seu significado, ou seja, uma simbologia própria:
- Encarnada (vermelho) – representava a guerra a quem se opunha as leis do encanto.
- Azul – representava paz aos que sobre ela viviam.
- Preta – representava o dó, o luto e o sentimento.
- Verde – a esperança dos bens que Dom Sebastião iria distribuir aos eleitos no momento do seu retorno.