Foi um movimento de caráter messiânico, surgido em Portugal na segunda metade do século XVI, fundamentado no retorno de D. Sebastião, Rei de Portugal morto na Batalha de Alcácer-Quibir (Marrocos – África) em 1578. Suas raízes religiosas advêm da concepção que se moldava na vinda do “Messias”, o salvador, aquele que traria a paz, a justiça e a salvação, levando-os para o Paraíso Terreal.
Chega ao Brasil por volta do século XIX. Com destaque para as terras do agreste pernambucano, Bonito. Aqui encontra terreno fértil na religiosidade mística e na forte desigualdade social, componentes básicos do sebastianismo nacional.
Quando falamos de sebastianismo na literatura, indubitavelmente nos vem à mente Fernando Pessoa. Entretanto o mito sebastianista se espraia tão diversamente na literatura luso-brasileira quanto diverso é a quantidade de autores que se apropriam direta ou indiretamente de sua história.
No campo lusitano, além de influenciar e estar presente na poesia de Fernando Pessoa e da prosa do Padre Antônio Vieira, podemos destacar:
Frei Luís de Souza de Almeida Garret e O conquistador de Almeida Faria.
No campo brasileiro temos:
O Romance da Pedra do Reino de Ariano Suassuna e O desejado de Aydano Roriz.
Na sétima arte, D. Sebastião ficou imortalizado na épica obra do lusitano Manoel de Oliveira, Quinto Império.
Obra-prima do cineasta português, essa película é marcada pela quase ausência de ação e muita ênfase na fala. A palavra não estimula o movimento nesse filme, ela é o movimento em si. Não criando um movimento de tempo, mas ocupando o próprio tempo da narrativa, Quinto Império conduz o espectador por uma "comédia" negra do poder, numa viagem introspectiva por um insano e megalomaníaco desejo de um jovem rei que conduz à tragédia, aos poucos, não apenas sua vida, mas a história de toda uma nação.
Em solo nacional, Glauber Rocha, expoente do Cinema Novo nacional, traz à tona, no sertão nordestino, o mito sebastianista através do pitoresco Beato Sebastião em Deus e o diabo na terra do sol.
Inúmeros estudos pelo mundo tem como escopo a questão do sebastianismo. Seja numa vertente teórica de apropriação e ressignificação do mito sebastianista, seja numa análise pontual e localizada de eventos concretos relacionados ao sebastianismo.
Dentre incontáveis nomes podemos destacar:
Nova Teoria do Sebastianismo do lusitano Miguel Real;
Poesia e mito sebastianista de Antônio Quadros;
Fábulas da memória de Lucette Valensi;
No reino do desejado de Jacqueline Hermann; e
Paraíso Terreal: A rebelião sebastianista na Serra do Rodeador de Flávio Cabral.