O Instituto de Pesquisa e Memória Sebastianista Serra do Rodeador-ISR é uma entidade que reúne professores, artistas e pesquisadores que buscam preservar, promover e divulgar as atividades relativas ao movimento sebastianista pernambucano, considerado o primeiro do Brasil - ocorrido na Serra do Rodeador, Bonito-PE, em 1820 - através de ações de caráter artística, cultural e acadêmica.
A iluminura acima é de concepção do artista plástico bonitense Marcelo Júlio. Concebida para ser a marca visual de nosso instituto, a obra-prima de Marcelo busca resgatar os símbolos do sebastianismo luso-brasileiro, com especial destaque para as singularidades do movimento em Pernambuco.
A concepção de nosso instituto busca aliar a pesquisa acadêmica com a leveza e densidade artísticas, caracterizando, na contemporaneidade, as (re)leituras que se lançam sobre o movimento sebastianista e suas atualizações e apropriações.
A imagem de Marcelo Júlio traz em destaque a figura de D. Sebastião, cuja cabeça ostenta a coroa e é atravessada pela espada, símbolos de sua potestade. Numa representação ambígua, a espada, erguida nos areais marroquinos, atravessa sua cabeça representando tanto o poder pessoal monárquico quanto o desfecho trágico de sua vida, e daqueles que o seguiram, seja na batalha de Alcácer-Quibir, seja nas terras pernambucanas.
Ao centro da imagem, um losango disforme nos remete à Pedra do Rodeador e seu movimento sebastianista singular, sintetizando os acontecimentos históricos: na cruz dourada, que lembra a crença e fé do povo sertanejo como também o forte sincretismo das práticas religiosas no arraial; no fogo, que nos recorda a fogueira feita com os corpos dos mortos no fatídico 25 de outubro de 1820, lembrada pelo imperador D. Pedro I - "Pernambucanos, recordai-vos das fogueiras de Bonito"; e na fumaça, que eleva o sacrifício humano ao alto. Dessa composição, surge um ramo de planta que emerge dos sangue dos inocentes, a nos recordar a eterna esperança de um mundo mais justo.
Abaixo, podemos ver um devoto que carrega no braço uma fita. Utilizada pelos membros do arraial, as fitas possuíam diversas cores e simbolizavam as funções de cada um na irmandade.
Por fim, as mãos do devoto, em posição de prece, súplica, e as de D. Sebastião em posição de ataque, descrevem uma composição particular da arte de Marcelo Júlio. Os traços estilizados forjam, por último, a perspectiva de um "S", sintetizando, desta forma, o movimento sebastianista bonitense e a crença no retorno do monarca lusitano, D. Sebastião.