Os adeptos do Arraial Sebastianista do Rodeador, além do ensino religioso, desenvolveram entre eles uma preocupação com a formação de enfrentamento de combate, caso as tropas do Governo tentassem invadir o Arraial.
Ao mesmo tempo, com as armas, a fé no mito de Dom Sebastião serviam-lhes de alimento; fato este que registra-se no relatório da devassa, nos depoimentos dos prosélitos que foram capturados.
De acordo com o Prof.º Dr. Flávio Cabral, no livro Paraíso Terreal, rebelião sebastianista na serra do Rodeador - Pernambuco 1820 (Annablume), narra o mesmo: “(...) Segundo as profecias veiculadas, um dia, dali (da pedra), sairia Dom Sebastião, comandando um fabuloso exército pronto para defendê-los. A imagem de um imbatível e poderoso exército alimentava os ânimos. Era o fermento capaz de uni-los e torná-los fortes e capazes de enfrentar os desafios das forças adversárias, por mais poderosas que fossem”.
Enquanto no Arraial tudo parecia tranquilo, as tropas do Governo munidos da notícia que chegavam, montaram um arcabouço para invadir o Arraial localizado no Sítio Rodeador, no município de Bonito. Dado o comando, embrenharam-se pelo agreste pernambucano em busca do desfecho do Arraial.
Era o dia 25 de Outubro de 1820, que marcaria o fim de um sonho, alimentado pela crença no retorno de D. Sebastião, que os levariam para o Paraíso Terreal; e a fé na Santa do Oratório mostraria-lhes um sinal; este que foi repassado pelo “Mestre Quiou”, o Silvestre.
Descreve-nos o Prof.º Flávio Cabral, na obra Paraíso Terreal, os últimos momentos do Arraial:
“Em uma daquelas reuniões, anunciou Silvestre que, na noite guardada de 25 de Outubro, a Santa do Oratório, que sempre permanecia guardada em uma caixa iria se revelar ao povo. Vaticinou que por ocasião da aparição da Virgem, luzes abririam claros no meio da noite, anunciando o grande prodígio.
O comentário foi tamanho que no dia do pretenso milagre ocorreram curiosos e piedosos em grande quantidade. Segundo consta, no arraial Sebástico, apinharam-se cerca de 400 pessoas, entre homens, mulheres e crianças.
(...) Chegando o dia prometido, como de hábito, o povo se reuniu em derredor do Oratório, rezando e cantando os cânticos costumeiros. Nesse interregno, quando se falava dos sinais do céu e das promessas da Santa, testemunharam-se no meio da escuridão contornando as abas das serras, dezenas das luzes. Como dias antes se haviam falado em sinais que apareceriam no céu (ANRJ. Devassa, p. 11v). Os sinais anteciparam a aparição de Nossa Senhora, o povo dando graças, desejou ir ao encontro do fantástico fenômeno”.
O Arraial foi invadido pelas tropas do Governo num efetivo estimado em 950 homens recrutados entre as milícias de Limoeiro e Santo Antão; com o desfecho, o número de óbitos ocorridos nas refregas é bastante impreciso. Estima-se que o número de óbitos tenham chegado a 79 camponeses. Com seus corpos foi feita uma fogueira. Dos prisioneiros sobreviventes, a maioria foram encaminhados às prisões do Recife.
Sobre Silvestre, nada se registrou, pois não se sabe se ele foi morto, definitivamente, mas que há indícios de sua fuga.