Tem gente que te conquista pela maneira simples e educada com que age a cada momento. Gente que sempre foge dos holofotes, mas que se torna essencial nos locais por onde passa. Gente que escuta besteira e faz de conta que não ouviu. Segue sua vida por ter muito mais com que se preocupar.
É o tipo de coisa que todos deveríamos conseguir fazer. Tocar a nossa vida sem que a impressão do outro (que nem nos conhece direito) fosse tão importante. Eu infelizmente não tenho maturidade para tanto, na verdade conheço pouca gente que tem. Uma dessas pessoas é quem me enviou essa playlist e o texto vai um pouco por esse caminho.
Com uma postura discreta e bastante acolhedora, mesmo nas situações mais tensas, não me lembro de ter visto a pessoa realmente fora de controle. Nunca levantou a voz na minha presença ou algo parecido. Desses momentos, talvez seja melhor comparar a pessoa a um personagem bastante importante da cultura pop e que raramente tem seu valor percebido. O Alfred, mordomo do Batman, que age com parcimônia, funcionando como uma consciência aos heróis de seu núcleo. Muitas vezes a única voz de razão no grupo e quase sempre visto como alguém inferior por quem não está diretamente ligado a ele.
E esse tipo de controle e discrição é importante para que a análise da playlist faça algum sentido. Todos passamos por problemas. Acontece que pouca gente os acompanha. E nem sempre falo dos grandes problemas como uma doença ou uma perda, mas sim dos pequenos problemas do cotidiano que nos afastam do eixo e nos fazem cometer pequenos erros. Os que nos tornam pessoas ofensivas e momentaneamente desagradáveis. Tem quem passe por grandes perdas com uma nobreza ímpar, tem quem ofenda o universo se a marca da água mineral do lugar onde almoça for trocada.
Esqueçamos os estressados com rei na barriga. Hoje é dia de falar dos nobres. Gente que sabe que o universo não gira ao seu redor, mas que sabe que seus atos influenciam o mundo. Gente que segue seu jeito de agir por achar correto e não por dizerem como deveria ser. Gente que produziria uma trilha como essa, com um título como esse e faz parecer ter todo o sentido do mundo.
Afinal, sempre que se pensa em recomeço, a ideia é de uma grande mudança, algo radical. Pensando em música, ir de ópera para bossa nova e depois para heavy metal. Muitos dos recomeços são assim. O passado realmente é colocado para trás e se tenta algo totalmente novo. Diferente dessa playlist onde todas as músicas conversam entre si e num olhar superficial parecem apontar em uma mesma direção. É preciso entender que é justamente o oposto. Elas partem de um mesmo ponto e cada uma vai para um lado diferente, afinal, cada recomeço é apenas uma mudança de direção e não um apagar de quem somos se a nossa essência já nos satisfaz. Não precisamos jogar tudo fora e sim partir pra um novo rumo a partir do que já somos.
Ouça essas músicas e procure se lembrar de que independente da direção que você resolva seguir, nunca deixará de ser quem é.