O mundo coloca pessoas em nossa vida que a gente nem sabe como ou porquê. Acasos que nos levam a crescer de forma inesperada e muitas vezes sem o menor sentido. Foi assim com essa playlist, ou melhor com quem a enviou para mim. Nem lembro mais como conheci a pessoa. Encontros bissextos, algumas conversas virtuais e confidencias trocadas de forma bem superficial.
Eis que o tempo passa e de repente um de seus filhos passa a se tornar figura constante em minha vida. Primeiro como membro de um time de robótica que sempre ajudo, depois como aluno. Um jovem que aprendi a conhecer e a entender. Sedento pelo futuro como todo jovem, com pressa e alguma irresponsabilidade inerente a faixa etária, mas não é ele o foco do texto, então melhor voltar ao tema.
Essa playlist, num primeiro momento não fazia muito sentido pra mim. Só depois, analisando a convivência com seu filho e novas conversas e uma nova proximidade (daquelas que a pandemia permite) é que pude entender um pouco da escolha das canções e principalmente do título.
Por mais que cada pessoa pareça ser unidimensional a um primeiro olhar, só com mais apuro no convívio é que conseguimos realmente ver que cada pessoa possui muito mais que um lado. O que é limitado não é o fruto da observação, mas sim o observador, que escolhe uma linha e raramente tem percepção suficiente para aprofundar as camadas do seu jeito de ler a pessoa.
E essa leitura superficial é causadora de muitos enganos e mal entendidos. Muitas vezes a gente julga o outro sem saber exatamente o que se passa e principalmente como se passa cada situação. É engraçado perceber que quando a gente olha pro nosso interior enxerga cada uma das camadas e não vê nada de estranho nas próprias ações. Se o que parece estranho no outro é parecido com o que é normal para você, o que nos leva a pensar assim?
Nestes tempos sombrios em que a opinião mais divide do que gera conhecimento, pouco temos nos aberto ao outro. Isso só nos faz mal, faz com que cada pessoa aprenda menos, crie menos e perca ótimas chances de convivência. Temos que deixar o orgulho de lado, se abrir ao novo e recolher os fragmentos que o outro nos oferece. Aprender com o diferente e se possível a todo instante tentar ser alguém melhor, como a pessoa que me mandou essa playlist.