Existem pessoas como eu, mais contidas e com menor capacidade de expressar seus sentimentos. Existem pessoas que se expressam com uma facilidade maior, sem grandes crises com isso. Existem, porém, pessoas extremamente sanguíneas. gente que deixa seus sentimentos e opiniões aflorarem de forma que fica muito fácil perceber o que elas pensam, como elas pensam e em alguns casos até o que as leva a pensar de determinada forma.
E abro esse texto falando assim, pois esta é justamente uma das características marcantes de quem me enviou esta playlist. Recheada de músicas que eu nunca me canso de ouvir, com certeza estas músicas passaram muitas vezes pelo meu rádio (em diferentes fases da vida). E aí vem um mote interessante para o texto. Incrível como o gosto musical de duas pessoas em diversos pontos opostas pode ser bastante parecido.
Gosto das bandas citadas, gosto das músicas e posso escrever sem problema algum que gosto da pessoa que as selecionou. Isso no entanto não nos faz pensar ou agir de forma parecida. Vemos o mundo em cores diferentes e isso não nos impede de conviver bem e respeitar. Afinal, viva a diferença! Só convivendo com o diferente é que colocamos à prova nossas crenças mais interna crescemos, seja através de mudança de pensamento, seja pela confirmação daquilo que já era importante.
Talvez a diferença mais marcante entre nós seja a forma de expressar o que se sente. Como já disse, sou contido, tímido, medroso e acabo me expressando melhor por escrito. Quem mandou a playlist é justamente o oposto, você vê de longe o bom ou mau humor, as ações por vezes intempestivas são extremamente comuns e esperadas. Por vezes parecem exageradas? Talvez, mas quem tem o direito de julgar uma pessoa por ser quem ela é? Aliás, esse tipo de julgamento (que vez ou outra todo mundo faz) é realmente absurdo. Se você não consegue respeitar a forma como alguém é, se afaste da pessoa. Não julgue, não coloque a culpa no outro pela sua limitação.
Acho incrível quando alguém consegue se expressar de forma tão clara. Os rompantes de amor e ódio podem até assustar (e assustam muitas vezes), mas mostram uma transparência única que torna muito mais fácil confiar ou não em alguém. Isso é impagável nos dias de hoje, saber em quem você realmente pode confiar e em que aspectos. Eu creio que a confiança sempre deve ser ligada a assuntos específicos, mas isso é papo para outros textos.
Voltemos aos amores. Sim, os amores que podem até incomodar por parecerem monotemáticos e sufocantes quando você apenas observa, ao menos são sinceros. Se a afirmação muitas vezes parece uma forma de conseguir destaque ou mera insegurança. A defesa desse tipo de ação passa pelos mesmos pontos atacados.
Qual amor não é monotemático e excessivo? Se você está apaixonado por algo, dificilmente consegue raciocinar o suficiente para ter uma relação realmente sadia com o foco do desejo. Seja uma comida, uma bebida, uma atividade ou mesmo uma pessoa. Raramente o controle existe quando a paixão (e sensação de prazer causada por ela) nos toca. E talvez externar isso seja uma forma de garantir um mínimo de auto controle. Já que colocando para fora muitas vezes a gente se escuta e percebe o quanto está agindo de forma exagerada.
Claro que nunca é saudável ter a visão turva pelo amor. Só enxergar uma pessoa, ver alguém acima de todos e não enxergar os defeitos. Um aparte nesse ponto, uma amiga que viveu um longo e feliz casamento por muito tempo (infelizmente seu marido partiu cedo), sempre dizia "amar tem que ser sempre apesar dos defeitos e nunca esquecer que eles existem". Se algo exala perfeição é porque você precisa se afastar um pouco e olhar de outro ângulo. Busque as falhas e veja se elas estão dentro do aceitável para você.
Um outro ponto importante, é lembrar que não é feio ou vergonhoso amar. Ame, ame muito aquilo que faz e deixe claro isso, principalmente para você. Falo isso sem medo de me expor. Uma certa anedonia sempre tomou conta de mim e eu sei bem dos motivos, não vale a pena expor aqui e agora (alguns estão no livro, vale a pena ler). Talvez isso me leve a ser tão complacente com quem aparentemente ama demais. E tem outro ponto importante. Se a alegria do outro me incomoda, com certeza o problema está comigo, ver alguém feliz deveria nos deixar feliz também. E quando estas pessoas estão tristes, com certeza fica muito mais fácil entender os motivos e ai se possível ajudar.
Você também tem seus amores excessivos? Como lida com eles? Gostaria de amar mais? Amar menos? Pense sobre o tema.