Difícil saber se somos grandes ou pequenos, mas entender nosso real tamanho diante dos desafios que surgem a cada momento nos permite entender até onde podemos chegar e principalmente o que realmente podemos fazer!
Estava com saudade e medo de voltar a escrever. Estava com receio de não saber mais colocar as palavras no papel. Tudo graças a uma grande virada em minha vida. Mais uma num curto espaço de tempo onde mais uma das minhas frágeis certezas foi colocada a prova e eu novamente fui derrubado.
Se até 2018 eu era uma pessoa que tinha total consciência e controle das ações e do próprio corpo. Alguém que acreditava ser o certo viver para fazer o melhor trabalho cerebral possível e que eu tinha nascido para isso, fui jogado ao chão por um tumor e principalmente por uma neuropatia.
Vieram os primeiros desafios e eu percebi que a única forma de vencer era mudando o rumo e as habilidades que eu acreditava ter. Mesmo com menos controle motor, me tornei mais manual e passei a usar meu cérebro cada vez mais para o mundo real e próximo e menos para o que se mostrava distante do meu mundo. Isso até virou um livro, o livro que é a origem desse site, aliás. Nele eu fui me desnudando até parar com a auto piedade e entender que era o que eu tinha no momento, eu teria que ser outra pessoa.
Só que nada no fundo é tão simples quanto a gente quer. Voltar ao trabalho no começo foi fácil, até perceber que o trabalho também havia mudado e não me queria mais. Ok, direito da empresa, mas ser colocado de escanteio, vendo gente sofrendo para fazer o que eu poderia ajudar em minutos, foi dolorido. Demorou para entender que eu simplesmente não era mais bem vindo no local, seria muito mais honesto e justo, que as pessoas que tinham o poder de decidir isso, simplesmente me comunicassem, mas isso vem em outros textos.
Eu me senti mal (e ainda me sinto, as vezes), por na minha cabeça passar a ideia maluca de que eu nunca mais poderia fazer direito o que eu me achava muito capaz de fazer (afinal, preferiram pessoas que sofriam para entregar as informações do que alguém que eles sabiam que já fazia aquilo). Isso foi de encontro a uma das minhas grandes vaidades, eu sempre me gabei de ser capaz de fazer e até de ser bom nisso.
A situação me mostrou outro mundo e eu percebi que não era tão capaz assim, não conseguia fazer sem uma mínima autorização que não dependia de mim. Em 20 anos de empresa, pela primeira vez eu realmente me senti inútil e a demissão só serviu para colocar o pensamento de incapacidade ainda mais forte na minha mente. Meses buscando recolocação e nada aparecendo, meses buscando e a cada vez me sentindo mais impotente. Ainda hoje, já mais forte, coisas simples como fazer a barba e cortar o cabelo nem fazem tanto sentido como deveriam.
Pois é, a grana não está entrando, mas por sorte, surgiram projetos que me fizeram perceber que eu ainda sou capaz de fazer muita coisa. Que hoje sou um educador melhor do que a um ano atrás, que hoje consigo ajudar pessoas que realmente precisam e minhas ações se tornaram mais acertivas e diretas, consigo entregar mais com muito menos. Sou uma pessoa melhor, mesmo sem um centavo no bolso.
Atuar na Expo Favela e ver negócios de "vizinhos" meus que eu de certa forma não observava, ou não percebia a realidade, atuar no Hackathon do Movimento Black Money e conhecer gente MUITO PODEROSA e do mesmo local de onde eu vim. Eu aprendi tanto em dois dias que nem sei como descrever tudo. Foi uma experiência sensacional estar com gente como eu que quer e vai mudar o mundo. Jovens de todas as idades participando e mentorando e crescendo, porque todo mundo estava aberto a trocar, aprender e construir. Isso é EDUCAR, EDUCAR é ajudar a tornar livre e isso é o que eu tenho conseguido atualmente, tanto nas minhas redes sociais, quanto nas minhas ações diárias.
Eu hoje sei o meu tamanho e sei o que posso fazer. Sei onde posso estar e sei que posso fazer muito ainda. Longe da proteção do trabalho social de boutique que eu fazia, sei que posso e devo fazer algo no mundo real, e é para onde eu vou. Você sabe o seu tamanho? Sabe o que pode fazer no mundo? Vem comigo e vamos agitar as estruturas, para que pessoas não possam mais definir o tamanho de outras por seus olhos elitizados e sem coragem de olhar realmente dentro. Vamos ajudar as pessoas a serem quem realmente são com toda a sua força, sem medo de um mundo que só sabe obter respeito através da força e não através da capacidade (já que não tem isso).
A imagem que abre o post foi gerada por IA pelo site https://creator.nightcafe.studio/ em breve eu volto falando sobre o peso real desse tipo de tecnologia.