Neste tópico, vamos nos desprender um pouco do grid e representar volumes e espaços à mão livre. Veremos uma série de técnicas e dicas para editar a caixa básica com a qual já nos familiarizamos, e praticaremos também o desenho de cilindros, esferas, variações geométricas e formas orgânicas, buscando sempre manter a coerência espacial com os princípios gerais da perspectiva. Tudo isso servirá de base para que, com treino, consigamos desenhar praticamente qualquer coisa: por exemplo, a figura humana, que exploraremos de forma introdutória como ápice deste assunto.
O mundo visível é complexo. Para melhor gerenciar o processo do desenho, a proposta é tentarmos simplificá-lo; e, quando o desenho busca sugerir perspectiva e espaço tridimensional, uma forma eficaz de simplificação é "encaixotar mentalmente" - imaginar como se houvesse caixas em volta dos objetos.
Já tendo praticado o desenho de caixas em perspectiva, a habilidade de visualizar caixas simples em volta de objetos mais complexos vem complementar e ampliar a nossa habilidade de desenhar esses objetos - isso, porque caixas permitem uma visualização bem evidente dos planos tridimensionais do objeto: frente, laterais, topo, base. Visualizar esses planos em qualquer objeto é o truque-chave para entender como eles podem ser desenhados em perspectiva.
Veja abaixo mais explicações e exemplos sobre esse conceito.
Duração: 6'34"
Mas nem só de caixas se constróem nossos desenhos - outras duas formas geométricas tridimensionais também podem ser úteis: esferas e cilindros. Praticar o desenho dessas três formas básicas vistas de qualquer ângulo em perspectiva traz benefícios grandiosos à nossa capacidade de desenhar a partir da imaginação.
Esferas, caixas e cilindros podem requerer artifícios diferentes para que possam sugerir aspectos de tridimensionalidade. As caixas dependem, essencialmente, da convergência de arestas, de acordo com os princípios da perspectiva linear; já as esferas não precisam que as linhas convirjam, mas requerem o uso de contornos cruzados (linhas que correm "ao redor" da superfície da forma - como um elástico em volta de uma bola); e os cilindros, por sua vez, utilizam uma mistura das duas coisas: convergência das arestas nas laterais e aberturas diferenciadas das elipses que correspondem ao topo e à base.
Explicando em palavras soa abstrato ou complexo demais? Veja abaixo alguns exemplos visuais sobre como desenhar cada uma das formas básicas 3D... e pratique!
Duração: 5'01"
Agora, imagine que as três formas básicas - esfera, caixa e cilindro - não são rígidas, mas feitas de algum material super elástico, flexível e modelável. Imagine que elas podem ser esticadas, amassadas, retorcidas, curvadas, dobradas, deformadas.
Essa flexibilidade na alteração das formas básicas permite a criação de formas derivadas delas que sejam mais orgânicas - não geométricas ou "monolíticas", mas dinâmicas, naturais e, de certa forma, até "vivas" ou animadas. Se você consegue imaginar suas esferas, cilindros e caixas como se fossem feitos de massinha de modelar ou algo parecido, não precisa ficar limitado a desenhar apenas formas "básicas"; pode transformá-las e adaptá-las livremente como precisar.
Abaixo, é possível ver alguns exemplos com explicações adicionais. Mas lembre-se que o maior segredo é praticar!
Duração: 21'54"
É hora de juntar tudo o que estudamos.
Muitos desenhistas costumam ter interesse especial em desenhar natureza (plantas, animais, paisagens...) e... pessoas! Ou personagens. Todos esses seres e coisas são compostos por formas naturais e vivas bem mais complexas de se desenhar do que formas geométricas, claro - mas as formas básicas e suas derivações orgânicas, como estudamos anteriormente, são o ponto de partida para elas.
Aliando os princípios da perspectiva à técnica de adicionar/recortar pedaços e à prática do desenho de formas básicas e formas orgânicas, é possível desenhar praticamente qualquer coisa do mundo visível tridimensional, incluindo personagens, animais e a figura humana. Simplificação continua sendo a dica principal - juntando os fundamentos que já estudamos, chegamos, então, à construção de manequins.
Um manequim, no desenho, é realmente como se fosse aqueles manequins que vemos em vitrines de lojas: uma versão bem simplificada da estrutura geral do corpo humano. Ao desenhar, utilizamos formas básicas (esferas, cilindros e caixas) e, principalmente, variações orgânicas dessas formas básicas, e as combinamos em uma estrutura tridimensional composta: o crânio pode ser uma esfera; o pescoço, um cilindro; o tronco, uma caixa; e assim por diante. E todas as formas que compõem aquela estrutura se conectam visualmente de forma coesa, como parte de um todo maior. Essa técnica se aplica bem tanto à figura humana quanto ao desenho de animais e até de objetos complexos.
Se a ideia geral já fez sentido pra você, os vídeos abaixo ajudarão a visualizar como colocar essa ideia em prática.
Duração: 4'12"
Duração: 4'17"
Desenhe diversas caixas, cilindros e esferas à mão livre em diferentes perspectivas. Você consegue desenhar essas três formas básicas vistas de qualquer ângulo? Todos os seus desenhos parecem tridimensionais e em perspectiva?
Desenhe algumas caixas à mão livre e, em seguida, experimente recortar e adicionar pedaços à vontade, modelando a caixa básica e transformando-a em objetos mais complexos. Se quiser ir além, pratique também com cilindros e esferas!
Desenhe livremente formas orgânicas diversas. Você pode pegar qualquer uma das três formas básicas como ponto de partida e imaginar a aplicação de alguma força que a deforme: curvar, dobrar, torcer, amassar, esticar. Talvez imagine de que tipo de material essas formas/objetos seriam feitos. Use sua imaginação para brincar com as possibilidades e, se precisar, busque inspiração no mundo real.
Busque por imagens de referência de pessoas em poses diversas e faça estudos de manequim dessas poses. Vídeos de esportes, dança ou ioga são boas fontes de referência. Outra boa fonte para referências de poses é sites voltado para desenho da figura humana, como o http://www.line-of-action.com
Ao desenhar, ignore detalhes, preze pela simplificação, releve um pouco as "proporções ideais" e lembre que não há "resposta certa" sobre como o manequim deve ser construído: o importante é apenas que as formas pareçam tridimensionais, e a figura, coesa e unificada.
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(Vídeo) Autor: Proko
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