Se aprender a desenhar é, antes de tudo, aprender a ver, vamos começar compreendendo e praticando a habilidade mais básica do desenho: visualizar os contornos das formas e representá-los através de linhas.
Linhas não existem no mundo real. Elas são um artifício que utilizamos, no desenho, para descrever a forma visual das coisas.
Ao observar objetos tridimensionais, conseguimos perceber arestas - limites, bordas, separações entre as coisas. E, ao desenhar, representamos as arestas que percebemos com o uso de linhas.
Mas a percepção de arestas é algo relativamente subjetivo. O desenhista não é um "espelho puro" daquilo que vê. Entre as arestas observáveis e as linhas que usamos no desenho para representá-las, existe o filtro criativo da percepção e interpretação do desenhista. Ao tentarmos desenhar algo a partir da observação, inevitavelmente, "destilamos" e, em algum nível, modificamos o que vemos a partir de nossa compreensão para poder desenhar. O desenho é, sempre, uma representação, e, por isso, não é o objeto real que ele representa - e nem precisa ser. Nesse sentido, todo desenho é fruto da interpretação subjetiva do desenhista. É por isso que, se duas pessoas desenharem uma mesma coisa, cada uma produzirá um desenho diferente.
Assim, nosso trabalho, aqui, será: 1) observar; 2) identificar arestas visíveis a partir de nossos conhecimentos e experiência; e 3)"traduzir" essas arestas em linhas.
Veja abaixo uma explicação com exemplos visuais.
Duração: 8'29"
Em 1979, a artista e educadora Mona Brookes elaborou uma síntese dos "elementos básicos da forma". Eles funcionam como um conjunto de partes, componentes que podem ser modificados e combinados e a partir dos quais podemos construir as formas que comporão um desenho linear - seja ele qual for.
Resumindo ainda mais, podemos reduzir o "alfabeto" do desenho a dois elementos essenciais: linhas retas e linhas curvas.
É importante notar que, dentro dessas duas categorias, existem inúmeras possíveis variações. Uma linha reta pode ser horizontal, vertical, diagonal em diversas angulações, longa, curta, firme, oscilante... da mesma forma, uma linha curva pode ter uma forma similar à letra C, ou à letra S, pode ser uma curva suave ou intensa, longa ou curta, pode ser uma espiral, uma sequência de ondulações, pode ser uma curva regular ou aleatória, simétrica ou assimétrica... o treino da observação atenta é o que nos permitirá discernir e escolher que tipo de linha usar em cada momento e em cada parte do desenho.
O vídeo abaixo traz uma proposta de exercício que pode ajudar a entender como identificar os "elementos básicos da forma" (essencialmente, linhas retas e curvas) até mesmo em formas extremamente complexas como uma fotografia de rosto.
Duração: 2'28"
Nos vídeos abaixo, você pode assistir algumas demonstrações do processo de desenho a partir da utilização dos conceitos de arestas e elementos básicos da forma no intuito de se produzir um desenho linear - construído apenas com linhas.
Obs.: os vídeos não têm som.
Duração: 3'55"
Duração: 4'16"
Olhe para o mundo à sua volta e tente perceber os contornos das coisas. Você consegue identificar os elementos básicos da forma? Onde você vê linhas retas? E curvas? Talvez linhas angulares, círculos ou pontos?
Pense um pouco sobre o seu próprio processo de desenho: você consegue "esquecer" o conceito daquilo que você está vendo e enxergar tudo apenas como linhas, arestas e formas? Por exemplo: ao desenhar um rosto, é possível (por alguns momentos, que seja) não pensar que aquilo é um rosto, e sim apenas um conjunto de arestas, linhas retas e curvas, em diferentes tamanhos e direções?
Busque por imagens que você ache interessantes. Utilize-as como referência para praticar o desenho de observação.
Se não souber onde procurar imagens, recomendo estes sites:
...ou o bom e velho "Google Imagens". Apenas pesquise um tema ou palavra-chave que te interesse.