Olá, estudante! Espero que esteja gostando dos conteúdos que já abordamos por aqui, em nossas lições do curso de Técnico em Agronegócio, sobretudo em nossa disciplina de Empreendedorismo II. Na última lição, vimos algumas das diversas fontes de financiamento disponíveis para empreendedores, destacando a importância da captação de recursos para o desenvolvimento e crescimento das startups, a fim de fornecer uma visão abrangente do ecossistema financeiro empreendedor. Ao tratar desse tema, enfatizamos a diversidade de opções disponíveis e impacto dela no sucesso e na sustentabilidade dos empreendimentos. Vimos, ainda, as características e os benefícios de cada modalidade de financiamento, e buscamos orientar os empreendedores, como você, na identificação das fontes mais adequadas às suas necessidades e aos seus estágios de desenvolvimento, promovendo, assim, uma compreensão mais ampla e informada sobre o processo de captação de recursos.
Na lição de hoje, os principais objetivos são fornecer orientações abrangentes sobre os aspectos financeiros e estratégicos envolvidos na criação de um empreendimento, com foco no setor do agronegócio. Abordaremos a necessidade de calcular e planejar os recursos financeiros necessários, incluindo investimentos fixos, capital de giro e investimentos pré-operacionais.
Além disso, destacaremos a importância de considerar a carga tributária, a localização estratégica, a gestão eficaz, a formação de uma equipe qualificada e a identificação e gestão dos insumos, além da relevância da elaboração de um plano de negócios adaptado às especificidades do mercado e da busca por profissionalização na gestão, visando a aumentar as chances de sucesso do empreendimento. Venha entender, na lição de hoje, esses assuntos e muitos outros!
Embora recebamos diversas orientações de como calcular recursos financeiros e estratégias para iniciar um empreendimento no agronegócio, ainda há desafios a serem enfrentados. Um dos principais pontos de preocupação é a complexidade da carga tributária, a qual pode variar significativamente de acordo com o tipo de negócio e a região geográfica. Tal situação representa, muitas vezes, uma barreira significativa para empreendedores iniciantes, não familiarizados, frequentemente, com os detalhes do sistema tributário. Portanto, correm o risco de incorrer em custos adicionais inesperados.
Além disso, a identificação e aquisição adequada de insumos essenciais para o empreendimento podem se tornar um desafio logístico, especialmente em áreas remotas ou com acesso limitado a fornecedores. A falta de matéria-prima ou a incapacidade de garantir um fornecimento consistente são capazes de prejudicar seriamente a operação e a competitividade do negócio. Essa situação destaca a importância de estabelecer parcerias sólidas e desenvolver estratégias eficazes de gestão de cadeia de suprimentos.
A criação de uma equipe qualificada e a gestão eficaz do empreendimento são aspectos cruciais para o sucesso em longo prazo. No entanto, em um contexto no qual a profissionalização na gestão, em muitos empreendimentos de pequeno e médio porte, ainda é limitada, pode ser desafiador atrair e reter talentos qualificados, o que resulta em dificuldades operacionais e limitações no crescimento do negócio.
Portanto, além de garantir recursos financeiros adequados e estratégias bem definidas, os empreendedores também precisam se concentrar na construção de equipes capacitadas e na implementação de práticas eficazes de gestão, para superar esses desafios.
Agora, sabendo disso tudo, nesse contexto, qual será o seu papel como futuro(a) técnico(a) em Agronegócio? É exatamente isso que compreenderemos no decorrer da lição!
Há muitos anos, em uma pequena cidade rural, vivia João, um jovem entusiasmado com o potencial do agronegócio. Desde criança, ele ajudava seus pais na fazenda da família, aprendia os segredos da terra e desenvolvia amor pela agricultura. Ao completar seus estudos, João decidiu seguir seu sonho de empreender no agronegócio e transformar a fazenda familiar em um empreendimento próspero.
Ao iniciar seu projeto, no entanto, João enfrentou uma série de desafios. Ele logo percebeu a complexidade da carga tributária sobre os produtos agrícolas e teve dificuldades em entender como ela afetaria suas finanças. Com determinação, ele buscou orientação especializada e trabalhou duro para desenvolver um plano financeiro sólido que levasse em consideração todos os aspectos fiscais.
Enquanto isso, João também se viu diante do desafio de garantir insumos de qualidade à sua produção. Com paciência e pesquisa cuidadosa, ele estabeleceu parcerias confiáveis com fornecedores locais, bem como desenvolveu um sistema eficiente de gestão de estoque. Com isso, ele conseguiu evitar contratempos na produção e manter a qualidade de seus produtos.
Com o tempo, João construiu uma equipe dedicada e qualificada que compartilhava sua paixão pelo agronegócio. Juntos, eles enfrentaram os desafios do mercado, trabalhando duro para garantir o sucesso do empreendimento. Graças ao planejamento cuidadoso, à gestão eficaz e à dedicação incansável, a fazenda tornou-se um exemplo de sucesso no agronegócio, inspirando outros empreendedores a seguirem os mesmos passos de João.
Note que essa história reforça o quanto é necessário realizar um ótimo plano de negócios, mas, especificamente, mostra o quanto o levantamento de recursos, orçamento e investimentos pode contribuir para o sucesso dos empreendimentos ao longo do tempo! Vamos aprender mais sobre esse assunto?
Segundo o Sebrae (2013), é importante calcular o total de recursos que serão necessários para iniciar as atividades da empresa. Esse investimento total inclui três partes principais: investimentos fixos, capital de giro e investimentos pré-operacionais.
Os investimentos fixos estão relacionados a todos os equipamentos e itens que você precisa adquirir para que seu negócio funcione corretamente. Já o capital de giro é o dinheiro necessário às operações diárias da empresa, como compra de matéria-prima, financiamento de vendas e pagamento de despesas. O estoque inicial consiste nos materiais essenciais para fabricar seus produtos ou nas mercadorias que serão vendidas. Dessa forma, o capital de giro próprio é o dinheiro que a empresa deve ter disponível para cobrir os custos até o dinheiro das vendas entrar no caixa. Segundo o Sebrae (2013), é como uma reserva de emergência para garantir que as despesas sejam pagas enquanto você espera pelos pagamentos dos clientes.
Por exemplo, ao iniciar um negócio no agro, você precisará calcular não apenas o custo dos equipamentos agrícolas necessários, como tratores e máquinas, mas também o dinheiro necessário para comprar sementes, fertilizantes e outros insumos, além de reservar fundos que cubram as despesas enquanto há a espera pelas vendas das colheitas. Para calcular quanto dinheiro será necessário em caixa, é importante determinar os prazos médios de vendas, compras e estocagem. Essas informações podem ser obtidas com pesquisas junto aos concorrentes e fornecedores. Esses prazos são fundamentais para calcular o capital de giro, pois, quando vendemos, muitas vezes, concedemos prazos aos clientes, enquanto somos financiados pelos fornecedores com prazos de pagamento negociados. O caixa mínimo é o dinheiro necessário ao financiamento das operações iniciais da empresa. Para calculá-lo, multiplicamos a necessidade líquida de capital de giro em dias pelo custo total diário da empresa (SEBRAE, 2013).
Os investimentos pré-operacionais, segundo o Sebrae (2013), são os gastos realizados antes do início das atividades da empresa, como despesas com reformas, taxas de registro, entre outros, ou seja, são os custos que surgem antes mesmo de abrir as portas para os clientes. Portanto, o investimento total é a soma dos valores estimados aos investimentos fixos, financeiros e pré-operacionais, ou seja, é o total a ser investido no negócio. Ele inclui os investimentos fixos, a necessidade de capital de giro e os investimentos pré-operacionais. Depois de calcular o investimento total, é importante decidir se o capital para iniciar a empresa virá dos próprios recursos dos proprietários ou de terceiros, como instituições financeiras (assunto discutido em lições anteriores).
Por exemplo, se estivermos iniciando um empreendimento agrícola, precisaremos não apenas do dinheiro para comprar sementes, equipamentos e pagar despesas prévias, mas também de uma reserva financeira destinada a cobrir os custos operacionais até que comecemos a colher e vender nossos produtos. O financiamento pode ser feito através de economias pessoais dos proprietários ou de empréstimos bancários.
Segundo o Sebrae (2013), estimar o faturamento mensal de uma empresa que ainda não começou suas operações é desafiador. Uma maneira de fazer essa estimativa é multiplicar a quantidade de produtos que se planeja oferecer pelo preço de venda de cada um. Esse preço deve ser baseado em informações de mercado, levando em conta os preços praticados pelos concorrentes diretos e o quanto os clientes em potencial estão dispostos a pagar.
Também é importante estimar o custo unitário dos materiais necessários, como matéria-prima e embalagem, além de considerar custos de terceirização, se houver. Tal estimativa é especialmente relevante se você estiver pensando em abrir uma indústria. Os custos com materiais, incluindo matéria-prima e embalagem, são classificados como custos variáveis na indústria, assim como as mercadorias em um comércio, e variam de acordo com o volume produzido ou vendido. Por exemplo, se você planeja abrir uma empresa agrícola que produzirá suco de frutas, precisa estimar não apenas quantos litros de suco pretende vender, mas também qual será o custo por litro, considerando os preços das frutas e das embalagens. Essa estimativa ajuda a entender não só quanto a empresa poderá faturar, mas também quais serão os custos envolvidos na produção.
Affonso, Ruwer e Giacomelli (2018) discutem a importância de elaborar o orçamento de capital, o qual se refere aos gastos planejados ao longo de um período específico, para manter e melhorar a capacidade produtiva da empresa. Esse tipo de orçamento inclui despesas relacionadas à compra de máquinas, veículos, construção de estruturas e quaisquer outras modificações feitas com intuito de melhorar ou substituir equipamentos. Além disso, no orçamento de capital, são considerados os investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Essas despesas são cruciais para garantir que a empresa se mantenha competitiva e inovadora.
As informações provenientes de diversos orçamentos são utilizadas para criar o orçamento de caixa, que prevê o fluxo de entrada e saída de dinheiro ao longo de um período futuro. Esse orçamento ajuda a empresa a planejar suas finanças e a garantir que tenha os recursos necessários para suas operações e investimentos planejados. Por exemplo, se uma empresa agrícola planeja expandir sua capacidade de produção, ela pode incluir no orçamento de capital os custos de aquisição de novos equipamentos, de construção das novas instalações e do investimento em pesquisa para desenvolver novas técnicas agrícolas. Esses gastos são então considerados no orçamento de caixa, a fim de garantir que a empresa tenha os fundos necessários para realizar esses investimentos e manter suas operações funcionando sem problemas.
Tajra (2021) destaca a importância de levantar várias informações ao elaborar um plano de negócios. Ele enfatiza que é crucial escolher uma área de atividade na qual você já tenha experiência ou conhecimento prévio, pois tal característica facilita o processo, uma vez que você terá ao menos uma compreensão básica de como as coisas funcionam, das expectativas dos clientes e da dinâmica do mercado. Por exemplo, abrir uma floricultura sem conhecimento sobre cuidados com flores pode ser arriscado, assim como gostar de pizza não garante sucesso ao abrir uma pizzaria. É essencial investir em algo que você conheça bem e domine. Ao optar por um empreendimento que conhece bem, aumentam as chances de sucesso, pois você está mais preparado para lidar com os desafios e tomar decisões informadas.
Dessa forma, a ideia seria a seguinte: se você tem experiência em agricultura, considere iniciar um negócio relacionado ao agronegócio, como uma fazenda de cultivo orgânico. Se sua experiência é voltada para a área de panificação, pense em abrir sua própria padaria, aproveitando seus conhecimentos prévios do setor. Em suma, a ideia é simples! Basta escolher uma área na qual você tenha afinidade e expertise, atributos fundamentais para aumentar suas chances de sucesso como empreendedor.
Além disso, segundo Tajra (2021), para garantir o sucesso do empreendimento, é crucial avaliar o recurso financeiro necessário. Se os empreendedores não possuem capital suficiente, é importante considerar como podem obtê-lo, o que, muitas vezes, envolve a avaliação de crédito, ou seja, a garantia de que o dinheiro emprestado será devolvido. Algumas perguntas importantes a serem feitas incluem:
Os empreendedores têm recursos financeiros suficientes para iniciar o novo negócio?
Por quanto tempo podem sobreviver sem retirar dinheiro do negócio?
Se não possuem recursos próprios, como obter o capital necessário?
Vale a pena solicitar empréstimos no mercado? Quais são os riscos envolvidos?
Em relação à localização e ao mercado consumidor, é essencial escolher um local adequado para o empreendimento. Deve-se considerar a cultura, as questões sociais e o poder aquisitivo do local. Pense bem: escolher uma localização onde não há demanda pelos produtos oferecidos comprometeria o sucesso do empreendimento, não é mesmo?
Tajra (2021) também coloca que é fundamental considerar a carga tributária ao planejar um empreendimento, pois ela impacta diretamente nos resultados esperados, sobretudo no Brasil, e varia de acordo com o tipo de negócio. Portanto, identificar os impostos incidentes é essencial, afinal, eles são capazes de afetar os custos e a lucratividade. É preciso ter em mente que a classificação da empresa resulta em diferentes impostos sobre o faturamento, por exemplo, algumas organizações não governamentais (ONG) podem ter isenção de imposto de renda, enquanto outros empreendimentos não receberão essa isenção. Dessa forma, é importante consultar um contador para determinar a melhor modalidade jurídica à sua empresa, levando em consideração a carga tributária. Também é necessário obter todos os registros e licenças necessários para legalizar o empreendimento. Por exemplo, uma empresa na área de alimentação precisa do alvará da vigilância sanitária e do corpo de bombeiros, e manter esses registros regularizados e atualizados é fundamental, a fim de garantir o funcionamento do negócio e transmitir confiança aos clientes.
A gestão, segundo Tajra (2021), é outro aspecto crucial ao sucesso empresarial. Por meio dela, são realizados o planejamento e as ações direcionadas para alcançar os objetivos organizacionais. Muitas empresas enfrentam problemas e fracassam devido à falta de uma boa gestão administrativa. Em empreendimentos de pequeno e médio porte, por exemplo, a falta de profissionalização na gestão ainda é comum, o que levar a problemas e insucessos. Portanto, uma gestão bem-feita é essencial para o sucesso empresarial.
Nesse sentido, contar com uma equipe profissional também se torna essencial ao sucesso de qualquer empreendimento. É importante identificar a quantidade necessária de profissionais, bem como sua qualificação e distribuição de atividades, para alcançar os objetivos propostos. Mas somente isso não basta! Investir na qualificação da equipe é fundamental para obter bons resultados.
Outro aspecto importante ao implantar um empreendimento é identificar os insumos necessários e verificar onde encontrar esses materiais, como é a logística de aquisição, o prazo de entrega e o custo. Conhecer bem a origem dos insumos evita problemas na produção ou na prestação de serviços por falta de matéria-prima.
Há, ainda, um detalhe importante, que é a criação de uma identidade visual para o negócio, pois ela é crucial para definir a imagem da empresa. A identidade visual envolve a elaboração de materiais como cartões de visita, papéis timbrados, site institucional, folders, entre outros, de acordo com as necessidades do negócio. Além disso, é importante criar um sistema de divulgação: ele ajuda na venda dos produtos e serviços oferecidos.
É importante lembrar que existem diferentes modelos de planos de negócios, e não há uma estrutura única. No entanto é possível identificar uma lógica na sequência das informações apresentadas e solicitadas para análise. Ao apresentar um plano de negócios a um agente financeiro, é recomendável verificar se há um modelo padrão específico. Dessa forma, é possível fazer ajustes conforme o entendimento e interesse desse agente, a ponto de identificar corretamente os recursos necessários, com orçamentos e levantamento de investimentos, inclusive.
O conhecimento sobre levantamento de orçamentos e investimentos é essencial para o profissional técnico em Agronegócio, afinal, esse conhecimento permite o planejamento financeiro preciso, a tomada de decisões informadas, a gestão eficiente de recursos, as negociações eficazes e a construção de resiliência financeira. Todas essas habilidades são fundamentais para o sucesso e sustentabilidade das operações agrícolas.
Nesse sentido, seu desafio de hoje será a realização de uma parte de um plano de negócios para um empreendimento no agronegócio. O objetivo dessa atividade é consolidar o conhecimento adquirido sobre o levantamento de orçamentos e investimentos no contexto do agronegócio, além de promover o desenvolvimento de habilidades em planejamento estratégico e gestão financeira.
A sala deve se dividir em grupos de 3 a 4 alunos. Cada grupo deverá escolher um empreendimento relacionado ao agronegócio, como uma fazenda de cultivo orgânico, uma empresa de produção de lácteos, uma plantação de frutas ou qualquer outro negócio relacionado à agricultura ou à pecuária. Com base nas informações fornecidas na lição, cada grupo deve desenvolver um plano de negócios abrangente destinado ao empreendimento escolhido. Esse plano deve incluir os seguintes itens, no mínimo:
Uma análise detalhada dos investimentos necessários, incluindo investimentos fixos, capital de giro e investimentos pré-operacionais.
Uma estimativa de faturamento mensal, levando em consideração preços de mercado, demanda esperada e custos unitários de produção.
O cálculo da necessidade líquida de capital de giro, considerando os prazos médios de vendas, compras e estocagem.
A elaboração de um orçamento de caixa para prever o fluxo de entrada e saída de recursos financeiros ao longo do período planejado.
A identificação dos principais desafios e oportunidades do empreendimento, como carga tributária, disponibilidade de insumos, localização estratégica, gestão de equipe, entre outros.
Ao concluir essa atividade, cada grupo deverá apresentar seu plano de negócios para a turma, destacando os principais pontos e justificativas das decisões tomadas. Após as apresentações, promovam uma discussão em sala de aula, incentivando seus colegas a compartilhar o feedback construtivo e as ideias para aprimoramento dos planos de negócios. Essa atividade, om certeza, preparará você e seus colegas de classe a se tornarem profissionais bem-sucedidos em sua prática futura!
AFFONSO, L. M. F.; RUWER, L. M. E.; GIACOMELLI, G. Empreendedorismo. Porto Alegre: Sagah, 2018.
SEBRAE – SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS. Como elaborar um plano de negócios. Brasília, DF: Sebrae, 2013. Disponível em: https://sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/Anexos/COMO%20ELABORAR%20UM%20PLANO_baixa.pdf. Acesso em: 7 jun. 2024.
TAJRA, S. F. Empreendedorismo: da ideia à ação. São Paulo: Érica, 2021.