Olá, estudante! Que bom te ver por aqui novamente. Iniciamos, agora, mais uma de nossas lições da disciplina de Empreendedorismo II, do curso Técnico em Agronegócio. Na última lição, vimos como a mentalidade empreendedora está diretamente ligada ao desenvolvimento do agronegócio, promovendo sustentabilidade e inovação. Vimos ainda práticas e estratégias empreendedoras no agronegócio, desafios e oportunidades encontrados pelo setor, bem como sua capacidade de adaptação e resiliência.
Na lição de hoje, abordaremos aspectos que dizem respeito às informações que podemos obter de um bom projeto, ou de um plano de negócios. Veremos alguns fatores que foram determinantes para o sucesso ou insucesso de alguns empreendimentos e que podem ser levados em consideração na hora de elaborarmos o nosso projeto. Vem comigo nessa caminhada de descobertas e inferências!
Imagine que o sucesso do seu negócio é como cuidar de uma planta. Existem fatores críticos e coisas importantes que precisamos cuidar para que nosso negócio cresça saudável. Se não cuidarmos bem desses fatores, nosso negócio pode ficar em perigo. Então, assim como cuidamos de uma planta para que cresça forte, precisamos cuidar desses fatores para que nosso negócio seja um sucesso. Parece um pouco complicado, mas vou facilitar. Ter sucesso em um negócio é como fazer uma receita: misturamos duas coisas importantes. A primeira é o espírito empreendedor, que nos impulsiona para frente. A segunda é encontrar a oportunidade certa. Isso é como unir dois elementos que se encaixam perfeitamente.
Trago nesse item a abordagem feita por Chiavenato (2021). O autor nos convida a imaginar que o espírito empreendedor é como um trem, e a oportunidade é como a pista. Se o trem for muito pesado para a pista, não vai subir a colina. Então, precisamos escolher uma pista (oportunidade) que seja boa para o nosso trem (espírito empreendedor). Ou seja, não adianta ter boas ideias se não nos informarmos direito. E não resolve nada ter metas se não formos persistentes. Ser independente é legal, mas é preciso se importar muito com o negócio.
O segredo é desenvolver todas essas características juntas, pois elas são como ingredientes essenciais para ser um empreendedor. Fazer uma avaliação constante para ver se estamos usando essas características pode ajudar bastante. É como escolher a receita certa para o que queremos fazer. E, é sobre isso que falaremos na lição de hoje. Vem comigo!
O estudo de caso de hoje fala sobre uma pequena propriedade rural chamada Fazenda Sol Nascente. Seu dono, João, sempre teve o sonho de transformar seu pedaço de terra em um próspero negócio no ramo do agronegócio. No entanto, ele sabia que muitos empreendimentos agrícolas falharam devido a diversos desafios.
Determinado a evitar os mesmos obstáculos, João decidiu realizar pesquisas aprofundadas sobre as razões que levavam outros projetos no agronegócio ao fracasso. Com essa iniciativa, ele descobriu que problemas econômicos, falta de experiência, vendas baixas, despesas altas e outras razões seriam as principais causas de insucesso.
Armado com esse conhecimento, João começou a desenvolver seu plano de negócios para a Fazenda Sol Nascente. Na seção dedicada ao negócio, definiu claramente sua visão: cultivar produtos orgânicos de alta qualidade e promover a sustentabilidade ambiental. Ele conseguiu definir essa visão, pois identificou oportunidades de mercado, como a crescente demanda por alimentos saudáveis.
Na gestão do negócio, João formou uma equipe com experiência diversificada, garantindo que todos os aspectos do empreendimento fossem cuidados com competência. Ele definiu uma missão que não apenas visava o lucro, mas também o impacto positivo na comunidade local e no meio ambiente. Explorando a seção sobre o mercado, João realizou uma análise aprofundada das necessidades dos consumidores, estimou a demanda por seus produtos e estabeleceu parcerias estratégicas com fornecedores confiáveis. Ele diferenciou sua fazenda destacando a produção sustentável e o compromisso com a comunidade.
Finalmente, na seção financeira, João desenvolveu projeções realistas, identificou fontes de financiamento e implementou estratégias para reduzir despesas operacionais. Ele calculou o ponto de equilíbrio, garantindo que a Fazenda Sol Nascente não só fosse lucrativa, mas também financeiramente sustentável.
Sendo assim, essa história mostra como um plano de negócios robusto pode transformar uma propriedade rural em um sucesso no agronegócio. Sua abordagem estratégica e aprendizado com as histórias de insucesso permitiram que ele superasse os desafios comuns e alcançasse o tão almejado êxito no mundo do agronegócio. Observe também que é exatamente isso que será sua missão enquanto atuar profissionalmente como Técnico em Agronegócio!
A decisão de iniciar um novo negócio é super importante e vai afetar todas as outras decisões que você tomará depois. Mas, para ter sucesso, é crucial estar totalmente comprometido com essa decisão, pois você vai encarar desafios e obstáculos e será preciso enfrentá-los, sem desistir. Pelo que já aprendemos em nossas lições até aqui, você já deve ter em sua mente que essa não é uma tarefa fácil, não é mesmo? O importante é entender que se o negócio não der certo, você não pode se deixar abalar, pois isso pode ocorrer devido a inúmeros fatores que impactam em nossos projetos. E, neste momento, é que a inferência entra.
Para começar, podemos entender a palavra inferência como algo que remete a dedução, conclusão ou interpretação de uma situação já ocorrida. Ou ainda, mais aplicado ao uso que faremos nesta lição, remete-se ao fato de interpretar informações, que não sabemos ainda, através de outras informações, que já possuímos. Em resumo, podemos recolher informações de situações já ocorridas para tentar prever como serão as variáveis que precisamos prever.
Nesse caso de projetos de negócios, que pode ser através do nosso conhecido Plano de Negócios inclusive, existem muitos fatores que não podemos controlar, no entanto, ao praticarmos a inferência, podemos pensar bem antes de começar para garantir o máximo de sucesso e o mínimo de problemas. Antecipar possíveis desafios é como olhar para o caminho e identificar as pedras no chão. Assim, você pode evitar ou superar os obstáculos que podem aparecer.
Em negócios novos, muitos acabam fechando cedo demais porque há muitos riscos e imprevistos. Então, ter cautela e ser flexível são essenciais. Lembra daquele ditado ‘melhor prevenir do que remediar’? É bem por aí mesmo. Estar preparado e ser esperto desde o início faz toda a diferença. Para isso, segundo Chiavenato (2021), podemos inferir de um bom projeto alguns itens importantes:
Novo Negócio: Pensar no que vamos oferecer (produto/serviço) e para quem (perfil do cliente).
Como vamos trabalhar: Decidir como a nossa empresa vai funcionar legalmente.
Dinheiro: Saber quanto dinheiro vamos precisar para começar e manter o negócio.
Onde ficar: Escolher o lugar certo para instalar o negócio.
Dia a dia: Como vamos gerenciar as atividades diárias.
Qualidade e custo: Produzir coisas boas, de forma eficiente e com custo adequado.
Conhecimento de mercado: Entender muito bem os clientes, a concorrência e o mercado em geral.
Fornecedores: Escolher bem quem vai nos fornecer o que precisamos.
Vendas e promoção: Como vamos vender e promover nossos produtos/serviços.
Clientes felizes: Como fazer com que os clientes gostem tanto que desejem voltar sempre.
Lucro e investimento: Garantir que o negócio seja rentável e que o dinheiro investido volte.
Evitar problemas: Saber lidar com desafios e aproveitar as oportunidades.
Além disso, podemos fazer pesquisas para inferir dos projetos que falharam, quais foram seus motivos. É isso que fazem Dun e Bradstreet Corporation (2007), para eles existem alguns motivos pelos quais os negócios podem não dar certo:
Problemas Econômicos (72%): Lucros baixos, juros altos, perda de clientes, mercado pequeno e falta de viabilidade financeira.
Falta de Experiência (20%): Não saber como administrar o negócio, falta de experiência no setor, e pouca experiência gerencial.
Vendas Baixas (11%): Mercado parado, recessão econômica, poucas vendas, problemas com estoque, localização ruim e retornos baixos.
Despesas Altas (8%): Muitas dívidas, impostos altos, despesas operacionais fixas e falta de dinheiro.
Outras Razões (3%): Descuido, falta de dinheiro, clientes insatisfeitos, fraudes, ativos insuficientes, muita concorrência e falta de talento humano.
Assim, podemos pensar nesses pontos de fracasso recorrentes e planejarmos nosso caminho desviando dos obstáculos. Já vimos em nossa disciplina os tópicos principais de um bom Plano de negócios. O que veremos agora é uma lista de itens que podem ser inferidos a partir deles.
O plano de negócios pode ser dividido em quatro seções principais. Na primeira seção, chamada por Chiavenato (2021) de O Negócio (O Que Faremos?), podemos obter uma definição do empreendimento, quais serão os produtos e serviços oferecidos, além de identificarmos oportunidades de sucesso. Podemos inferir desse item ainda, os objetivos a serem atingidos.
A segunda seção, Gestão do Negócio (Quem Comandará?), mostra-nos a liderança responsável. Podemos então inferir daqui os líderes e suas qualificações e formações. Encontramos as habilidades e experiências da equipe, bem como a organização da estrutura interna. Obtemos ainda, a missão e visão de futuro do negócio.
Numa terceira seção chamada pelo autor de O Mercado (Quem São Nossos Clientes?), podemos obter informações sobre a análise do mercado, o número de clientes estimado a serem atendidos e descrevemos estratégias para alcançá-los. Podemos ainda identificar os principais concorrentes e os fornecedores necessários, bem como os elementos que nos diferenciam em relação aos demais participantes do mercado, assim como as estratégias de divulgação e distribuição de produtos.
Na última seção denominada Aspectos Financeiros e Econômicos (Como Faremos Isso Financeiramente?), podemos encontrar as considerações relacionadas à viabilidade econômica do empreendimento, a origem dos recursos e do capital necessário para o início das operações e as projeções financeiras para os primeiros dois anos através da estimação dos custos e receitas esperadas.
Podemos ainda inferir de um bom projeto, o ponto de equilíbrio, momento em que as receitas igualam as despesas, indicando a sustentabilidade financeira do negócio e as condições de venda e pagamento, proporcionando uma compreensão abrangente do fluxo financeiro. Também obtemos informações sobre o valor dos ativos físicos, como instalações e equipamentos, contribuindo para uma visão completa dos aspectos financeiros e econômicos do empreendimento.
É claro que devemos deixar registrado aqui, que cada negócio é único. Assim, o plano para fazê-lo acontecer também deve ser único e empolgante. O esboço desse plano tem partes importantes que explicam como a empresa cria, entrega e recebe valor, que são mais elementos a serem considerados nessa nossa inferência, tais como:
Clientes importantes: Escolher um grupo específico de clientes; Ver o negócio pelos olhos dos clientes que vão usar o que oferecemos.
Oferta especial: Descrever o que torna nosso produto ou serviço melhor; Mostrar o valor que oferecemos para fazer o cliente escolher o nosso em vez de outros.
Como nos conectamos com os Clientes: Explicar como falamos com os clientes e entregamos nosso valor; Isso inclui como fazemos propaganda, promoção e distribuição; Garantir que os clientes saibam sobre o que fazemos e vejam porque devem escolher nosso produto.
Relacionamento com os clientes (Como Vamos nos dar Bem com Eles?): Pensar estratégias para conquistar clientes; Garantir que estejamos sempre atentos às necessidades deles; A comunicação, atendimento e serviço ao cliente são super importantes aqui.
Formas de ganhar dinheiro (Como Vamos Receber?): Explicar como os clientes vão pagar pelo que oferecemos; Pode ser através da venda do produto, assinatura, aluguel, licença ou outras maneiras inovadoras.
Recursos importantes (O Que Precisamos?): Listar coisas essenciais para o negócio funcionar, como máquinas, instalações, e equipes com habilidades especiais; Inclui coisas que não podemos tocar, como patentes.
Atividades principais (O Que Vamos Fazer Todo Dia?): Destacar as coisas mais importantes que o negócio vai fazer regularmente, como produzir, desenvolver produtos, vender, gerenciar estoques e manutenção.
Parcerias importantes (Com Quem Vamos Trabalhar?): Pensar em empresas que ajudarão o nosso negócio a entregar o que prometemos; Isso pode envolver fornecedores, distribuidores ou até mesmo terceirização.
Custos (Quanto Isso Vai Custar?): Descrever os principais gastos que teremos no negócio; Isso inclui coisas como máquinas, salários, materiais e qualquer outra despesa.
De tudo o que aprendemos em nossos estudos, se tivéssemos que resumir, seria: crie algo que realmente faça a diferença para os clientes e mostre isso de uma forma que os faça querer escolher o que você tem a oferecer. Então, quando pensar em um negócio, lembre-se: quem serão seus clientes, porque seu produto é incrível e como fazer com que eles saibam disso.
Para finalizar a lição de hoje, deixo aqui mais uma vez as palavras de nosso especialista em empreendedorismo, Chiavenato (2021). Segundo ele, para garantir o sucesso do negócio, é importante observarmos cinco aspectos:
Proposta de Valor (Atende às Necessidades?): Certificar-se de que o que oferecemos realmente atende às necessidades de cada tipo de cliente.
Canais e Relacionamentos (Como Entregamos?): Garantir que os canais e as formas como nos relacionamos com os clientes permitam entregar nossa proposta de valor de maneira eficaz.
Parceiros (Eles Completam?): Verificar se os parceiros podem realmente ajudar em todas as atividades do negócio.
Acesso a Recursos (Temos o Necessário?): Assegurar que temos acesso a todos os recursos que precisamos para realizar nossas atividades principais.
Receitas e Custos (Equilíbrio Financeiro): Confirmar se as receitas que estamos gerando são suficientes para cobrir todos os custos e ainda gerar lucro.
Dessa forma, ao considerar esses cinco aspectos, você está construindo uma base sólida para o sucesso do seu negócio, pensando tanto nas necessidades dos clientes quanto na eficiência financeira. Esses são os pontos-chave que ajudam a construir uma visão completa e integrada do empreendimento, considerando tanto os aspectos internos quanto externos. Além disso, um bom plano de negócios proporciona uma visão integrada, considerando aspectos internos e externos, mercado e participantes, parcerias e seus desdobramentos. Isso ajuda a orientar a condução do negócio de maneira mais eficiente e estratégica.
Chegou a hora de aplicarmos o que aprendemos em nossa lição, ou ainda, de visualizar uma situação que demonstre a aplicação dos conceitos aqui aprendidos. Como falamos bastante em inferência, que foi resumida na capacidade de analisar alguma situação ocorrida e interpretar ela deduzindo diversas informações, nada melhor do que fazermos o que foi proposto na lição de hoje.
Para isso, quero que você vá até algum site de busca e digite ‘Plano de negócios exemplo’, ou alguma frase similar. Pesquise por diversas opções que irão surgir e escolha a mais completa existente. Se possível, baixe esse arquivo para melhor utilização. A partir disso, quero que você tente fazer uma inferência, ou seja, retirar as informações mais importantes encontradas, analisá-las e tentar absorver quais serão as melhores para utilizar em seu projeto. Pense se o projeto encontrado é do mesmo setor ou ramo de atuação que aquele que você deseja atuar, pense também se as informações encontradas são relativamente recentes ou se precisam ser atualizadas.
Não basta apenas encontrar algo pronto e replicar ao seu negócio se tais informações não refletirem a realidade de seu ramo de atuação naquele momento. Sendo assim, se conseguir, já adapte esse plano de negócio à sua realidade nesta tarefa. Se não conseguir, insisto que, ao menos, a parte de inferência das principais informações seja feita. Assim, desejo sorte na sua realização e te encontro na próxima lição. Até lá!
DUN & BRADSTREET CORPORATION. Business faillure record, preliminary. New York: The Dun & Bradstreet Corp., 2007.
CHIAVENATO, I. Empreendedorismo: dando asas ao espírito empreendedor. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2021.