Olá, estudante! É com muita satisfação que lhe recebo para mais uma aula da disciplina de Empreendedorismo II, do Curso Técnico de Agronegócio. Nos últimos encontros, ampliamos nosso conhecimento sobre o cenário empreendedor, explorando as nuances deste universo. Hoje, nossa atenção se volta para uma segmentação de mercado de extrema importância, um dos nichos mais promissores à disposição do empreendedor: o mercado agrícola. Mergulharemos em sua complexidade e discutiremos os desafios predominantes que caracterizam esse setor. Além disso, abordaremos estratégias para superar tais desafios, capacitando-nos para uma atuação mais eficaz em nossos empreendimentos.
Convido você a embarcar nesta jornada de aprendizado e descobertas em nossa lição de hoje. Pronto(a) para desvendar mais desse fascinante tema? Vamos lá!
Imagine um empreendedor que deseja atuar no ramo rural. Quais desafios ele encontrará? Será que se trata de um mercado com características próximas dos demais? Será que tem características específicas que o tornam mais atrativo? É um mercado que apresenta condições de risco, sendo, então, menos atraente? Como é possível atuar em um mercado com altos riscos e ainda obter retorno?
Todos estes questionamentos são comuns para um empreendedor que considera a entrada nesta vertente de mercado ou nicho específico. Sendo assim, em nossa aula de hoje, compreenderemos essas questões complexas, por meio da abordagem de alguns tópicos cruciais relacionados a esse processo. Examinaremos como é possível operar em um mercado caracterizado por elevados riscos e, ao mesmo tempo, alcançar retornos favoráveis. Pronto(a) para explorar esses conceitos? Acompanhe-me nesta lição!
Nosso velho conhecido Sr. Arnaldo, no case de hoje, deseja empreender em sua propriedade rural e, para isso, contrata um Técnico em Agronegócio com o objetivo de receber auxílio nesse processo. Acontece que, na hora da elaboração do projeto, nas etapas de avaliação de mercado, diagnóstico e em todas as demais, foram identificados diversos fatores que representavam desafios à sua atuação.
O Sr. Arnaldo é um homem insistente e focado, portanto, ele decide empreender nesse ramo, mesmo sendo um setor com muitos desafios a serem superados. O que faz a diferença para ele é que, de posse dessas informações vindas da realização do plano de negócios que foi realizado — ou projeto agropecuário — o Sr. Arnaldo consegue prever situações de oscilação de demanda e se antecipar a elas, além disso, são realizadas análises de sensibilidade de preços. Ele também conta com mecanismos de financiamento (públicos e privados) para situações inesperadas e, por fim, consegue planejar melhor sua atuação. Dessa forma, o Sr. Arnaldo minimiza as oscilações de oferta em sua atividade e garante retornos mais previsíveis e constantes em sua atuação.
O case, apesar de apresentar uma situação fictícia, nos mostra como a identificação dos fatores de risco nos auxilia na prevenção e/ou tratamento dos fatores desafiadores na atuação no mercado agrícola. Sendo assim, fica evidente que conhecer os desafios é uma etapa muito importante ao empreendedor!
Já vimos em nossa disciplina e em nosso curso de maneira geral, a importância do setor rural para o desenvolvimento econômico de um país ou região. No entanto, embora esse setor seja promissor, ele apresenta uma série de dificuldades que contribuem, de certa forma, para os retornos obtidos na atividade, em contraposição aos riscos enfrentados.
Na lição de hoje, não pretendo esgotar o tema em relação a todos esses riscos, mas deixar elencados, aqui, alguns tópicos que podem, além de auxiliar a sua atuação profissional, guiar o bom entendimento de como funciona o mercado agrícola e quais os principais desafios a serem vencidos.
Este é um sério problema do mercado agrícola e do agronegócio como um todo, no Brasil. Durante a produção e transporte, boa parte das mercadorias são perdidas. Isso faz com que os alimentos, devido a danos ou perdas, percam o valor comercial. Tal situação é um exemplo de um importante desafio em toda a linha ou cadeia de produção, desde o plantio até a comercialização no varejo.
Outro desafio está relacionado à distribuição de renda e dos efeitos que o setor do agronegócio causa ao meio ambiente. Isso porque muitas pessoas que moram na área rural não têm acesso a educação e recursos de saúde, sendo necessários investimentos em relação a treinamentos e assistência social. Além do mais, como são realizadas diversas operações internacionais de importação e exportação, o cuidado com a aquisição e disseminação de pragas ou insetos indesejáveis deve sempre estar em pauta.
Assim como a maioria dos setores no Brasil, o excesso de burocracia nos processos é um desafio também ao agronegócio. Muitas vezes, os produtos são barrados em relação à importação ou à exportação ou têm suas transações dificultadas. Isso tem algum tipo de respaldo científico, sobretudo em relação à diminuição de riscos biológicos e à disseminação de pragas, porém é um fator um tanto quanto desafiador para a atuação do empreendedor rural.
O problema é que toda essa carga tributária afeta diretamente o preço dos alimentos, o que pode ocasionar reflexo sobre a população: muitos empreendedores não atuam nesse mercado em razão do elevado custo fiscal. Além disso, essa carga penaliza o agronegócio e limita seu potencial competitivo em relação a outros países onde as leis são mais flexíveis.
Assim como a produção agrícola tem tempo para ser realizada, a sua validade também impacta a distância permitida de seus deslocamentos logísticos. Quando pensamos em produtos com curto prazo de comercialização, podemos lembrar de frutas, legumes, carnes e produtos lácteos, os quais também necessitam de transporte adequado para a conservação de sua qualidade.
Em relação à sazonalidade, a comentarei apenas na lição de hoje, pois será assunto de uma lição específica mais adiante em nossa disciplina bem como já a abordamos, de maneira superficial, na primeira parte da disciplina. A sazonalidade trata-se da oscilação de preços que existe entre o período de safra e entressafra, ou ainda, em relação às quantidades estocadas, colhidas ou consumidas, em cada período de tempo.
Um fator que merece destaque na lição de hoje é em relação à falta de capital humano qualificado no campo, a qual estamos, em parte, solucionando com nosso projeto de profissionalização técnica de nível médio, ou seja, com você, futuro(a) Técnico(a) em Agronegócio. Uma das principais motivações para essa falta é o êxodo rural, ou migração do morador do campo para os grandes centros, além da falta de formação profissional adequada. Existe, também, cada vez mais, a introdução de novas tecnologias e a modernização da atividade agrícola, o que exige contínuo aperfeiçoamento profissional de quem já atua nesse ramo.
Somado a esse fato, temos a falta de sucessão familiar pelas gerações mais novas. Muitos deixam essa atividade para migrarem em direção a outras carreiras profissionais, ocasionando a quebra da manutenção do trabalhador do campo entre as gerações. Para contornar esses fatores, o caminho encontrado é produzir mais com menos recursos, ou seja, aumentar a eficiência da produção.
Em relação à atividade logística, podemos elencar como desafios os altos custos de transporte e as condições desfavoráveis das rodovias, portos e entraves no escoamento dos produtos. Tudo isso encarece esse processo e prejudica tanto o produtor quanto o consumidor final.
Sobre as condições climáticas, podemos dizer que elas são uma preocupação que sempre acompanhou e acompanhará o produtor rural. Trata-se dos fatores que ele não consegue controlar, ou seja, estão fora de seu alcance. O principal fator é que eventos como condições climáticas, precipitação, temperatura, entre outros, não são fatores previsíveis de forma assertiva em relação ao longo dos períodos, isto é, se algo ocorrer diferente do esperado, pode haver perdas de enormes quantidades de produtos, representando, assim, prejuízos ao empreendedor rural.
A respeito da demanda esperada para os próximos anos, um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU) em parceria com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, em inglês) no início do século XXI, projetou que a produção até 2050 precisaria aumentar cerca de 60%, e a da água, em 40%. Assim, cabe ao agronegócio um papel decisivo nesse processo, principalmente em busca de mais eficiência com menor agressão ambiental, mas sendo capaz de suprir esse aumento da demanda em longo prazo (FAO..., 2015, on-line).
Em relação ao período mais curto, cerca de 10 anos, esse estudo apontou como necessidade de aumento da demanda cerca de 20% em nível mundial, sendo que o Brasil seria responsável por taxas próximas a 40%, ou seja, o dobro da média mundial, pois Estados Unidos, União Europeia, Canadá, China, Rússia e Oceania cresceriam menos de 10%, exigindo de países como o Brasil maior esforço para compensar estas baixas taxas.
É claro que não esgotei todos os fatores que podem influenciar o desafio do empreendedor que escolhe atuar na área rural. Rodrigues (2018) elenca alguns importantes fatores, como: a diferença entre agricultura familiar e grandes empresários latifundiários rurais, a necessidade de políticas públicas, o acesso mais fácil ao crédito rural, a seguros e garantia de preços, entre outros fatores.
Para elencar as atividades ou ações que podem ser realizadas com vistas a resolver esses problemas, ou, pelo menos, amenizá-los, poderíamos desenvolver outra lição relacionada apenas a esta temática. No entanto digo que o uso de tecnologias tem se mostrado como principal fator, necessário e suficiente, para superar a maioria desses desafios apresentados na lição de hoje.
Uma pesquisa realizada pela Embrapa (2020) indica que cerca de 84% dos agricultores nacionais já utilizavam soluções digitais na produção, na aquisição de informações sobre maquinários, no controle de estoque ou armazenamento. Da mesma maneira, 40% dos pecuaristas usavam novas formas de tecnologia para sua comercialização da produção e aquisição de insumos. Essa tecnologia envolve desde mecanismos como robótica, Big Data, Inteligência Artificial e Internet das Coisas até mapas e imagens por satélites por meio de recursos da Nasa, com objetivos principais de gerenciamento e aperfeiçoamento da lavoura e dos resultados do negócio.
A compreensão do mercado agrícola, além de ajudar a otimizar os negócios agrícolas, também é fundamental para a sustentabilidade e o sucesso em longo prazo no setor do agronegócio. Um Técnico em Agronegócio bem-informado sobre esses aspectos estará mais bem-preparado para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades que o mercado agrícola oferece.
Agora que você está ciente da importância do conhecimento sobre o mercado agrícola, chegou a hora de aplicarmos os conhecimentos adquiridos na lição de hoje, e nada melhor do que trazer a você a oportunidade de atuar como um(a) empreendedor(a) que escolheu o setor rural. Para desenvolver a sua prática empreendedora, trago alguns desafios encontrados no agronegócio, assim, com os conhecimentos já adquiridos ao longo do curso e da disciplina em questão, você identificará possíveis soluções ou propostas para esses desafios.
Pegue agora um papel e uma caneta, ou se preferir, registre no seu celular ou computador, em uma planilha, os principais desafios apresentados, a seguir, e quais seriam as suas soluções propostas. Vamos lá, os desafios são os seguintes:
Produzir mais sem aumentar as áreas plantadas.
Melhorar a distribuição de alimentos.
Reduzir o consumo de água.
Evitar o desperdício de alimentos.
Permitir ao pequeno produtor o acesso à tecnologia.
Produzir mais poluindo menos, sem prejudicar a saúde.
Tente fazer a sua contribuição em relação a esses temas. Sobre cada um desses tópicos, é possível realizar um estudo de diversas páginas explorando o assunto, mas deixei, aqui, a primeira tentativa de uma elaboração técnica profissional em relação aos temas citados.
EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Agricultura digital no Brasil: Tendências, Desafios e Oportunidades. Resultados de Pesquisa Online. Campinas: Embrapa, 2020.
FAO: Se o atual ritmo de consumo continuar, em 2050 mundo precisará de 60% mais alimentos e 40% mais água. Nações Unidas Brasil, Brasília, 21 fev. 2015. Notícias. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/68525-fao-se-o-atual-ritmo-de-consumo-continuar-em-2050-mundo-precisar%C3%A1-de-60-mais-alimentos-e-40. Acesso em: 4 out. 2023.
RODRIGUES, R. (org.). Agro é paz: análises e propostas para o Brasil alimentar o mundo. Piracicaba: Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, 2018.