Olá, caro aluno do ensino médio. Seja bem-vindo a mais uma disciplina de nosso curso. Desta vez, iniciamos a disciplina de Empreendedorismo II, do curso Técnico em Agronegócio. Como já tivemos boas experiências em nossa primeira parte da disciplina, Empreendedorismo I, pretendo agora realizar uma retomada do que já vimos e adentrar na primeira temática dessa nova etapa. Como objetivo da primeira lição, temos: O perfil do empreendedor na globalização.
Te convido a vir comigo, para que seja possível dar mais um passo na nossa caminhada empreendedora. Espero que esteja ansioso por esse momento, então vamos juntos nessa!
Nos dias em que vivemos, as mudanças acontecem de uma forma muito rápida, sendo necessário que nos adaptemos inclusive em relação às nossas habilidades sobre a própria adaptação. Parece confuso, mas vou explicar melhor. O que eu quero que você compreenda é que nós, como seres humanos, precisamos encaixar a nossa própria velocidade e capacidade de adaptação frente a esse processo constante de mudanças em que vivemos.
Sendo assim, por mais que já tenhamos estudado o perfil do empreendedor e o papel da globalização na humanidade, torna-se relevante pensarmos em como o empreendedor tem reagido às mais diversas mudanças que ocorrem em nosso dia a dia. A globalização é um tema que escutamos falar desde muito tempo atrás, mas, pense em algo mais próximo da sua realidade: como será que o empreendedor tem que mudar as suas atitudes frente ao advento da Inteligência Artificial dos últimos anos? Será que é possível que ele desenvolva as mesmas habilidades de períodos atrás e consiga resultados expressivos atualmente?
Assim, como já abordamos no ano passado, o perfil do empreendedor não é algo fixo e engessado, mas sim, algo que se adapta a cada situação. Então, vamos entender um pouco melhor como tem sido o perfil do empreendedor nos últimos anos?
No estudo de caso de hoje, iremos tratar sobre uma situação hipotética que poderia ser real. Trata-se do seu Arnaldo, que já havia empreendido quando no tempo de sua mocidade, mas, agora em idade avançada, se vê num mundo totalmente diferente, cheio de características desafiadoras e com inovações acontecendo cada vez mais em tempos menores.
Na lição de hoje, ele resolve empreender no ramo de produtos para animais de estimação, os famosos pets. Ele nunca tinha atuado nesse ramo, mas após uma pesquisa realizada, percebeu que é um setor que tem se destacado muito nos últimos tempos. Sendo assim, com o intuito de apresentar algo diferente do que já tinha no mercado, resolveu lançar uma linha de produtos à base de soja – sua especialidade –, voltada para pets que desejassem adquirir, ou melhor, para donos de pets, que quisessem adquirir produtos mais saudáveis e menos industrializados. Para resumir a história de seu Arnaldo, vou direto para o resultado dessa ação. Apesar dos desafios que encontrou, com o passar do tempo sua pequena empresa se transformou em uma enorme multinacional, oferecendo produtos não apenas para o Brasil, mas para diversos países.
Perceba que a decisão de seu Arnaldo foi uma atuação totalmente empreendedora, visto que até o momento não existia nenhuma empresa concorrendo com ele nesse nicho de mercado, que entenderemos como um setor ou uma fatia de um setor específico. Com essa atuação, seu Arnaldo ganha um destaque, sobretudo aos olhos de proprietários de animais de estimação com maior poder aquisitivo, e através de muito trabalho obtém sucesso na atividade.
Como já apresentado, esta lição é uma retomada de conteúdos que você aprendeu na primeira parte dessa disciplina. Sendo assim, torna-se necessário que eu lembre a você o que, de fato, representa a palavra globalização, pois, se trata de um fenômeno que acontece no mundo todo. O processo de globalização é um fenômeno ocorrido – e que ainda ocorre –, em vários países, setores, ações e oportunidades específicas. Não se trata de relacionar eventos que ocorrem no mundo todo e dizer que isso é um fato global, pois quando falamos em globalização, devemos pensar em um caminho inverso. A ideia é pensar em como podemos fazer nosso produto, localizado em um local específico no mundo, ganhar mercados cada vez maiores, sobretudo por meio de redes de internet, venda e-commerce, redes sociais e outros meios atuais.
O artigo apresentado pela AEDB (2013), destaca que o processo de globalização está ligado à expansão de novos investimentos, tornando os empreendimentos, “servos” desse processo, que está em constante evolução. Lembrando que, a evolução refere-se ao processo de mudança e não, necessariamente, à direção dessa mudança. Sendo assim, torna-se necessário que o empreendedor esteja, a todo tempo, atualizando-se e observando novas tendências e informações.
De acordo com Silva (2022), a globalização é um fenômeno caracterizado pela intensificação das relações econômicas, comerciais e culturais entre os países, ou seja, está ligado a fatores que estão em constante mudança. Assim, podemos dizer, por exemplo, que um empreendedor que atua no Brasil é diferente de um que atua nos Estados Unidos da América. No entanto, quando esses empreendedores passam a atuar no mercado internacional, através de suas exportações e a facilidade do advento da globalização, enfrentam o mesmo mercado potencial consumidor, mesmo tendo diferentes formações ou experiências locais. E, é nesse ponto que suas características são observadas em sua individualidade.
É também esse feito que faz com que, segundo Cesnik e Beltrame (2005), uma infinidade de pessoas do mundo contemporâneo sejam atingidas, sendo possivelmente o evento que faz estar sob sua atuação o maior número de pessoas de culturas distintas, tendo seus efeitos em diferentes momentos da história. Dessa forma, o empreendedor não deve ver com maus olhos esse processo, mas sim, aceitar as mudanças que ocorrem a cada período de tempo e aproveitar as melhores oportunidades que surgirem em cada um deles.
Como já lhe disse, a globalização é um processo tão amplo que é difícil determinar seu início, ou até mesmo seu fim. Silva (2022), ao tentar indicar as possíveis primeiras ações desse fenômeno lembra da época das Grandes Navegações, que a propósito, foi no período de “descobrimento” do Brasil. E, é claro que minhas aspas foram propositais, pois guardados eventuais posicionamentos, podemos olhar esse fato através do ponto de vista do empreendedorismo.
Sim, podemos entender que os indígenas que já viviam aqui no Brasil foram populações que não inovaram em relação a descobrir melhores formas de colonizar as terras em que habitavam e não desenvolveram técnicas de proteção contra os invasores europeus. Por outro lado, os tripulantes dessas grandes missões navais podem, aqui, representar o empreendedor inovador que sai em busca de novos mercados a conquistar e quando chegam neles, os conquistam devido a seus grandes diferenciais de inovação e tecnologias disponíveis.
Vale lembrar que os grandes mercados que possibilitaram esses avanços eram ligados aos mercados financeiros ou a empresas multinacionais, que representa nosso maior foco. Além disso, os setores de telecomunicação e transporte se desenvolveram bastante nesse período, permitindo entregas em locais que antes não eram possíveis. E você pode até estar pensando agora: mas isso foi a mais de 500 anos atrás, hoje em dia é diferente. E, que ótimo se você chegou a esse pensamento, pois é disso que se trata, em partes.
Digo isso porque as coisas mudam, mas as maneiras, e/ou os métodos utilizados em diferentes épocas podem até ser os mesmos, mas gerarem resultados diferentes. Calma, vou explicar melhor! O empreendedor de 500 anos atrás podia estar interessado em coisas diferentes do que você está atualmente, naquela época o foco estava em adquirir terras, dominar populações e alcançar territórios inexplorados. É justamente nesse último item que o processo de empreender atual se interliga ao antepassado: encontrar territórios inexplorados ou de pouca concorrência.
Um dos grandes objetivos de um empreendedor é ser o primeiro a desenvolver um produto ou a atender uma necessidade da população e explorar esse mercado enquanto ainda for “águas pouco agitadas”, ou seja, possuir pouca guerra de preços e disputa por clientes em comum. Acontece que, enquanto empreendedor, sobretudo em meio ao processo de globalização e advento de novas tecnologias e expansão rápida de informações atuais, o empreendedor tem de se adaptar a navegar em “mar aberto, com grandes ondas” – entenda isso como se adaptar em estar em um lugar pouco desconhecido e provavelmente acompanhado de algumas dificuldades.
Resumindo, o empreendedor globalizado difere-se do empreendedor comum pela velocidade das mudanças que enfrenta em sua atuação profissional. E, isto deve ser visto com bons olhos, pois, considerando que, em média, as mudanças são para melhorar a vida das pessoas, participar desse processo implica possibilitar a cada dia mais uma qualidade de vida melhor às pessoas, ofertar cada vez mais produtos melhores e mais baratos à população.
Isso sem especificar o tipo de empreendedor, pois se filtrarmos para alguns dos tipos mais voltados ao desenvolvimento social e ambiental, sua satisfação também se estenderá ao fato de estar transformando o mundo em um lugar melhor através do desenvolvimento de seu trabalho. E é assim que eu quero que você pense enquanto estiver atuando como Técnico(a) em Agronegócio, pois o empreendedor agropecuário é um dos tipos que realmente traz impacto para a vida, para a mesa e para a saúde das pessoas. Mas, esse é um assunto que é tão importante que vou deixar para aprofundarmos nesse assunto em uma lição exclusiva.
No geral, podemos dizer que os empreendedores modernos, para conseguirem alinhar suas decisões em meio a essas constantes mudanças, devem tomar algumas iniciativas:
Incorporar novos pacotes de tecnologias aos negócios tradicionais da empresa, sobretudo as chamadas Inteligências Artificiais e sistemas automatizados.
Modificar a composição das equipes, tendo como foco equipes multidisciplinares, integrativas, composta por profissionais de diferentes áreas de formação, possibilitando melhor identificação e incorporação das mudanças ocorridas.
O que uma pessoa ou equipe aprender e/ou identificar, deve ser repassado, rapidamente, para diferentes unidades de negócios e múltiplas áreas geográficas, a fim de divulgar na maior velocidade possível as informações obtidas e inovações realizadas.
Agora, volto ao problema inicial de capacidade adaptativa e do constante processo de aprendizagem e atenção às informações, ferramentas e mecanismos atualizados. Embora pareça uma tarefa difícil ficar a todo momento evoluindo e mudando, para a maioria dos empreendedores isso parece ser um processo natural – ainda que para alguns isso possa também ser aprendido.
Para finalizar a conceitualização da lição de hoje, deixo aqui mais um reforço desta importante atuação do empreendedor no mundo globalizado. Segundo Sertek (2012), a decisão de empreender é necessária frente à grande concorrência dos últimos anos. O tempo entre uma inovação e ideias parecidas surgirem está cada vez menor, de modo que o empreendedor precisa estar em constante processo de evolução.
Nem sempre conseguimos enxergar aquilo que temos necessidade de um melhor aperfeiçoamento. Então, o primeiro passo para desenvolver esse espírito empreendedor – caso você ainda não tenha desenvolvido até aqui – é investir em si mesmo, ou seja, investir em conhecimento, em autoavaliação e em leituras, além de buscar habilidades desconhecidas. Somente assim, você poderá olhar o mundo ao seu redor e encontrar as oportunidades de desenvolver novos negócios ou produtos.
No saiba aplicar de hoje, vamos continuar a ideia apresentada no nosso Case desta lição. Vamos relembrar? Seu Arnaldo decidiu empreender na linha de rações e produtos à base de proteína de soja para animais de estimação. Foi um desafio e tanto, não é mesmo?!
Vamos considerar que seu Arnaldo precisasse de ajuda nesse processo. Você, como aluno(a) do último ano do curso técnico em agronegócio, já tem uma bagagem suficiente para ajudá-lo nesse processo! A tarefa de hoje é simples e relativamente fácil de ser aplicada. Pegue uma folha e faça uma lista dos principais aspectos que seu Arnaldo precisaria levar em consideração para que conseguisse obter sucesso em sua atividade.
Aconselho que você pare a lição neste momento e realize a tarefa proposta antes de retomar a leitura.
Agora, com sua lista em mãos, deixo aqui uma pequena lista de aspectos a serem considerados na atividade em questão: reforçar as pesquisas de mercado; identificar a existência de produtos semelhantes; buscar saber se existirá potenciais concorrentes interessados em ingressar nesse mercado; conhecer sua margem de lucro; identificar seus principais fornecedores; e estabelecer parcerias. Além desses pontos que listei, você pensou em algo diferente?
AEDB. Competências empreendedoras: a nova ordem da globalização. Resende: AEDB, 2013.
CESNIK, F. de S.; BELTRAME, P. A. Globalização da Cultura. São Paulo: Manole, 2005.
SILVA, J. C. L. da. O Processo de Globalização. Brasil Escola, [2022]. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/processos-globa.htm. Acesso em: 22 jul. 2023.
SERTEK, P. Empreendedorismo. Curitiba: Intersaberes, 2012.