Olá, estudante! Seja bem-vindo a mais uma lição da disciplina de Empreendedorismo II.
Estamos chegamos nesse momento na lição que representa metade desse caminho a ser percorrido ao longo deste ano. Porém quero que saiba que ainda tem muito por vir até concluirmos esta jornada juntos. Na última lição, vimos sobre o Plano de Negócios, com seus diversos tópicos, e como ele pode auxiliar em nossa atuação profissional. Como prometido, hoje iniciamos mais um capítulo ao começarmos a estudar sobre estruturas, tamanhos e escalas, o que será estendido para mais algumas lições, assim como fizemos com o Plano de Negócios, devido à importância desses temas para a sua atuação enquanto Técnico em Agronegócio, seja para atuar como empreendedor do agronegócio, seja auxiliando o produtor nesse processo. Venha comigo então nessa nova fase.
Em um cenário cada vez mais dinâmico e desafiador, empreendedores do agronegócio encontram-se diante da necessidade imperativa de compreender e aplicar conceitos essenciais relacionados à estrutura organizacional. O estudo detalhado sobre modelos organizacionais, organogramas e manuais torna-se um diferencial crucial para o sucesso e a sustentabilidade dos empreendimentos agrícolas. Isso porque, no agronegócio, em que as variáveis externas, como condições climáticas e mudanças de mercado, são frequentemente imprevisíveis, uma estrutura organizacional bem definida proporciona a base para a tomada de decisões ágeis e eficientes. Além disso, a compreensão das práticas de Governança e ESG (Ambiental, Social e Governança) assume relevância vital, não apenas para atender às demandas do mercado moderno, mas também para garantir a sustentabilidade ambiental e social das operações agrícolas.
Portanto, para o empreendedor do agronegócio, investir no estudo desses temas não é apenas uma estratégia inteligente, mas uma necessidade para cultivar um negócio resiliente, adaptável e de sucesso no longo prazo. Sabendo disso, convido-o para caminhar junto a mim nesta jornada sobre as estruturas e suas características particulares para o ajudar em sua empreitada de negócios ou no auxílio que precisará dar ao produtor. Vem comigo?!
O estudo de caso que apresentarei hoje fala sobre um jovem empreendedor do agronegócio chamado Lucas. Ele herdou uma fazenda da família e, ansioso para modernizar os processos, decidiu aplicar práticas inovadoras em suas operações. Contudo Lucas percebeu rapidamente que seu conhecimento sobre estrutura organizacional era limitado, e isso estava impactando diretamente a eficiência da fazenda. Lucas começou então a estudar modelos organizacionais, organogramas e manuais e percebeu que esses elementos eram como as peças de um quebra-cabeça que precisavam se encaixar perfeitamente. Ao entender como as diferentes unidades da fazenda se relacionavam e como as informações fluíam, ele conseguiu otimizar os processos, melhorar a comunicação e aumentar a eficiência operacional da propriedade.
Em um ano desafiador, em que eventos climáticos inesperados afetaram a produção, a estrutura organizacional de Lucas provou ser crucial. Sua capacidade de tomar decisões rápidas, baseadas em protocolos claros delineados nos manuais organizacionais, permitiu que a fazenda se adaptasse rapidamente às mudanças e minimizasse as perdas. Além disso, ao incorporar boas práticas de governança em suas operações, Lucas não apenas fortaleceu a imagem sustentável de sua fazenda, mas também conquistou a confiança de novos parceiros e clientes, o que é muito importante como vimos para a sua atuação enquanto Técnico em Agronegócio. Sua visão estratégica e compreensão da importância da estrutura organizacional não apenas tornaram sua fazenda mais rentável, mas também a transformaram em um modelo de sucesso no agronegócio.
Esse estudo de caso, mesmo sendo fictício, mostra-nos como o estudo desses temas pode impactar diretamente as ações diárias de empreendedores do agronegócio, capacitando-os a enfrentar desafios e construir negócios sustentáveis no longo prazo. Portanto, vamos fazer nossa parte e aprender mais sobre esse assunto. Afinal, quanto mais conhecimento tivermos, melhor será nossa atuação auxiliando o produtor rural ou a empresa em que estivermos atuando profissionalmente.
Quando falamos de Estrutura Organizacional, estamos nos referindo a todos os aspectos que compõem uma empresa, como organização formal, sistemas de controle, incentivos, cultura organizacional e as pessoas que a compõem. Ao estudarmos sobre Estrutura Organizacional, exploramos como os ambientes externos influenciam a forma como as organizações são organizadas e operam.
Em um mundo empresarial que exige agilidade, deparamo-nos com o acrônimo VUCA (Volatility, Uncertainty, Complexity, Ambiguity). Isso significa que precisamos ajustar nossos processos e nossas atividades para lidar com circunstâncias competitivas que estão sempre mudando, apresentando desafios constantes. O termo VUCA foi originalmente criado pela U.S. Army War College, em 1986, para descrever um mundo pós-Guerra Fria, que era difícil de compreender. Em português, o acrônimo foi traduzido para VICA (Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade), mantendo-se semelhante, apenas, com a mudança da letra I para Incerteza (HORSTMEYER, 2020). O VUCA engloba quatro tipos diferentes de desafios, cada um exigindo abordagens distintas, segundo Horstmeyer (2020):
Volatilidade: imagine um evento instável, com duração incerta. Por exemplo, durante uma pandemia, as pessoas tendem a estocar alimentos, fazendo com que os preços subam e os estoques nos mercados diminuam. Isso é volatilidade.
Incerteza: isso ocorre quando não sabemos exatamente o que pode acontecer, algo nunca visto antes. Por exemplo, pode haver incerteza sobre lançar um novo produto após uma pesquisa de mercado. Investir em intensa pesquisa e desenvolvimento, incluindo nas redes sociais, é crucial para tomar decisões informadas e evitar desperdícios.
Complexidade: aqui, a situação é conhecida, mas há muitas variáveis interligadas difíceis de prever ou gerenciar. Pode ser como negociar com interesses divergentes, em que os interlocutores têm pouca experiência. A melhor saída é buscar orientação de especialistas e entender as opções disponíveis.
Ambiguidade: nessa situação, o cenário é conhecido, mas as opções apresentam dúvidas sobre a relação causa e efeito. Pode haver mais de uma interpretação, levando à indecisão. Uma solução possível é usar o “teste de hipóteses”, uma ferramenta estatística que fornece bons resultados dependendo da situação.
Os elementos do VUCA — ou VICA, em português — podem se combinar de diferentes maneiras. Por exemplo, um mercado emergente de produtos pode ser, ao mesmo tempo, incerto e volátil. A expansão para um território estrangeiro durante uma mudança governamental radical pode envolver incerteza e complexidade (BENETH; LEMOINE, 2014).
Dentro do componente Estrutura, temos três pontos importantes, segundo Beneth e Lemoine (2014):
Como as decisões são tomadas na empresa, se de forma centralizada ou descentralizada.
A estrutura geral da organização, incluindo subdivisões, como matricial, funções específicas, divisões de produtos e operações nacionais.
A implementação de mecanismos integradores para coordenar as atividades entre as diferentes partes da organização, como fluxos multifuncionais.
Além disso, falamos sobre controles, que são indicadores usados para medir o desempenho das diferentes partes da organização, avaliando como os gerentes estão conduzindo suas responsabilidades. Já os incentivos são dispositivos utilizados para motivar o comportamento desejado pelos funcionários, muitas vezes, relacionados aos indicadores de desempenho. Por exemplo, os incentivos de um gerente responsável pelos negócios de determinada repartição de uma grande empresa podem estar ligados ao desempenho dessa divisão.
Para Ifraim Filho e Cierco (2022), a cultura organizacional é como um conjunto de valores e ideais compartilhados pelos funcionários de uma organização. Assim como as sociedades têm suas culturas, as organizações, também, têm as suas. Elas são basicamente grupos de pessoas que se juntam para realizar tarefas em conjunto e têm padrões próprios de cultura e subcultura. Quando falamos de pessoas, não nos referimos apenas aos funcionários, mas também à estratégia usada para contratá-los, recompensá-los, motivá-los e mantê-los na empresa. Isso inclui considerar quem são em termos de habilidades, valores e orientações — em outras palavras, seu capital humano.
Assim, para os autores Ifraim Filho e Cierco (2022), os diferentes componentes da estrutura organizacional não agem de forma isolada, mas se influenciam mutuamente. Por exemplo, a estratégia em relação às pessoas pode ser usada para contratar indivíduos cujos valores coincidam com os que a empresa quer destacar em sua cultura. A parte pessoal da estrutura pode, assim, reforçar a cultura predominante da organização. Se uma empresa quer ter sucesso e melhorar seu desempenho, é essencial garantir consistência interna entre os diversos componentes de sua estrutura. Essa estrutura deve, por sua vez, apoiar as estratégias e operações da empresa.
Já o design organizacional é responsável por organizar, de maneira eficiente, as várias partes de uma organização, definindo como ela é estruturada. Além disso, é um elemento administrativo que cria as condições ideais para que a organização funcione bem no dia a dia. A proposta é explorar as mudanças organizacionais resultantes desses designs, identificar as características de cada fase do ciclo de vida de uma organização e criar estratégias práticas para cada etapa desse ciclo. Adicionalmente, será feito o reconhecimento de diferentes designs organizacionais, destacando tanto as vantagens quanto as desvantagens inerentes a cada estrutura.
As restrições externas são aquelas variáveis do ambiente empresarial que não estão sob controle da empresa, como ameaças ou oportunidades de natureza econômica, política, jurídica, ambiental, de mercado, entre outras. Em contraste, os componentes internos são variáveis que a empresa pode controlar, como níveis hierárquicos, amplitude de controle, descentralização/centralização, comunicação, entre outros.
De acordo com Oliveira (2016), muitas organizações brasileiras não aproveitam completamente as vantagens de otimizar suas estruturas organizacionais. Isso significa que, na prática, muitas empresas não tiram o máximo proveito dos benefícios de uma estrutura organizacional bem otimizada. Isso pode resultar em problemas para utilizar eficientemente outros instrumentos administrativos, como produtividade, qualidade, avaliação de desempenho, análise de capacitação, logística etc. Tudo isso dentro de uma abordagem sistêmica e interativa.
Quando uma instituição, seja ela completa, seja parcial, está em um estágio de maturidade mais baixo, isso pode afetar negativamente não apenas suas operações diárias, mas também as boas práticas de Governança e ESG (Ambiental, Social e Governança). Ao projetar ou redesenhar uma instituição, existem três elementos centrais que precisam ser definidos e elaborados:
Modelo Organizacional: é necessário definir o tipo de estrutura que melhor se adequa à instituição.
Organograma: um gráfico que reflete visualmente o modelo organizacional escolhido.
Manuais Organizacionais: documentos que explicam detalhadamente como a organização opera.
Para alcançar isso, é crucial realizar uma análise aprofundada dos fatores externos e internos que influenciarão o design organizacional. Por outro lado, o design organizacional não é apenas algo necessário; tornou-se uma fonte de vantagem competitiva para as empresas. Deve ser desenvolvido de maneira profissional, fundamentado em teorias sólidas e metodologias práticas para gerar valor. Isso deve ser considerado ao longo do ciclo de vida da organização, desde o nascimento e o crescimento até o eventual declínio e término. E é por esse e outros fatores que você, enquanto Técnico em Agronegócio, deve entender sobre tal assunto, para auxiliar as empresas em que atuar ou, até mesmo, o produtor rural, nesse processo.
O modelo organizacional é a escolha feita pela própria empresa para colocar em prática a estratégia planejada. É a maneira como a empresa opera de acordo com sua identidade e suas características de negócios. De acordo com Barreto e Saraiva (2017), é crucial reconhecer os tipos principais de desenhos organizacionais para garantir que o modelo funcione eficientemente. Os modelos organizacionais podem ser nomeados de várias maneiras, mas, em geral, a estrutura organizacional classifica as principais em funcional, divisional, matricial, híbrida e horizontal. Esses diferentes tipos de estruturas serão temas da nossa próxima lição, mas cabe já aqui dizer que utilizaremos alguns requisitos importantes, como:
Localização de cada unidade: de acordo com o papel que ela desempenha na organização.
Elencar tipos de unidades: gerenciamento, linha, suporte, assessoria, controle ou consultoria.
Tipo de informação: o que deve ser incluído em cada unidade.
Além dos organogramas, Ifraim Filho e Cierco (2022) lembram também que os manuais organizacionais são documentos escritos que explicam, detalhadamente, cada unidade da empresa conforme representado no organograma. Eles definem funções, processos, procedimentos e instruções a serem seguidas de acordo com as regras da própria empresa. A importância desses manuais pode ser vista de duas maneiras:
Ponto de vista jurídico: se alguém segue, ou não, o que está nos manuais pode afetar questões legais. Eles podem ser usados como evidência em casos de demissões, seja para apoiar a decisão da empresa, seja para que o funcionário se defenda de injustiças.
Ponto de vista organizacional: os manuais ajudam a padronizar as funções, os processos e as atividades, garantindo que cada trabalhador siga as regras estabelecidas nos manuais, em vez de fazer o que acha melhor pessoalmente.
Enfim, compreendemos que a estrutura organizacional desempenha papel fundamental na eficiência e no sucesso de uma empresa. Ao explorarmos os diversos componentes, como modelos organizacionais, organogramas e manuais, percebemos que a escolha e a implementação cuidadosa desses elementos são cruciais para a realização efetiva da estratégia empresarial e de nossa atuação enquanto empreendedores.
Além disso, fatores externos e internos contribuem para um design organizacional sólido. A análise desses aspectos permite às empresas enfrentar desafios e tirar proveito das oportunidades em um ambiente em constante transformação. Em última análise, a estrutura organizacional não apenas reflete a identidade e a missão da empresa, mas também influencia sua vantagem competitiva e sua capacidade de se adaptar ao ciclo de vida organizacional, desde o nascimento até o declínio.
A atividade que proponho hoje será muito legal! Trata-se de uma primeira tentativa de reforçar o entendimento sobre estrutura organizacional, modelos, organogramas e manuais, aplicando esses conceitos à realidade do agronegócio. Em um primeiro momento, quero que você, se possível, reúna-se com seus colegas para realizar essa atividade. No entanto, se isso não for possível, pode realizá-la sozinho. Pense nos itens que abordamos na lição de hoje e quais são aplicáveis ao agronegócio, considerando fatores, como tamanho da propriedade, especialização e tipo de cultura cultivada.
Agora quero que você, com base nos modelos pesquisados, crie um organograma representando a estrutura organizacional ideal para uma fazenda agrícola. Deve considerar as diferentes unidades, como produção, administração, logística, entre outras, e estabelecer as relações hierárquicas.
Você pode também, escolher uma unidade específica do organograma (por exemplo, produção de culturas) e criar um manual organizacional para essa área. O manual deve incluir funções, processos, procedimentos e instruções relevantes para garantir uma operação eficiente, clara e objetiva.
A tarefa desta lição é um início do que desenvolveremos nas próximas duas lições. Então, não se preocupe se não conseguir realizá-la em todos seus itens, você terá mais momentos para concluí-la!
BARRETO, J. S.; SARAIVA, M. O. Processos Gerenciais. 1. ed. Porto Alegre: SAGAH, 2017.
BENETH, N.; LEMOINE, G. J. What a Difference a Word Makes: Understanding Threats to Performance in a VUCA World. Business Horizons, v. 57, n. 3, p. 311-317, 2014.
HORSTMEYER, A. The Generative Role of Curiosity in Soft Skills Development for Contemporary VUCA Environments. Journal of Organizational Change Management, 2020.
IFRAIM FILHO, R.; CIERCO, A. A. Governança, ESG e estrutura organizacional. São Paulo: Actual, 2022.
OLIVEIRA, D. P. R. Estrutura Organizacional: Uma Abordagem para Resultados e Competitividade. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2016.