Olá, estudante! Iniciamos a última lição da disciplina de Empreendedorismo II e espero que tenha aprendido muito por aqui, pois conteúdo para isto não faltou, não é mesmo? Na lição anterior, falamos sobre os desafios e as responsabilidades que os gestores do agronegócio enfrentam em seu dia a dia de atuação profissional. Estudamos ainda, o papel desse profissional ao interagir com o ambiente extremamente volátil do agronegócio, ou seja, como o profissional precisa agir diante a um ambiente que está em constante evolução, com mudanças constantes a todo momento. Nesta última lição, vamos falar sobre as tomadas de decisão para inovar, persuadir e negociar na globalização. O próprio título já é autoexplicativo: veremos por aqui como você poderá se destacar profissionalmente, aplicando técnicas de liderança, negociação e inovação que foram abordadas ao longo do curso.
Vamos dar esse último passo juntos?
Estudante, talvez, ao ver o tema da lição de hoje, você pode ter se assustado, afinal, é um título relativamente grande e, sem muito esforço, nota-se que ele pode ser complexo. Contudo, pode ficar tranquilo(a)! Procurei simplificar os assuntos para melhor compreensão! Terminar nossa disciplina com o tema da inovação é totalmente adequado, pois, mesmo ressaltando a relevância dele em diversos momentos, talvez, somente agora, você esteja totalmente preparado(a) para entender e aplicá-lo.
Mesmo reconhecendo a importância da negociação e da persuasão, é comum que surjam desafios significativos no contexto do agronegócio. Um dos principais dilemas enfrentados é a resistência à mudança, especialmente em setores tradicionais, em que práticas consolidadas há décadas podem dificultar a adoção de novas ideias e tecnologias. Além disso, a diversidade de interesses e perspectivas entre os diferentes atores do agronegócio, como produtores, fornecedores, consumidores e reguladores, pode gerar conflitos que demandam habilidades excepcionais de negociação para serem resolvidos de forma satisfatória.
Outra questão importante é a crescente complexidade dos desafios enfrentados pelo agronegócio, que vão desde a pressão por sustentabilidade ambiental até a necessidade de garantir segurança alimentar em um mundo cada vez mais populoso e interconectado. Nesse contexto, a capacidade de persuadir os diversos agentes econômicos sobre a urgência e os benefícios das inovações se torna ainda mais crucial e desafiadora, exigindo uma abordagem completa e adaptável, que leve em conta as nuances e as particularidades de cada contexto.
Por fim, não podemos ignorar os impactos da globalização, que ampliam tanto as oportunidades quanto as ameaças para o agronegócio. Enquanto a integração dos mercados e a abertura a novas tecnologias podem impulsionar a inovação e o crescimento, também aumentam a competição e a volatilidade dos mercados, exigindo, dos atores do agronegócio, uma constante capacidade de adaptação e resiliência. Nesse cenário complexo e em constante transformação, fica claro que a habilidade de negociar e persuadir se torna uma necessidade imperativa para garantir a sustentabilidade e o sucesso no agronegócio do século XXI. Contudo, como podemos desenvolvê-la?
Se quer saber mais sobre o assunto, venha comigo!
Para termos um exemplo, mesmo que sucinto, sobre o assunto abordado nesta lição, trago a você a história de Pedro, um jovem agricultor apaixonado pelo agronegócio que enfrentava um dilema: apesar da dedicação e do conhecimento prático, ele percebia que a forma como a própria família conduzia os negócios estava começando a ficar obsoleta/ultrapassada diante das rápidas mudanças no setor. Assim, determinado a modernizar a propriedade da família e garantir o próprio futuro, Pedro decidiu investir em inovação.
Não foi de imediato, mas ele convenceu pais e irmãos sobre a importância de adotar novas tecnologias e técnicas de gestão para aumentar a eficiência e a produtividade. Assim, com o apoio da família, Pedro implementou um sistema de irrigação por gotejamento que reduziu o desperdício de água e aumentou o rendimento das culturas. Além disso, ele introduziu drones para monitorar as plantações, identificar problemas rapidamente e tomar medidas corretivas de forma mais eficiente. No entanto, Pedro conseguiu mudar a mentalidade apenas de sua família, pois logo percebeu uma certa resistência por parte de alguns funcionários, principalmente daqueles mais antigos que estavam acostumados com os métodos tradicionais de trabalho.
Com paciência e, claro, habilidade de persuasão, Pedro envolveu os funcionários que estavam resistentes com o processo de mudança, demonstrando os benefícios das inovações para todos, desde a economia de tempo até o aumento dos lucros. Além disso, Pedro buscou parcerias com instituições de pesquisa e empresas de tecnologia. Sempre que podia, estava presente em workshops e eventos do setor e, para manter todos atualizados sobre as últimas tendências e oportunidades, levava um dos funcionários junto. Isso foi essencial, pois podiam ver na prática o quanto as mudanças eram benéficas.
Ao longo do tempo, a fazenda de Pedro se tornou um exemplo de sucesso no agronegócio local, combinando tradição com inovação para enfrentar os desafios da globalização. Dessa forma, podemos notar que determinação e habilidades são essenciais e, com elas, é possível construir um futuro próspero no campo. Entretanto, nem todos nascemos com todas as habilidades necessárias desenvolvidas: a notícia boa é que elas podem ser desenvolvidas ao longo da vida!
Pronto(a) para aprender mais?
No atual cenário, a capacidade de inovar é determinante para se destacar. Sendo assim, é essencial pensar de maneira diferenciada, introduzindo ideias e soluções para os desafios enfrentados no agronegócio. Vale tudo! Desde a adoção de tecnologias avançadas até o desenvolvimento de novos produtos alinhados às demandas globais. Além disso, a persuasão se apresenta como uma habilidade crucial para promover nossas ideias inovadoras. Persuadir é convencer os outros sobre o valor de nossas propostas, estimulando a adoção delas. Portanto, comunicar-se de maneira clara e convincente é essencial para demonstrar como a inovação pode trazer benefícios tangíveis para todos os envolvidos. Claro, nada disso adianta se não soubermos como agir durante uma negociação, sobretudo, na era da globalização. Constantemente interagimos com indivíduos de diferentes culturas e interesses e saber negociar é muito importante para alcançar acordos mutuamente vantajosos. Entretanto, isso requer compreensão das necessidades das outras partes, flexibilidade e busca por soluções criativas para resolver conflitos.
Portanto, no contexto atual do agronegócio, é imprescindível ser proativo, habilidoso na persuasão e eficiente na negociação. A globalização oferece oportunidades vastas, mas também impõe desafios significativos que requerem resolução com determinação e capacidade adaptativa. De acordo com Tajra (2021), inovação e empreendimento se relacionam e se complementam, mas não são idênticos. Empreender envolve transformar ideias em realidade e lidar com desafios diários. No contexto econômico, empreender refere-se à gestão de negócios, enfrentando incertezas em busca de resultados, muitas vezes, financeiros.
Quanto à inovação, ela consiste em introduzir algo novo em qualquer atividade humana. No ambiente empresarial, inovar significa fazer algo de forma diferente na empresa, podendo ter impacto significativo ou ser uma melhoria incremental. Por exemplo, quando Steve Jobs lançou o iPad, trouxe uma mudança marcante para a Apple e o mercado de tecnologia. Por outro lado, uma empresa pode inovar buscando melhorias contínuas em seus processos produtivos, mesmo que de menor impacto. Segundo Estrin (2010), ao considerarmos a inovação, é crucial atentar-se para certos princípios fundamentais. Vamos conhecê-los?
A curiosidade é vital para a inovação. Devemos questionar o motivo pelo qual um produto ou serviço não alcançou os resultados esperados, se existe uma forma melhor de realizar uma tarefa ou criar um produto, e o que poderia ser criado de novo. Fomentar uma cultura de questionamento é uma excelente estratégia para impulsionar a inovação no agronegócio.
Lidar com erros e fracassos é essencial para os inovadores, pois é nesses momentos que surgem grandes oportunidades. Embora desafiador, é necessário que empreendedores estejam preparados para enfrentar essas situações com serenidade, buscando aprender e crescer com elas em direção ao sucesso.
Ser inovador requer mente aberta, flexibilidade mental e liberdade para explorar novas ideias e abordagens. Uma visão ampla do que é possível realizar é essencial para a inovação no agronegócio, permitindo a imaginação de novas maneiras de fazer as coisas.
A inovação, muitas vezes, demanda tempo e persistência. Não se trata de ser passivo, mas de persistir na busca pela superação de obstáculos técnicos e pela realização de objetivos desafiadores. Nos negócios agrícolas, os resultados podem não ser imediatos, sendo necessário um esforço contínuo até que sejam alcançados.
Fomentar um ambiente de confiança e bom relacionamento entre os membros da equipe é essencial. Isso motiva as pessoas envolvidas no processo, aumentando o comprometimento e a colaboração. Em um ambiente onde há confiança, as pessoas se comprometem mais facilmente com os objetivos propostos, impulsionando a inovação no agronegócio.
De acordo com Tajra (2021), as inovações são categorizadas em diferentes tipos, levando em consideração áreas específicas de impacto nos negócios e o grau de influência que exercem ou o controle que as empresas possuem sobre elas. Ao realizarmos inovações, estamos, geralmente, afetando dois tipos distintos de áreas de negócios:
Inovação Tecnológica: este tipo de inovação promove mudanças e ajustes no produto ou no processo produtivo. No agronegócio, isso pode incluir a adoção de novas tecnologias, como sistemas de irrigação por gotejamento em estufas de cultivo de vegetais ou a implementação de sensores de solo para monitorar a umidade e os nutrientes do solo em tempo real.
Inovação Não Tecnológica: neste caso, as mudanças ocorrem no modelo de gestão do negócio, afetando até mesmo as estratégias de marketing. Por exemplo, uma fazenda pode inovar na organização da cadeia de suprimentos, estabelecendo parcerias com empresas de logística para otimizar a entrega dos produtos agrícolas aos clientes. Outra possibilidade seria a introdução de novos métodos de gestão de qualidade, como a certificação orgânica, para agregar valor aos produtos agrícolas no mercado. Essas inovações, embora não dependam necessariamente de avanços tecnológicos, têm o potencial de gerar impactos significativos na eficiência e na competitividade do negócio agrícola.
Quanto ao grau de impacto provocado, conforme Tajra (2021), ao promovermos inovações, podemos obter três tipos de resultados distintos:
Estão relacionadas a melhorias contínuas, sendo bastante comuns nas empresas por meio da adoção de técnicas e ferramentas dos sistemas de gestão de qualidade. No agronegócio, um exemplo de inovação incremental seria a introdução de novos métodos de cultivo que resultam em aumento da produtividade, como a rotação de culturas ou a utilização de fertilizantes orgânicos.
São aquelas que alteram significativamente o modo como realizamos determinadas ações. Representam inovações de alto impacto, capazes de transformar a forma como as pessoas vivem ou percebem determinado segmento. No contexto agrícola, um exemplo de inovação radical seria a introdução de técnicas de agricultura vertical em ambientes urbanos, revolucionando a produção de alimentos em áreas urbanas densamente povoadas.
Ocorrem em produtos já existentes, modificando a forma de utilização. Por exemplo, o iPod revolucionou o mercado de dispositivos de áudio portáteis, ao incorporar componentes tecnológicos inovadores e oferecer uma nova experiência de uso aos consumidores. No agronegócio, uma inovação ortogonal poderia ser o desenvolvimento de aplicativos móveis que auxiliam os agricultores na gestão de suas plantações, permitindo uma abordagem mais eficiente e precisa no manejo agrícola.
Quanto ao grau de controle da empresa sobre as inovações, conforme explicado por Tajra (2021), elas podem ser classificadas em fechadas ou abertas.
Inovações Fechadas: empresas que adotam esse enfoque acreditam que as melhores mentes devem trabalhar dentro de seus próprios limites e que todo o processo de inovação deve ser desenvolvido internamente. Elas creem que, ao conduzirem internamente esse processo, conseguirão alcançar o sucesso empresarial e evitar que a concorrência implemente novas ideias. No agronegócio, uma empresa que adota essa abordagem pode investir em pesquisa e desenvolvimento interno para criar novas variedades de culturas mais resistentes a pragas ou condições climáticas adversas.
Inovações Abertas: empresas que adotam esse modelo buscam as melhores pessoas e modelos de pesquisa, mesmo que não sejam originários da própria organização. Elas também acreditam que podem se beneficiar das pesquisas realizadas por outras empresas, inclusive adquirindo propriedade intelectual de terceiros. No contexto do agronegócio, uma empresa que segue esse caminho pode estabelecer parcerias com universidades ou institutos de pesquisa para desenvolver novas técnicas de cultivo ou sistemas de gestão sustentável da terra.
É importante destacar que, embora, muitas vezes, associamos inovação principalmente às novas tecnologias, como a informática e as telecomunicações, diversos outros setores são impactados por processos inovadores, como a medicina e a indústria farmacêutica. No agronegócio, por exemplo, inovações podem abranger desde novos métodos de cultivo até técnicas avançadas de processamento de alimentos.
Nessa jornada pelo universo da inovação no contexto do agronegócio, exploramos diversos aspectos cruciais que moldam o cenário atual e futuro desse setor tão vital para a economia global. Desde a compreensão da relação entre inovação e empreendedorismo até a categorização das inovações conforme seus tipos e graus de impacto, buscamos desvendar as nuances desse processo dinâmico e multifacetado. Contudo, para que as ideias inovadoras sejam efetivamente implementadas e tragam os resultados desejados, é essencial reconhecer o papel crucial da negociação e da persuasão. A habilidade de negociar de forma eficiente, buscando acordos mutuamente vantajosos, e de persuadir os outros sobre o valor das propostas inovadoras são pilares fundamentais para o sucesso no ambiente competitivo do agronegócio globalizado.
Portanto, ao concluirmos esta jornada, reafirmo a importância de desenvolvermos não apenas competências técnicas e criativas, mas também habilidades interpessoais que nos permitam construir parcerias sólidas, comunicar nossas ideias de forma convincente e colaborar de maneira eficaz com diferentes pessoas ou agentes econômicos. Somente assim poderemos enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades que a inovação no agronegócio nos reserva, contribuindo para um futuro sustentável e próspero para todos.
Estudante, assim como constatamos, enquanto Técnico(a) em Agronegócio, você precisará estar sempre pronto(a) para inovar, persuadir e negociar. O mundo do agro é um mercado globalizado e competitivo, então, não há saída: essas habilidades são essenciais! Quem atua nesse setor precisa ter em mente que a inovação é contínua. Sendo assim, é preciso se adaptar rapidamente às mudanças do mercado e estar sempre pronto(a) para estabelecer parcerias estratégicas; aqui, as habilidades de persuasão e negociação são indispensáveis. Todavia, muitos de nós não nascemos com todas as habilidades que vamos precisar no decorrer da vida e, frente a isso, precisamos desenvolvê-las. A melhor forma de fazer isso é estudando e, claro, treinando!
Portanto, faremos uma simulação de negociação e persuasão no Agronegócio. O objetivo dela será reforçar o aprendizado sobre a importância da negociação e persuasão no contexto do agronegócio, incentivando a aplicação de suas habilidades em situações reais. Para isso, reúnam-se em grupos e considerem que cada um deles é um agente econômico que irá realizar uma transação no contexto do agronegócio. Suas transações poderão envolver negociação de preços de produtos agrícolas com fornecedores, persuasão de investidores sobre a viabilidade de um projeto de inovação na fazenda ou convencimento dos consumidores sobre os benefícios de produtos orgânicos.
Após definido o tema de cada grupo, vocês terão alguns minutos para se preparar, discutindo estratégias de negociação e argumentos de persuasão com base nos princípios e técnicas aprendidos durante a lição. Em seguida, os grupos realizarão simulações de negociação e persuasão: nesse momento, cada aluno assumirá um papel específico (comprador, vendedor, investidor e consumidor, por exemplo) e tentará alcançar os objetivos dentro do cenário proposto.
É importante dizer que, durante as simulações, vocês deverão aplicar habilidades de comunicação eficaz, argumentação persuasiva, negociação colaborativa e resolução de conflitos. Ao final de cada simulação, reserve um tempo para debate: os grupos compartilharão experiências, destacarão os desafios encontrados e discutirão as estratégias que utilizaram, ou seja, o que funcionou bem e o que poderia ser melhorado.
Isso será de grande utilidade para você enquanto Técnico(a) em Agronegócio, pois, como estudamos, essas habilidades podem influenciar o sucesso e a sustentabilidade dos negócios no campo. Ao cumprir esse desafio, você terá a oportunidade de aplicar os conceitos aprendidos de forma interativa e dinâmica e estará se preparando para enfrentar desafios reais no mundo do agronegócio com confiança e habilidade, que, a propósito, está logo ali.
Assim, finalizamos nossa disciplina. Espero que tenha gostado e aprendido muito, pois foi uma honra estar com você até aqui!
Obrigado por sua participação e pelo privilégio de termos feito parte de sua jornada de aprendizado!
TAJRA, S. F. Empreendedorismo: da ideia à ação. São Paulo: Érica, 2021.
ESTRIN, J. Estreitando a lacuna da inovação. São Paulo: DVC, 2010.