Olá, estudante do Ensino Médio! Seja bem-vindo a mais uma lição do curso Técnico em Agronegócios, da disciplina de Empreendedorismo II.
Já viemos de uma longa jornada estudando sobre como podemos ter maior chance de sucesso em nossos empreendimentos. Na última lição, relembramos, inclusive, por que utilizar um plano de negócio pode ser tão relevante nessa jornada. Vimos que, embora amplamente difundida essa importância entre as empresas e os potenciais empreendedores, muitas empresas, ainda, não possuem esse documento tão valioso.
Na lição de hoje, novamente, falaremos sobre esse assunto, em uma última abordagem, trazendo quais podem ser os fatores que levam à essa elaboração ou não, destacando os principais aspectos abordados em um plano de negócio, não em relação a seus itens obrigatórios ou sua importância, mas em relação aos principais fatores que podem ser observados nele e que o tornam um objeto de tão especial interesse. Venha comigo nesse último passo dessa caminhada rumo a um plano de negócio bem elaborado!
Como já vimos em lições anteriores, quando elaboramos um plano de negócios, vários fatores podem influenciar nossa decisão. Imagine que uma empresa elabore um plano de negócio, mas suas informações estejam desatualizadas ou incorretas. Isso, com certeza, fará com que seu plano de negócio não tenha uma aplicação adequada, o que pode leva-la a desacreditar no potencial existente na elaboração de um bom plano de negócios. Da mesma maneira, imagine uma empresa que elabore um plano de negócios corretamente, mas quem não saiba o interpretar posteriormente. Isso também não terá muita aplicação, pois de nada adianta um bom plano, se ele não puder ser seguido de maneira facilitada, clara e objetiva.
Portanto, ao desenvolver um plano, é essencial evitar o uso de linguagem excessivamente técnica ou de aplicabilidade limitada. Isso pode levar as empresas a executarem ações sob a impressão de que são as mais adequadas para a situação, quando, na realidade, uma compreensão mais aprofundada poderia orientar escolhas totalmente distintas. Por isso, é essencial garantir que as informações contidas no plano sejam compreendidas de maneira adequada, para que as ações tomadas estejam alinhadas com a realidade do momento.
Assim, não basta elaborar um bom plano de negócio, é preciso elaborar um plano que cumpra o seu propósito de orientar as empresas sobre quais ações tomar frente às mais diversas possibilidades de cenários. Dessa forma, é extremamente relevante que se entenda quais os principais fatores que uma empresa analisa em um plano de negócio e quais são os fatores que podem impactar a elaboração dele. Venha comigo aprender um pouco mais sobre eles na lição de hoje.
O case que apresento hoje é sobre um jovem produtor rural chamado Marcos, que estava determinado a transformar a pequena fazenda de sua família em um negócio agrícola próspero. Consciente da importância de um plano de negócios, Marcos decidiu aplicar seu conhecimento adquirido durante seu curso técnico em agronegócio. Ele começou a elaborar um plano de negócios abrangente, documento esse que detalhava suas metas, estratégias e projeções financeiras. Nesse processo, ele considerou diversos fatores essenciais. Primeiro, realizou uma análise de mercado para compreender as demandas, tendências e concorrência no setor de produtos agrícolas. Em seguida, calculou os recursos necessários, abrangendo o investimento em terra, os equipamentos, as sementes, os fertilizantes e a mão de obra. Marcos, também, planejou o cronograma de plantio e colheita, otimizando a produção por meio de uma abordagem cuidadosa para essas etapas. Além disso, desenvolveu projeções financeiras para garantir que seu empreendimento fosse sustentável a longo prazo.
Com o plano de negócios concluído, Marcos partiu para a implementação de suas estratégias. Ele escolheu cuidadosamente as culturas a serem plantadas com base em sua análise de mercado e seguiu o cronograma de cultivo. Durante a temporada, monitorou de perto os custos e a qualidade da produção. No entanto Marcos logo se deparou com desafios inesperados, como um período de seca que ameaçou suas colheitas. Diante dessa situação, em vez de entrar em pânico, ele recorreu ao plano de negócios, que incluía estratégias de contingência para lidar com situações imprevistas. Utilizando suas reservas financeiras, investiu em sistemas de irrigação para minimizar os danos causados pela seca.
Graças a seu bom plano de negócios e à sua capacidade de adaptação, Marcos superou os obstáculos. Sua produção cresceu, permitindo que ele vendesse seus produtos a preços competitivos no mercado. Além disso, o plano de negócios atraiu investidores, interessados em seu empreendimento, e isso possibilitou a expansão de sua fazenda e o investimento em tecnologias agrícolas avançadas.
Sendo assim, a história de Marcos, mesmo sendo fictícia, destaca a relevância do plano de negócios para empreendedores rurais no contexto do agronegócio. Observe que um plano bem elaborado oferece uma estrutura sólida para o sucesso, ajudando, entre outras coisas, a:
Minimizar riscos ao identificar e planejar estratégias para desafios inesperados.
Maximizar recursos, permitindo uma utilização eficiente dos recursos financeiros, humanos e naturais disponíveis.
Atrair investidores, demonstrando comprometimento com o sucesso a longo prazo.
Manter o foco nas metas de longo prazo e evitar desvios impulsivos.
Dessa forma, a jornada de Marcos demonstra que os produtores rurais que dedicam tempo e esforço na criação de um bom plano de negócios estão bem preparados para enfrentar os desafios do agronegócio e alcançar o sucesso. Espero que, em breve, você possa contar a sua história de sucesso. Então, vamos fazer acontecer!
De acordo com Silva Junior et al. (2021), usar um plano de negócios bem organizado, junto a outras estratégias de administração, é uma ótima ideia para aumentar as chances de sucesso de um negócio. Isso acontece porque um plano de negócios ajuda a prever problemas e ameaças ao negócio, permitindo que nos preparemos para evitá-los ou, pelo menos, minimizá-los. Dentro desse plano, encontramos informações importantes que respondem às nossas dúvidas, como quais estratégias seguir e quais decisões tomar, mesmo que não formos os principais usuários de tal metodologia. Isso acontece porque um bom planejamento, que fica registrado em um plano de negócios bem feito, dá-nos mais confiança, segurança e ajuda a fazer as coisas da melhor maneira possível. Quando coletamos informações para fazer esse planejamento, é possível prever, com maior precisão, o que acontecerá no futuro, como as vendas, os gastos e as receitas. Isso nos torna mais eficientes e diminui os erros cometidos ou até os elimina.
Acontece que as informações contidas nesse documento apresentam uma espécie de pré-visualização dos fatores que podem estar relacionados ao nosso negócio. Dessa forma, é possível que se obtenha uma visão mais clara dos cenários possíveis e das ações que deverão ser tomadas em cada uma das situações, caso ocorram. Isso acontece porque tais informações são simuladas antes que se inicie algum empreendimento.
Segundo Silva Junior et al. (2021), muitos fatores podem influenciar as escolhas do empreendedor durante a elaboração de um plano de negócios. Por exemplo, os conhecimentos que ele possui, suas habilidades, se ele possui o potencial necessário para que o negócio se sustente, entre outros fatores. Por esses mesmos fatores, às vezes, muitos empreendimentos acabam por não se sustentarem no longo prazo, pois, se o empreendedor não possui conhecimento necessário sobre quais funções devem ser desempenhadas no seu empreendimento, isso o torna mais frágil e necessitado de maior atenção e cuidado para que o sucesso seja alcançado naquele negócio.
Para Bernardi (2008), a criação de um plano de negócio deve ser feita após realizações de: pesquisas reais no meio empresarial; delimitação dos objetivos no empreendimento e da análise das estratégias que serão usadas, para que não ocorram erros evitáveis; e da análise da estrutura do negócio em relação aos recursos e investimentos necessários. Somada a esses fatores a necessidade evidente de uma análise de viabilidade de projetos é, talvez, o ponto mais importante para determinar se aquele investimento realmente possui potencial de retorno financeiro. Para o autor, devem ser, ainda, identificados os pontos fortes e fracos do empreendimento, ou seja, suas oportunidades e ameaças existentes, para que seja possível a elaboração de estratégias preventivas ou ações corretivas quanto a esses fatores.
Acredito que você se lembre que já vimos em lições passadas quais são os tópicos mais aconselháveis para compor um bom plano de negócios. Acontece que, em relação aos fatores que podem influenciar na elaboração desse plano a ponto de torná-lo realmente efetivo, o planejamento estratégico, talvez, seja o item que você deve mais se recordar nesse momento. Isso porque, segundo Oliveira (2012), esse item do plano de negócio delimita a área de atuação do empreendedor e qual será a sua melhor tomada de decisão em cada situação ou local em que se encontrar.
Como vimos, as estratégias e os planejamentos devem sempre ser atualizados de maneira que possam ser considerados sempre os fatores analisados e suas constantes mudanças ao longo do tempo.
Ao estudarmos sobre os objetivos de um plano de negócio ou ao relembrarmos sobre porque eles se tornam tão importantes em nossas vidas como empreendedores (sobretudo empreendedores do ramo do agronegócio), conforme verificamos na lição passada, vimos que eles servem, como defendido por Dornelas (2012), para: testar se um empreendimento é viável; orientar o desenvolvimento de técnicas e estratégias; atrair a atenção de possíveis investidores ao nosso negócio; transmitir um ar de credibilidade ao nosso empreendimento; e auxiliar no desenvolvimento das atividades realizadas pela equipe de gestão.
Dornelas (2012) ainda lembra que algumas perguntas têm de ser respondidas, quando elaboramos um bom plano de negócio, tais como:
Qual o propósito do plano? Qual o produto ou serviço que a sua empresa oferece? Qual a descrição do seu ramo de atuação ou prestação de serviço?
Onde sua empresa estará localizada? Como é o ambiente que a envolve? Onde está o seu mercado consumidor?
Por que você precisa que aquele investidor coloque dinheiro no seu negócio? Por que sua empresa realmente existe?
Qual o valor que você pretende arrecadar para dar sequência ao seu negócio? Quais os recursos necessários além do dinheiro?
Como serão utilizados esses valores na sua empresa? Qual a principal destinação desses recursos captados?
Quando seu negócio foi criado? Qual o seu público-alvo, quais são as suas necessidades e como pretende atendê-las?
Em qual setor a sua empresa se encaixa? Qual o perfil de seus consumidores potenciais?
Como é o mercado em que você atuará? Existem muitos competidores? Qual o seu diferencial em relação a eles? Existem produtos muito próximos do seu, de forma a serem substitutos?
Quais são os seus pontos fortes e fracos enquanto empresa? Quais são as principais características da sua equipe de trabalho?
Esses e muitos outros fatores podem ser tidos como as principais diretrizes a serem analisadas ao celebrar um bom plano de negócio. Assim, como uma tentativa de auxiliá-lo em uma futura elaboração de um plano de negócio, deixo aqui, em nossa última lição sobre o tema, uma espécie de passo a passo para desenvolver ou identificar quais fatores devem, ou não, compor o seu plano de negócios, considerando a atividade específica para a qual o realizará. Acompanhe:
A primeira coisa que você deve fazer é deixar bem claro qual a ideia do novo negócio, quais são suas propostas de valor, ou seja, o que ele agrega na vida das pessoas que consumirem aquele produto ou demandarem aquele serviço. Defina ainda, de maneira bem clara, quem é o seu público, para quem ofertará esse produto.
Além de definir corretamente o seu público, é importante que você entenda quais são os seus principais concorrentes, seus parceiros nesse negócio e qual o seu potencial de mercado ou como fará para aumentar a sua base de clientes.
Ao demonstrar adequadamente quais serão os recursos utilizados em seu negócio, como pretende captá-los, quais as suas necessidades de investimento, capital de giro, faturamento e uma previsão adequada dos custos e das despesas previstos, torna-se possível que investidores ou pessoas que se interessam por sua ideia visualizem a execução de seu projeto como algo que possa os trazer retorno e, assim, invistam em seu empreendimento.
Se tem uma coisa que já deve ter ficado claro à essa altura é que o plano de negócio tenta prever o máximo de situações possíveis e como você pode atuar em relação a elas. Sendo assim, realize planos estratégicos, planos operacionais, planos táticos, planejamento financeiro, projeções de fluxo de caixa, enfim, faça o máximo de planos que conseguir, pois, como já vimos, quanto mais assertivos forem seus planos, melhores serão as suas tomadas de decisões futuras.
Como talvez esse seja seu último contato com algum conteúdo relacionado ao plano de negócios, não posso perder a oportunidade de pedir que, com todos os elementos apreendidos até agora em nossa disciplina, e em seu curso como um todo, elabore um bom plano de negócios para um empreendimento, de preferência que seja na área rural ou em alguma das áreas que envolvam nosso grande foco da disciplina, o agronegócio. Se necessário, retorne suas anotações das aulas anteriores e faça uma breve revisão do que já possui de conteúdos até agora, para que seja possível que esse plano de negócios até mesmo saia do papel e passe de uma simples sugestão de aplicação ou atividade pedagógica para o início de um grande negócio de sucesso em sua vida.
Eu sei o quão trabalhoso pode ser essa execução, por isso, recomendo que, se possível, desenvolva-a com a orientação de seu professor. No entanto não acredito ser viável elaboração em grupos, mas, sim, a realização individual desse projeto, pois assim esse negócio poderá ficar em suas anotações e, quem sabe, tornar-se algo real, mesmo que seja daqui a alguns anos. Sem mais por hoje, deixo-o com essa grande tarefa e o espero na próxima lição para iniciarmos uma nova etapa de conteúdos em nossa disciplina! Espero que esteja ansioso para adquirir novos conhecimentos!
BERNARDI, L. A. Manual de Plano de Negócios: fundamento, processos e estruturação. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
DORNELAS, J. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012.
OLIVEIRA, D. Teoria geral da administração: uma abordagem prática. 3. ed. São Paulo: Atlas 2012.
SILVA JUNIOR, E. M. da. et al. A Importância do Plano de Negócios como Ferramenta para Estruturação Empresarial. Araçatuba: Unisalesiano, 2021. Disponível em: https://unisalesiano.com.br/aracatuba/wp-content/uploads/2021/06/Artigo-A-Importancia-do-Plano-de-Negocios-como-Ferramenta-para-Estruturacao-Empresarial-Pronto.pdf. Acesso em: 10 out. 2023.