Olá, estudante do Ensino Médio. Seja bem-vindo(a) a mais uma lição de nossa disciplina de Empreendedorismo II, do curso Técnico em Agronegócio. Já tivemos diversos assuntos por aqui. Nas últimas lições, iniciamos nossos estudos sobre as diferentes estruturas existentes nas organizações e vimos sobre os tipos de estruturas organizacionais e os principais detalhes sobre cada uma delas, suas diferenças e semelhanças e como devemos agir em cada uma delas.
Na lição de hoje, daremos continuidade à nossa exploração, mas com uma abordagem focada na resolução dos principais problemas possíveis de serem encontrados em sua atuação profissional. Venha me acompanhar nesta jornada de conhecimento e, juntos, aprofundaremos nossa compreensão sobre como enfrentar e superar os obstáculos que podem se apresentar em sua trajetória profissional. Estou empolgado para compartilhar mais insights valiosos com você nesta lição. Vamos lá!
No mundo em que vivemos, muitos são os problemas a serem enfrentados dentro de uma empresa, ou, até mesmo, e em maior grau, em uma propriedade rural. Estudar sobre como podemos solucionar tais problemas é uma tarefa de extrema importância para um(a) Técnico(a) em Agronegócio. Saber como reagir frente às mais diversas situações que poderão ser encontradas durante sua atuação pode ser um fator decisivo na chance de sucesso de sua profissão.
Os desafios enfrentados pelas organizações, no agronegócio, ao manter e atrair novos clientes têm crescido, significativamente, devido à natureza de constante mudança das relações comerciais, influenciada pelas interações com o ambiente. Torna-se, portanto, necessário que aprendamos sobre estas relações e sobre como minimizar ou eliminar os problemas nas diferentes estruturas organizacionais existentes. O principal objetivo é permitir que existam atividades flexíveis e gerenciáveis, no cotidiano, e integradas à estrutura organizacional correspondente. Vamos, juntos, explorar mais sobre estes e outros assuntos na lição de hoje
O case de hoje trata de uma história fictícia, porém baseada em fatos. Aconteceu em uma região rural, em uma comunidade agrícola que viria a se tornar referência em inovação e sustentabilidade no agronegócio. Os agricultores, movidos pela paixão pela terra e pela visão de futuro, uniram forças para criar uma estrutura organizacional única, focada na governança e nos princípios ESG - Estrutura, Social e Governança.
No início, enfrentaram desafios comuns, como a escolha da melhor forma de coordenação da produção. Com o tempo, perceberam que acordos contratuais sólidos e bem estruturados poderiam minimizar os custos de transação e produção, beneficiando desde os fornecedores de insumos até os consumidores finais. Esta descoberta levou à formação de associações e cooperativas de produção, promovendo uma colaboração que impulsionou o desenvolvimento conjunto.
A comunidade, ciente da importância da governança e do ESG, investiu na formação de seus membros, capacitando-os a lidar com medidas anticorrupção, gestão de mão de obra e governança corporativa. Estas práticas não apenas mitigaram riscos, mas também impactaram, positivamente, a estrutura organizacional do agronegócio local. Em meio a esta jornada, os agricultores aprenderam com a Economia dos Custos de Transação, possibilitando adaptações às condições futuras e outras vantagens estratégicas.
Esta história reforça como a comunidade agrícola ficou reconhecida como um exemplo de sucesso no agronegócio, destacando-se não apenas pela produtividade, mas também por sua abordagem sustentável e inovadora. Mostra, também, como a união de práticas organizacionais sólidas, princípios ESG e a compreensão cuidadosa dos contratos no agronegócio podem criar um caminho sólido para o desenvolvimento e a prosperidade.
Ao estudarmos sobre estrutura organizacional, temos que falar sobre um importante elemento denominado de ESG - Estrutura, Social e Governança. Ele se aplica a todos os setores, e, no agronegócio, discorre sobre a compreensão dos diversos arranjos organizacionais e em como eles impactam a estrutura organizacional como um todo, acompanhando o ciclo de vida das organizações e suas necessidades essenciais para existirem.
É importante destacar que, dentro desta variedade de arranjos organizacionais, temos que considerar o impacto na estrutura organizacional escolhida bem como o conjunto de práticas personalizadas. Isso pode oferecer aos gestores do agronegócio oportunidades de investimento e aprimoramento de sua proposta de valor para os clientes.
Isso porque os gestores são estimulados a identificar oportunidades para promover sua proposta de valor aos clientes, dentro do cenário específico do agronegócio. Para Ifraim Filho e Cierco (2022), a abordagem ESG também pode ser uma linha estratégica importante para o gerenciamento de risco e o desempenho no agronegócio. Assim, dentro da estrutura organizacional escolhida, é essencial incorporar o modelo de negócios de gestão de investimentos, atraindo talentos e proporcionando avanços significativos em investimentos ambientais, sociais e governamentais. Estes avanços podem apresentar riscos distintos para diversos setores, mas existem padrões nas práticas empresariais em relação à atuação empresarial.
É importante dizer que, nestes aspectos referentes à estrutura organizacional do agronegócio, existe bastante espaço para evolução no Brasil. Isso pode representar uma ótima opção de carreira e especialização para você, enquanto Técnico(a) em Agronegócio. Segundo Ifraim Filho e Cierco (2022), os principais aspectos a se estudar, ou se especializar, seriam medidas anticorrupção, gestão de mão de obra e governança corporativa. Esses aspectos sinalizam os maiores riscos para o sistema de governança corporativa e impactam, diretamente, a estrutura organizacional do agronegócio.
Zylbersztajn, Neves e Caleman (2015) chamam-nos a atenção para a importância do estudo sobre a teoria de contratos aplicada ao agronegócio. Isso porque os contratos são instrumentos que regulam as transações, sendo usados para reduzir riscos e incertezas nos processos de troca. Os principais problemas encontrados nas estruturas são advindos destas falhas. Acontece que elas deixam brechas para ações oportunistas por uma das partes. As principais motivações para estes contratos incompletos, segundo os autores são:
O contrato pode ser impreciso, ou apresentar ambiguidade em suas palavras.
Alguma das partes, inadvertidamente, falha em algum aspecto.
Os custos para elaborar o documento superam os custos para resolver problemas futuros.
Presença de informação assimétrica, ou seja, uma das partes detinha mais informação que a outra.
Preferência de uma das empresas em encerrar o relacionamento.
Nosso maior interesse na lição de hoje será no terceiro ponto desta lista: os custos serem maiores que os benefícios. Isso pode não ser aconselhado por alguns especialistas no campo do agronegócio, no entanto sabemos que os custos associados a esta especificação contratual são elevados, e a maioria dos contratos neste setor é intencionalmente estruturada de maneira imperfeita, deixando elementos de desempenho sem muita especificação.
Funciona mais ou menos assim: em vez de prever, antecipadamente, todos os possíveis eventos ao longo da duração de um contrato e estabelecer respostas predefinidas para cada situação, os negociadores preferem manter contratos incompletos para se adaptar às condições futuras que possam surgir. Isso porque esta má especificação pode apresentar vantagens a uma das partes.
A coordenação entre produtores e a indústria é uma parte fundamental do que é conhecido como coordenação vertical da produção. Para Zylbersztajn, Neves e Caleman (2015), essa coordenação pode ser aprimorada, por meio do estabelecimento de acordos contratuais que buscam reduzir os custos de transação e produção entre os agentes, desde os fornecedores de insumos até o consumidor final. Do mesmo modo, se houver vantagens em ações colaborativas entre agentes do mesmo segmento, pode-se promover uma melhor coordenação horizontal da produção, possibilitando a criação de associações e cooperativas de produção para impulsionar estas iniciativas.
Em qualquer relação de troca, a presença fundamental de mecanismos de incentivo e controle é destacada. Os mecanismos de incentivo orientam os membros na direção desejada, enquanto os mecanismos de controle gerenciam suas ações. Podemos dizer que os mecanismos de incentivo atuam como instrumentos que conciliam os interesses individuais dos membros com os objetivos organizacionais, permitindo que, ao buscar metas pessoais, contribuam para o alcance dos objetivos globais. Paralelamente, os mecanismos de controle estão ligados ao fluxo de informações sobre o desempenho de cada membro.
A abordagem contratual da economia dos custos de transação surge como uma ferramenta valiosa na compreensão de diversos aspectos, como desenvolvimento de fornecedores, alianças estratégicas e reorganização da estrutura produtiva, baseada em contratos terceirizados, contratos de distribuição, entre outros. A abordagem analítica direciona seu foco para a caracterização dos relacionamentos interorganizacionais como uma série de transações, conectando diferentes setores.
O destaque nas transações permite a descrição dos arranjos organizacionais estabelecidos para facilitar os fluxos necessários. Além disso, a atenção voltada para o setor possibilita a análise das características distintas de cada indústria, incluindo variáveis competitivas, grau de concentração e desempenho das empresas. A importância do ambiente institucional também é reconhecida, definindo as regras do jogo e influenciando o desempenho nos relacionamentos interorganizacionais.
Cada ambiente é regido por aspectos formais, como leis e regulamentações, e informais, como elementos culturais e códigos de conduta. Isso se torna ainda mais importante quando pensamos em ações coletivas das empresas envolvidas nos relacionamentos interorganizacionais, por meio de suas associações, sindicatos e outras formas representativas de um ou mais setores.
Segundo Zylbersztajn, Neves e Caleman (2015), quando utilizamos a abordagem de análise comparada, podemos identificar qual a melhor estrutura organizacional a se enquadrar de acordo com os diferentes aspectos que as diferenciam. Para isso, podemos considerar algumas características, como a frequência das transações que faremos, as incertezas envolvidas no processo, a necessidade de flexibilidade, o desenho dos modelos contratuais, o nível de confiança existente entre as partes envolvidas, entre outros aspectos.
Podemos considerar, ainda, as instituições existentes, o sistema legal, a tradição, as instituições políticas e as dimensões internacionais. Tudo isso serve para identificar porque determinada região apresenta formas contratuais diferentes de outras, mesmo quando tratamos do mesmo produto ou da mesma empresa. Entendemos, também, como optar por um formato de contrato específico.
Governança e ESG são temas envolventes que nos levam para dentro das empresas agrícolas, explorando seu cotidiano, seus desafios, suas ameaças e suas oportunidades, que surgem não apenas nos planos de negócios, mas são vivenciados por todos, desde os diversos conselhos até o cliente externo, dentro da perspectiva de suas respectivas estruturas organizacionais. Diversas teorias, como a teoria dos custos de transação e dependência de recursos, oferecem suporte para que as organizações tomem decisões acertadas em uma realidade em constante mudança, que é o caso do agronegócio.
Assim, podemos explorar estratégias para resolver problemas nas diferentes estruturas organizacionais, destacando a Governança e ESG como ferramenta essencial para práticas sustentáveis. A Economia dos Custos de Transação também guiou nossa compreensão das dinâmicas contratuais, enfatizando a flexibilidade e a adaptação necessárias nos contratos do agronegócio bem como a importância de mecanismos de incentivo e controle.
Para nosso momento de atividade de hoje, sugiro uma atividade prática envolvendo a criação de uma espécie de "Cenário de Negócios Sustentável no Agronegócio". Para isso, peço que se dividam em grupos a fim de desenvolver uma apresentação visual de uma estrutura organizacional, de práticas de governança e a aplicação de princípios ESG em um empreendimento agrícola. Cada grupo deve abordar diferentes aspectos, como coordenação da produção, acordos contratuais, formação de associações e cooperativas, mecanismos de incentivo e controle, entre outros. Também devem considerar os desafios reais do agronegócio, como mudanças climáticas, gestão de recursos naturais e questões sociais.
Lembre-se de apresentar como a Economia dos Custos de Transação pode ser aplicada no contexto específico que criaram, destacando a importância da flexibilidade nos contratos e os benefícios de uma abordagem comparativa na escolha da estrutura organizacional.
Ao fazer esta atividade, será possível que você coloque em prática não apenas os conceitos aprendidos na lição, mas também que aplique criatividade e pensamento crítico ao desenvolver soluções sustentáveis para desafios reais do agronegócio.
IFRAIM FILHO, R.; CIERCO, A. A. Governança, ESG e estrutura organizacional. São Paulo: Actual, 2022.
ZYLBERSZTAJN, D.; NEVES, M. F.; CALEMAN, S. M. de. (org.). Gestão de sistemas de agronegócios. São Paulo: Atlas, 2015.