A ciência possui paradigmas acerca da melhor maneira de obter suas verdades. Inicialmente, o método cartesiano, mecanicista e reducionista era entendido como a única forma de se obter a verdade sobre os fenômenos investigados. No entanto, ao longo da história da ciência, os pesquisadores se depararam com limites e impossibilidades nos métodos que aplicavam até então, trazendo dificuldades em compreender alguns fenômenos. Dessa maneira, a partir dessa limitação metodológica, novas formas de fazer ciência começam a ser pensadas e construídas e novos paradigmas emergem (Esteves de Vasconcellos, 2002).
O pensamento sistêmico marca uma mudança paradigmática no campo científico. Essa mudança significa uma modificação nos critérios utilizados para validar suas próprias afirmações científicas. Dessa forma, o pensamento sistêmico consiste no questionamento e atualização de alguns fundamentos da prática científica tradicional. Abarcando essa mudança, são pautados 3 novos pressupostos sistêmicos: o pressuposto da complexidade, da instabilidade e da intersubjetividade. Estes consistem em um conjunto interconectado e indissociável, sendo complementares um ao outro em suas aplicações (Esteves de Vasconcellos, 2002).
Partindo da etimologia, complexidade tem origem no latim complexus, que é aquilo que está tecido em conjunto, cujos constituintes heterogêneos estão inseparavelmente associados e integrados, sendo ao mesmo tempo uno e múltiplo (Morin, 1990). Para os cientistas que desenvolvem modelos para solução de problemas de computadores, sistema complexo é aquele constituído de um número grande de unidades, com uma enorme quantidade de interações. Os comportamentos desordenados fazem esses sistemas parecerem esquisitos, instáveis e desobedientes. Essas interações não calculáveis, que caracterizam problemas de difícil compreensão, não podem ser reduzidas a fórmulas simples.
No entanto, o paradigma tradicional com que estamos acostumados nos treinou para perceber o mundo e seus fenômenos simplificando-os. A dominância desse paradigma acaba dificultando perceber ou pensar a complexidade, mas certamente não impede o pensamento complexo. Considerando o percurso histórico dos saberes, as ciências biológicas e sociais se defrontavam com a dificuldade de adotar o paradigma tradicional, enquanto as ciências físicas obtinham êxito em sua forma de trabalhar com esse paradigma, pois a meta do conhecimento científico era dissipar a aparente complexidade dos fenômenos, a fim de revelar uma ordem simples. Na sua história, a física tem lutado para identificar a simplicidade nos fenômenos, entretanto, começou a admitir a existência de sistemas complexos. Ou seja, essa ideia simplificadora, segundo Atlan (1984), levou a física até seus próprios limites e fez com que a complexidade voltasse às ciências pela mesma via por onde havia saído: a física (Morin, 1990).
Referências:
Atlan, H. (1991). L’intuition du complexe et ses théorisations. Ees Théories de la complexité. Autour de l'œuvre d'Henri Atlan. Paris, Seuil, 9-42.
Esteves de Vasconcellos, M. J. (2002). Pensamento sistêmico: o novo paradigma da ciência. Papirus Editora.
Morin, E., & Lisboa, E. (2007). Introdução ao pensamento complexo (Vol. 3). Porto Alegre: Sulina.
O pressuposto da Complexidade surge em oposição à compreensão tradicional de um mundo linear encontrada no pressuposto da Simplicidade. Do latim complexus, significa aquilo que está tecido em conjunto, cujos constituintes heterogêneos estão inseparavelmente associados e integrados, sendo ao mesmo tempo uno e múltiplo (Morin, 1990). O mundo e seus fenômenos, sob essa perspectiva, abrigam a compreensão de sistemas complexos constituídos de um número grande de unidades, com uma enorme quantidade de interações não necessariamente simples e lineares.
Os comportamentos desordenados fazem esses sistemas parecerem esquisitos, instáveis e desobedientes. Essas interações não calculáveis caracterizam problemas de difícil compreensão e que não podem ser reduzidos a fórmulas simples como preconizava a Ciência Tradicional. O mundo complexo é um universo repleto de sistemas múltiplos potencialmente imprevisíveis, composto por diferentes interações que não necessariamente caminham de maneira linear (Esteves de Vasconcellos, 2002).
O mundo complexo também é um mundo passível Instabilidade. Esse pressuposto surge no Pensamento Sistêmico em oposição à compreensão de Estabilidade promovida pela Ciência Tradicional. Por influência científica, a ideia de um mundo estável, determinado e passível de descrição através de leis ou princípios é comum na perspectiva social. Em contraponto a essa percepção dominante, emerge a compreensão de fenômenos enquanto passíveis de instabilidade e desordem (Esteves de Vasconcellos, 2002).
Conceber os fenômenos enquanto instáveis é partir do princípio de que “nada é, tudo está”. O mundo é composto de sistemas complexos, conforme o fundamento da Complexidade e esses sistemas também estão em constante transformação. Nessa perspectiva, o mundo não se encontra estático, mas em constante movimento de tornar-se, abrigando fenômenos que podem ser imprevisíveis, indeterminados, incontroláveis e irreversíveis. Em suma, conceber o mundo sob o prisma da Instabilidade é compreendê-lo num processo de tornar-se, em constante movimento e sujeito a flutuações que podem modificar seu funcionamento estrutural (Esteves de Vasconcellos, 2002).
Falar do pressuposto da Intersubjetividade é admitir a impossibilidade de um conhecimento objetivo do mundo. A compreensão de colocar a subjetividade humana de lado para se fazer ciência parece incompatível com o desenvolvimento das Ciências Humanas e por algum tempo essa dificuldade permaneceu como “própria” desse saber. Dentro do campo da Ciência Física, ciência tradicional, surgiu uma possibilidade de se pensar de forma mais complexa sobre a Objetividade: Constatava-se a impossibilidade de conhecer de forma objetiva elementos como as partículas atômicas, pois o próprio ato de observá-las acabava por interferir no comportamento das mesmas, tornando o observador e interações subjetivas um “problema” também no campo das ciências objetivas (Esteves de Vasconcellos, 2002).
Ao colocar a Objetividade entre parênteses, admitimos que quando o observador distingue algo da realidade, distingue em relação a um fundo, constituindo assim, uma realidade. O objeto passa a existir em relação a esse observador a partir do que foi distinguido, discriminado. Só identifica-se a figura a partir do contraste com o fundo. Isso torna impossível fazer referência a algo real que exista independente do observador para validar sua experiência, porque não há outra forma de validar sem ser por meio da experiência (Esteves de Vasconcellos, 2002).
Utilizando-se do pressuposto da Intersubjetividade, podemos pensar em validação de experiências subjetivas a partir de espaços consensuais. Não é um espaço da verdade ou “da realidade tal como ela é”, mas de múltiplas verdades, diferentes narrativas. A ideia não é refutar as diferentes teorias sobre um mesmo fenômeno para buscar a “verdadeira”, mas olhar para a diferença como uma oportunidade de conversação (Esteves de Vasconcellos, 2002).
O que é preciso não é só entender os aspectos apresentados aqui sobre o Pensamento Sistêmico e os pressupostos da Complexidade, mas se permitir refletir, deixar-se invadir por esses aspectos para que possa surgir mudança de visão de mundo, que englobe os fenômenos desordenados, instáveis, intersubjetivos e complexos da experiência dos diferentes sistemas existentes. Pensar complexamente é, portanto, aceitar a contradição, confrontá-la e superá-la, sem negá-la e sem tentar reduzi-la. A Complexidade constitui um desafio que nos incita a desenvolver novas formas de pensar e agir (Esteves de Vasconcellos, 2002).
Referências:
Atlan, H. (1991). L’intuition du complexe et ses théorisations. Ees Théories de la complexité. Autour de l'œuvre d'Henri Atlan. Paris, Seuil, 9-42.
Esteves de Vasconcellos, M. J. (2002). Pensamento sistêmico: o novo paradigma da ciência. Papirus Editora.
Morin, E., & Lisboa, E. (2007). Introdução ao pensamento complexo (Vol. 3). Porto Alegre: Sulina.
A computação e a ciência da complexidade se desenvolveram juntas.
Muito da teoria dos sistemas está associada à área da computação.
Muitos dos conceitos da não linearidade tem suas origens na física e matemática.
A maioria dos fenômenos que estamos interessados em descrever são não lineares.
Assim como o microscópio, telescópio e laboratório eram para a ciência moderna, a computação e os dados são para a complexidade.
Fonte: Emergir Co. Teoria da Complexidade: visão geral. Youtube, 27 de janeiro de 2018. Link aqui
Outros termos que também são utilizados para se referir ao Paradigma da Complexidade:
Segundo CARVALHO; FÁVERO (2020):
Teoria da complexidade;
Desafio da complexidade;
Pensamento da complexidade;
Pensamento complexo.
O termo é também usado por alguns como sinônimo de epistemologia da complexidade, um ramo da filosofia da ciência inaugurado no início dos anos 1970 por Edgar Morin, Isabelle Stengers e Ilya Prigogine.
Existe também uma teoria de complexidade computacional, que é um filão científico mais estável e melhor definido e que evoluiu separadamente daquele referente ao conceito de sistema não linear, mas afinal está sutilmente ligado a este.
Referências:
Carvalho, R., & Fávero, A. A. (2020). A Teoria da Complexidade como referencial epistemológico para a pesquisa em política educacional:(re) conhecendo seus princípios e características. Revista de Estudios Teóricos y Epistemológicos en Política Educativa, 5(e2015096), 1-19.
Experimentos
A partir do Experimento das Sombras coloridas percebemos que as luzes coloridas, ao serem projetadas em uma tela branca, podem apresentar diferentes projeções de ondas. Ao colocar um obstáculo para provocar a sombra na tela, percebe-se a projeção de outras cores que nem estão ali presentes. Quando se fixa o olhar em um ponto específico, ao desviar o olhar, a sua vista acaba reproduzindo aquilo em outros planos como uma mancha que se mantém por alguns segundos. Como é possível que se veja algo que não existe ali no mundo físico? É possível questionar, as cores ali estão indo da superfície para os nossos olhos ou dos olhos para a superfície? Você está vendo algo que não existe?
Fonte: Blog do Professor Andrios
Simplicidade:
Análise
Relações causais lineares
Estabilidade:
Determinação- Previsibilidade
Reversibilidade- Controlabilidade
Objetividade:
Subjetividade entre parênteses
Uni-versum
Complexidade:
Contextualização
Relações causais recursivas
Instabilidade:
Indeterminação- Imprevisibilidade
Irreversibilidade- Incontrolabilidade
Intersubjetividade:
Objetividade entre parênteses
Multi-versa
O mestrando do PPGPSI-UFAM, Kennedy Ferreira da Silva, cantando e tocando a música "Fácil" da banda brasileira "Jota Quest."
A música foi tema das discussões no debate entre o Paradigma da Ciência Tradicional e o Paradigma da Ciência Emergente - Complexidade.