A dendrocronologia é uma ciência que analisa e interpreta as camadas de crescimento anuais das árvores para estudar a variação do clima e datar objetos de madeira. O termo provém do grego dendron (que significa árvore), crono (tempo) e logos (conhecimento).
O surgimento dessa ciência remonta à antiguidade. Em 1951, durante o Renascimento, Leonardo da Vinci, pensou em utilizar os anéis das árvores para reconstruir o passado. Ele sugeriu que a largura dos anéis estava relacionada com a presença da água no ambiente e propôs um método para reconstruir o clima do passado.
Já em 1904, Douglass, natural do Arizona, que viria a ser considerado o “pai” da dendrocronologia, recorreu a essa técnica para a datação das famosas ruínas índias espalhadas por todo o sudoeste americano (Worbes, 2002).
A largura dos anéis de crescimento é diretamente afetada pelos fatores climáticos, variando com eles em cada ano. A espessura, ou distância entre os anéis visualizados na madeira, pode ser mais larga ou mais estreita, conforme o clima for mais ou menos propício, respectivamente, para o crescimento da árvore naquele ano. Já quanto à coloração do anel, durante a primavera, a abundância de água faz com que o diâmetro das células aumente, levando à formação de um anel claro, pois a distância entre as paredes celulares dá uma aparência mais clara). Durante o verão, devido ao mesmo ser um clima mais seco, as células são mais pequenas, logo as paredes celulares estão mais próximas e por isso o anel formado parece mais escuro.
Medindo-se os anéis de uma árvore que se conhece a idade, pode-se saber como foi o clima durante a vida dessa árvore. Repetindo-se esse processo para madeiras cada vez mais velhas, pode-se obter uma sequência cronológica que informa como foi o clima de determinada região.
Essa técnica pode ser utilizada em análises de obras de arte, especialmente em pintura sobre madeira, mas também em instrumentos musicais e móveis de madeira. Algumas das limitações dessa técnica estão relacionadas ao mau estado em que algumas peças podem estar e também a impossibilidade de se retirar amostras de algumas peças ou obras. O uso da dendrocronologia também limita-se a alguns tipos de madeira, onde se pode observar bem os anéis de crescimento.
Já existem sequências cronológicas realizadas a partir da análise dos anéis de crescimento para várias regiões da Europa e da América. Então, por exemplo, quando se tem uma peça que seja de madeira de carvalho, pode-se medir a largura dos anéis dessa madeira e, comparando-se com as cronologias já existentes, pode-se identificar o período de tempo daquela peça e datar a obra de arte.