A ricina é considerada uma das toxinas de origem vegetal mais potente. Essa proteína, altamente tóxica, é encontrada nas sementes da mamona e faz parte de um grupo de proteínas inativadoras de ribossomos (RIPs), que uma vez no corpo se ligam aos ribossomos das células e as impedem de produzir proteínas, causando morte celular. Doses acima de 500mg já podem causar a morte e os sintomas por intoxicação com ricina podem ser de febre, vômitos, diarreia, taquicardia, edema pulmonar, tosse intensa, dor abdominal, desidratação, hemorragia interna, convulsões, insuficiência respiratória, falência de órgãos e podendo levar a morte, seus efeitos podendo durar até semanas. Não existe tratamento específico para a intoxicação por ricina podendo apenas se tratar os sintomas.
A ricina é uma proteína glicosilada composta por duas cadeias distintas "A" e "B" ligadas por ligação dissulfeto com tamanhos de 32 e 34kDa respectivamente. A cadeia "B" é uma lectina e tem o funcionamento de se ligar aos carboidratos da superfície celular possibilitando sua introdução na célula. A cadeia "A", por sua vez, é uma N-glicosidase e dentro da célula ela reage com RNA ribossômico e causa a remoção de uma adenina desse modo incapacitando a produção de proteína da célula. A figura ao lado apresenta a estrutura da ricina sendo a cadeia "A" mostrada em verde, a "B" em azul e a ligação dissulfeto representada por bolas e traços.
RESUMO
A ricina é uma proteína bastante tóxica presente nas sementes de mamona que impossibilita o uso da torta de mamona “innatura”, como ração. A torta de mamona destoxificada necessita ainda de métodos de análise que garantam a ausência de traços dessaproteína. Objetivou-se, neste trabalho, produzir e avaliar a sensibilidade e especificidade de anticorpos policlonais anti-ricina, paraserem empregados como possíveis componentes de métodos sorológicos na detecção de ricina em torta de mamona destoxificada.Foram avaliadas três doses da proteína: 400, 180 e 100 μg cada uma dividida em duas aplicações em coelhos. A primeira dose foiinjetada no animal no início do experimento e a segunda após 21 dias. O método de ELISA indicou que as duas doses menores (100e 180 μg) induziram respostas imunológicas primária e secundária com produção de anticorpos específicos. Enquanto a dose maior(400 μg) de ricina apresentou uma resposta primária com elevação dos títulos de anticorpos, seguida de uma supressão da resposta.Esse perfil é sugestivo de tolerância imunológica. Pela técnica de Western blotting verificou-se que os anticorpos policlonais produzidossão bastante específicos para a ricina, no entanto, por detectarem ricina na forma nativa e desnaturada não são recomendados para omonitoramento de ricina em torta de mamona destoxificada por tratamento térmico.
RESUMO
A mamona (Ricinus communis) é um arbusto da família Euforbiacea cultivada para a obtenção do óleo das sementes. Este óleo apresenta amplo emprego industrial, com destaque para o biodiesel. No entanto, as sementes de mamona apresentam uma potente toxina, a ricina. Trata-se de uma glicoproteína altamente tóxica com ação inativadora de ribossomos. A ação tóxica da ricina é decorrente da inibição da síntese proteica nas células eucarióticas, ocasionando a morte celular. Apenas uma molécula de ricina que entra no citosol é capaz de inativar mais de 1500 ribossomos por minuto. Os sinais clínicos associados com a intoxicação de mamona em animais frequentemente ocorrem em algumas horas após a ingestão das sementes. Este trabalho faz uma revisão da literatura sobre os efeitos tóxicos da ricina e as técnicas para a prevenção da intoxicação.
RESUMO
Este artigo apresenta uma mini-revisão da literatura sobre a ricina, abordando a vulnerabilidade que essa toxina representa para o Brasil em relação à Convenção para Proibição de Armas Químicas (CPAQ). A ricina é uma glicoproteína presente na mamoneira (Ricinus communis L.), planta endêmica no território brasileiro. Devido a sua elevada toxicidade é considerada uma arma química. O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de mamona, gerando todos os anos toneladas de resíduos contendo alto teor de ricina. Esse trabalho aborda aspectos do mecanismo de ação dessa substância no organismo além de citar casos da literatura internacional sobre o uso dessa substância em ações terroristas. A importância de métodos de detecção e de identificação rápidos e confiáveis é enfatizada com descrição de técnicas utilizadas tanto por equipes de resposta a emergências, quanto por laboratórios de química especializados. Os processos de destoxificação de ricina, além de possuírem importância militar, podem agregar valor econômico aos resíduos da agroindústria mamoneira. Por fim, é abordado o desenvolvimento de vacinas para imunização contra o envenenamento por ricina.