As narrativas bíblicas não tem valor historiográfico, nem nunca pretenderam ser uma exposição dos factos tal qual se passaram.
As narrativas bíblicas não querem ensinar Física ou Astronomia. O seu objetivo é expressar a fé num Deus bom que tudo criou. Trata-se de textos com uma mensagem religiosa sobre Deus e sobre a humanidade: Deus interveio com paternal cuidado na formação do homem e da mulher, feitos um para o outro e reflexo da sua glória, pois criados à sua imagem e semelhança. Deus é a origem de todas as coisas; é ele que cria e é ele que mantém a existência toda a criação; e toda a criação divina é boa: Deus viu que era bom.
Não tendo valor historiográfico, estas narrativas comunicam-nos, no entanto, uma verdade profunda acerca das coisas e das pessoas, de Deus e da história. O homem e a mulher são criados por Deus para serem felizes. Seria descabido tomar as narrativas da origem do homem e da mulher como se as coisas se tivessem passado assim.
Ciência ou Religião?
Em boa verdade, devemos substituir a conjunção “ou” pela conjunção “e”, e em vez do ponto de interrogação devemos colocar apenas um ponto final – Bíblia e Ciência.
Ciência e Bíblia apresentam discursos diferentes, mas não se contradizem; pelo contrário, complementam-se. Uma diz quando e como (Big Bang, Evolucionismo), outra diz porquê e para quê (Deus quis criar-nos porque nos ama e para sermos felizes). Os métodos da ciência são diferentes dos métodos usados pelo discurso ético e religioso.
Religião e Ciência são imprescindivelmente complementares.