Por Antônio Rodrigues de Lemos Augusto - 2021
A banda U2 é realmente interessante. Surgiu no final dos anos 70 e, desde os anos 80, consegue se manter entre as principais bandas de rock do mundo e da história, sem se envolver em polêmicas. É também tipicamente uma banda de palco. Não foram poucas as gravações lançadas envolvendo shows da banda. E clássicos do primeiro álbum - Boy - ainda são pedidos, após cerca de 35 anos de lançamento: “I will follow” e “The eletric co”, por exemplo. Idem sobre o segundo álbum, “October”, que teve “Gloria” como seu carro chefe.
Penso que o grande disco da banda é o terceiro - “War”, de 1983: “Sunday bloody sunday”, por exemplo, virou hino pela paz na Irlanda do Norte, na absurda disputa religiosa e política por lá. Tem ainda “New Year’s day” e “40”. Ainda em 1983, apenas com três ou quatro anos do primeiro disco, veio a gravação de um álbum ao vivo, com a bela “Party girl”, e, um ano depois, o lançamento do quarto disco - “The unforgettable fire”, este com um perfil diferenciado e que até hoje é menos conhecido, a não ser pelo clássico “Pride (in the name of love)”.
Banda que é banda tem que ter coragem e o U2, em 1987, deu uma forte guinada com “The Joshua Tree”, para muitos o melhor álbum ou o mais maduro, embora eu ainda fique com “War”. Mas, sem sombra de dúvida, “Bullet the blue sky” é fantástica. E “With or Without you” é cantada em peso nos shows. Um ano depois, um álbum duplo, segundo lançamento ao vivo em oito anos: “Rattle and hum”, gravado nos Estados Unidos, mostrou que a banda tinha definitivamente entrado para a história da música, e não apenas do rock. Para começar o show, uma gravação quente de “Helter Skelter”, revivendo Beatles.
Aí a banda sossegou. Depois de lançar sete álbuns, um deles duplo, em oito anos, ficou parada por quase três anos. Até chegar com “Achtung baby”, em 1991, e “Zooropa”, em 1993. Não gostei, embora respeite a coragem da tentativa. Era outro U2, diferente, mais pop. Tanto que, em 1997, veio o CD “Pop”. Mudou muita coisa: as músicas, o visual nos shows etc.
Em 1998, uma coletânea veio para relembrar as origens da banda. Na capa, a foto do menino que ilustrou o disco de lançamento em 1980, bem como o terceiro da banda, em 1983. “The best of 1980 e 1990” foi uma grande jogada da banda, focando o histórico justamente em período anterior ao lado pop.
Depois, os álbuns: “All that you can’t leave behind”, de 2000, muito bom. Também os CDs “How to dismantle an atomic bomb”, de 2004, e “No line on the horizon”, de 2009, que eu conheço pouco.
Enfim, os senhores Bono, Adam Clayton, The Edge e Larry conseguiram, merecidamente. Claro que eles não têm nenhuma pretensão de comparação a qualquer outra banda do rock. Mas, certamente, U2 é uma das grandes bandas da história da música internacional.