Por Antônio Rodrigues de Lemos Augusto - 2021
A música brasileira tem as suas “febres” históricas. Uma delas, inesquecível, foi o estouro da banda Blitz, entre 1981 e 1986. Quem não viveu a época não pode imaginar o que era a “Blitzmania”. A primeira música da banda, “Você não soube me amar”, chegou a ser vendida sozinha, em um disquinho compacto, em 1982. Aliás, lembro-me que foi distribuída também como brinde de shampoo. Para a época, a letra era ousada.
Era realmente algo diferente. Em primeiro lugar, sinalizava um novo rock brasileiro. Não que não existissem produções boas nos anos 70 e início dos anos 80, mas eram estilos mais comportados comercialmente ou que ficavam em undergrounds, salvo Raul Seixas e Rita Lee. Em segundo lugar, os integrantes da Blitz tinham origem também no teatro e apresentaram essa experiência nas músicas e no palco. As letras eram divertidas e inteligentes, tanto que até hoje vendem. Na época, a Blitz lotava estádios pelo país inteiro.
Entre as principais produções da banda, estão “A dois passos do paraíso”, “Mais uma de amor”, “Volta ao mundo”, “Betty Frigida”, “Egotrip”, “Radio Atividade”... Essas músicas abriram os olhos das gravadoras para o rock brasileiro e ajudaram a consolidar o que foi o movimento musical dos anos 80. Também criaram e reforçaram estilo e linguagem, o que pode ser exemplificado com a série “Armação Ilimitada”, da Rede Globo.
Um detalhe: a Blitz tinha, como baterista, Lobão que - aliás - foi quem sugeriu o nome. Mas ele deixou a banda pouco antes de “Você não soube me amar” estourar nas rádios e, logo após, trilhou caminho totalmente diferente, inicialmente com a banda “Lobão e seus Ronaldos”.
A criatividade do compositor Evandro Mesquita, o desempenho de Fernanda Abreu e Márcia Bulcão somados aos arranjos de Ricardo Barreto geraram três discos: “As aventuras da Blitz”, “Rádio Atividade” e “Blitz 3”. No terceiro álbum, porém, já se percebia que o fôlego estava terminando. De qualquer forma, para um país que vinha sufocado pela censura do regime militar, a Blitz significou algo realmente novo. E ainda teve o dom de parir Fernanda Abreu que, depois, em carreira solo, mostrou outro lado musical importante para a MPB.
Após o fim nos anos 80, a banda retornou com outras formações, mas sempre com Evandro Mesquita à frente e sem lançar novas músicas que emplacassem. De qualquer forma, esses retornos serviram para manter tocando músicas que fizeram muita gente dançar há quase 30 anos.