Antônio Rodrigues de Lemos Augusto - 2023
Quem gosta de Música Popular Brasileira, gosta de MPB-4. O quarteto surgiu na estrada em 1964, interpretando sucessos de dezenas de autores, sempre de forma magistral. Aquiles, Dalmo (que substituiu Ruy, um dos fundadores), Miltinho e Magro (falecido em 2012) são responsáveis por algumas gravações históricas, como “Partido alto”, letra de Chico Buarque, que o MPB-4 conseguiu dar a caracterização vocal exata do típico carioca. A música, aliás, foi censurada nos anos 70: “Deus me fez um cara fraco, desdentado e feio / Pele e osso simplesmente, quase sem recheio / Mas se alguém me desafia e bota a mãe no meio / Dou paulada a três por quatro e nem me despenteio / Que eu já tô de saco cheio”.
Outra gravação de lado A: “A lua”, de Renato Rocha. (A lua, quando ela roda / é nova, crescente ou meia lua / É cheia, quando ela roda / Minguante meia / depois é lua novamente...). E quem não conhece a bela “Amigo é pra essas coisas”, de Aldir Blanc e Silvio Silva Junior? Ou não deu risada com a versão para “O pato pateta”, lá do especial de Vinicius de Moraes, dos anos 80? “Vira virou” é outra marca registrada de MPB-4.
Mas, para mim, uma das mais belas gravações do quarteto está em “Sabiá”, a música de Tom Jobim e Chico Buarque que levou uma das maiores vaias em festivais da história da MPB. O MPB-4 demonstrou que “Sabiá” é, não apenas importante para a musicalidade brasileira, mas também é bela e poética.
Além de demonstrar que o canto em coro é possível e necessário na MPB, o MPB-4 se caracteriza pelos arranjos diferenciados das músicas, valorizando melodias e letras. Realmente, para qualquer autor de música no Brasil, é uma honra ser gravado pelo quarteto, como já foram Chico Buarque, Tom Jobim, Milton Nascimento, Fagner, Caetano... Enfim, a sonoridade da MPB contemporânea não seria a mesma sem MPB-4.
Para quem quiser conhecer mais do grupo, acesse o site www.mpb4.com.br.