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Laudelina de Campos [LC03]

Laudelina de Campos Melo foi defensora dos direitos das mulheres e das empregadas domésticas. Nascida em Poços de Caldas (MG), em 1904, perdeu o pai teve de largar os estudos e trabalhar como empregada doméstica, com apenas 7 anos de idade, para cuidar dos cinco irmãos mais novos. Com 18 anos, mudou-se para Santos (SP) onde casou-se e, junto ao marido, participava da agremiação Saudade de Campinas, um grupo de valorização da cultura negra.

Em 1936, Laudelina se filiou ao Partido Comunista Brasileiro e fundou a primeira Associação de Trabalhadores Domésticos no Brasil. Separou-se do marido em 1938, mas se envolveu cada vez mais com mo políticos de esquerda, militante também na Frente Negra Brasileira. Anos depois, mudou-se para Campinas, onde integrou o Movimento Negro de Campinas e protestava contra racismo. Em 1961, fundou a Associação Profissional Beneficente das Empregadas Domésticas, que mais tarde se tornaria primeiro Sindicato das Empregadas Domésticas.

— JARID ARRAES (2017)

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Vídeos sobre a heroína:

Heróis de Todo Mundo - Laudelina de Campos Melo – Trabalho doméstico e sindicalismoCom uma linguagem ficcional que mistura elementos documentais, cada interprograma desta série relata a vida e ressalta a importância de uma personalidade negra já falecida, nos cenários cultural, histórico, político ou científico do Brasil. São 15 histórias de homens e mulheres, heróis e heroínas que, apesar das adversidades, deixaram para o país um legado.

Mis, Vó Nina, Sindicato das Domésticas, Olivia Araújo, Museu da Cidade, MUCI, Laudelina de Campos Melo

Outros estudos sobre a heroína:

Laudelina Campos de Melo, a heroína negra que lutou para garantir direitos às domésticas no Brasil - GeledésLíder sindical teve uma trajetória que combinou luta por valorização do emprego doméstico, feminismo e ativismo pela igualdade racial. Por Amauri Terto, do HuffPost Brasil Nascida em Minas Gerais, Laudelina entrou para a história como a criadora do primeiro sindicato das domésticas do Brasil. A Proposta de Emenda Constitucional 66/2012, a PEC das Domésticas, foi aprovada em 2013. ...

Fragmentos do cordel

Vou contar no meu cordel

Uma história edificante

Que até hoje reverbera

Pelo atos importantes

Nos ensina o que é coragem

E ativismo impactante.


Laudelina de Campos Melo

Foi seu nome propagado

Em mil novecentos e quatro

Nascimento registrado

e vivendo nessa Terra

Fez o mundo abençoado.


Tinha apenas sete anos

Quando foi ser Casa-Grandeeira

Empregada de família

Como profissão primeira

Mas ainda era tão cedo

Para ser trabalhadeira!


Imagine que terrível

Era ainda uma criança

Mais limpava e cozinhava

Sem a chance de mudança

Pois nesse país racista

Não havia outra esperança.


(...)


Foi Eleita presidenta

De um clube interessante

Chamado 13 de Maio

Além de militante

Era também cultural

Para os negros, relevantes.


Nascida em Poços de Calda

Laudelina era mineira

Mas mudou para São Paulo

Onde também foi faxineira

E se consolidou em Santos

Como grande Pioneira.


Na vanguarda dessa luta

Por direitos trabalhistas

Se casou e separou-se

Sempre enfrentando a lida

Com dois filhos para criar

Mas grandeza em sua vida.


(...)

Na Frente Negra Brasileira

Laudelina trabalhou

A maior associação

Que a história registrou

Com 30 mil participantes

Nessa frente ela lutou.


No ano de 55

Já em Campinas morando

Entrou para o movimento

Dos negros se organizando

E fez parte de um teatro

Que já vou lhe relatando.


Teatro Experimental do Negro

Como era então chamado

Foi também de Laudelina

Pelos negros aclamado

Pois o seu valor imenso

Não dá para ser questionado.


Pela força da cultura

De atuar de dançar

Autoestima para os jovens

E razão pra confiar

Ela então esse trabalho

Que queria se espalhar.


Por mais de 40 anos

Laudelina trabalhou

Como empregada doméstica

Até que por fim parou

E abriu o seu negócio

Que feliz realizou.


Ela vendia salgados

E abriu uma pensão

Saía em dias de jogo

Pra vender à multidão

Nos estádios da cidade

Com garra e dedicação.


Mas não pense que por isso

Ela abandonou a luta

Pois tão cedo conheceu

A dureza da labuta

E jamais renegaria

Sua batalha resoluta.


Com ainda mais afinco

Ela então se dedicou

Lutando pelo seu povo

Muito mais realizou

Era isso que amo via

Nisso sempre acreditou.


(...)


Fonte:

ARRAES, Jarid. Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis. São Paulo: Editora Pólen, 2017.

FOTO: Divulgação do site encontroteca.com.br

KONTAÊ - Heroínas negras brasileiras - 2019

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