Anne Robert Jacques Turgot, o Barão de l’Aulne (1727 - 1781), foi um proeminente defensor do livre mercado, se opondo ao intervencionismo estatal tanto no plano das ideias como na atuação nos cargos públicos, tendo sido conselheiro do Parlamento de Paris e ministro-geral das Finanças. Influenciado pelos fisiocratas, colaborou com diversas obras referentes aos temas da tolerância civil e liberdade de comércio aplicada na agricultura.
Nos primeiros capítulos de suas Reflexões, Turgot ataca a possibilidade de uma igualdade material absoluta entre os homens, e analisa os fundamentos liberais da livre troca, da propriedade e da escassez, atribuindo à terra, como o fisiocrata que era, a fonte de toda a riqueza e portanto de toda a desigualdade.
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Na segunda parte da série, Turgot realizará uma análise histórica da evolução da sociedade baseando-se na evolução das diferentes formas de se explorar a terra. Com essa análise, Turgot se detém sobre as relações de trabalho entre proprietários e cultivadores, e sobre como elas se manifestam na geração das riquezas.
Continuando sua análise histórica da evolução da sociedade, Turgot explica os fundamentos do comércio, do escambo, da troca e do valor, antecipando inclusive discussões referentes à utilidade marginal de um produto.
Voltando ainda ao passado para compreender o funcionamento e evolução da economia na sociedade, Turgot analisa agora o surgimento do investimento e dos empreendedores como agentes indispensáveis na formação de riquezas.
"O Banqueiro e sua esposa" (1539) de Marinus van Reymerswaele.
Desmistificando o empréstimo de capital à juros, Turgot prossegue sua análise sobre o acúmulo de capital como fonte de riquezas e de lucro. Ao mesmo tempo em que derruba os preconceitos relacionados à financeirização da economia, o autor explica com clareza a regulação dos juros de acordo com a lei de oferta e procura.
Iniciando sua conclusão, Turgot recapitula todas as formas de emprego de capitais apresentadas ao longo de suas Reflexões, estabelecendo entre elas uma interdependência orgânica, mediada e indicada pela taxa de juros do capital e pela taxa de rendimento de cada empreendimento.
Finalizando suas longas e profundas Reflexões a respeito dos fundamentos e da evolução da economia, Turgot reforça alguns dos principais pontos já abordados, como a existência de diferentes classes sociais, a importância do livre empréstimo a juros como condição indispensável ao investimento, o papel da terra como fonte primária de todo rendimento e a diferença entre o capital acumulado e o dinheiro.
Murray Rothbard, figura central no movimento libertário norte-americano, foi sempre um firme defensor do revisionismo histórico. Neste artigo, o autor apresenta e discute a importância do pensamento de Anne Robert Jacques Turgot para a História do Pensamento Econômico, destacando seu brilhantismo intelectual, sua defesa da economia de mercado e do livre comércio, e suas contribuições para as teorias do valor, das trocas, dos preços, da produção e da distribuição.
Na segunda parte de seu estudo, Rothbard destaca a contribuição de Turgot às teorias do capital, da moeda, da poupança, dos juros e do empreendedorismo, evidenciando sua influência indireta sobre as teorias austríacas desenvolvidas séculos depois. Rothbard ressalta também o legado, amplamente negligenciado, e a herança de Turgot para o desenvolvimento da ciência e do pensamento econômico na França e no mundo.
Político, administrador, filantropo e intelectual, Turgot foi praticamente o primeiro homem em uma posição de poder a reduzir o tamanho do Estado e a atacar os privilégios dos monopólios. Se todas as suas conquistas se perderam no tempo, seu legado influenciou a muitos e ainda influencia. Neste ensaio, Jim Powell, especialista em história da liberdade, traz a trajetória desse que foi um dos maiores defensores do livre mercado do século XVIII.