O RITO DE RECONCILIAÇÃO
O RITO DE RECONCILIAÇÃO
O Rito de Emulação [1], também chamado RITO DE RECONCILIAÇÃO, com antecedentes de antiguidade indiscutível, foi estabelecido pela GRANDE LOJA UNIDA de Inglaterra no ano de 1813, por ocasião da União das duas Grandes Lojas existentes. O seu nome provém da “Emulation Lodge of Improvement”, encarregada de preservá-lo em toda a sua pureza, numa época na qual não se permitiam Rituais [2] escritos.
A palavra Emulação, no conceito maçónico, significa seguir o exemplo, imitar. Seguir o exemplo no sentido de reproduzir as cerimónias maçónicas praticadas pelos antigos maçons da Inglaterra, uma vez que a origem e o berço da Maçonaria se situam naquele país, cabendo, portanto, aos novos seguir o exemplo das antigas práticas ritualistas, perpetuando-as.
Antes da união das duas Grandes Lojas rivais, a dos Modernos e a dos Antigos, muitos esforços de bastidores foram empreendidos para padronizar as formas ritualistas, ou seja, aquilo que entendemos hoje por rituais.
Em 1794 dois antigos Grão-Mestres, John IV, duque de Atthol, Grão-Mestre dos “Antigos” e George, Príncipe de Gales, Grão-Mestre dos “Modernos” solicitaram ao Príncipe Edward, mais tarde duque de Kent, Grão-Mestre dos “Antigos”, que arbitrasse o trabalho de unificação.
Em 1809 a primeira Grande Loja (dos Modernos) tomou a iniciativa, promovendo a fundação da Loja da “Promulgação” com o objectivo de estudar os Landmarks e as práticas esotéricas, para recomendar as mudanças que deveriam ser feitas no sentido de trazer os rituais a uma forma aceitável, visando de antemão a preparação para a união das Grandes Lojas rivais. Um corpo similar foi fundado pelos “Antigos”.
Em 7 de Dezembro de 1813 é criada uma loja mista: “Lodge of Reconciliation” (Loja da Reconciliação) – que harmoniza os rituais. O trabalho foi efectuado oralmente, respeitando a proibição de nada escrever a respeito do “segredo” maçónico. Nenhuma acta foi redigida, assim como foi proibido tomar notas.
A loja da “Reconciliação” passa a apresentar, na prática e oralmente, o novo ritual harmonizado para as lojas de Londres e arredores. Essas apresentações prosseguiram durante três anos ininterruptos. Desde essa data a forma ritualista praticamente foi padronizada em toda a Inglaterra.
Em Junho de 1816, as formas dos rituais para uso na nova Grande Loja foram demonstradas pela Lodge of Reconciliation, constituída especialmente para produzi-las, as quais viriam a documentar, oficialmente, numa resolução e, pela primeira vez, as Cerimonias praticadas até então.
Assim, em 1816, surge oficialmente um novo ritual, aprovado e confirmado, pela Grande Loja Unida da Inglaterra, resultado de um longo trabalho iniciado em 1794, coroado pelo “Act of Union” de 27 de Dezembro de 1813 e finalmente concluído em Junho de 1816.
Em 2 de Outubro de 1823 os membros da “Burlington Lodge”, fundada em 1810 e da “Perseverance Lodge”, fundada em 1817, reúnem-se, pela primeira, na “Emulation Lodge of Improvement for Master Masons” (Loja Emulação de Aperfeiçoamento para Mestres Maçons), com a finalidade de dar instrução, especialmente, para aqueles que entram na cadeia de sucessão e desejam preparar-se para cargos em Loja, almejando alcançar a cadeira principal de uma Loja Simbólica. Ela reúne-se no Freemasons`Hall, na Great Queen Street, em Londres, semanalmente às 18h15m, das sextas-feiras de Outubro a Junho, onde demonstram as Cerimonias e Prelecções de acordo com o Trabalho de Emulação, mas somente Mestres Maçons podem frequentá-la.
O Emulation working (trabalho em Emulação) recebeu o seu nome da Emulation Lodge of Improvement, cujo Comité é o curador do ritual, por delegação da Grande Loja Unida de Inglaterra, que autoriza a publicação do livro denominado Emulation Ritual (Ritual de Emulação).
As instruções nos anos iniciais, concentradas nos trabalhos do Primeiro Grau e preparação dos candidatos a sucessão na Cadeira da Loja, eram realizadas por meio de palestras maçónicas de acordo com o sistema da Grand Setward’s Lodge (Loja dos Grandes Provedores), cujas prelecções descrevem, em detalhe, as cerimonias. Em 1830, conforme a uma prática geral que então se havia desenvolvido, as próprias cerimónias eram também ensaiadas.
Os responsáveis pela condução da Emulation Lodge of Improvement, desde os primeiros tempos, adoptaram a postura de assegurar a prática do ritual aprovado sem permitir a sua alteração. Embora, não se possa pretender que o actual Ritual de Emulação esteja na forma exacta do ritual praticado verbalmente há quase dois séculos atrás, as Cerimonias daqueles tempos foram original e especificamente aprovadas pela Grande Loja Unida de Inglaterra, a quem cabia, única e exclusivamente, actualiza-las ou aprovar as suas actualizações. Por esse motivo, o Comité da Emulation Lodge of Improvement, sempre considerou que, por razões de confiança, deveria manter sem alteração as formas rituais completas passadas pelos seus predecessores, e que estava fora da sua autoridade fazer qualquer alteração, a menos que oficialmente sancionadas por resolução ou aceitação própria da Grande Loja da Inglaterra.
Devido ao facto de a Grande Loja considerar que o ritual não devia ser confiado a impressão, já que, como foi referido, uma das suas características era o de ser praticado de cor. A “reprodução” oral constituía o único meio oficial da sua transmissão.
Foi, apenas, em 1969 que a Loja Emulação de Aperfeiçoamento patrocinou a publicação da primeira edição do `Ritual de Emulação.
O Ritual caracteriza-se por procedimentos muito peculiares, ausentes em outros rituais, pelo despojamento de certas pompas aliado à simplicidade e singeleza, o que acaba por lhe conferir certa gravidade e um ar de sobriedade sem, todavia, torná-lo circunspecto.
Duas características deste ritual merecem ser especialmente mencionadas: a primeira é que o ritual deve ser conhecido e praticado de cor, sendo a prática do cerimonial sem alterações um aspecto determinante do rito; a segunda é que todos os trabalhos em loja só podem ser feitos à Glória do Grande Arquitecto do Universo.
Outras características deste rito são: É tradição não haver disputa de cargos, em hipótese alguma. A linha de sucessão deve ser respeitada, para que a harmonia e a união entre os irmãos seja mantida. O V.M. é o único que pode falar sentado na Loja. Os demais, falam de pé e à ordem e com o passo. As batidas são três, em todos os Graus, a diferença é no ritmo. Nenhum Oficial tem direito de reclamar promoção quando entra na linha de sucessão. Em nenhuma procissão/cortejo é permitido a algum I∴ ficar entre o V∴ M∴ e seus VV∴. Se houver uma Ode de abertura ou música apropriada, deve ser cantada ou executada antes de abrir a Loja e se houver um de encerramento, só depois da Loja fechada. A marcha é sempre iniciada com o pé esquerdo.
Ainda que se exclua qualquer alusão confessional ou religiosa, no desenvolvimento do ritual, as invocações ao Grande Arquitecto do Universo demonstram a sacralidade deísta, que em Maçonaria não é mera formalidade de princípios, mas representa o seu aspecto esotérico, que é o suporte necessário e indispensável ao aspecto esotérico deste Rito.
No Ritual de Emulação reconcilia-se a Antiga Maçonaria – com as suas conotações operativas e deístas – com a Maçonaria Moderna, teísta, e marcadamente misteriosa e esotérica. A confluência das duas correntes é a base sobre a qual se apoia a actual regularidade e a validade da Filiação e da Iniciação Maçónica, ambas de origem Andersoniana. (de James Anderson, “As Constituições de Anderson”)
Todas as Grandes Lojas e Grandes Orientes do mundo utilizam o Ritual de Emulação na Instalação dos Veneráveis de suas Lojas, qualquer que seja o Rito em que elas trabalham. Esta característica, de rígida aplicação, faz com que somente seja reconhecida a qualidade de Verenável aos Mestres que tenham sido instalados segundo o Ritual de Emulação, no qual são transmitidos a Palavra de Passe do Mestre Instalado e os correspondentes sinais de reconhecimento.
O Ritual de Emulação pertence à tradição e a todos os Irmãos que a ele se sintam ligados, por se constituir num instrumento de regularidade, e de validade iniciática e espiritual.
Fonte: Página da Grande Loja Legal de Portugal / GLRP.
[1] Rito – representa as regras e cerimónias de carácter sacro ou simbólico que seguem preceitos estabelecidos e que se devem observar na prática. Em síntese representa um sistema de organizações maçónicas inseridas num determinado modelo.
[2] Ritual – representa o livro que contem o conjunto de práticas consagradas pelo uso, por normas ou ambas, e que se devem observar de forma invariável em ocasiões determinadas. Sintetizando é o cerimonial.
A pergunta sobre as razões porque os maçons vão à Loja, gastando tempo que, não fora essa utilização, dedicariam à sua família, ao lazer ou a outras actividades a que se dediquem, tem tantas respostas quantos os maçons. Em boa verdade, cada um tem as suas razões para ir à Loja.
Uns vão em busca do conhecimento, dos ensinamentos que a Maçonaria proporciona.
Outros buscam o convívio, rever os seus Irmãos, com eles estar e partilhar um ágape, em amena cavaqueira.
Outros ainda procuram na Loja a estrutura que corresponde aos seus anseios de serem úteis à Sociedade e aos seus semelhantes, utilizando a Loja como meio de enquadramento da sua vontade de devolver à Sociedade um pouco do que esta lhes proporciona.
Também há os que vão à Loja simplesmente cumprir o seu dever de maçons, assegurar o cumprimento das obrigações que assumiram, efectuar as tarefas cuja execução assumiram.
Há também aqueles que, na Loja, no seu espaço, nos seus símbolos, no seu ritual, encontram espaços e tempos de comunhão com o Divino, com o Transcendente.
E existem também aqueles que anseiam por uns momentos de simples e pacata Paz, que procuram a companhia de seus Irmãos e a sua estada no espaço do Templo com confiança, encontrando um oásis de segurança e comunhão, que os compensam das agruras, dos desafios, da tensão da sua vida do dia a dia.
E outros buscarão coisas e estados e espaços diferentes.
O que a Loja tem afinal, de extraordinário é uma infinita capacidade de proporcionar a cada um o porto de abrigo, o espaço de segurança, o caminho de busca, o tempo de convívio, a estrutura de actividade ou contemplação ou investigação ou busca que cada um necessita.
O que, no fundo, a Loja é, é um espaço de suprema Liberdade e Tolerância, em que cada um pode realizar-se e deixar os outros realizar-se, cada um à sua maneira e segundo as suas características e necessidades. É um espaço de cooperação, em que cada um contribui para a realização e melhoria dos outros, beneficiando ele próprio do contributo dos demais. É um ponto de encontro, simultaneamente ponto de partida e encruzilhada de variegados interesses individuais, que constituem um rico interesse colectivo. É a bissectriz do individual e do colectivo, de tal forma equilibrada que permite que ambos cresçam e cooperem e mutuamente se alimentem. É, em suma, a Utopia possível, a concretização do inconcretizável, equilíbrio instavelmente estável de múltiplos interesses e egoísmos, numa matriz que a todos enquadra satisfatoriamente. É um delicado bordado de mil linhas e infinitas cores, executado por inúmeras mãos, extraordinariamente resultando numa harmoniosa composição. É tudo isto e ainda mais o que cada um quiser, desde que respeite os interesses e anseios dos demais e do conjunto por todos constituído.
Esta singular plasticidade da Loja faz dela um duradouro cimento que une homens de diferentes temperamentos, de diversas gerações, de divergentes culturas, de separadas religiões, de conflituantes convicções, gerando laços de solidariedade e confiança que imutavelmente duram há centenas de anos.
É por isso que sempre se marca bem, sempre da mesma forma, sempre com o mesmo ritual, a abertura dos trabalhos, delimitando invisível mas sensivelmente o espaço e o tempo e a cumplicidade da Loja e dos seus elementos em relação a tudo e a todos que lhes é exterior. É por isso que, findos os trabalhos, de novo, sempre e da mesma forma, se executa um ritual de encerramento, que marca o fechar e preservar desse espaço e tempo e cumplicidade próprios e exclusivos, preparando cada um para voltar a actuar no mundo exterior, só que mais forte, mais sabedor, mais capaz de ver beleza onde o olhar comum nada de especial vê.
A Loja é um espaço onde cada um dá o que pode e vai buscar o que necessita.
É por isso que cada um sabe porque vai à Loja e, afinal, existem tantas razões para um maçon ir à Loja como maçons existem à face da Terra.
EGRÉGORA – ENERGIA CONCENTRADA
Egrégora – Energia concentrada da coletividade.
Todo agrupamento de seres, gera uma força de coesão que mantém o grupo unido, não importa se consciente ou não. Isso possibilita um poder, um vigor que pode ser usado para uma batalha ou trabalho grupal, incitando a participação individual na busca do objetivo. Observamos isso na natureza em todos os seres vivos, é uma ação instintiva e por vezes incontrolável, a não ser por um poder mais forte que iniba a ação.
A força criada pelo agrupamento sempre é estimulada e utilizada por um elemento que se destaca do grupo (um líder) direcionando essa energia para um objetivo que o grupo pode acatar seguindo-o ou dissolver-se lentamente.
Essa força é criada pelo nosso cérebro (tendo como causador nossa vontade, com boas intenções ou não, podendo ser dissimulada) que é um acumulador e gerador de energias que já estão identificadas e mapeadas pela ciência. O eletroencefalograma (como exemplo) mede essas forças nominando-as como ondas:
Ondas Épsilon, frequência abaixo de 0,5 Hz(1): favorece estágios profundos e avançados de meditação; estados de êxtase da consciência; inspiração e criação de alto nível; intuição espiritual e experiências místicas fora do corpo.
Ondas Delta, frequência entre 1/3,9 Hz: sono profundo sem sonhos; hormônio de crescimento liberado; perda de consciência corporal; relaxamento físico profundo; acesso à mente inconsciente coletiva.
Ondas Teta, frequência entre 4/7,9 Hz: consciência reduzida; sonhos; meditação profunda, intuição; favorece a aprendizagem e memória; alta criatividade, picos de intuição e inspiração; cura espontânea; ação da hipnose.
Ondas Alfa, frequência entre 8/13,9 Hz: atenção relaxada (calma) e boa saúde; coordenação mental; memória de longo prazo; criatividade e visualização; associado à meditação leve; relaxamento “acordado”.
Ondas Beta, frequência entre 14/30 Hz: linear, pensamento do hemisfério esquerdo; associada ao estresse, ansiedade e ao medo; ondas não sincronizadas; útil para memória de curto prazo e trabalhos de rotina; pensamento consciente, foco externo; sujeita a alterações emocionais, a mais instável e a que estamos funcionando no dia-a-dia.
Ondas Gama, frequência entre 30/100 Hz: hiperconcentração e foco; fundamental para a autoconsciência e discernimento; não é bem compreendida, mas ligadas à percepção e atenção.
Essa energia é cumulativa, quando estimulada com consciência produz resultados independentes de ações físicas; agem num plano além do físico atingindo as mentes que se identificam com interesses mais elevados, não importando tempo ou espaço, é uma “mobilização das reservas latentes do cérebro” estabelecendo um equilíbrio dessas frequências.
O termo que utilizamos em nossa Ordem é Egrégora (2) que corresponde ao estado de consciência dos integrantes da Loja, onde frequentamos e nos manifestamos; “é um conceito “espiritualista” moderno (3) segundo o qual a conjunção de pensamentos de um grupo forma uma espécie de entidade viva e invisível, capaz de auxiliar os membros de tal agrupamento”. Esse “estado de consciência” é estabelecido com a comunhão (4) (com o empenho, dedicação e auxílio) de todos que participam dos nossos trabalhos através de nossa Ordem, gerando uma força que pode ser utilizada fortalecendo a Instituição. É enfraquecida quando há um distanciamento dos Princípios Gerais que nos unem, dissociando seus fins – Liberdade, Igualdade, Fraternidade (5).
Essas frequências quando equilibradas na Loja, quando correspondem com o grau de consciência de cada um (mesmo propósito), se tornam um campo gerando um crescimento da Loja e dos IIr.’. (6) proporcionando a fixação dos princípios propostos pela Ordem e estimulando o grupo a promover ações que possam dignificar a coletividade, orientando-a e auxiliando em sua existência.
O trabalho formal exercido pela ritualística, promove em nossas mentes uma integração em nossa percepção e atenção, proporcionando uma sessão coerente e harmônica aumentando a eficiência do mecanismo cerebral através da regularidade da prática. É uma meditação. É preciso ter nossos princípios “incorporados” e ter disciplina na execução ritualística para fortalecimento dessa “energia”.
Cabe lembrar que toda frequência que se propaga pelo espaço normalmente não é percebida pela nossa consciência, mas atingem nossos órgãos receptores e podem ser percebidas em formas compreensíveis.
O que vindes aqui fazer?
ADENDA:
“Nosso planeta tem um campo eletromagnético que se forma entre o solo e a parte inferior da ionosfera, perto de 100 km acima de nós. Esse campo possui uma ressonância (ressonância Schumann) e recebeu este nome porque foi constatado pelo físico alemão Schumann (7) em 1952. É mais ou menos constante, da ordem de 7,83 pulsações por segundo. Não podemos ser saudáveis fora desta frequência biológica natural.
Por milhares de anos, a Terra permaneceu nesta vibração. A partir dos anos 80 e de forma mais acentuada a partir dos anos 90 essa frequência passou de 7,83 Hz para 11Hz e depois para 13 Hz. Com essa alteração, aumentaram as perturbações climáticas e atividades sismológicas, criando desequilíbrios no planeta e no comportamento das pessoas. ”
José Eduardo Stamato, M.’.I.’.
ARLS Hórus 3811, REAA
Santo André – Grande Oriente de São Paulo, Brasil
NOTAS
(1) Hertz – unidade de frequência equivalente à frequência de um fenômeno periódico cujo período é de 1 segundo. Nome atribuído em homenagem ao Engenheiro Elétrico alemão Heinrich Hertz (1857/1894), que confirmou a tese de Maxwell que estabelecia a identidade de transmissão entre a eletricidade, a luz e o calor irradiante; descobriu também a ação exercida pela luz ultravioleta nas descargas elétricas.
(2) Do grego egregorein significando «velar, vigiar».
(3) As pesquisas atuais confirmam essas frequências cerebrais como alicerce no equilíbrio da mente e do corpo; o termo “espiritualista” pode confundir a verdade atrás dos fatos comprovados.
(4) Participação em comum de crenças, ideias ou opiniões.
(5) Não há Liberdade quando o I.’. se sobrepõe sobre os demais; não há Igualdade quando um ego está exaltado; não há Fraternidade quando um Ir.’. se considera o centro.
(6) Em nossos rituais é informado pelo Cobridor (um guardião) que o Templo está “protegido”, isto é, estima-se que todos os presentes estão “preparados”, isto é, em harmonia para os trabalhos. O Templo é interior, de cada um dos IIr.’..
(7) Winfried Otto Schmann (1888/1974), demonstrou que a Terra é cercada por um campo eletromagnético pulsante com a frequência de 7,83 Hz, embora essa ressonância já havia sido detectada por Nikola Tesla (Austríaco de nascimento e naturalizado norte-americano – 1856/1943) 60 anos antes. Tesla criou (1893) a transmissão sem fio de energia para aparelhos eletrônicos com a criação do projeto Wardenclyffe Tower, mencionado hoje como inacabado.
BIBLIOGRAFIA
Wikipédia – A enciclopédia livre – WEB
Dicionário da Franco-Maçonaria – Alec Mellor – Ed. Martins Fontes
(Neste dicionário, a explicação foi de expor de uma maneira inteligível (para a época) o que se apresentava como obscuro sem uma base real.)
MAÇONARIA: PAZ, HARMONIA E CONCÓRDIA
O que viemos aqui fazer?
A competição humana desenfreada (justificada ou não) em busca de poder, ganhos pessoais e riqueza (sem limites), é a desfaçatez insensata e desmedida que com a passagem do tempo, está comprometendo a Humanidade. A ambição excessiva arruína nações, países, culturas, famílias e os seres individualmente, provocando desarmonias e desestabilizando instituições ou grupos. O direito “sagrado” de estar neste planeta é responsabilidade de todos, somos seres em busca de nosso lugar no Universo.
A evolução é pessoal e coletiva enquanto grupos e nações. Estamos em processo evolucionário e somos responsáveis (direta ou indiretamente) pela evolução de nossos semelhantes, quer disso tenhamos consciência ou não, nos agrade ou não. Nossa Ordem enquanto seletiva propõe que “morremos” para a vida profana, uma morte para os desejos, paixões, vaidades, orgulho, arrogância, prepotência, que sem consciência são alimentados ao longo do tempo.
Não “brincamos” de querer parecer homens retos e de bons costumes, procuramos e temos oportunidade de sermos livres e trilhar um a caráter evolutivo. Se refletirmos sobre:
a dinâmica de nosso trabalho: que é em sua base sistema e ordem;
o ritual: um processo que procura reproduzir o trabalho da Natureza cíclica;
o avental: advertindo e lembrando o trabalho ininterrupto do maçom;
os toques: um reconhecimento de pessoas com as mesmas motivações;
a marcha: um caminhar com determinação;
a bateria: que mostra entusiasmo para um trabalho;
a aclamação: uma expressão de vigor e estímulo;
as ferramentas: simbolicamente mostradas como utensílios úteis com significado de uso universal;
os cargos: que mostram uma escala hierárquica necessária para manter o sistema e a ordem;
os graus: que determinam a necessidade do esforço pessoal para atingir um estágio em que a Instituição se mantém na confiança que depositou no Irmão;
começamos a perceber o início do processo maçônico unificador para um mundo melhor e mais evoluído, justo e perfeito, procurando harmonizar os contrários.
Não estamos unidos por mero acaso, fomos direcionados para a Maçonaria por termos sido considerados limpos e puros, não escolhemos entrar para a Ordem, fomos escolhidos, convidados e recebidos. Isso é resultado de um comportamento social que culminou em um convite e ingresso.
O que viemos aqui fazer?
A resposta é clara e sem evasivas, vencer minhas paixões e submeter minha vontade. A dificuldade em controlar nossas paixões e não querer prevalecer nossa vontade é difícil e extenuante parecendo ser uma batalha hostil e sem fim. Todo começo é difícil e trabalhoso, e diariamente estamos sempre começando; por mais conhecimento e habilidade na execução de qualquer atividade, estamos sempre acumulando conhecimento e experiência, não há fim. O perigo é desistirmos e estacionarmos achando que a sabedoria já está instalada e estarmos de posse da verdade. Não há fim, apenas começo.
Nossa personalidade formada durante a infância e adolescência submetida a cultura familiar e escolar, da tecnologia que avança transformando e que nos aproxima das facilidades oferecidas, pode dificultar uma reflexão mais profunda sobre nosso papel como seres humanos em processo evolutivo. Estamos empenhados na investigação da verdade (o que é verdade?), em entender a moral (o que significa moral?) e praticar a virtude (como praticar sem favorecer interesses pessoais, familiares, corporativos?). Podemos conciliar? Nossos deveres como Maçons é assim resumido: “Respeito a Deus, amor ao próximo e dedicação à família.”
Somos tolerantes, primamos pela liberdade de consciência, não somos submissos nem reproduzimos opiniões sem reflexão interior ou vergada por interesses pessoais, que podem culminar em desagregação da Instituição. Temos que nos vigiar constantemente, pois, o egoísmo, a inveja e o próprio interesse separam os homens, que acabam isolando-se dos restantes, e essa separação pode conduzir a um desequilíbrio maior em qualquer estrutura.
Nossos princípios sempre foram Liberdade, Igualdade, Fraternidade, ligados ao Grande Arquiteto do Universo (ou Princípio Único, o Criador) que nos impulsiona e nos mantém homens livres e de bons costumes, irmanados no bem universal.
Deixamos aqui para reflexão um texto que pode auxiliar nosso caminho na Ordem:
“Vossas conquistas passadas nada representam diante do futuro que vos espera. De que valem as pedras que pavimentam o caminho que deixastes para trás? Servirão, sim, para os que vos seguem, e também por isso é importante avançar. Como o espírito constrói sua senda no invisível, o caminhante dá seus passos sobre o vazio. O inédito não pode ser percebido até que chegue o momento da sua manifestação.”
José Trigueirinho Netto
O que vindes aqui fazer?
Ir.’. José Eduardo Stamato – MI
ARLS Horus nº 3811 – REAA
Santo André – SP
Jurisdicionada ao Grande Oriente do Brasil – São Paulo, Brasil
INSTRUÇÃO DE APRENDIZ 1
Em nossa segunda Instrução, nós aprendizes, tomamos contato com mais pormenores dos símbolos que até então nos eram desconhecidas as suas significações e simbologias.
A exemplo, a orientação de nossa oficina do Or.’. ao Oc.’. e de N.’. ao S.’. que representam toda a grandiosidade e compromisso de nossa Instituição com os acontecimentos da humanidade, no trabalho árduo e incessante da Maçonaria em laborar a favor do desenvolvimento do homem para sua plenitude.
Sustentando nossa Loja vemos as três grandes colunas assim conhecidas SABEDORIA, FORÇA e BELEZA, que nos remetem aos princípios básicos que devem dirigir o aprendizado Maçônico, respectivamente:
Δ SABEDORIA – para através do discernimento, dar orientação aos nossos atos e pensamentos.
Δ FORÇA – que deve ter todo o Maçom para superar as adversidades do mundo profano e aprofundar-se mais e sempre nos Augustos Mistérios da maçonaria.
Δ BELEZA – Ítem importante e que deve estar sempre muito bem enraizado no coração de todo o Maçom, para que sejamos instrumentos de proliferação do amor emanado através do G.’.A.’.D.’.U.’.
Descobrimos também no interior de nossa Loj.’. as luzes, que dentre elas, o SOL representando o G.’.A.’.D.’.U.’. está sempre simbolizando toda a glória e esplendor do Criador, aquecendo-nos com seus raios energizantes e curativos, não apenas do corpo, mas principalmente, da alma.
O PAVIMENTO MOSAICO que, com seus quadrados brancos e pretos, remetem o Maçom à humildade que lhe deve ser inerente, perante as mais variadas representações da Fé no Criador, orientando-nos para o caminho da tolerância e desapego aos preconceitos quando nos deparamos com conceitos diversos de religiosidade mas, que não representando nenhuma afronta às Leis Maçônicas, devem ser respeitadas e vistas como a exteriorização do amor ao G.’.A.’.D.’.U.’.
Esta tolerância, deve se dar apenas no sentido de desapego à conceitos pré-concebidos que nossa vivência no mundo profano eventualmente nos faz incorporar, e o respeito às religiosidades humanas tem a finalidade de busca a uma harmonia Universal.
A ORLA DENTADA, simbolizando o princípio da Atração Universal a unirmos cada vez mais, nos mais variados níveis de convivência social, quer seja em nossos círculos de amizade, de família ou de fraternidade em torno de nossa Loj.’. e com nossos irmãos em todo o mundo, através do Amor Fraternal.
O ESQUADRO e o COMPASSO, cujas pontas estão ocultas, nos lembra de que, enquanto não estiver completo o nosso trabalho de desbastamento da P.’.B.’. jamais poderemos fazer uso deste.
Nesta Instrução também nos são apresentadas as JÓIAS MÓVEIS que são:
Δ ESQUADRO, representa a retidão que o Ven.’.M.’. deverá ter em seus trabalhos e sentimentos perante seus obreiros ea Loj.’.
Δ O NÍVEL, decorativo do 1º Vig.’. tem em sua simbologia o Direito Natural, que é a base para a igualdade social, e que dele derivam todos os Direitos.
Δ O PRUMO, que orna o 2º Vig.’. simboliza o desapego ao interesse ou à afeição no trato com os obreiros.
O NÍVEL e o PRUMO se auto-completam e devem sempre co-existir para que através da Justiça, Imparcialidade e observância dos regulamentos Maçônicos, os homens estejam sempre em posição de igualdade para responder ou se valer de seus atributos como Maçons na busca da Liberdade, e Justiça sem qualquer facilitação ou pendências para qualquer um, sob pena de, em havendo qualquer deferência à pessoa, ficar abalado o equilíbrio que deve haver para todos em todo o mundo.
Tomamos conhecimento também, nesta Instrução, das JÓIAS FIXAS que decoram nosso Templo que são:
Δ A PRANCHETA DA LOJA, utilizada pelo M.’. na orientação dada ao Ap.’. rumo ao aperfeiçoamento na Real Arte Maçônica.
Δ A P.’.B.’., em cuja superfície o Ap.’. deve trabalhar e polir até ser considerado Obreiro competente e capaz, quando do julgamento do M.’. determinando estar a P.’.B.’. polida. Ela representa o Obreiro, em seu estado anterior ao de sua entrada em nossa Augusta Instituição, cuja inteligência, costumes e atos estavam desfocados pela convivência no mundo profano.
É através do trabalho como Obr.’. e do seu comprometimento e entrega aos nossos Sereníssimos Regulamentos e Regras Morais, de Virtude e eterna Vigilância à vontade do G.’.A.’.D.’.U.’. que o Apr.’.Maç.’. poderá atingir a qualidade de P.’.P.’., para então poder se tornar um membro produtivo e um amplificador da Doutrina maçônica.
A P.’.Cúb.’., é a obra acabada do homem no fim de sua vida, que através do Labor e da exaustão, conseguiu atingir a plenitude da Virtude, Piedade, e do Amor.
A P.’.Cúb.’., ou P.’.P.’. deve ser sempre o objetivo do Maçom e deverá ser o porto ao qual todos nós deveremos encaminhar a Nau de nossas vidas à partir de agora.
Este porto, cujo solo tem origem Divina, será a recompensa de uma vida de entrega, desapego e trabalho na construção de Templos à Virtude e Masmorras ao Vício e às Trevas, que infelizmente, permeiam nossas vidas, mas que são sempre vencidas, quando em contato com a Luz e a Grandiosidade do G.’.A.’.D.’.U.’.
Esta 2ª Instrução,foi de grande valor, pois através destes ensinamentos pudemos, na qualidade de Ap.’. M.’. discernir a grandeza da Real Arte Maçônica.
Será através das simbologias e orientações apresentados que certamente iremos direcionar nossos passos rumo ao nosso aperfeiçoamento humano, e também de toda a humanidade.
BIBLIOGRAFIA PESQUISADA
Ritual do Grau de Aprendiz Maçom
Pesquisa WEB
Antonio Marcus de Melo Ferreira, A.’. M.’.
ARLS Evolução Gonçalense, 50, Rio de Janeiro – Brasil.
Para o maçom, tal como para qualquer pessoa, a sua família é (ou o deveria ser…) o centro da sua vida. É à sua volta que ele planeia o seu presente e o seu futuro. Tendo para com ela o dever de a Honrar, Respeitar, Proteger, Sustentar e principalmente de a Amar. Tal como assim é exigido também pela Maçonaria.
Para a Maçonaria, honrar a Família é um dever primordial. Tanto que um profano antes de se tornar maçom, tem de ter a consciência de que para ser iniciado maçom, tem de conseguir sustentar a sua família autonomamente, não podendo pensar que será a Ordem Maçónica a efectuar tal sustento. Sendo que se não lhe for possível a ele cumprir com as suas obrigações familiares, ele deve equacionar a sua entrada na Ordem Maçónica.
Apesar das obrigações pecuniárias que o maçom tem, elas são essencialmente de carácter solidário e caritativo; a ele também lhe é cobrado “tempo”, tempo que também ele terá de dividir com a sua família. E se um dia não tem mais de 24 horas, e se grande parte delas as passamos a trabalhar ou a dormir, alguém será penalizado com isso. Ou o seu tempo pessoal de descanso ou o tempo que passa com os seus familiares, pois o seu emprego é que nunca poderá ser prejudicado, pois o trabalho é exaltado pela Ordem maçónica de tal forma que a caminhada e formação do maçom se faz através de labor e estudo. Por isso deve o candidato a maçom, reflectir o bastante sobre a sua vontade em fazer parte da Maçonaria.
Seja qual for a família de um maçom, ela mesmo é também cooptada pela sua Loja, integrando-se numa família global maçónica; entre irmãos, cunhadas, sobrinhos e sobrinhas… Todos juntos pelos mesmos ideais.
O maçom ao longo da sua Vida, em diversas ocasiões, tem de abandonar a sua família, o seu lar, para assistir às sessões da Loja a que pertence. Nem sempre isso é bem aceite; umas vezes porque a sua família necessita da sua presença, outras mesmo porque apesar da família do maçom conhecer a sua condição, nem sempre a tolera ou a aceita facilmente, devido ao seu desconhecimento do que se trata no interior de uma Loja Maçónica. Mas também por isso e não só, em algumas ocasiões é normal se efectuarem “Sessões Brancas”, isto é, sessões sem carácter ritual onde podem comparecer simultaneamente Iniciados e Profanos (e inclusive “mulheres”). Sendo essas sessões, óptimas ocasiões para as famílias dos Maçons se conhecerem, conviverem e aproveitarem também para retirarem entre elas, as dúvidas que possam ter sobre A Ordem.
Já os Maçons no seu trato habitual entre si, tratam-se por Irmãos, pois uma vez feito o Juramento Maçónico, o neófito é acolhido no seio do grupo, na sua nova família. Ele sabe que em qualquer parte do globo existe alguém nas mesmas condições que ele, que não o conhece mas que se preocupa consigo e com o seu bem-estar, que lhe envia os seus melhores pensamentos e energias positivas, para além de estar pronto para o ajudar no que necessitar. Esta é uma das consequências de se fazer parte da Família Maçónica e da sua vivência enquanto Fraternidade Universal.
É de salientar, que apesar da forma ou o que provir do auxílio entre Irmãos, se cumpra as legislações existentes. De forma alguma se pede ou se espera que alguém desrespeite a Lei!!!
Pois só unicamente dessa forma, se poderá viver o espírito fraterno da Maçonaria.
Nuno Raimundo
Publicado no Blog Pedra de Buril em 7 de Agosto de 2011
Faço hoje pela primeira vez uso da palavra em Loja. Como tal a leitura desta prancha reveste-se de um significado especial.
Quando um maçon usa ritualmente da palavra em Loja, fá-lo a bem da Ordem.
Como tal deve sempre ponderar as razões que o determinam, o significado e a intenção que o move. A sua intenção deve ser recta, inspirada por verdadeiros sentimentos altruístas. Mas, para além dos cuidados relacionados com o uso da palavra em Loja, existem outros aspectos reveladores da forma cuidada como o maçon se deve comportar. A postura de um maçon em Loja, procurando desenhar com a totalidade do seu corpo linhas rectas perpendiculares que formam entre si ângulos rectos, exprime o trabalho de aperfeiçoamento permanente a que se sujeita, concretizado no domínio de si próprio e, das suas paixões.
Tal simbologia encontra-se igualmente presente a quando da cerimónia de Iniciação o candidato a maçon é convidado a desbastar/trabalhar a pedra bruta, momento simbólico a partir do qual o seu trabalho de aperfeiçoamento jamais cessará, estando a perfeição simbolizada na pedra cúbica.
A Maçonaria é uma fraternidade de homens bons que desejam ainda ser melhores. Esta preocupação de virtude esteve desde sempre presente.
Os estatutos dos pedreiros da Idade Média que edificaram a catedral de Estrasburgo referem no seu Artigo 65: O Aprendiz que queira chegar a Companheiro é proposto por um Mestre, que como padrinho, dá testemunho da sua vida e dos seus costumes. Os Artigos 16 e 17 referem: Todos aqueles que não cumpram os deveres da sua religião, que levem uma vida libertina ou pouco cristã ou que sejam reconhecidos como infieis às suas esposas não podem ser admitidos na sociedade ou são expulsos dela, com proibição a todo o irmão Mestre ou Companheiro de ter algum contacto com eles. Os Artigos 23 e 24 estipulam: Cada loja tem uma caixa: aí se coloca o dinheiro que os Mestres e Companheiros dão a quando da sua recepção. Este dinheiro destina-se a ser utilizado a acorrer a necessidades de irmãos pobres ou doentes.
Os estatutos de Ratisbona datados de 1459, mencionam seu Artigo 35, para além da hierárquia corporativa de Mestres, Companheiros e Aprendizes, que para se entrar na corporação é necessário se ter nascido livre e ser de bons costumes, não devendo o maçon viver em concubinato ou entregar-se ao jogo.
A Loja possui pavimento mosaico formado por lages quadradas justapostas, que se alternam em cores branca e preta.
Estas lages, com a sua particular disposição, e com a alternância de cores entre o branco e o preto, possuem vários simbolismos associados.
Numa primeira abordagem, o pavimento mosaico formado por pedras brancas e pretas, que são unidas por um mesmo cimento, que simboliza a união de todos os maçons do Mundo, apesar das diferenças de côr, de opinião política e religiosa. São uma imagem do Bem e do Mal onde é semeado o caminho da Vida.
Atribui-se geralmente ao branco o significado de “Bem” e ao preto o do “Mal”. Será mais justo dizer “Espiritual” e “Material”. Por “Material” poderemos considerar tudo o que se relaciona com o Homem animal e, por “Espiritual”, pelo contrário, tudo o que tende a libertar o Homem da teia material/materialista.
No pavimento mosaico podemos encontrar de outra forma as Trevas e a Luz ligadas. Elas são tecidas em conjunto se considerarmos as placas ordenadas. Mas, as linhas virtuais que as separam formam um caminho rectilíneo, tendo o branco e o preto tanto à direita como à esquerda. Estas linhas são a via do Iniciado que não deve rejeitar a moral comum mas, elevar-se acima dela mantendo uma busca incessante de um comportamento ético. Estas linhas não são visíveis aos olhos dos profanos. Eles não veêm mais do que as placas brancas e pretas, e por consequência a via larga, a via exotérica. Na sua caminhada passam alternadamente do branco ao preto e do preto ao branco. Têm então, à sua direita e à sua esquerda, à sua frente e atrás de si uma côr oposta à sua. Assim, encontram-se perante múltiplas oposições que se formam sob os seus passos.
O Iniciado, pelo contrário, segue a via esotérica, a via estreita, mais fina que o fio de uma lâmina e, passa entre o branco e o preto que, desta forma não constituem um obstáculo à sua caminhada.
O Maçon foi antes da sua Iniciação um profano que caminhou das Trevas para a Luz.
É um homem que na sua existência terrestre e na sua dimensão humana sente a dimensão do Dia e da Noite.
É um homem que tem uma consciência plena da sua natureza, material e espiritual.
O Maçon conhece o Bem e o Mal e, procura através do seu discernimento se relacionar com todos que lhe estão mais próximos de uma forma fraterna, justa e solidária. Vive plenamente esta dinâmica dualista, esta interacção de opostos, prosseguindo a sua via iniciática, caminhando entre o branco e o preto, exercendo plenamente o seu livre arbítrio.
Tal existe, sem dúvida, em todas as dimensões em que o Maçon está presente. Seja a nível pessoal, familiar, social ou profissional, a forma como fala, actua e se manifesta, poderá ser, sem dúvida, a presença da Luz no Mundo.
Que o Grande Arquitecto do Universo nos ajude na nossa caminhada, na construção interior do nosso Templo, a sermos Luz no Mundo.
Autor não Identificado
A Loja é o lugar onde os Maçons se reúnem e trabalham; assim esta Assembleia, ou Sociedade de Maçons convenientemente organizada, é chamada Loja; e todo Irmão deve pertencer a uma, estando sujeito ao seu Regulamento Interno e aos Regulamentos Gerais.
Ela é individual ou geral, e será melhor compreendida através da comparência e através dos Regulamentos da Loja Geral ou Grande Loja, aqui anexos.
Em tempos antigos, nenhum Mestre ou Companheiro poderia faltar, especialmente quando solicitado a comparecer, e só não estaria sujeito a severa censura se se justificasse perante o Mestre ou o Vigilante, alegando que imperiosa necessidade o impedira.
As pessoas admitidas como membros de uma Loja devem ser homens bons e de bons princípios, nascidos livres, de idade madura e discretos, não escravo, não mulher, nem homens imorais ou escandalosos, mas de boa reputação.
A primeira noção que esta Obrigação transmite é a de que o maçom deve estar integrado numa Loja, num grupo de pares, onde trabalha, isto é, contribui com o seu estudo, os seus conhecimentos, o seu caráter, os seus progressos, para todo o grupo e do grupo recebe o contributo de todos os demais.
É-se verdadeiramente maçom integrado num grupo de pares. É-se verdadeiramente maçom em comunidade e na comunidade. A Maçonaria é uma incessante troca entre o indivíduo e o grupo, em que o indivíduo contribui para o coletivo e o coletivo fortalece o indivíduo. Só assim faz sentido. Por isso ao maçom não basta ter sido iniciado e ter-se como assim o ser; o maçom só o é na medida em que seja considerado como tal pelos seus pares.
Quando um maçom se afasta da Loja, seja qual for a razão, quando suspende ou cessa a sua atividade, diz-se que está adormecido. Tal como o homem só trabalha estando vigil, assim o maçom que se afasta da Loja, por muito que estude, que trabalhe, que se esforce, que individualmente progrida, porque o faz só, afastado do grupo, sem para ele contribuir, sem dele receber, não trabalha maçonicamente. Trabalha enquanto indivíduo, não enquanto maçom.
A Maçonaria cultiva o total respeito pela Liberdade individual no grupo, pelo indivíduo enquanto personalidade livre e única, mas integrado na sociedade, pelas suas escolhas individuais, mas inseridas e não insanavelmente conflituais com o conjunto das escolhas dos demais. A Maçonaria proclama o indivíduo no grupo, não o indivíduo acima ou para além do grupo, nem o grupo em detrimento do indivíduo. A Maçonaria é uma atividade intrinsecamente social, que fomenta a melhor integração possível de cada indivíduo na sociedade, para benefício mútuo – de um e da outra.
Assim, não faz verdadeiramente sentido a declaração – muitas vezes formulada por quem se afasta – de que “saio, mas continuo maçom, só que sem Obediência”. Será uma piedosa intenção, mas não é vero. Aquele que entendeu por bem afastar-se será e continuará a ser um homem livre e de bons costumes, digno de apreço, certamente melhor do que quando se iniciou, será porventura um modelo de qualidades, será seguramente respeitável e desejavelmente respeitado, mas será tudo isso enquanto pessoa, enquanto indivíduo, não como maçom – porque lhe passa a faltar a vertente da partilha, do dar e receber entre o indivíduo e o grupo. E isso, como muito bem sabem todos os que o vivem, é imprescindível, é essencial, é o cerne da Arte Real.
O maçom que se afasta pode sempre voltar, pode sempre retomar o dar e receber ínsito na atividade maçónica. Por isso os maçons não consideram os que se afastam como retirados, como “mortos” para a Maçonaria, mas como simplesmente adormecidos. Se e quando decidirem retomar a sua atividade maçónica, se e quando acordarem, serão bem recebidos – mais do que isso: serão naturalmente recebidos, como se o afastamento não tivesse existido; afinal, uma boa noite de sono, prepara-nos para as exigências de um novo período de trabalho…
Precisamente pela essencialidade da incessante troca entre o indivíduo e o grupo é que um dos deveres fundamentais do maçom é a assiduidade. Mas não a assiduidade cega, a todo o preço, suceda o que suceder. A Maçonaria é importante, deve ser importante para todo o maçom, mas deve sê-lo com equilíbrio, na justa conta, peso e medida. Não pode, não deve, prejudicar os deveres do maçom perante a Pátria, os seus deveres profissionais, as suas obrigações religiosas, os seus deveres familiares. Quando estes imponham a não comparência em Loja, a sua precedência é indiscutível. O maçom tem apenas a obrigação de atempadamente informar da sua ausência e indicar o motivo justificativo dela, por respeito ao grupo, ao trabalho do grupo e dos demais. Mas o maçom, para seu próprio benefício, para que possa eficazmente beneficiar da sinergia com o grupo em que está inserido, deve procurar organizar a sua vida de forma a conciliar os seus deveres familiares, profissionais, religiosos e sociais com a presença em Loja, nos dias e horas definidos para as reuniões desta. Quanto melhor o fizer, mais eficaz será a simbiótica interação entre ele próprio e a Loja.
O último parágrafo desta Obrigação elucida quem pode ser iniciado maçom: homens bons e de bons princípios, pois só se pode tornar melhor o que já é bom; nascidos livres (originariamente: não nascidos escravos – a Maçonaria sempre foi produto do seu tempo…), hoje entendendo-se como livres na sua razão, isto é, com capacidade de entender, de escolher, de progredir, de aprender; de idade madura, isto é, adultos, homens feitos, sobretudo que se regem a si próprios, independentes, inclusive financeiramente, pois só homens maduros e sem condicionalismos de sobrevivência básica têm verdadeiramente disposição e capacidade para se dedicar a algo mais e mais além do que a satisfação das necessidades básicas, algo por vezes tão imaterial e fluido como o conceito de aperfeiçoamento pessoal; não escravo (de novo, a Maçonaria é sempre em cada tempo produto do seu tempo…), hoje, não escravo das suas paixões, de vícios que impossibilitam o desejado progresso pessoal; não mulher (o fundamento original da inegociável exclusividade de género – mas isto não implica que os maçons regulares não reconheçam às mulheres o direito e o igual interesse de se aperfeiçoarem segundo o método maçónico, criando e mantendo organizações similares à sua própria, destinadas ao sexo feminino – pelo contrário, favorecem e respeitam a Maçonaria Feminina, entendendo apenas que o aperfeiçoamento do homem e da mulher se processam segundo diferentes sensibilidades e devem ocorrer em separado, pois no método maçónico de aperfeiçoamento o apelo à emoção e à inteligência emocional tem um grande papel e as formas masculina e feminina de viver e lidar com as respetivas emoções são manifestamente diferentes); nem homens imorais ou escandalosos, mas de boa reputação (na Maçonaria pratica-se a Tolerância com as diferenças, mas dentro dos padrões morais definidos pela sociedade em que se insere; se os maçons têm como primeira Obrigação a obediência à Lei Moral, não faria sentido admitir pessoas de comportamentos considerados imorais, escandalosos, de má reputação).
Fonte: Constituição de Anderson, 1723, Introdução, Comentário e Notas de Cipriano de Oliveira, Edições Cosmos, 2011, páginas 131-132.
Rui Bandeira
Publicado no Blog “A partir pedra” em 1 fevereiro 2012
A obrigatoriedade de um candidato a Maçon (e posteriormente, continuar a …) ser livre e de bons costumes, remonta à época da fundação da Maçonaria Especulativa, no século XVIII, época do Iluminismo. Essa mesma obrigatoriedade é um dos Landmarks que regem a nossa Augusta Ordem e na sua observância e cumprimento dos mesmos, garante a Regularidade Maçónica à nossa Muito Respeitável Obediência (GLLP/GLRP).
Quanto à premissa de “ser-se livre”, deve-se ao fato de à época, ainda existir a escravatura em vários locais do globo e como tal, para se ser iniciado era necessário ser-se “livre”, isto é, não ser “pertença de ninguém”. É claro que hoje em dia, essa obrigatoriedade não se põe, apenas se mantém essa premissa devido ao enorme simbolismo que a mesma acarreta. Porque hoje em dia todos somos pessoas livres. Só não o é quem se encontrar detido devido ao cumprimento de penalização criminal, e se encontrar-se nessa condição, logo não será iniciado.
Também quando se diz que o candidato deve ser livre, ele deve ser livre de dogmas e ter uma mente aberta. Livre de dogmas porque lhe permite discutir, debater; e ter a mente aberta, porque isso lhe proporcionará a interpretação da vasta simbologia inerente à Maçonaria.
Em Maçonaria, costuma-se dizer que se deseja um “Homem Livre”, pois é do entendimento da Ordem, que o homem não deve estar submetido a vícios e paixões tais, que o prejudiquem ou condicionem a sua própria vontade; sendo que por isso mesmo, um dos trabalhos do Maçon, é “vencer as suas paixões…”.
E essa submissão da vontade, é apenas a vontade de aprender, de se tornar melhor pessoa, seguindo os costumes e preceitos da Arte Real. Em nada lhe é retirada a sua liberdade ou condicionada a sua opinião.
Mas também como livre se poderá entender por alguém que se consegue sustentar, que consegue cumprir com as despesas habituais em Maçonaria, com ações de solidariedade e caridade, tronco da viúva, com quotas e paramentos, etc, sem com isso prejudicar o sustento da sua família. Por isso livre, de liberto de condicionalismos financeiros que prejudiquem ou penalizem a sua família pelo fato de ser Maçon.
Os “bons costumes”, são (quase) como uma obrigação para se viver em liberdade e cidadania na nossa Sociedade. Logo, a Maçonaria que se quer como uma instituição que atua na Sociedade Civil, através dos bons exemplos de conduta dos seus membros, aproveita e exalta a sua moralização de costumes.
Sendo que por “bons costumes” entendamos a observância e cumprimento de bons princípios e preceitos morais e sociais, boa retidão da conduta pessoal, o respeito e a tolerância pelo próximo e pelas suas ideias, o respeito pela Família, ser um bom trabalhador….
Enfim, tudo o que se quer como características pertencentes a um “Homem Bom”.
E à Maçonaria interessa ter nas suas fileiras homens assim… “livres e de bons costumes”, os outros são dispensáveis…
Nuno Raimundo
Publicado no Blog Pedra de Buril em 14 de Abril de 2011
Indice
* Introdução *
1 – A expectativa do aprendiz em relação à ordem
2 – E o que entende que a ordem espera dele
Conclusão
Preliminarmente: “Este trabalho foi elaborado do ponto de vista dos aprendizes maçons. São posições, aqui manifestadas, levando-se em conta o pequeno quinhão de instrução recebido no nosso humilde grau, que até o presente momento, ainda reflectem os anseios do conhecimento maçónico no nosso crescimento individual, pois os sentimentos primários ainda persistem no nosso eu, diante da penumbra do desconhecido da ordem. Entretanto, tais sentimentos são divergentes entre nós e a exposição deles, livremente levada a efeito por cada um, haverá de levar-nos à aprendizagem contínua. Assim, animados tão-somente pelo espírito de construir, colocamos as nossas impressões e sentimentos, compartilhando-os com todos os presentes, a fim de gerar as mais abalizadas opiniões, por meio das quais possamos colectar novas e valiosas informações, capazes de contribuir para o enriquecimento deste trabalho.”
Entrar para a Maçonaria! Quanta expectativa. Primeiro, a fase burocrática do processo. Preencher Formulário-Proposta, tirar retratos e certidões, ter a sua vida minuciosamente vasculhada.
Tudo isto representa uma primeira etapa a vencer; uma vez aprovado, vem a iniciação. Uma vez neófito, vislumbra-se um mundo novo, onde a observação e a curiosidade associadas à leitura reflexiva, são pilares básicos para o início do desbastar da PEDRA BRUTA da massa informe que somos.
Todos os iniciados, ao ingressarem na Maçonaria, têm uma visão diferente do que vão encontrar e de como a sua vida será afectada por isso. Mas, certamente, o que traz o homem profano para a Maçonaria é a “curiosidade”, muito embora, isto jamais seja admitido pelos neófitos, mesmo porque encontramos sérias advertências sobre isso. Porém, o folclore popular criado em torno da Ordem, com o seu lado místico gerado pelos Mistérios dos Segredos Maçónicos é, na verdade, o grande responsável pelo ingresso do profano. A visão de uma instituição de homens de bom conceito que se reúnem e trabalham em prol do crescimento pessoal e da humanidade é conscientizada após as participações nos trabalhos em Loja. De maneira geral, isto pode ser encontrado, salvo pela falta de uma posição mais forte da ordem maçónica junto da comunidade em geral. É interessante observar que as mudanças que ocorrem dentro da ordem são observadas de forma lenta e o crescimento dá-se de forma progressiva, sem a ocorrência de mudanças drásticas.
Porém, uma vez iniciados, ainda é notória a falta de compreensão do que representa a Ordem Maçónica. A curiosidade, ainda está presente, gera expectativas do agora aprendiz, notadamente quanto ao que está para vir. Confusos, como uma criança nos seus primeiros anos, recebemos apenas “os deveres do aprendiz maçon”, o que é natural, já que, de acordo com a Doutrina e a Legislação Maçónicas, nós Aprendizes, temos vários deveres a cumprir. Dentre eles, podemos destacar:
Sigilo: promessa feita por juramento, que deve ser guardado de forma inviolável, principalmente na presença de profanos. Refere-se a tudo o que tenha sido confiado ao Irmão sob a fé e a confiança maçónica.
Vencer as paixões ignóbeis que aviltam e desonram, o que só se consegue estudando, dominando os seus instintos e aperfeiçoando-se.
Como aprendiz, entendemos que somos como uma criança ainda na ordem, que vem ao mundo maçónico e começa a sua aprendizagem, com o balbuciar das primeiras palavras e passos, “na intensa observação e imitação do comportamento dos seus pais e dos que estão à sua volta”.
Tudo é novo e, portanto, as atenções estão afloradas. Como comportar-se? Quais os ensinamentos que receberemos? O que devo fazer? Comparativamente, podemos inferir que o aprendiz tem como mãe, a sua “LOJA” e como pai, os seus “MESTRES”. Começa, então, uma longa jornada onde, a cada dia, paulatinamente, lições de vida e fagulhas filosóficas nos são lançadas, durante a abertura, transcorrer e fechamento dos trabalhos. Passam-se os primeiros meses e nós, aprendizes, começamos a criar “calo nas mãos” no sentido de que o desbastar da pedra bruta é bastante incómodo, e que é necessário muito esforço físico e mental para este trabalho.
Neste momento, necessitamos da intervenção e ajuda dos mestres, para evitar que o desânimo e a descrença se instalem; ensinando-nos desde “a posição correcta do corpo” até “o modo mais eficaz de usar o cinzel e o maço”. Caso contrário, isto poderá estabelecer a dúvida e a contestação para nós aprendizes, causado muita vezes pela falta de postura maçónica de alguns membros da Loja, quer na ritualística, quer na própria aplicação pessoal.
Nós, aprendizes, antes de tudo, somos observadores e copiamos as atitudes, virtudes e até defeitos dos nossos mestres, pois são os nossos modelos. Imaginamos que eles estejam ultra-polidos e já transpuseram os mais altos degraus do conhecimento maçónico, navegando em águas profundas dos oceanos filosóficos. Atentos a tudo, nós, aprendizes de facto, escutamos as orientações que nos são dadas, não só nos momentos de trabalho em Loja, mas também na confraternização entre os Irmãos, após o encerramento dos trabalhos.
Sabemos que a maçonaria é uma instituição milenar que tem as suas origens na névoa dos tempos. E através dos seus membros tem preservado todo o manancial de sabedoria de anos, aos quais, nós, ainda não tivemos acesso. Com toda a certeza, podemos dizer que O G∴A∴D∴U∴ encarregou-se de atribuir esta tarefa somente a alguns que suportaram o glorioso estandarte da maçonaria e contribuíram para a perpetuação da ARTE REAL.
Começamos então a perceber, que a Maçonaria é uma associação íntima de homens escolhidos, cuja doutrina tem:
por base, o Grande Arquitecto do Universo, que é Deus;
como regra, a Lei Natural. Abrindo parêntesis, sabemos que a Lei Natural está gravada na nossa consciência e, certamente, a Lei Humana nem sempre está conforme a justiça definida pela Lei Natural e pelas demais leis que envolvem apenas algumas das relações sociais;
por causa, a Verdade, a Liberdade e a Lei Moral;
por princípio, a Igualdade, a Fraternidade e a Caridade material (filantropia), bem como a caridade moral;
por frutos, a Virtude, a Sociabilidade e o Progresso;
por finalidade, a felicidade de todos os povos, procurando, incessantemente, a união sob a sua bandeira de paz, abrindo os nossos os olhos para todo o Bem que se pode fazer e não se faz.
Assim, um iniciado que possua um coração frio e uma inteligência limitada, que não conheça ou não queira conhecer com a sua ciência vã e superficial, não será jamais capaz de compreender o culto que a Maçonaria rende à Verdade, à Natureza e ao seu Sublime autor. Desertará da Sociedade Maçónica para precipitar-se, por fim, nos lúgubres abismos das paixões humanas.
Por que realmente nos reunimos? Por que nos aceitaram estar entre eles? É um trabalho contínuo de reflexão em que as dúvidas vão sendo esclarecidas homeopaticamente, a despeito das nossas ansiedades.
E somente depois de certo tempo, já participando dos trabalhos em loja, e as atenções mais reflexivas nos nossos rituais, acompanhando, escutando e interpretando, é que verificamos algumas respostas, e que recebemos continuamente estas orientações básicas, para o acto de “lascar a nossa pedra bruta.” Enfáticas são as instruções, dadas a cada trabalho. Dentre elas,
“despojar-se da ignorância, renegar a tirania que cega, a discriminação sem sentido, que nos leva ao engano e às falhas de julgamento, e para isto, devemos buscar sempre a verdade para instaurar a justiça, firmando a Ordem na mais alta escala virtuosa, condenando de vez os maus hábitos e defeitos da humanidade, e assim, promovermos o bem estar entre os homem, buscando o aperfeiçoamento da própria humanidade”.
Recebemos a informação de termos sido pinçados da sociedade, por primarmos da virtude de sermos homens livres e de bons costumes, mas por que disto? Tal indagação está constante nas nossas expectativas, verificando então junto dos nossos Mestres, de quem recebemos as orientações, passadas de forma paulatina e em doses, e isto nos permitiu compreendermos, que para as pessoas e organizações, que acreditam, que um outro mundo é possível, a Ordem Maçónica lhes oferece um espaço para que se reconheçam mutuamente, troquem experiências, se articulem para ampliar e desenvolverem as suas acções, e lancem novas iniciativas, para efectivamente melhorar o mundo.
Seria muito utópico, pensarmos que uma Instituição tão antiga, tradicional e sábia, não houvesse preparado um ensino adequado para os seus Aprendizes, num processo de evolução, independente da sua cultura, mas com certeza por aquilo que são e não pelo conceito exagerado de si mesmos, e de forma segura tratam de destruir as causas que produzem o mal, terminando com a ignorância e eliminando as diferenças gritantes, geradoras da miséria material e moral de milhões de indivíduos, e formulando proposta para promover os direitos humanos, a justiça social, a democracia participativa, a paz e o desenvolvimento sustentável, criando para a humanidade um caminho de luz e de esperança, enfeitado nas flores da fraternidade.
Ainda, pelo nosso pouco e humilde entendimento em formação, como aprendizes que somos, verificamos que a Maçonaria deseja e espera que acreditemos na força transformadora das acções que visam construir uma sociedade mundial igualitária, pacífica e justa. Que a entendamos como um modelo a seguir na solução dos problemas, e pelo fortalecimento da convicção de que aquilo que parece destino pode ser mudado, passo a passo e ponto por ponto. Para tudo existe conserto, sim. É só juntar CLAREZA, CORAGEM E AÇÃO.
Hoje, vivemos das histórias da maçonaria, da sua influência em todo o curso da humanidade e dos feitos heróicos dos seus membros. Porém, isto é passado e, amargurados, verificamos que actualmente encontramos poucos relatos de acções dos membros da actual maçonaria. E, aflitos, assistimos à instalação da crise geral em todos os meios, e de forma mundial, na política, na sociedade, com as suas discriminações, as suas divergências étnicas e os seus conflitos governamentais, onde a corrupção já está agregada aos meios sociais. Corrupção que nos envergonha e que corrompe. Isso, sem contar o mal maior representado pelas “drogas”, que se lastra sem fronteira, numa autêntica guerra que não sabemos como combater nem estamos preparados para isso.
Precisamos mudar! Urge mudar! Missão difícil, não acham?
E agora? O que faremos nós, maçons modernos, para tentar perpetuar este trabalho milenar? Sabendo que faltam homens da estirpe de Pitágoras, Platão, Jacques De Molay; de Gonçalves Ledo, José Bonifácio, Joaquim José da Silva Xavier, Deodoro da Fonseca e de tantos outros que a história generosamente registra, temos o dever de conduzir os nossos trabalhos à semelhança desses vultos, desses maçons-maçons, estabelecendo como meta, “Melhorar a Humanidade”.
As expectativas do aprendiz em relação à ordem e o que entende que a ordem espera dele?
Afinal, somos os maçons de hoje, que geraremos a história do amanhã.
“Para isto acontecer, basta somente que cada um de nós seja maçon em toda a plenitude da palavra, praticando em Loja e principalmente no mundo profano, a verdadeira maçonaria explícita nos nossos rituais”.
Assim, devemos manter-nos fiéis ao que somos, porém, fortalecer e tornar representativa a participação da Ordem Maçónica na vida da comunidade em geral. Fortalecidos internamente, estaremos aptos a participar e fortalecer os diversos movimentos e actividades voltadas para o engrandecimento da sociedade em que vivemos.
Esperamos, sinceramente, que a Ordem Maçónica possa continuar o seu trabalho milenar com harmonia, união, plantando sementes de fraternidade, acolhendo a todos os seus membros fraternalmente, de forma que possamos juntos, trabalhar em prol de uma sociedade equilibrada e justa. “Este é o sonho de todos nós e a nossa expectativa de aprendizes maçons”.
Encontramos na maçonaria uma escola de virtudes, e verificamos que dentro dela os nossos trabalhos de aprendizes são importantes e têm um bom cunho filosófico. O próprio futuro da maçonaria está directamente ligado a estes aprendizados e aos trabalhos dos aprendizes. É de grande importância que os grupos com mais vivência na Loja orientem e incentivem o surgimento de novos líderes. A maçonaria deve ser vista como uma instituição honesta e fiscalizadora.
Há que se repetir: a Maçonaria é realmente uma escola de conhecimento e, desde que independamos os princípios desta Ordem, certamente ocorrerão mudanças nas nossas vidas, tornando-nos cada vez mais tolerantes, éticos nas nossas acções e justos, valorizando cada um de nós. Estes factores podem fazer a diferença entre o ser e o não ser, o estar e o não estar na Instituição. Queremos dizer com isto, que não basta ingressar na maçonaria; é preciso querer acertar e deixar que os seus ensinamentos possam influir no nosso comportamento.
Entendemos, portanto, que a ordem não pode ter senão um objectivo: a Liberdade do Homem, e, também, como corolário moral, o respeito da sua dignidade, o que exclui toda pressão exterior a este respeito, A Maçonaria, nos seus princípios, só pode estar em conflito com aqueles que a negam ou que restringem esta liberdade de consciência e de pensamento, que para todo ser humano, é fundamental e absoluta. Por ser de ordem metafísica, a Maçonaria pugna, como postulado, pela procura do conhecimento e da verdade.
Assim, devemos acreditar no Homem, mesmo que ele não seja um ser perfeito. Mas que devidamente preparado e doutrinado para a interpretação correcta dos ensinamentos recebidos, e pela prática das virtudes, o Iniciado trilhará o caminho certo e contribuirá para transformar o Homem e o Mundo. É só juntar CLAREZA, CORAGEM E AÇÃO.
E concluímos, finalmente, que a maçonaria busca o desenvolvimento contínuo do indivíduo e que sendo esta, uma verdadeira oficina de carácter do cidadão, formará os LIVRES PENSADORES, para que estes possam buscar sempre A VERDADE, atingindo A PLENA FELICIDADE.
Sê humilde se queres adquirir sabedoria; Sê mais humilde ainda, quando a tiveres adquirido (Helena Petrovna Blavatsky)
Adaptado de prancha escrita conjuntamente por:
Augusto Prochnow Junior Apr∴
Luis Fernando Cerri Apr∴
Edson Roberto Ceccato Comp∴
Fábio Fiorim Comp∴
Henrique Souza Guimarães Apr∴
Márcio Adão Pereira Comp∴
RELATOR: Edson Roberto Ceccato Comp∴
A∴R∴G∴B∴L∴S∴ “ESTRELA DO RIO CLARO” nº 496
MARCOS H. DE A. SANTIAGO – Cadernos de Estudos Maçónicos – A Formação do Maçom na Loja Simbólica.
RIZZARDO DA CAMINO, – Introdução à Maçonaria, v.3, 2ª Ed., Aurora, Rio de Janeiro, RJ.
ZILMAR DE PAULA BARROS – Maçonaria para Profanos e Neófitos, Ed., Mandarino LTDA, 2ª ed, Rio de Janeiro, RJ.
JORGE ADOUM – Grau de Aprendiz e Seus Mistérios, Editora Pensamento S.A., São Paulo, São Paulo;
O QUE UM APRENDIZ ESPERA DE SEUS MESTRES – Oriente de Fortaleza, Prancha em trabalho de Diógenes José Tavares Linhares – M∴M∴
Um artista e gravador que se especializou em trabalhos de caneta e tinta, John Harris criou um conjunto de Painéis de Loja que ainda hoje são usadas em ritual
Os princípios da Maçonaria são comunicados usando símbolos durante as cerimónias e depois por palestras usando ilustrações. As primeiras lojas costumavam desenhar estes símbolos no chão da Loja e lavá-los depois da Sessão. No final dos anos 1700, eram usados panos no chão e painéis simbólicos. Então, a partir do início dos anos 1800, tornou-se padrão usar um conjunto de três Painéis de Loja numa variedade de tamanhos e materiais, para ajudar a ilustrar cada uma das três cerimónias.
Os capítulos do Royal Arch não costumam usar Painéis de Loja, mas alguns capítulos mais antigos ainda os têm. Estes exemplos foram produzidos por John Harris (1791-1873), em conjunto com suas versões para os Graus Azuis, mas não foram adoptados como estes.
John Harris – Conjunto de Miniature Royal Arch Tracing Boards, 1844
Harris foi um artista e gravador que se especializou em trabalho de fac-símile de caneta e tinta, curiosamente para o Museu Britânico, mas tornou-se mais conhecido pela Maçonaria como um designer de Painéis de Loja. Ele tornou-se maçon em 1818 e em 1820 já vendia as seus desenhos de Painéis de Loja, no formato de miniaturas portáteis. Em 1825, teve permissão para dedicar um conjunto de Painéis em miniatura para os três Graus Azuis (Craft) ao Grão-Mestre, o Duque de Sussex. Isto foi tomado como um selo oficial de aprovação e ajudou a aumentar as vendas.
Em 1845, a Emulation Lodge of Improvement, que é a maior associação de rituais maçónicos, organizou um concurso para projectar um conjunto padronizado de Painéis para serem utilizados em todas as lojas que funcionavam no Ritual de Emulação. Harris ganhou o concurso e os seus Painéis podem ser vistos em quase todos os livros de ritual do Ritual de Emulação que são publicados presentemente.
Já com idade avançada, Harris sofreu de problemas de saúde e cegueira. Passou a residir no Asylum for Worthy, Aged, and Decayed Freemasons, que mais tarde se tornaria o Royal Masonic Benevolent Institution, em Croydon. Foi sepultado com a sua esposa Mary no cemitério Queen’s Road, em Croydon. O seu túmulo foi recentemente redescoberto e a Grande Loja Provincial de Surrey, que agora é dona do terreno, colocou no túmulo uma lápide nova.
No Library and Museum of Freemasonry podem ser vistos vários exemplos do trabalho de Harris.
Uma “Prancha de Traçar”, ou “Prancha Traçada” como também é costume se designar, pois é o resultado final que é avaliado, não é mais do que um trabalho efetuado por um maçom. Independentemente do material do qual é elaborado ou tema abordado, ela é sempre de extrema relevância no processo de aprendizagem e formação do maçom bem como no seu trajeto pelos vários graus do rito que pratique.
O facto de se designarem por Pranchas de Traçar, os trabalhos apresentados em Loja e executados por Maçons, é originário da Maçonaria Operativa, a maçonaria dos artífices pedreiros da época da Idade Média.
Era nas suas pranchas que eles desenhavam as plantas dos imóveis, criavam os seus projetos de construção e montavam a maqueta da construção a realizar. Algo que nos dias de hoje, é efetuado pela classe dos arquitetos (provindo dessa classe outra designação pela qual também é conhecida a prancha de traçar, a “Peça de Arquitetura”).
É através da execução de pranchas que o maçom toma um maior contato com a vasta simbologia maçónica e a interpreta à sua própria maneira. Ele nas suas pranchas, emprega o seu cunho pessoal e a sua noção sobre os vários assuntos ou temas maçónicos em análise.
Qualquer assunto é passível de ser traçado numa prancha, devendo apenas o mesmo ser executado através de um método de estudo e pesquisa sobre o tema, de forma a completar ou inovar o que já existe sobre a matéria em análise, ou se possível, criar algo novo que ainda não exista comentado ou feito, nomeadamente no caso de pranchas em que a pintura ou a música são a temática central.
Todas as pranchas são passíveis de serem comentadas, apesar de ser costumeiro se afirmar que “prancha de Mestre não se comenta”, as críticas e comentários existem à mesma, nem que seja para assertivar ou elogiar o Irmão que a executou para além do tema que serviu de base à construção da prancha. Já em relação às pranchas dos Aprendizes e Companheiros, essas recebem as críticas necessárias à formação dos mesmos, na medida em que tal seja necessário.
E tal como a construção mais simples é fruto de uma intensa pesquisa e enorme trabalho no seu desenvolvimento, também as pranchas dos pedreiros, agora “livres”, são executadas com o mesmo sentido de responsabilidade e labor. Sendo que a prancha a realizar, independentemente do seu tema, dever acima de tudo conter as três grandes qualidades maçónicas, “Força, Sabedoria e Beleza”.
“Força”, porque deve ser forte o suficiente para ficar impregnada na alma do maçom; “Sabedoria”, porque uma prancha deve conter informação relevante que ensine os demais; e “Beleza”, porque neste mundo nada pode ser forte e sapiente, se não encerrar em si algo de belo.
Agora se esta prancha que eu “tracei” engloba as qualidades maçónicas, só os leitores o poderão afirmar…
Nuno Raimundo
Publicado no Blog Pedra de Buril em 30 de Maio de 2011
Certa vez, um aluno perguntou à antropóloga Margaret Mead o que ela considerava ser o primeiro sinal de civilização em uma cultura.
O aluno esperava que a antropóloga falasse a respeito de anzóis, panelas de barro ou pedras de amolar.
Mas não. Mead disse que o primeiro sinal de civilização numa cultura antiga era a evidência de alguém com um fêmur (osso da coxa) quebrado e cicatrizado.
Mead explicou que no reino animal, se você quebrar a perna, morre. Você não pode correr do perigo, ir até o rio para beber água ou caçar comida. Você é carne fresca para os predadores. Nenhum animal sobrevive a uma perna quebrada por tempo suficiente para o osso sarar.
Um fêmur quebrado que cicatrizou é evidência de que alguém empregou tempo para ficar com aquele que caiu, tratou da ferida, levou a pessoa à segurança e cuidou dela até que se recuperasse. “Ajudar alguém durante a dificuldade é onde a civilização começa” disse Mead.
Civilização é ajuda comunitária.
Sejamos civilizados, mesmo não fazendo parte dos grupos de risco.
Em 1786, bem dentro da Abadia de Clairvaux, localizada em Aube foi constituída uma Loja de 13 Irmãos Cistercienses, sob os auspícios do Grande Oriente de França. Que um grupo de clérigos pudesse montar uma Loja Maçónica pode, à primeira vista, parecer estranho quando sabemos da animosidade que existia entre o Catolicismo e a Maçonaria. Mas isso seria esquecer muito rapidamente a História…
Esta situação não é de facto excepcional nesse final do século XVIII, quando as bulas papais ainda não tinham esvaziado as lojas dos servos de Deus. Ela revela não uma fractura doutrinária ou ideológica, como muitas vezes é afirmado hoje, mas sim uma verdadeira convergência de ideias. Pouco antes da Revolução, a maior parte das lojas francesas praticava uma Maçonaria exclusivamente orientada para o aperfeiçoamento do homem através do trabalho, e cuja base repousava sobre as três virtudes teologais que são a Fé, a Esperança e a Caridade. Somente a Maçonaria do tipo anglo-saxão continua hoje a manter esse ternário como um pilar fundamental da metodologia maçónica.
Extracto da correspondência endereçada ao Grande Oriente da França, pelos monges cistercienses:
Ao Or∴ de Clairvaux, lugar muito forte e iluminado onde reina a Igualdade, a Paz, a União, o Silêncio e a Amizade, no quarto dia do segundo mês do ano da V∴ L∴ 5785,
Ao Mui Respeitável, Sapientíssimo, Esclarecido e único legítimo G∴ Or∴ de França
Nós estávamos na escuridão da irregularidade; para sair, nós nos dirigimos à R∴ L∴ Union de la Sincérité no Or∴ de Troyes, para que ela nos forneça através dos seus raios luminosos os meios para alcançar o caminho que conduz à via do augusto centro tribunal dos verdadeiros maçons; por conseguinte, no quinto dia de Abril no ano da V∴ L∴ 5785, traçámos uma prancha que endereçamos a essa R∴ L∴ para convidar os IIr∴ que a compõem a visitar os nossos trabalhos e nos indicar a qualidade dos materiais necessários a empregar para fundar o templo que queremos erigir. Esses RR∴ IIr∴ tendo-nos feito esse favor e impactados pelo brilho deste primeiro raio de verdadeira Luz, inspiraram-nos ainda mais o desejo de nos submetermos às Leis e regulamentos do vosso ilustre Areópago; já submetidos de coração e afecto às leis da sabedoria e virtude, aspiramos a felicidade de nos comprometer por um juramento irrevogável; podeis vós, Mui RR∴ IIr∴ considerar-nos dignos desse favor, podeis perdoar a irregularidade do nossos primeiros trabalhos, podeis vós, saciando os nossos votos, completar a nossa felicidade; nós vos exortamos a que se dignem de nos conceder os seus santos votos, dignai-vos aceitar as homenagens da nossa submissão aos seus respeitáveis decretos e constituições que emanam do seu augusto tribunal, dignai-vos de nos agregar aos verdadeiros maçons.
Nós vos pedimos para confirmar o título da Loja Vertu; este não é um título desprovido de realidade, nós o gravámos nos nossos corações e os nossos trabalhos estão sob garantia; ousamos esperar que favoráveis aos nossos desejos, vós possais aceitar como nosso Deputado junto ao vosso tribunal o Mui Q∴ Ir∴ Jean Eustache Peuvert, funcionário do Parlamento em Cais d’Orleans, confiantes de que teremos nele um sólido apoio; se puderem na sua sabedoria considerar os nossos desejos …
Muitos comentaristas viram no nascimento, mas também na vida tumultuada e efémera desta Loja, apenas os conflitos entre visão secular da Maçonaria e a visão secular da religião, a origem daquilo que foi em França um verdadeiro trauma espiritual.
Eles esquecem-se de enfatizar que as Ordens monásticas são dentro da Igreja Católica bem mais do que apenas ordens religiosas. Elas são uma Ordem dentro da Ordem, porque elas derivam a sua identidade numa história muito mais profunda e mais antiga que a sua assimilação pela Igreja de Roma. Elas eram desde tempos imemoriais, os actores operativos e económicos dos seus territórios, um pouco como também o eram as corporações de construtores antes do advento da Maçonaria.
A busca pelas virtudes teologais foi por muito tempo e quase até a recente generalização do Rito Escocês Antigo e Aceite e do Rito Francês (moderno) pela Maçonaria continental, o primeiro objecto da busca maçónica. Apenas o nome e o “logotipo” de certas Lojas actuais lembram essa realidade esquecida.
Portanto, não é surpreendente descobrir que trabalhadores apaixonados pela espiritualidade pudessem tentar completar a sua busca por outros meios que não fossem uma religião dogmática, para emancipar as virtudes essenciais da Escada de Jacob que conduz aos mesmos sonhos da maçonaria, menos religiosos de hoje: a paz e a emancipação social.
Pierre Invernizzi
Adaptado de tradução feita por José Filardo
As mais belas páginas da Maçonaria francesa
Institut maçonnique de France – Dervy 2003
La Loge de la Vertu à l’Orient de l’Abbaye de Clairvaux (1785-1789)
Pierre Chevallier
Mémoires de la Société Académique de l’Aube