Documento utilizado durante o Kindertransport
Nascida na Alemanha 16 de setembro de 1933, Stephanie Shirley (originalmente Vera Buchthal) chegou à Grã-Bretanha aos 5 anos de idade, refugiada pela Kindertransport, uma operação que transportou cerca de 10 mil crianças judias para o Reino Unido, buscando protegê-las do nazismo. No novo país, ela e sua irmã Renate seriam adotadas por uma família.
Desde criança, destacou-se por sua habilidade em matemática e foi transferida para uma escola de meninos, onde poderia ter aulas de matemática mais avançadas. Ao terminar seus estudos, foi trabalhar na Escola de Pesquisa do Escritório dos Correios. Lá, ajudava a construir computadores e escrever códigos, algo bastante incomum para uma mulher na época.
Stephanie Shirley também foi apenas "Steve" por muito tempo. Com todos os desafios e machismo da época, Shirley precisou se passar para que pudesse então ganhar reconhecimento. Foi sob esse nome que assinou centenas de cartas para conseguir destaque no meio da computação; afinal, quando usava seu nome real — revelando seu gênero —, ninguém lhe dava importância. Shirley sempre lutou muito contra o sexismo, criando postos de trabalho exclusivamente para mulheres e aderindo a ideias revolucionárias para a época, como o trabalho remoto.
Em 1962, Shirley decidiu abrir sua própria empresa de computação, a Freelance Programmers, dirigindo-a durante 25 anos. Inicialmente, sua ideia era vender softwares que, naquela época, eram distribuídos gratuitamente. Desde o primeiro dia, ela se comprometeu a, sempre que possível, só empregar mulheres. De fato, de seus 300 primeiros funcionários, 297 eram mulheres.
Shirley permitia que parte de suas funcionárias trabalhasse de casa, buscando priorizar aquelas que tivessem filhos. Isso porque essas mulheres tinham uma dificuldade significativamente maior para encontrar empregos, sendo essa uma política completamente revolucionária para os anos 1960. Na década de 1980, a empresa era mundialmente conhecida e produzia softwares para grandes corporações. Uma delas foi a programação da caixa preta do avião Concorde, programada por Ann Moffatt em sua residência.
Ann Moffat escrevendo o programa do gravador da caixa preta em sua casa, com sua filha ao lado