Grace Murray Hopper nasceu em Nova Iorque em 9 de dezembro de 1906. Em 1928, conseguiria o bacharelado em matemática e física pelo Vassar College. Dois anos depois, obteve seu mestrado em matemática pela Universidade de Yale, onde também começou a se interessar pelos computadores. Ao mesmo tempo que buscava seu doutorado (finalizado em 1934), também trabalhava como professora de matemática em Vassar.
Em 1943, 2 anos após a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra, Hopper conseguiu entrar para a Marinha. Após treinamentos, foi enviada para a Universidade de Harvard, onde trabalharia no desenvolvimento do MARK I, o primeiro computador eletromecânico do país. A máquina seria essencial em diversos cálculos necessários durante a guerra. Grace escreveria um extenso manual de como operar o computador, com 561páginas.
MARK I: o primeiro computador eletromecânico dos EUA
Com o fim da guerra, Hopper sairia da ativa após a Marinha recusar seu pedido de comissão regular por sua idade. Voltaria a ser professora em Vassar e, entre 1946 e 1949, continuaria trabalhando no desenvolvimento do MARK II e do MARK III como civil. Na época, não havia posições fixas para mulheres em Harvard, de modo que deixou esses projetos após esse período de tempo.
O debugging
Durante seu trabalho com os computadores eletromecânicos, Grace e sua equipe se depararam com um mal funcionamento inesperado da máquina. Ao desmontarem o aparelho, perceberam que o problema era causado por uma mariposa presa entre os relés. Remover o inseto, ou seja, fazer o "debugging", acabou resolvendo o problema.
Desde então, a expressão se popularizou e passou a ser utilizada amplamente para a correção de problemas ou erros no meio da programação. A expressão também serviu para consolidar o termo bug, muito conhecido mesmo fora da computação.
Grace Hopper trabalhando no UNIVAC I
Após sair de Harvard, Hopper foi contratada pela empresa Eckert–Mauchly Computer Corporation para atuar no desenvolvimento do UNIVAC I, o primeiro computador eletrônico comercial. Em 1952, desenvolveu o A-0, o primeiro compilador da história, o qual transformava códigos matemáticos em código binário de máquina.
Grace não pararia por aí: em 1953, propôs que, ao invés de utilizar símbolos matemáticos, seria possível programar usando palavras em linguagem humana, como o inglês. O conceito era totalmente inédito e muitos afirmaram que não iria funcionar. Ainda assim, ela persistiu em sua ideia e, junto com sua equipe, entregou em 1956 o FLOW-MATIC, a primeira linguagem de programação capaz de utilizar comandos em inglês. Esse trabalho representou um grande marco na programação, uma vez que facilitava a escrita e a compreensão de programas complexos. Assim, abriu caminho para o surgimento de inúmeras linguagens de programação, incluindo o COBOL.
Exemplo de código em FLOW-MATIC
Em 1959, entrou para a Conference on Data Systems Languages (CODASYL), onde teria papel-chave na criação de uma linguagem de programação que pudesse ser utilizada por todo o mundo do negócio. O resultado foi o COBOL, um estrondoso sucesso: na década de 70, tornaria-se a linguagem de programação mais utilizada do mundo, tendo aplicações até os dias atuais.
Grace Hopper se aposentou da Marinha em 1986, aos 79 anos. Com o posto de Contra-Almirante, era a servidora mais antiga das Forças Armadas dos EUA. Na ocasião, foi premiada com a Medalha de Serviço Distinto da Defesa. Em 1991, receberia do então presidente George Bush a Medalha Nacional da Tecnologia, sendo a primeira mulher a receber o prêmio como indivíduo.
Após sua morte, em 1992, seu nome foi escrito no Hall da Fama das Mulheres nos EUA e um navio de guerra foi batizado em sua homenagem. Em 2016, o ex-presidente americano Brack Obama a condecoraria com a Medalha Presidencial da Liberdade.
USS Hopper, em atividade até os dias de hoje