Em primeiro lugar, quero agradecer a presença das pessoas que me acompanham na jornada da vida, do mestrado e da pesquisa sobre o tráfico de bebês. É muito importante pra mim ter vocês aqui comigo hoje. Agradeço especialmente às pessoas que confiaram a mim suas histórias e angústias e que acharam um tempo para estar aqui hoje também.
Eu costumo dizer que o tráfico de bebês é uma história feita por mulheres, é uma história potente de separações e buscas. Em homenagem e elas, agradeço às 3 mulheres que compõem esta banca: Mara, minha orientadora, e as professoras Joëlle e Miriam.
Preciso fazer uma confissão. Sou um idealista. Desses que acreditam no poder do jornalismo para mudar o mundo, mudar vidas. Desses que choram emocionados assistindo à retrospectiva do ano na TV não só pelos eventos, mas por lembrar que atrás de cada fato esteve uma equipe de jornalistas que não deixou que aquilo passasse em brancas nuvens.
Tem uma frase de que gosto muito, do Martin Luther King. Ele dizia que uma injustiça que acontece num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todos os lugares. As injustiças estão ao nosso redor diariamente.
O tráfico de bebês é só um exemplo. Milhares de crianças foram tiradas ilegalmente do Brasil e levadas para adoção fora do país. Nos anos 1980 esse esquema teve seu auge, mas ele nunca parou de acontecer. Acontece hoje, enquanto estamos aqui.
Sendo um idealista, eu acredito que a forma que escolhemos para contar histórias pode ajudar a mudar essas histórias. A nossa profissão se resume a isso: seres humanos contando histórias sobre seres humanos a outros seres humanos.
Eu tive a sorte de ter, ao meu lado, nessa carreira, pessoas que me guiaram nesse jornalismo em que eu acredito. Lamentavelmente, também tive pessoas — e não foram poucas — que me mostraram o que o jornalismo não deve ser.
Essa pesquisa, que eu apresento hoje, traz uma proposta desse primeiro tipo de jornalismo: que é ético, que dialoga, que transforma.
O que eu proponho não se trata de uma miragem, porque pode ser real; mas também não é uma epifania minha, porque é possível, já se discute, já se pratica.
A imprensa não precisa ser um poder, mas tem o poder de tocar vidas. Como jornalistas, precisamos ter isso em mente na nossa prática profissional: cada interação, cada palavra escrita, cada decisão editorial, cada recorte de foto… tudo vai impactar a vida de alguém.
Se fizermos um trabalho orientado pela ética, pelo diálogo e pelo humano, temos o poder de proporcionar um impacto positivo. É o que eu chamo de um jornalismo para transformar.