Descarriladores (USA) Desviadores(FR)
Normalmente conhecido por desviador (PT)
O componente mais frágil e exposto de uma bicicleta é o desviador traseiro.
Em caso de pancada, a tendência é de se curvar para o lado de dentro em direcção aos raios.
Em alguns casos pode mesmo intrometer-se no espaço destinado aos raios, e com a roda em rotação, se tivermos sorte o apoio do desviador parte, se estivermos num dia de azar, lá se vão alguns raios, e com a grande probabilidade de entregar a roda ao criador. Num máximo de consequências pode mesmo destruir o quadro, ao forçar bruscamente a ponteira para trás.
Claro que isto são situações excepcionais e raras, mas como medida preventiva, os fabricantes há muito que optaram por intercalar uma protecção, equivalente por analogia a um fusível, que não é mais que uma ponteira amovível e numa liga especial que ao sofrer um impacto quebra, evitando assim consequências mais graves, tanto para o desviador, como para o quadro e roda.
Normalmente o dropout substituível é aplicado em quadros de alumínio, quadros de titânio e quadros em fibra de carbono, os quadros de Aço, Cromo-Molibdênio nem todos tem essa opção assim como alguns em Alumínio.
No caso da maioria das dobráveis o material do quadro é em Aço, Cromo--Molibdênio ou Alumínio e não tem normalmente a opção do dropout amovível.
Nem tudo é mau, pois contrariamente aos outros materiais mais rígidos, as ligas de Aço e do Cromo-Molibdênio tem maleabilidade suficiente para sofrer forças inversas e ser reparado e reposta a normalidade do dropout.
É sempre possível em qualquer altura podermos minimamente verificar o alinhamento do desviador a olho nu.
As duas polias tem que estar exactamente por baixo uma da outra, sem qualquer tipo de inclinação lateral. Comparar a linha das polias com os carretos.
Se não estiver em conformidade, é desaconselhável tentar endireitar a caixa do desviador, até porque é a zona mais frágil do desviador. Mais vale recorrer a uma loja de bicicletas, pois existe uma ferramenta especifica para alinhar o dropout de forma a ficar paralelo com a roda. A ferramenta disponibiliza várias fases de alavancagem até tudo ficar devidamente alinhado e em segurança.
Em caso de necessidade de um ajuste pontual nos comandos
Normalmente os ajustes finos são realizados a partir de um parafuso que se encontra ou no Shifter (permite ajustar em andamento) ou na entrada do cabo no Desviador, também pode acontecer que sejam disponibilizados em ambos.
Normalmente a Shimano disponibiliza o ajuste no desviador, já a Sram é no Shifter.
Estes ajustes finos são realizadas de acordo com os seguintes critérios; (opostos, para os modelos de desviadores invertidos da Shimano)
A - A mudança para os carretos maiores é realizado apertando o cabo.
Se as mudanças são lentas, o cabo não tem a tensão correcta.
Rodar o parafuso de ajuste 1/4 de volta no sentido anti-horário para tencioná-lo.
B - A mudança para os carretos menores é realizado soltando o cabo.
Se as mudanças são muito lentas, o cabo não está suficientemente solto.
Rodar o parafuso de ajuste 1/4 de volta no sentido horário para diminuir a tensão.
Se a indexação traseira funciona correctamente no carreto grande , mas não no carreto pequeno, ou vice-versa, isto é frequentemente um sinal de que o dropout se encontra desalinhado.
Substituição do cabo e da bicha
O procedimento é muito semelhante ao da montagem do cabo de travão, há que ter atenção que para este caso, o cabo inox deve ter um diâmetro de Ø 1.1mm e a bicha deve ser especifica para desviadores, normalmente com um diâmetro de Ø 4mm. Em alternativa também é possível utilizar cabos em Teflon, menor atrito e com um desempenho superior. As ponteiras das bichas são também especificas para esta utilização. O torque para fixar o cabo no desviador deve ficar nos 4,8Nm.
Os passos seguintes devem ser com a bicicleta fixa pelo espigão do selim e num suporte de oficina.
Posicionar o Shifter na mudança mais alta, nesta posição o cabo está totalmente solto, em seguida, vamos ter que movimentar os pedais para realizar a afinação. Premir o Shifter, a corrente deve mudar para o segundo carreto menor. Se isso não acontecer, significa que o cabo está muito frouxo. Rodar no sentido anti-horário o parafuso de ajuste para esticar o cabo. Inicialmente com 1/2 volta, em seguida, verificar novamente. Correr as mudanças todas, desde a mais alta à mais baixa, utilizando sempre o parafusos de ajuste fino (critério A e B)
Mais uma vez, é um ajuste a efectuar por tentativa e erro em que pode ser necessário utilizar um pequeno ajuste de 1/8 de volta no respectivo parafuso, para que tudo, apesar de estar a funcionar bem anule o ruído característico da corrente a raspar na parede do carreto seguinte.
Substituição do desviador
Ferramenta necessária: chave Allen 5mm.
Caso seja necessário substituir o desviador, é necessário estarmos munidos da chave já referida, para retirar o desviador e aplicar o novo. A rosca do dropout deve ser muito bem limpa de modo a não ficar vestígios de sujidade. O desviador fornece o parafuso especifico de fixação ao dropout. Parafuso M10x1, este parafuso já vem com a massa trava-porcas (azul). Torque 8Nm.
Os 2 parafusos limitadores
Ferramenta necessária: chave pequena Philips.
Estes 2 parafusos que se encontram no corpo do desviador servem exclusivamente para limitar a amplitude do selector de mudanças. Depois de regulados e mesmo que forcemos o comando a partir do Shifter a corrente nunca passa desse limite portanto não cai para o lado de dentro, lado dos raios.
A cada um destes parafusos corresponde uma letra gravada no corpo do desviador.
O parafuso limite H corresponde ao ajuste a efectuar ao carreto pequeno, o parafuso limite L corresponde ao ajuste a efectuar ao carreto maior. Estes ajustes são pacíficos, pois ao apertar ou desapertar cada um dos parafusos, vemos o movimento do conjunto da caixa onde estão as polias.
O ideal se possível, é efectuar os ajustes dos limites sem a corrente estar aplicada. Forçando com a mão para o lado dos raios a caixa do desviador podemos rodar o parafuso L de modo que o centro da polia selectora fique centrada com o centro do carreto maior. Ficamos assim com a garantia que a corrente nunca vai parar aos raios.
O parafuso H deve ser regulado de forma que a polia selector fique centrada com a parede do lado direito do carreto. (lado de fora).Portanto, ligeiramente descentrada com os dentes do carreto.
Estes 2 ajustes se ficarem correctos, podem ficar esquecidos.
3º Parafuso, ajuste do ângulo
- Este ajuste deve ser feito com a corrente e o cabo já montado, para que possa ser accionado pelo Shifter.
Normalmente os desviadores disponibilizam mais um parafuso de ajuste, com o objectivo de permitir a utilização de várias configurações de carretos, aceitando mesmo um carreto de 36 dentes.
Este parafuso encosta na parede do dropout. Ao apertar o parafuso o conjunto do desviador movimenta-se para trás (atrasa), alterando assim a distância e o ângulo da polia guia, em relação ao carreto maior.
Este parafuso já vem regulado de fábrica para funcionar bem em relação à maioria dos cogset, mas por vezes podemos ter uma configuração em que implique aumentar ou diminuir para se poder adaptar à nossa configuração. O ajuste perfeito é quando a corrente passa do carreto maior para o outro logo a seguir, e a transição da corrente tem um comportamento lateral sem prisões e silenciosa, ou seja passa de um carreto para o outro de uma forma eficiente e com um movimento natural. Depois de ajustado, fica mesmo esquecido. (normalmente este parafuso já vem com o produto trava-porcas)
Pode acontecer em alguns casos, em que o carreto seja de 36 dentes, o parafuso pode ter que ser substituído por um outro de maior comprimento para permitir o ajusto desejado.
(para esta situação o desviador deve ser com caixa longa (SGS))
Desviadores como por exemplo o Tourney RD-FT30, não tem este 3º parafuso, pelo facto de serem concebidos com a caixa muito curta (ss), em que a distancia entre polias é de 50mm e no máximo aceitam um carreto de 28 dentes. Assim como só funcionam com um único prato na pedaleira. O ângulo está previamente definido de fábrica.
Manutenção do desviador
Este componente deve ser limpo com uma certa periodicidade, principalmente se andar à chuva.
Os órgãos a ter em atenção são basicamente os eixos das polias.
Normalmente o sistema é por chumaceira, ou em alguns modelos (mais sofisticados e eficientes), são aplicados mini rolamentos selados.
Implica retirar as polias da caixa do desviador, (é possível retirar as polias sem desmontar a corrente), desmontar as peças metálicas do eixo da polia, limpar e colocar massa consistente nessa zona e passar à montagem. O mesmo se aplica aos rolamentos, apesar de serem considerados selados, com uma pequena chave de fenda (dimensão para os parafusos dos óculos) retirar com cuidado as anilhas que protegem as esferas. Limpar, lubrificar com massa e montar o conjunto.
As polias são feitas de um material o qual é muito resistente e duradouro, o ponto fraco são mesmo as peças do eixo, que na ausência de lubrificante o atrito acaba por acelerar o seu desgaste.
Outros pontos a lubrificar, pode ser com óleo da corrente, uma gota em todos os pontos articulados do desviador e respectivos apoios das molas. O torque dos eixos das polias deve ficar pelos 2,5Nm (um ligeiro encosto), não apertar em demasia sob pena de destruir as roscas dos eixos do desviador.
Os fabricantes
Os principais e conceituados fabricantes de desviadores e Shifters são respectivamente a Shimano, a Sram e a Campagnolo, este ultimo fabricante mais vocacionado para as bicicletas de estrada.
Cada um tem a sua técnica de funcionamento.
Portanto um Shifter da Shimano não funciona com um desviador da Sram e vice versa.
Esta condicionante só se aplica aos desviadores traseiros.
Isto porque a filosofia da Shimano utiliza no sistema um rácio de 1:2 . Ou seja, por cada movimento do cabo no Shifter (1 comprimento) o cabo movimenta-se dois comprimentos no desviador.
Na prática desafina com mais frequência.
No caso da Sram o rácio é de 1:1 . Ou seja, por cada movimento do cabo no Shifter (1 comprimento) o cabo movimenta-se um comprimento no desviador.
Na prática este sistema fica esquecido. Só ao fim de muito tempo, pode existir a necessidade de um pequeno ajuste, e por motivos de dilatação dos materiais.
Relativamente aos Shifters destes dois fabricantes, o principio de funcionamento apesar de serem idênticos, são no entanto distintos.
No caso dos Shifters da Sram os 2 manípulos são accionados com o dedo polegar.
No caso dos Shifters da Shimano o manipulo para subir mudanças, é accionado pelo dedo polegar, já o manipulo para fazer descer as mudanças está entregue ao dedo indicador.
Desviadores traseiros
Shimano
Capacidade Código Entre eixos Notas
Toda a gama SGS 86mm Para um cogset superior a 30 dentes
Para todo o tipo de bikes, BTT, cicloturismo, etc.
Média GS 74mm Erradamente chamado de "long cage" em contextos de estrada, esta é
realmente a caixa média.
Narrow SS 50mm Caixa muito curta. Para cogset até 28 dentes.
Para utilização com um único prato na pedaleira.
Os desviadores traseiros são muitas vezes diferenciados das vertentes de estrada ou BTT.
(Há quem sugira que é uma falsa distinção baseada unicamente no marketing.)
2015