Na mitologia Iorubá, são divindades gêmeas infantis, é um orixá duplo. São filhos de Xangô e Iansã, mas em algumas lendas são dois meninos, em outras são um menino e uma menina. Estão ligados ao princípio da dualidade e tudo que vai nascer, brotar e criar. O poder dos Ibejis jamais pode ser negligenciado, pois o que um orixá faz os Ibejis podem desfazer, mas o que os Ibejis fazem nenhum outro orixá desfaz. Os orixás Ibejis são os que indicam a contradição, os opostos que caminham juntos, a dualidade de todo ser humano. Eles já viveram todas as felicidades e travessuras que nós, seres humanos, vivemos. Eles são jovens, brincalhões, irreverentes e enérgicos.
Diz a lenda que quando chegou a seca e com ela a sede, todos estavam desesperados e a morte já rondava o povoado. Eles ficavam à procura de água e sempre fracassavam, homens e mulheres. Os irmãos Ibejis faziam buracos no chão, mas não era exatamente a brincadeira que os entretinha. Eles escavavam a terra à procura de água. As crianças gêmeas alcançaram uma fonte subterrânea e, com sua água cristalina, abasteceram potes, vasos e quartinhas. Ofereceram então a todo povoado o líquido precioso, matando a sede de seu povo e afastando a morte.
Diz também outra lenda que, quando a morte ameaçava o povoado, os animais definhavam e as plantas morriam e as águas também secaram, ela matava as pessoas, até que um dia os Ibejis resolveram lhe pregar uma peça. Um gêmeo pegou o tambor mágico e começou a tocá-lo e a morte começou a dançar. Vários dias se passaram e a morte começou a ficar exausta, pois sem ela perceber os gêmeos trocavam de lugar, um tocava o tambor e o outro se escondia e se alimentava e vice-versa. Até que a morte não aguentou mais e parou e, quase morrendo, falou que ia deixar o povoado em paz e se foi. Os Ibejis retornaram ao povoado e todos lhes agradeceram por salvarem-nos.
Jerônimo - 705
Fontes:http://www.caminhandocomosol.com.br/ibejis.htm
http://www.fflch.usp.br/sociologia/prandi/gemeos.htm
http://www.guardiadeorixa.com/Ibejis.htm
FRANDI, Reginaldo. Ifá, o adivinho: histórias dos deuses africanos que vieram para o brasil com os escravos. São Paulo: Companhia das letrinhas, 2002.