Olá, professor(a)!
Neste momento, vamos dialogar sobre o conceito de trabalho colaborativo, as funções da equipe escolar e os indicadores escolares enquanto dados e evidências.
Agora, iniciaremos nosso percurso com uma sensibilização, a partir da leitura e da interpretação do poema “Tecendo a manhã”, de João Cabral de Melo Neto, juntamente à pintura de mesmo nome, criada por Villás (2016).
Tecendo a manhã
João Cabral de Melo Neto
Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.
Tecendo a manhã (2016)
Pintura por Villás
O que mais chama a sua atenção no poema? Quais elementos você observa na pintura? No poema, a tecitura acontece por meio do trabalho de um único galo? Há um papel delineado nas funções de cada galo? Um galo sozinho seria capaz de tecer a manhã? Como se relacionam a metáfora construída pelo poema e o trabalho pedagógico desenvolvido na escola? Agora, convidamos você a relacionar as obras e a sua atuação no ambiente escolar.
Nossa intenção, ao trazer essas obras, é provocar uma reflexão sobre a materialização da manhã, por meio da unidade e da colaboração de cada autor do processo. Tais autores podem estar alinhados de tal forma que é possível a geração de confiança mútua, responsabilidade, solidariedade, empatia e compaixão para transformar o resultado do trabalho. Nessa direção, João Cabral de Melo Neto deixa clara essa ideia no verso: “Precisará/sempre/de um galo/que apanhe esse grito/que ele cantou e o lance a outro.”
A importância do trabalho colaborativo
Este momento tem a intencionalidade de apresentar o conceito de trabalho colaborativo, bem como discutir sua importância no ambiente escolar. Esse conceito não é recente e chegou ao Brasil na década de 1990, associado às grandes mudanças sociais, políticas, econômicas e culturais pelas quais passava o país (Passos; André, 2016).
O trabalho colaborativo é uma possibilidade para lidar com esses desafios. Mas o que significa trabalho colaborativo? Todo trabalho realizado em um coletivo é trabalho colaborativo? É importante diferenciar dois termos que, muitas vezes, são utilizados como sinônimos: cooperação e colaboração. A partir de uma revisão de literatura realizada pela pesquisadora Damiani (2008), trazemos essa diferenciação:
[...] na cooperação, há ajuda mútua na execução de tarefas, embora suas finalidades geralmente não sejam fruto de negociação conjunta do grupo, podendo existir relações desiguais e hierárquicas entre os seus membros. [...] Na colaboração, por outro lado, ao trabalharem juntos, os membros de um grupo se apoiam, visando atingir objetivos comuns negociados pelo coletivo, estabelecendo relações que tendem à não-hierarquização, liderança compartilhada, confiança mútua e corresponsabilidade pela condução das ações (Damiani, 2008, p. 215).
Antes de seguirmos, convidamos você a relembrar de momentos que tenha vivenciado trabalhos colaborativos nas escolas pelas quais passou. Quais as potencialidades desses momentos? Como isso impactou na sua prática pedagógica e nas aprendizagens dos estudantes?
O trabalho colaborativo na equipe escolar pode ter ações relevantes nesse contexto, tais como tentativas de minimizar os índices de reprovação, além da busca pela manutenção de todos os jovens nas escolas, juntamente com as políticas relacionadas a acesso, permanência e inclusão. Ainda, o trabalho colaborativo entre professores apresenta potencial para enriquecer sua maneira de pensar, agir e resolver problemas, criando possibilidades de sucesso para a árdua tarefa pedagógica.
Dessa maneira, é importante observar que, ao valorizar o trabalho colaborativo, não se nega a importância da atividade individual na docência. Nessa perspectiva, Fullan e Hargreaves (2000, p. xi, apud Damiani, 2008, p. 219) defendem “a reconciliação dos dois tipos de atividades – grupais e individuais – entendendo que qualquer uma delas, sem a outra, limita o potencial de trabalho dos professores”.
Assim, o objetivo aqui é compreender que nem todo trabalho pedagógico envolvendo mais de um profissional é um trabalho colaborativo. Muitas vezes, as ações realizadas permeiam apenas a cooperação e um coletivo de profissionais. No entanto, o trabalho cooperativo pode ser um começo para que se atinja o ideal de trabalho colaborativo.
Conhecendo a equipe escolar
Professor(a), após ressaltarmos as potencialidades e as possibilidades do trabalho colaborativo, veremos como cada membro da equipe escolar pode contribuir nesse processo, considerando as atribuições de cada um deles. Aqui, apresentamos esses membros e frisamos que, a depender da sua escola, essas funções podem ou não estar presentes em sua totalidade, devido às especificidades de cada unidade escolar.
Assim, temos: coordenador pedagógico, professor coordenador de área, professor de práticas de convivência e socialização, coordenador de projetos AJA, coordenador de curso na qualificação profissional, professor coordenador de práticas inovadoras, professor, diretor, diretor-adjunto e servidores administrativos.
Para visualizar cada uma dessas funções e algumas de suas atribuições, acesse os cards abaixo.
Caso queira se aprofundar, acesse, também, os documentos em sua integralidade. As atribuições de cada função estudada nesta etapa estão referenciadas nestes documentos:
Ressalta-se que fomentar uma cultura de integração entre os profissionais, nos processos de tomada de decisões e resolução de problemas comuns, tem o potencial não só de enriquecer as discussões com a pluralidade de pontos de vista, mas também de legitimar as deliberações diante do grupo. Na experiência relatada por Almeida (2012), quando se estabeleceu maior participação nos processos, o individualismo dos profissionais deu lugar ao trabalho conjunto:
Professores e especialistas deixaram de fazer escolhas, cada um por si, e passaram a buscar no grupo apoio para suas decisões e práticas. E, sem que houvesse desrespeito às posições individuais, enquanto grupo passaram a ter uma forma própria de enxergar os problemas e buscar as soluções (Almeida, 2012, p. 35).
É nessa perspectiva de trabalho colaborativo que se propõe um olhar para a aprendizagem dos estudantes, buscando estratégias e ferramentas que nos auxiliem a identificar possíveis lacunas no processo de aprendizagem. Lembrando que todos os membros da equipe escolar são corresponsáveis por esse processo.