Viagem no tempo
Do século XVII aos dias de hoje
No dia 3 de novembro de 2025, os alunos do 11° ano assistiram, no auditório do Centro Cultural, ao “Sermão de Santo António”, de Padre António Vieira, apresentado pela Companhia de Teatro “Lafontana, Formas Animadas”. A atividade foi organizada pelos professores do 11° ano do Agrupamento de Escolas de Búzio, tendo esta iniciado pelas 10:30 da manhã.
Este espetáculo, denominado “Payassu, o Verbo do Pai Grande”, proporcionou-nos uma experiência muito divertida e enriquecedora.
A peça, baseada na época barroca, foi muito bem conseguida, visto que as cores do vestuário e toda a obra em si foram corretamente representadas e transmitidas. A meu ver, um dos aspetos que enriqueceu bastante o monólogo foi o facto do ator Marcelo interagir frequentemente com o público, cativando, desta forma, a nossa completa atenção e entusiasmo.
Na minha opinião, o ator foi esclarecedor e, deste modo, conseguiu “transportar-nos” para o universo retórico e moral de Vieira. Alguns aspetos, como a sonoplastia, o vestuário, as luzes e os gestos, reforçaram o tom irónico e moralista característicos do autor. Por último, mas não menos importante, o uso das “andas” foi o ponto-chave. Através delas, o ator tentou representar o “Pai Grande” e conseguiu-o de forma impecável!
Em suma, do meu ponto de vista pessoal, o sermão foi abordado de forma criativa, sendo assim um espetáculo teatral marcante e bastante educativo para todos os públicos.
Joana Carvalho,11.ºA
Ano letivo 2025/2026
Viagem dentro da obra de
Padre Vieira
Ida ao Teatro - 4,5 estrelas
A ida ao auditório de Macieira de Cambra, que decorreu no dia três de novembro, conseguiu satisfazer certamente os interesses de quem aprecia uma boa representação.
Os leitores de literatura portuguesa irão adorar esta representação esclarecedora e interessante relativamente à obra de Padre Vieira, mais precisamente o “Sermão de Santo António aos Peixes”.
Com muita cautela, pois não quero ser condenado por semear “spoilers”, vos digo que o senhor Marcelo Lafontana é um verdadeiro portador de conhecimento relativamente à obra “Sermão de Santo António aos Peixes”. A representação dele foi mágica, esta que veio sempre com alguma altitude, devido ao uso de andas que, a meu ver, intensificou o sentido de criatividade deste ator.
A todos os alunos que revelam alguma dificuldade na interpretação desta obra antiga, aconselho vivamente a estarem presentes numa sessão destas e verão as suas dúvidas e hesitações a desaparecerem misteriosamente. Considerava-me bastante conhecedor do sermão mas, mesmo assim, saí de lá um homem mais culto, não só no que toca à obra, mas também a outras coisas que irei resguardar para mim, pois não quero atrapalhar a vossa experiência, mas garanto que também as irão absorver.
Em geral, acho que a ida ao auditório compensou. Considero-me um verdadeiro decifrador das subjetividades de Padre Vieira e, se vocês o quiserem ser também, devem assistir a uma peça de teatro deste ator.
Afonso Almeida,11.ºB
Ano letivo 2025/2026
O sermão que ainda nos faz pensar
Enriquecer a cultura dos estudantes
No dia 3 de novembro de 2025, pelas 10:30h, o auditório do Centro Cultural de Macieira de Cambra encheu-se de alunos do 11.º ano e 2.º ano profissional do Agrupamento de Escolas do Búzio, para assistir à peça «Sermão de Santo António aos Peixes», de Padre António Vieira, encenada pela companhia «LaFontana, Formas Animadas» e protagonizada pelo ator Marcelo Lafontana.
Durante 80 minutos, o ator conseguiu manter a atenção de todos, dando força e emoção às palavras de Padre António Vieira. Na minha opinião, foi impressionante ver como um texto antigo pode ser tão atual - as críticas de Vieira aos peixes parecem falar diretamente dos comportamentos humanos de hoje. Além disso, o ator interagia com o público de uma forma que o cativava. Os estudantes, habituados ao mundo digital, foram surpreendidos por uma encenação que exigia atenção e espírito crítico.
A iniciativa dos professores foi muito importante, pois mostrou que o teatro pode ser uma excelente forma de aprender e refletir. Sair da sala de aula para viver a literatura no palco tornou a experiência mais próxima, mais viva e, sem dúvida, mais marcante.
Eventos como este lembram-nos da importância de aproximar os jovens da literatura portuguesa através de experiências vivas e envolventes!
Marta Costa, 11.ºA
Ano letivo 2025/2026
Para conhecer melhor o projeto : https://www.lafontana.pt/
Faça aqui o download gratuito do livro ilustrado, criado por uma turma de Artes Visuais e Línguas e Humanidades!
10º F e F1 e Paula Margarida Pinho (professora)
Ano Letivo 2023/2024
A vida é o bem mais precioso que alguém pode ter.
É como uma flor que, se for bem cuidada, cresce e desabrocha, deixando de ser uma semente, para ser uma linda flor. Pode ser uma rosa, um narciso, uma camélia, um lírio, uma violeta. Tantas variedades! Mas se, pelo contrário, for mal cuidada e esquecida, nunca vai passar de broto, que tinha tudo para ser belo, mas nunca saiu da terra.
A vida é uma coisa maravilhosa, embora nem sempre nos sorria. Assim como uma flor tem momentos de glória e prosperidade durante a primavera e o verão quente, e quando chega o inverno, tem de dar o seu melhor para continuar a existir, continuar a ser bela e seguir a sua vida ultrapassando o frio do inverno para depois poder desfrutar da primavera.
A vida é cheia de oportunidades e permite-nos ver tantas coisas novas, tal como uma flor quando o seu pólen é levado pelas abelhas para sítios novos e desconhecidos. No entanto, se ela se esconder das abelhas e não quiser soltar o seu pólen, nunca vai ver nada novo.
Perder o dom da vida não significa apenas murchar, mas sim partir o caule, ficar com a cabeça no chão, sem conseguir erguer-se novamente e perder todas as suas pétalas e a sua beleza. Quando se perde a vida, perde-se tudo! Quer se morra, quer não, a beleza da vida desaparece.
Dinis Pinho 7ºF
Ano letivo 2023/2024
Após longas horas, dias, meses de inverno pesado, sombrio, triste, húmido, bolorento, doentio, misturado de espirros e vírus de muitas espécies, começa a surgir, colorida, crescente, quentinha, perfumada, romântica, a ansiada estação primaveril.
Nesta, toda a Criação rejuvenesce anos de vida, esperança e entusiasmo, querendo apressadamente antecipar a evolução natural e calma dos acontecimentos, a somar a alegria de mais uma prova vencida.
Nesta época, convém referir a ação dedicada, atenta, incansável das pequeninas abelhas, que são as pioneiras no aproveitamento dos meios oferecidos pela estação através da polinização, sem a qual a sobrevivência seria impossível neste planeta. Parece insignificante, para a maioria até passa despercebido, ignorado; contudo, os pequeníssimos pormenores da natureza estão na causa do equilíbrio ecológico, os pilares da vida na terra.
Sejamos honestos, verdadeiros e contribuamos, pois, por mil e uma oportunidades à nossa disposição, para o bem-estar e felicidade daqueles que nos rodeiam, partilhando, colaborando com nossos dons, num esforço conjunto, facultando o melhor e o belo, nesta breve, mui breve mordomia terrena.
Jorge Ferreira, assistente operacional
Ano Letivo 2022/2023
Foto de Paula Pinho, professora
Os seus olhos dançavam e cantavam ao ritmo da música que era descrita pelo livro que ela estava a ler e, ao folhear as finas páginas com os seus dedos húmidos e sensíveis, ao observar atentamente todos os detalhes da personagem predileta que ela tanto adorava e ao sentir os infinitos sentimentos que o livro lhe oferecia, apercebeu-se de que era aquele o seu destino.
O seu coração vivia e morreria para salvar cada palavra e cada ponto final do seu livro. Sentia-se atraída por uma personagem que sabia que não era real, mas estava tão perto de o ser: as suas ações, os seus sentidos, a sua personalidade eram mais verdadeiros do que um verdadeiro ser humano.
Questionava-se que talvez o amor, que sentira por um alguém que não existia, não fosse apenas fictício.
Juliana Marques, 11º E
Ano Letivo 2022/2023
O outro lado
Por vezes, quando ela pensa que nada pode piorar, fecha os olhos e no centro da sua mente surgem memórias felizes e inesquecíveis. Os suores frios e os pensamentos negativos transformavam-se em lágrimas de felicidade e num coração aquecido; se pudesse pegar nele sentiria mil e uma emoções ao ritmo de mil e uma batidas rápidas e coordenadas. Talvez nem tudo fosse negativo. Sempre ouvira dizer que se deve olhar para o outro lado da história e ela olhou e viu um conto de fadas, atores que interpretavam os seus sentimentos e as suas memórias de uma forma perfeita e realista.
O amor, que ela sempre afirmara não receber, apanhou-a, e quando ela menos esperava começou a sentir-se amada; era um sentimento agradável, um sentimento que sempre parecera impossível e que agora se encontrava nas suas mãos, pequenas e frágeis, que desejavam que aquele sentimento nunca acabasse.
Foi quando tudo mudou e a rapariga invisível tornou-se aquela que toda a gente admirava, por transformar um pesadelo num sonho finalmente alcançável.
Juliana Marques, 11º E
Ano Letivo 2022/2023
A propósito da dimensão epistolar* de Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco…
PASTICHE**
Lisboa, 6 de abril de 1970
Meu querido amor:
Morro por te conhecer, nesta guerra onde as armas matam amores!
Transpiro lágrimas de desejo de ti.
Ontem sonhei que te tinha junto de mim; pareceu tão real que hoje a tua falta dilacerou os tecidos da minha alma e do meu coração.
Sinto que os nossos dias escasseiam e que nem estas palavras me levam a ti.
Viva, morta, aqui ou no céu, esperarei por ti e o meu último suspiro está prestes a soltar-se… O meu ar foge tentando encontrar-te…
Que no teu coração permaneça o meu ser. Não é um adeus, mas sim um “até já”…
Da tua amada
Violante
Matilde Tavares, 11º A
Ano letivo 2021/2022
PARÓDIA***
Lisboa, 6 de abril de 1970
Meu bolinho de arroz:
Estou desejosa por te dar uma dentada.
Será que ainda estás inteiro ou falta-te uma migalha?
Sonhei que te tinha metido na forma e que o clima aqueceu. Saíste-me tão perfeitinho que até o meu coração derreteu!
Eu sem ti sou como uma cebolada sem cebola, uma feijoada sem feijão, uma limonada sem limão.
Vem matar a minha fome, meu docinho, que só pensar em ti me faz crescer água na boca.
Abraços e dentadinhas da tua
Esfomeada
P.S. Esqueci-me de ti no forno. 😊
11º A
Ano letivo 2021/2022
Glossário
epistolar*: relativo ao género literário cuja forma é a carta (ex.: romance epistolar);
pastiche**: imitar o estilo; criar “à maneira de”;
paródia***: imitação burlesca de uma obra séria.
(Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org [consultado em 26-04-2022]).
11º A e professora Paula Pinho
Ano letivo de 2021/2022