Apesar de todos os escorpiões possuírem peçonha (popularmente conhecidos como animais venenosos), nem todos são perigosos. A diferença entre as espécies perigosas e não perigosas está na ação do veneno no homem. No município de Rolândia já foram registrados escorpiões das espécies: Tityus serrulatus (escorpião amarelo), Tityus bahiensis (escorpião marrom), Tityus trivittatus, Bothriurus sp., Ananteris sp. Destes, apenas os escorpiões Tityus serrulatus, Tityus bahiensis, Tityus trivittatus são de interesse da saúde pública.
Tityus serrulatus
Conhecido como escorpião amarelo, é a principal espécie que causa acidentes graves, inclusive com registro de óbitos, principalmente em crianças. É a principal espécie de interesse da saúde encontrada no município de Rolândia.
Tityus bahiensis
Conhecido por escorpião marrom ou preto, é encontrado com pouca frequência no município de Rolândia e é considerado de interesse da saúde Pública, pois pode causar acidentes com gravidade moderada.
Gênero Bothriurus
Popularmente conhecidos como escorpião preto, escorpião pretinho ou escorpião preto pequeno. São frequentemente encontrados no município de Rolândia, principalmente em áreas próximas a matas ou bairros novos. Apesar de possuírem peçonha, não são de interesse da saúde pública no Brasil.
Gênero Ananteris
Escorpião comum em todas as regiões do país, com representantes de várias espécies, sendo as principais A. balzanii, A. franckei, A. mauryi e A. luciae.
O que fazer para evitar o acidente escorpiônico?
Examinar roupas (inclusive as de cama), calçados, toalhas de banho e de rosto, panos de chão e tapetes, antes do usar;
Usar luvas de raspa de couro ou similar e calçados fechados durante o manuseio de materiais de construção, transporte de lenha, madeira e pedras em geral;
Manter berços e camas afastados, no mínimo 10 cm, das paredes e evitar que mosquiteiros e roupas de cama esbarrem no chão;
Tomar cuidado especial ao encostar-se a locais escuros e úmidos e com presença de baratas.
As medidas de controle e manejo populacional de escorpiões baseiam-se na retirada/coleta dos escorpiões e modificação das condições do ambiente a fim de torná-lo desfavorável à ocorrência, permanência e proliferação destes animais.
Na área externa do domicílio
Manter limpos quintais e jardins, não acumular folhas secas e lixo domiciliar;
Acondicionar lixo domiciliar em sacos plásticos ou outros recipientes apropriados e fechados, e entregá-los para o serviço de coleta.
Não jogar lixo em terrenos baldios;
Limpar terrenos baldios situados a cerca de dois metros (aceiro) das redondezas dos imóveis;
Eliminar fontes de alimento para os escorpiões: baratas, aranhas, grilos e outros pequenos animais invertebrados;
Evitar a formação de ambientes favoráveis ao abrigo de escorpiões, como obras de construção civil e terraplenagens que possam deixar entulho, superfícies sem revestimento, umidade etc;
Remover periodicamente materiais de construção e lenha armazenados, evitando o acúmulo exagerado;
Preservar os inimigos naturais dos escorpiões, especialmente aves de hábitos noturnos (corujas, joão-bobo, etc.), pequenos macacos, quati, lagartos, sapos e gansos (galinhas não são eficazes agentes controladores de escorpiões);
Evitar queimadas em terrenos baldios, pois desalojam os escorpiões;
Remover folhagens, arbustos e trepadeiras junto às paredes externas e muros;
Manter fossas sépticas bem vedadas, para evitar a passagem de baratas e escorpiões;
Rebocar paredes externas e muros para que não apresentem vãos ou frestas.
Na área interna
Rebocar paredes para que não apresentem vãos ou frestas;
Vedar soleiras de portas com rolos de areia ou rodos de borracha;
Reparar rodapés soltos e colocar telas nas janelas;
Telar as aberturas dos ralos, pias ou tanques;
Telar aberturas de ventilação de porões e manter assoalhos calafetados;
Manter todos os pontos de energia e telefone devidamente vedados.
Como proceder em caso de acidente?
As medidas devem ser adotadas de imediato e o tratamento instituído o mais rápido possível após o acidente.
O que fazer?
Limpar o local com água e sabão;
Procurar orientação médica imediata e mais próxima do local da ocorrência do acidente (UBS, posto de saúde, hospital de referência).
Se for possível, capturar o animal com segurança e levá-lo ao serviço de saúde pois a identificação do escorpião causador do acidente pode auxiliar o diagnóstico. Não transportar o escorpião vivo ou tentar pegar com as mãos para evitar a ocorrência de mais acidentes;
O que não fazer?
Não amarrar ou fazer torniquete;
Não aplicar nenhum tipo de substâncias sobre o local da picada (fezes, álcool, querosene, fumo, ervas, urina) nem fazer curativos que fechem o local, pois podem favorecer a ocorrência de infecções;
Não cortar, perfurar ou queimar o local da picada;
Não dar bebidas alcoólicas ao acidentado, ou outros líquidos como álcool, gasolina, querosene, etc, pois não têm efeito contra o veneno e podem agravar o quadro.
Em adultos, a dor é o sintoma mais comum e seu alívio pode ser conseguido por meio de compressas mornas quando o quadro não é muito intenso. Compressas com gelo ou água gelada costumam acentuar a sensação dolorosa não sendo, portanto, indicadas. Qualquer outra medida ou procedimento local está contra-indicado. A dor no local da picada, por si só, não é indicação de uso de antiveneneno.
Controle com a aplicação de "inseticidas" funciona?
NÃO, o hábito dos escorpiões de se abrigarem em frestas de paredes, embaixo de caixas, papelões, pilhas de tijolos, telhas, madeiras, em fendas e rachaduras do solo, juntamente com sua capacidade de permanecer meses sem se movimentar, torna o tratamento químico ineficaz.
O que também torna os escorpiões resistentes aos venenos é o fato de possuírem o hábito de permanecer em longos períodos em abrigos naturais ou artificiais que impedem que o inseticida entre em contato com o escorpião. Além disso, possuem capacidade de permanecer com seus estigmas pulmonares fechados por um longo período. A aplicação de produtos químicos de higienização doméstica compostos por formaldeídos, cresóis e paracloro-benzenos e de produtos utilizados como inseticidas, raticidas, mata-baratas ou repelentes do grupo dos piretróides e organofosforados não são indicados por causarem o desalojamento dos escorpiões para locais não expostos à ação desses produtos, aumentando o risco de acidentes. Além disso, cria-se a falsa sensação de proteção por parte dos moradores que acreditam que o problema foi resolvido, passando a negligenciar o trato com o ambiente.
No caso da necessidade de controlar baratas em locais com presença de escorpiões, recomenda-se o uso de formulações tipo gel ou pó. Esta atividade deve ser executada somente por profissionais de empresas especializadas.