A Sinodalidade em Ação: O Clero em Comunhão e Missão
Professor Diácono Miguel Aparecido Teodoro
18 de maio de 2025
Vivemos tempos de profunda escuta e discernimento na Igreja. Atendendo ao convite de Dom Luiz Fernando Lisboa – Bispo da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim/ES –, reuniram-se os Diáconos Permanentes, em espírito de fraternidade, nos dias 17 e 18 de maio de 2025, na cidade de Jerônimo Monteiro/ES. Ali se realizou o Encontro dos Diáconos Permanentes, que teve como tema: Sinodalidade entre nós. Este encontro foi mais do que um evento; foi um verdadeiro chamado à comunhão, à corresponsabilidade e ao serviço conjunto na missão evangelizadora de nossa Igreja particular.
O Espírito Santo nos convoca a reavivar os laços que unem o clero – bispos, presbíteros e diáconos – em sua comum vocação de servidores do Povo de Deus, promovendo uma caminhada evangelizadora fraterna, na qual prevaleçam o respeito mútuo e a corresponsabilidade nos diferentes graus do ministério ordenado.
O saudoso Papa Francisco, em seu profético magistério, insistiu com veemência que a sinodalidade é o caminho que Deus espera da Igreja neste terceiro milênio. Como ele mesmo declarou:
“O caminho da sinodalidade é precisamente o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milênio.” (Discurso na Comemoração dos 50 anos do Sínodo dos Bispos, 2015)
Essa afirmação continua a nos desafiar a sair de uma lógica meramente funcional e institucional para reencontrar a beleza da escuta mútua, da partilha fraterna e da caminhada conjunta entre os ministérios ordenados.
Desde os primeiros tempos da Igreja, a missão foi o seu dinamismo essencial. Não fomos chamados a guardar o Evangelho em velhas prateleiras ou nas sacristias, mas a anunciá-lo com a vida, nas periferias existenciais, nos rostos feridos e nas realidades esquecidas. O ministério diaconal, em particular, expressa esta vocação missionária ao ser ponte entre o altar e o povo, entre a liturgia e o serviço da caridade. O clero unido – bispos, presbíteros e diáconos – deve testemunhar, em sua comunhão, o ardor missionário que brota do encontro com Cristo.
A expressão outrora cunhada pelo Papa Francisco – Igreja em saída – continua a ressoar como um apelo permanente à conversão pastoral. Uma Igreja em saída abandona a autorreferencialidade e se aproxima das realidades concretas, encarnando-se nas alegrias e nas dores do povo. Bispos, presbíteros e diáconos são chamados a sair juntos, em comunhão, como pastores com “cheiro de ovelha”, sem rivalidades e atentos às realidades locais, sensíveis às vozes silenciadas e próximos aos mais pobres e esquecidos. A sinodalidade nos impele a não caminharmos sozinhos, mas sempre em unidade e serviço.
A palavra sinodalidade significa, literalmente, “caminhar juntos”. É mais do que um método de organização eclesial; é um modo de ser Igreja. Caminhar juntos implica escutar com o coração, discernir em comunidade, decidir em oração e agir com corresponsabilidade. O clero de nossa diocese é convocado a testemunhar essa espiritualidade sinodal, na qual o ministério de cada um encontra sentido na relação com o outro: o bispo, como princípio de unidade; o presbítero, como colaborador direto; e o diácono, como elo entre a Palavra e o serviço – todos a serviço da comunhão.
A caminhada do nosso clero deve espelhar o modo de Jesus: próximo, compassivo e misericordioso. Somos convidados a viver a sinodalidade não como um conceito abstrato, mas como uma prática concreta, visível em nossas assembleias, reuniões pastorais, partilhas fraternas, decisões colegiadas e, sobretudo, na vivência diária da missão. Devemos cultivar uma escuta autêntica entre nós, reconhecendo, respeitando e valorizando os dons de cada ministério, promovendo a formação contínua, o apoio mútuo e a espiritualidade comum. Que nossos passos estejam sempre em sintonia com o Espírito, que conduz a Igreja por caminhos novos.
Neste Encontro dos Diáconos Permanentes da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, renovamos nosso compromisso com uma Igreja sinodal, missionária e em saída. Reafirmamos, como clero unido, que nossa vocação é caminhar juntos, guiados pelo Evangelho, em comunhão com nosso bispo diocesano e a serviço do povo de Deus.
Que a Virgem Maria, Mãe da Igreja, nos inspire a sermos fiéis servidores do Reino. E que, fortalecidos na fraternidade, possamos viver com alegria a missão de sermos discípulos-missionários em sinodalidade.