100 ANOS DO TEMPLO DA MATRIZ DE SÃO MIGUEL ARCANJO GUAÇUÍ ES
Prof. Diácono Miguel Aparecido Teodoro
O INÍCIO...
No dia 29 de setembro do ano de 1858, o Comendador José de Aguiar Valim e o Alferes Luís Francisco de Carvalho, em decorrência de uma contenda, na qual se disputava a posse dessas terras, fizeram uma promessa a São Miguel Arcanjo que, caso saissem vitoriosos nos tribunais do Império, iniciaria no ano seguinte a construção de uma capela em louvor ao Padroeiro São Miguel Arcanjo.
E, assim, uma vez vitoriosos, no dia 29/09/1859 deram início à construção da Capela que, já com ares de Paróquia, seria inaugurada em 29 de setembro de 1860. Esse fato, futuramente, influenciaria nos destinos do lugar que, em 1943, seria denominado de Guaçuí.
Antes, porém, é importante ressaltar que consta no Livro de Terras Possuídas o registro de distribuição das terras que, mais tarde, uma parte será doada à Paróquia, conforme se transcreve abaixo:
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Escritura na qual consta o nome de
Pedro Antonio de Albuquerque, Justino José Maria e sua mulher Anna Maria do Espírito Santo, Francisco da Silva Pereira, Felisberto Gomes da Silva
Lavrada em Tombos e nela é rezado: terras, sitas na margem do Rio Veado que se dividem, pela parte de baixo com um espigão e rio acima com um tapinhoão que fizemos uma cruz a golpe de machado, com datas de 06 de março de 1856 e 29 de março de 1856.
Tombo Nº 01, da Paróquia de São Miguel Arcanjo, a transcrição de uma escritura registrada no Livro de Notas do Cartório do Tabelião Custódio Martins Carneiro, que reza o seguinte:
“... Que no dia 09 de novembro de 1863, a Sra. Alzira Maria do Espírito Santo, o Sr. João José Justino Maria, o Sr. Alexandre Pereira Monteiro e outros, fizeram uma doação de terras, num total de um alqueire a São Bom Jesus do Veado”.
Doação efetuada com as bênçãos do Pe. Antônio Bento Machado.
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Escritura na qual consta o nome de
José Benedito Viana, Francisco da Silva Pereira, Silvestre Joaquim da Roza, Justino José Maria
Lavrada em Tombos, é citado o nome Ponte do Veado e Rio Veado, com datas de 17 e 27 de novembro de 1855.
Consta ainda que mais tarde, outra doação foi feita:
"... Que os Srs. José Benedito Viana e Silvestre Joaquim da Rosa doaram terras, num total de dois alqueires a São Bom Jesus, com escritura particular, datada de 23 de novembro de 1869".
Doação efetuada com as bênçãos do Padre Pe Antônio Marrani
Parte de uma página do Livro de Tombo Nº 01, da Paróquia de São Miguel Arcanjo. Cópia da doação de terras à Paróquia - 09/11/1863 - e transcrição de escritura lavrada no Livro de Notas do Cartório do Tabelião Custódio Martins Carneiro.
Relação dos padres que atuaram de 1859 a 1918, na Paróquia de São Miguel Arcanjo[1]
01
1859 a 1866
Pe. Antônio Bento Machado
02
1866 a 1872
Pe Antônio Marrani
03
1872 a 1888
Pe Jeronymo Pinto Velozo
04
1888 a 1902
Pe. Joaquim Martins Teixeira
05
1902 a 1918
Pe. Bianor Emílio Aranha
1918 a 1971: Novos ares de uma nova Paróquia
"... Da Velha Matriz ficou apenas a voz sonora de seus dois preciosos e artísticos sinos que continuarão a sua missão do alto da majestosa torre da Nova Matriz..."
Padre Miguel de Sanctis, ano de 1924.
Mesmo com aparência de abandono, será o padre Bianor Emílio Aranha é quem acolherá, na Paróquia, ao padre Miguel de Sanctis.
Miguel de Sanctis nasceu em Irsina - Itália, a 24 de janeiro de 1884, e batizado a 2 de fevereiro do mesmo ano. Era filho do casal Angelo Raphael Ziccardi e de Rosina Laroca Galanti. Dos oito filhos, foi o segundo a nascer e educado de acordo com o rigorismo da época e, por essa razão, após os primeiros anos de estudos, começou a frequentar a Faculdade de Medicina por alguns anos e, posteriormente, o Seminário Menor de Manfredônia, onde deu início aos estudos eclesiásticos; e, depois, cursou o Seminário Maior de Gravina e foi colega de sala de aula de "Angelo Giuseppe Roncalli" - o futuro Papa João XXIII que, mais tarde, em 2014, foi honrado e elevado aos altares pelo Papa Francisco, como "São João XXIII".
O jovem Miguel de Sanctis foi ordenado Sacerdote, em 23 de dezembro de 1906, por D. Cristóforo Magella. Em 1914 foi convocado para servir como Capelão na Primeira Grande Guerra Mundial e, tão logo recebeu dispensa, foi enviado para o Brasil. Após desembarcar no Porto do Rio de Janeiro foi enviado para servir na Província Eclesiástica de Vitória e, lá, designado para esta Freguesia, aqui chegando no dia a 28 de julho de 1918, foi acolhido, conforme já se mencionou, pelo padre Bianor Emílio Aranha.
Conforme se pode observar na Carta de Provisão apresentada nas páginas anteriores, padre Miguel Di Sanctis foi enviado para o lugarejo denominado Freguezia de São Miguel do Veado, lugar que foi designado para morar, viver e evangelizar. Tanto aqui nesta paróquia como na de São José do Calçado e todas suas Capelas e, ainda, nas Capelas de Dores do Rio Preto e Divino de São Lourenço.
Durante quatorze anos viveu entre essas duas paróquias, 15 dias em cada uma e, para atendê-las, percorria trilhas e trilhos e, devido à escassez de estradas, outros caminhos à cavalo. Não importava como estava o tempo, pois, debaixo de chuva ou sol, sempre se fazia presente aos compromissos assumidos, não importava em qual paróquia ou capela auxiliar tivesse que estar, pois, lá estava ele, fazendo-se sempre presente dando a devida atenção a todos os fiéis que lhes eram confiados por Deus.
Dedicava-se inteiramente às coisas de Deus, particularmente, à salvação das almas, à aplicação de todos os sacramentos, à assistência espiritual e material de seus fiéis, com zelo destemido e vontade férrea e ânsia de que houvesse no mundo mais piedade, mais amor, mais fé.
Cultivava a serenidade, a docilidade e a hombridade de um homem de Deus, uma vez que procurava suportar os revezes da vida e, também, as agruras inerentes ao ofício que exercia com humildade e paciência.
Todas essas qualidades fizeram dele excelente semeador da Palavra de Deus. No entanto, assustou-se quando aqui chegou, a 28 de julho de 1918 e tomou posse do cargo efetivo de vigário na paróquia onde, tão somente, encontrou um paupérrimo templo em formato de casinha, com 3 paredes e, em seu interior, um altar de caixotes cujo tapete era uma esteira, e também alguns bancos rústicos de madeira e pouquíssima frequência de fiéis. Somado a tudo isso se percebeu, ainda, certo ceticismo da parte de uma população de fiéis, profundamente desconfiados de ministros praticantes de atos religiosos.
Para superar a situação ele começou celebrar e a pregar e, de início, criou as primeiras escolas de catecismo que passaram a funcionar no paupérrimo templo da Matriz, que já contava com 59 anos desde a sua construção em 1859.
As frequências dos paroquianos às celebrações eram praticamente nulas. Em razão disso, como uma de suas primeiras medidas evangelizadoras, foi enviar solicitação ao Senhor Bispo, pedindo-o que se dignasse a enviar missionários para ajudá-lo a inflamar os corações dos paroquianos.
A solicitação do envio de missionários é prontamente atendida. Com a anuência e o apoio do senhor bispo, Dom João Batista Ferreira Nery, iniciam-se os trabalhos missionários em 10 de setembro de 1919, com pregações na sede da Freguezia, permanecendo por dez dias, e, em toda a Paróquia até o dia 25 de novembro de 1919, perfazendo um total de seis capelas.
Assim, a pequena paróquia toma novo rumo, pois, após esse trabalho missionário, a pequena comunidade de fiéis irá reconhecer o novo pároco recém-empossado, que se impôe pela sua personalidade, perseverança, cultura e dedicação. O que lhe permitiu, a 29 de setembro de 1920, formar a primeira comissão para tratar da construção do novo templo. Ficando assim constituída:
Presidente: Padre Miguel de Sanctis.
1º Vice-Presidente: Coronel Cláudio Miranda.
2º Vice-Presidente: Coronel Joaquim de Aguiar
1º Tesoureiro: Coronel Virgílio de Aguiar.
2º Tesoureiro: Capitão Athaídes Ribeiro
Secretário: Capitão Custódio Martins Carneiro.
O que se fez a partir da formação dessa Comissão, foi providenciar a regularização dos documentos inerentes à regularização de todo e qualquer problema que estivesse pendente, pois, em sua visita pastoral do ano de 1922, o senhor Bispo exigiu a quitação daquelas velhas dívidas da "Cobrança do Aforamento".
As velhas cobranças! Lembra-se? Novamente todos os conflitos afloraram, o que deixa transparecer que aquelas velhas dívidas não foram perdoadas conforme se havia pensado e, mais uma vez, o senhor Bispo diocesano fez nomear o padre José Lidwin para tratar das medições das terras e escolher o fabriqueiro. O fabriqueiro media posses. Aliás, isto foi feito em tempo hábil.
Contudo, havia uma agravante: o povo não acreditava na realização de nenhuma obra, pois, várias tentativas em construí-la haviam sido feitas na gestão dos desorganizados padre Bianor Emílio e seu auxiliar, o vigário padre Carlos Regathieri - antecessores do padre Miguel.
A desconfiança dos fiéis repousou nos atos praticados pela primeira comissão formada por padre Bianor e seu auxiliar, que não prestaram contas do dinheiro arrecadado em diversas quermesses e campanhas, perfazendo um total de 20 mil tijolos como parte do material que havia sido adquirido, e quatrocentas sacas de cal que, posteriormente, foram dadas como desaparecidas pelos próprios membros da comissão formada por padre Bianor e seu auxiliar.
Tal fato encontra-se registrado no Livro de Tombo nº 01, onde o padre Miguel afirma que "os membros daquela comissão aplicaram o dinheiro arrecadado em obras particulares". Em vista disto considerou-se ser importante ressaltar que o padre Miguel, por uma questão ética e moral, optou por não registrar no referido Livro de Tombo, os nomes dos membros que compuseram a comissão formada pelos padres Bianor Emilio Aranha e Carlos Regathieri.
No entanto, aquela visita pastoral foi abundantemente frutífera, uma vez que todos os problemas foram resolvidos e obteve-se, ainda, a aprovação da planta da construção da nova Matriz pelo senhor bispo diocesano que deu, então, autorização para o padre Miguel iniciar as obras,o que teria início com a bênção da Pedra Fundamental, o que foi feito em solenidade festiva, realizada às quatro horas da tarde do dia 29 de setembro de 1923.
Apesar de tanto entusiasmo, um outro problema surgiu: não havia dinheiro para se iniciar a tão sonhada obra. O que se tinha juntado com as quermesses e campanhas empreendidas desde o ano de 1920, foram utilizadas para se fazer uma pequena reforma para recepcionar o senhor bispo em decorrência de sua visita pastoral; também para se pagar impostos decorrentes da regularização de documentos, e gastou-se ainda com uma doação no valor de $R$1.200,000 réis que foi feita, atendendo o pedido do senhor bispo da cidade do Rio de Janeiro, para auxiliar na construção do Cristo Redentor, uma ambiciosa obra empreendida naquela cidade, conhecida capital federal da República do Brasil.
Problemas e obstáculos à parte. Embora houvesse dificuldades, padre Miguel não esmorecia, pois pretendia iniciar as obras da nova Matriz. Uma vez que estava desacreditado, só e com os cofres vazios, viu-se movido apenas pela fé em Deus e pelo ardente desejo de fazer levantar um templo em honra ao Padroeiro São Miguel Arcanjo.
Por isso, lançou mão de suas da economias particulares que lhe restava e deu, então, sua palavra final e providenciou a contratação dos profissionais. O que fez com muita fé e coragem. Antes, porém, naquele mesmo ano de 1924, dentre tantas preocupações com as obras que haveria de iniciar, empreenderá ainda uma obra educacional. Ele viu-se na contingência de permitir que se fundasse, em 24 de agosto de 1824, um Educandário Católico, naquele mesmo prédio outrora construído, em 1872, pelo padre Jerônimo Pinto Velozo. Ao mesmo tempo, em razão da demolição da velha Matriz que estava para acontecer, no mês seguinte, ele fará da Capela deste Educandário Católico, a "Matriz Provisória" da Paróquia de São Miguel Arcanjo.
Não obstante a tudo isso, mesmo sem nenhum outro tipo de recurso financeiro para tornar aquela obra uma realidade, ainda se dispôs a trabalhar como servente dos pedreiros e construtores.
Aquele projeto era para a época, uma obra ambiciosa, pois a pequena Freguezia contava com, mais ou menos, cerca de três mil habitantes, pois, considerando as suas medidas e diante de uma paróquia problemática e com poucos fiéis, há que se reconhecer a coragem e a fé de um homem que sempre desejou o melhor para os filhos desta terra de São Miguel Arcanjo.
Conheça as dimensões do que viria a ser o novo templo da nova Matriz:
“...30 metros de comprimento, 14 de largura, 10 de altura, com uma torre de 28 metros; os alicerces com 80 centímetros, e as paredes com 50”.
Impressionante! Somente quando os primeiros resultados começaram a aparecer, é que os paroquianos sentiram que a obra poderia ser concluída. Para tanto, padre Miguel batia de porta em porta e pedia dinheiro para executá-la. Dia a dia, mês a mês, ano após ano, aquela comissão por ele formada não desanimara, o que certa vez o fez discurssar em uma de suas homilias:
"...As últimas palavras do amado Sr. Bispo Diocesano ao sair de Veado por ocasião da Visita Pastoral em setembro do ano passado foram recomendações vibrantes para que fosse levantada uma nova Matriz, mais de acordo com a Majestade Divina e com o progresso do lugar. Esta recomendação caiu em terreno fértil, e devido as orações fervorosas do pastor e do rebanho, no dia consagrado ao padroeiro da Freguesia, o Arcanjo São Miguel, isto é, no dia 29 de setembro de 1923, às quatro horas da tarde, foi realizada a cerimônia da benção da Pedra Fundamental do Novo Templo. Estavam presentes todas as autoridades locais, uma multidão extraordinária de povo e representantes das capelas filiais da paróquia. Nessa ocasião falaram o Revmo. Sr. Padre Vigário e Exmas. Professoras dona Dinah Lacerda e Hermengada Bruzzi Alves. A planta da Nova Matriz foi vista e aprovada pelo Exmo. Bispo diocesano, sendo estas as dimensões: 30 metros de comprimento, 14 de largura, 10 de altura, com uma torre de 28 metros; os alicerces com 50 centímetros, e as paredes com 50. As obras foram acatadas com presteza sendo escolhido como construtor Sr. Francisco Talon, italiano de origem, residente em Muniz Freire".
A criação do Educandário Católico o qual denominou de São Geraldo (este educandário, por possuir uma Capela, foi denominado de Matriz Provisória da Paróquia de São Miguel Arcanjo) e o início das obras do templo da nova Matriz, despertou críticas e perseguições da parte de alguns coronéis e políticos representantes da sociedade local. Mesmo assim não hesitou em dar continuidade ao empreendimento tão sonhado e fazia, com muito esforço que as obras prosseguissem. Entretanto, ressalta-se que o Educandário Católico São Geraldo, por possuir uma Capela, enquanto se construía a nova Matriz, foi denominado de Matriz Provisória da Paróquia de São Miguel Arcanjo.
Em meio a tantas perseguições, em 1926, recorreu a ajuda de três professoras normalistas e, assim, assumiu definitivamente a direção do educandário fundado cerca de dois anos antes. Para tanto, conseguiu apoio na cidade de Conselheiro Lafaiete - MG, após o convite efetuado à jovem senhorita e Professora Jurema Moretz-Sohn Monteiro de Barros de Castro Lacerda, a quem designou para que assumisse as funções de Diretora do nascente educandário colocado sob a proteção de seu padroeiro São Geraldo.
Embora muitas perseguições e incompreensões tivessem de ser sustentadas, a recém formada equipe de professoras, juntamente com o pároco, não desanimou e aquele Educandário foi crescendo, sob a proteção de São Geraldo e das bênçãos do padre Miguel.
"Ó Jesus, Hóstia minha de todas as manhãs, seja eu a vossa no decorrer do dia, até o ocaso de minha vida!"
(Pe Miguel de Sanctis).
Cronograma anual do período de 1920 a 1930
“...As últimas palavras do amado Sr. Bispo Diocesano ao sair de Veado por ocasião da Visita Pastoral em setembro do ano passado foram recomendações vibrantes para que fosse levantada uma nova Matriz, mais de acordo com a Majestade Divina e com o progresso do lugar. Esta recomendação caiu em terreno fértil, e devido as orações fervorosas do pastor e do rebanho, no dia consagrado ao padroeiro da Freguesia, o Arcanjo São Miguel, isto é, no dia 29 de setembro de 1923, às quatro horas da tarde, foi realizada a cerimônia da benção da Pedra Fundamental do Novo Templo. Estavam presentes todas as autoridades locais, uma multidão extraordinária de povo e representantes das capelas filiais da paróquia. Nessa ocasião falaram o Revmo. Sr. Padre Vigário e Exmas. Professoras dona Dinah Lacerda e Hemengada Bruzzi Alves. A planta da Nova Matriz foi vista e aprovada pelo Exmo. Bispo diocesano, sendo estas as dimensões: 30 metros de comprimento, 14 de largura, 10 de altura, com uma torre de 28 metros; os alicerces com 50 centímetros, e as paredes com 50. As obras foram acatadas com presteza sendo escolhido como construtor Sr. Francisco Talon, italiano de origem, residente em Muniz Freire".
Padre Miguel de Sanctis, 29 de setembro de 1923
1920: Criação da 1ª Comissão de Obras e doação de verbas
Neste ano padre Miguel empreendeu esforços para formar a primeira comissão para tratar da construção do novo templo e que ficou assim constituída:
Presidente: Padre Miguel de Sanctis;
1º Vice-Presidente: Coronel Cláudio Miranda;
2º Vice-Presidente: Coronel Joaquim de Aguiar;
1º Tesoureiro: Coronel Virgílio de Aguiar;
2º Tesoureiro: Capitão Athaídes Ribeiro;
Secretário: Capitão Custódio Martins Carneiro.
Ainda neste mesmo ano, atendendo o pedido do senhor bispo da cidade do Rio de Janeiro, foi efetuada uma doação no valor de $R$1.200,000 réis para auxiliar na construção do Cristo Redentor daquela cidade, já, conhecida internacionalmente como a Capital Federal da República do Brasil.
1923: Bênção da Pedra Fundamental
No dia 29 de setembro, às quatro horas da tarde, foi realizada a cerimônia da Benção da Pedra Fundamental do Novo Templo
1924: Fundação do Educandário São Geraldo, demolição da velha Matriz e início da construção da nova matriz
Em razão de ter encontrado, quando aqui, chegou, uma região deficiente e carente na área educacional, padre Miguel empreendeu esforções para que fosse criado um Educandário que viesse atender as carências da população. Deste modo, surgiu, então, a formação escolar sob a égide de um Escola Católica que receberá, em 24 de agosto de 1924, a denominadção de Educandário São Geraldo.
Entretanto, em vista das condições precárias da Velha Matriz a autoridade Diocesana houve por bem determinar que a capela do Colégio São Geraldo servisse de Matriz Provisória. A última missa na Velha Matriz foi no dia 29 de setembro, sendo feita, à tarde, a transladação do Santíssimo Sacramento e das Imagens.
O Revmo. Vigário disse um adeus ao Velho templo que por tantos anos acolheu os fiéis para os atos religiosos. Foi uma cena comovedora. Os mais velhos, como os moços choravam de profunda comoção. Nem era para menos! Estava para desaparecer o recinto sagrado, em cujo redor nasceu o povoado de São Miguel do Veado, em cuja pia batismal tinham sido batizados tantas gerações, diante de cujo altar tinham se estreitado tantos laços conjugáveis, sob cujo teto tinham ressoado tantas vozes, os louvores ao Senhor, testemunha de tantas lágrimas, de grandes graças e de não poucas conversões.
Da Velha Matriz ficou a voz sonora, isto é, os seus dois preciosos e artísticos sinos que continuarão a sua missão do alto da majestosa torre da Nova Matriz. Na demolição verificou-se que a Igreja estava de pé por um verdadeiro milagre, pois as bases dos esteios estavam completamente podres. As telhas e a madeira foram vendidas, revertendo o dinheiro em auxílio da construção da Nova Matriz. Sob o pavimento, no meio da Igreja, foram encontrados esqueletos.
1925: A alta do café:
“...As obras da nova Matriz prosseguem de vento em popa. à medida que as paredes vão subindo cresce o entusiasmo do povo. Basta pedir para receber muito e de boa vontade. A alta do café que chegou a preços fabulosos, contribui para facilitar a tarefa de conseguir donativos”.
1926: Fundação do Apostolado da Oração e apresentação do saldo de Caixa pra as obras da Matriz.
Neste ano padre Miguel convida a Professora Jurema Moretz-Sohn Monteiro de Barros de Castro Lacerda para lhe ajudar na organização do Ginásio São Geraldo e, ambos, fundam o grupo do Apostolado da Oração que, de imediato, abraçou as campanhas para ajudar nas obras da Matriz. Quanto ao saldo de caixa, padre Miguel dirá:
“...Os trabalhos continuam com toda a regularidade. Já o largo fronteiro da Nova Matriz está cheio de tocos. Para dirigir as obras de carpintaria foi escolhido o Sr. Amelio Lopes, residente em Faria Lemos, chefiando a turma de vinte carpinteiros. Sempre há dinheiro em caixa para pagar mensalmente as respectivas despesas”.
1927: A Cruz e a Torre da nova Matriz
Instala-se a Cruz de Ferro no alto da Torre da Nova Matriz e Contrata-se o hábil artista Sr. Benedito Simões para pintar as paredes do interior da Nova Matriz.
“...Louvado sejam Deus e o seu fiel o Grande Arcanjo São Miguel. A Nova Matriz levanta a sua cabeça bem alta. A enorme cruz de ferro já está no alto da torre beijada pelas dobras das bandeiras pontifícia e nacional. As obras de marcenaria continuam; vão começar os trabalhos de revestimento interno e externo. Para os quadros que vão figurar no teto e nas paredes laterais, bem como as outras pinturas foi contratado o hábil artista Benedito Simões, autor de trabalhos grandemente apreciados pela sua perfeição. Os auxílios continuam a chegar de modo satisfatório”.
1928: Construção dos Altares e Escadaria da Nova Matriz
Acontece a construção doa altares e Escadaria da Nova Matriz. Para os três Altares foi contratado o artífice Adolfo Oslegher, de Vitória. Os altares cuja planta foi feita pelo Engenheiro Luiz Mateoli, de Vitória, serão de cimento armado, pintados de branco e com molduras e os capitéis dourados;
Encomendam-se os quatro sinos de aço à Casa Stemberg, pelo Sr. Durval Emery, sinos esses que vieram da Alemanha.
“...Já está pronto o material para o pavimento e a escadaria monumental. Contratei os três altares com o hábil artífice Adolfo Oslegher, de Vitória. Os altares cuja planta foi feita pelo Engenheiro Luiz Mateoli, de Vitória, serão de cimento armado, pintados de branco e com as molduras e os capitéis dourados. Encomendei à Casa Stemberg, do Rio de Janeiro, quatro sinos de aço que virão da Alemanha. Os quatros sinos novos e os dois da matriz Velha cantarão do alto da torre os louvores a Deus”.
1928: Adiada a inauguração da nova Matriz:
O Exmo. Sr. Bispo Diocesano tinha escolhido o dia 25 de janeiro do corrente ano, aniversário natalício de S. Excia. para a inauguração da nova Matriz que "como uma noiva linda, almejava o dia de suas núpcias, isto é, o dia em que pudesse dar hospedagem ao seu Divino Esposo, Jesus Sacramentado. Acometido porém, por uma doença grave, avisou ser impossível a vinda a Veado, por isso adiei a inauguração". Afirma padre Miguel
1929: Inauguração da nova Matriz:
“...Prolongando-se a convalescença do amado Bispo Diocesano, com licença, aprovação e benção de sua Excia. que foi representado pelo Revmo. Sr. Secretário do bispado, Pe. José Lidwin, foi inaugurada a nova Matriz no dia vinte e nove de setembro do corrente ano, para preparar condignamente os corações dos meus paroquianos houve um centenário de pregações realizadas em frente ao novo templo”.
“...Havendo de manhã comunhões gerais na Matriz provisória. Para isso convidei o Revmo. Pe. Ary Paschoal, redentorista, e Pe. André, Agostiniano. A Justiça manda que fique aqui consignado "ad perpetuam rei memoriam" o auxílio e grande dedicação do Revmo. Sr. Pe. Julio Beloto, DD Vigário de Alegre. Esteve presente também o Revmo. Sr. Pe. Octávio Moreira, diretor do Ginásio de Alegre, que trabalhou como bom amigo”.
“...A todos estes dignos sacerdotes e bons amigos envio um sincero Deus vos pague. No dia da inauguração as festas tomaram proporções colossais”.
“...De manhã houve numerossísima comunhão geral na praça fronteira ao novo templo, e as dez horas benção dos novos sinos e da Nova Igreja pelo Revmo. Sr. Pe. José Lidwin, soleníssima missa cantada com sermão pelo mesmo sacerdote”.
“...Acabado o culto religioso, o povo para mostrar sua gratidão, realizou uma grandiosa manifestação ao Vigário da Freguesia, sendo orador o 1º prefeito municipal, empossado no dia 31 de julho de 1929, o senhor Dr. Manoel Monteiro Torres”.
“...À noite houve fogos de artifícios. A concorrência foi colossal calculando-se em mais de dez mil pessoas vindas de todos os cantos da paróquia e de vários municípios dos Estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e de Minas Gerais. A liga Católica Jesus Maria José de Alegre compareceu acompanhada pela banda Nova Aurora. Veio também a liga de São José do Calçado”.
“...As festas continuaram até o dia três de outubro, havendo como encerramento uma soleníssima procissão eucarística. Durante esses dia foi arrecadada a quantia de vinte e dois contos ficando para pagar ainda oito contos. Deus mostrou no levantamento do novo Templo, uma proteção especialíssima, pois além de correr tudo suavemente, se a inauguração tivesse sido adiada por mais tempo, teria ficado muito grande a dívida pela crise monetária verificada alguns dias após as grandes festas como consequência da grande baixa do café”.
“...Antes de encerrar estas notas, cumpro o grato dever de lançar nestas páginas para perpetuar lembrança o nome aureolado do grande católico, Sr. Joaquim Silvestre da Rosa, o maior benfeitor da Nova Matriz arrebatado do mundo dos vivos quase um ano antes da inauguração. Com toda certeza, da mansão da luz em que Deus o acolheu, terá contemplado o triunfo esplêndido da Religião na inauguração da Nova Matriz”.
1930: Extinção das dívidas contraídas com a construção da nova Matriz:
Afirma padre Miguel que "por ocasião da festa do Padroeiro da Paróquia promoveu vários leilões que, apesar da grande crise reinante, deram a quantia necessária para pagar a divida de oito contos de reís. Para ele, foi mais uma grande prova da proteção divina porque passados poucos dias arrebentou a grande revolução em todo o Brasil".
No ano de 1931, a Paróquia contava com cerca de três mil e quinhentos habitantes. Dentre eles os descendentes de índios, negros e, é claro, os brancos herdeiros daqueles que colonizaram a região, de cujo principal legado pode-se destacar a devoção a São Miguel Arcanjo. Destacam-se, ainda, a presença de muitos imigrantes italianos que se estabeleceram na dita Paróquia de São Miguel Arcanjo.
1933: o hino em honra a São Miguel Arcanjo
Em meio a tantos acontecimentos, em 1933, padre Miguel Di Sanctis comporá a belíssima letra do Hino a São Miguel Arcanjo, cuja música, nesse mesmo ano, foi composta pelo hábil artista, pintor e maestro, senhor Benedito Simões.
HINO A SÃO MIGUEL ARCANJO
Letra: Padre Miguel Di Sanctis. Música: Maestro Benedito Simões
Ó luz do Padre, em que vivem os corações penitentes
Entre os Anjos te louvamos desses teus lábios pendentes
Em torno de ti militam principados aos milhares,
teu estandarte arvora, Miguel, dos mais singulares
Este foi, que da serpente, atroz cabeça esmagou,
E c'os soberbos rebeldes, aos infernos arrojou.
Em torno de ti militam principados aos milhares,
teu estandarte arvora, Miguel, dos mais singulares
Pelejemos c'o dragão, a par do excelso guerreiro,
Para que nossas frontes c'rôe de glória o manso Cordeiro
Em torno de ti militam principados aos milhares,
teu estandarte arvora, Miguel, dos mais singulares
A ti, Padre e Filho amado, a ti, Paráclito Santo.
Seja sempre, qual tem sido, Glória eterna, eterno canto.
Em torno de ti militam principados aos milhares,
teu estandarte arvora, Miguel, dos mais singulares
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São Miguel Arcanjo! Rogai por nós.
Amém.
Após a inauguração da nova Igreja Matriz, a vida paroquial transcorreu nos moldes de uma vida bucólica, como bucólico era o cotidiano da pequena e emancipada cidade de São Miguel do Veado que, em princípios dos anos 30 se vê envolvida em conflitos político-religiosos, uma vez que por Decreto-Lei, assinado pelo Presidente da Província do Espírito Santo, determinou-se a mudança do nome do recém criado município de São Miguel do Veado para Siqueira Campos. Tal fato gerou inúmeras polêmicas, considerando a grande influência de padre Miguel de Sanctis sobre os fiéis devotos do Padroeiro São Miguel Arcanjo.
Em setembro de 1938, mais especificamente no dia vinte e nove, aconteceu a inauguração, na Praça São Paulo - hoje, Praça da Matriz, - do Monumento Centenário, erguido em homenagem aos 100 anos de Colonização dessas Terras de São Miguel Arcanjo. Foi uma grande festa. A Paróquia realizou quermesses, leilões, celebrou-se missas, o padre Miguel de Sanctis abençoou o Monumento Histórico e muitos discursos foram proferidos, através dos quais lembraram-se os nomes daqueles que doaram suas vidas em prol do desenvolvimento do lugar, inclusive daqueles que fizeram as primeiras doações de terras, onde se encontra erguida a majestosa Matriz, construída em honra ao Padroeiro São Miguel Arcanjo.
Todavia, enfatiza-se que a década de 50 foi um período muito próspero para a Igreja Católica: muitas conversões, comunhões, casamentos, batizados, centenas de celebrações e inauguração, sobretudo, naquela na qual se buscou homenagear o padre Miguel de Sanctis em decorrência de ter recebido o Título de "Camareiro Secreto de Sua Santidade o Papa Pio XII, o que aconteceu em 19 de maio de 1957, dia em que também se inaugurou a imagem do Cristo Redentor na cidade de Guaçuí/ES.
Nessa mesma década, padre Miguel foi escolhido para substituir nosso Bispo Diocesano no Congresso Eucarístico que se realizaria na Argentina. Destaca-se também as festividades do mês de setembro que eram dedicados não somente ao Arcanjo, mas também aos festejos da emancipação do município o que, aliás, era motivo de muita alegria e religiosidade sempre animada pelas orações, exposições, novenas, fogos de artifícios e dezenas de missionários que para cá vinham para auxiliar o padre Miguel no exercício de suas funções, pois a Paróquia de São Miguel Arcanjo compreendia às cidades de Guaçuí, Dores do Rio Preto e Divino de São Lourenço.
Os anos 60 também foram marcantes para a vida religiosa do povo de Guaçuí/ES. Foi neste período, logo no início da referida década, que se iniciaram a primeira reforma do Templo da Matriz. Nesta reforma também ocorreu a substituição da grande cruz de ferro do alto da torre central, pela imagem de São Miguel Arcanjo - aquela que ainda hoje se encontra lá no alto da mesma torre central. Nesta reforma, além de tantas recuperações, também se fez substituir forro do teto, pois, os cupins haviam feito um bom estrago na forragem anterior.
Sua fé e devoção a São Miguel Arcanjo levava-o a profetizar que morreria no dia em que a Igreja escolheu para que o mundo católico pudesse homenagear este poderoso Arcanjo de Deus -. E, assim aconteceu: no dia 29 de setembro do ano de 1971 ele foi encontrar-se com o Criador.
A Paróquia de São Miguel, deixada pelo Monsenhor Miguel de Sanctis, além de atender dentro de seu espaço geográfico, ainda abrangia inúmeras outras Capelas de outros municípios. Dentre essas capelas podemos citar: Dores do Rio Preto e Divino de São Lourenço, bem como, todas as suas sub capelas. Portanto, era uma missão árdua para o sacerdote que para cá viesse. O que nos faz ressaltar que Monsenhor Miguel cumpriu bem a sua missão, trabalhando incansavelmente para organizar a paróquia que lhe foi confiada a partir de julho de 1918.
Entretanto, apesar das dificuldades encontradas para se nomear um pároco para a referida paróquia, Sua Eminência Dom Luiz Gonzaga Peluso não hesitou em determinar, que aqui viesse atender provisoriamente, o padre Armando Geerts, da vizinha paróquia de São José do Calçado.
Entretanto, em 1972, Padre Félix Pardo Ojer foi nomeado para administrar a Paróquia de São Miguel Arcanjo de Guaçuí/ES, e, tão logo tomou posse foi logo convocando a juventude e dando prosseguimento àquela abertura iniciada por seu antecessor. Naquele mesmo ano de 1972 motivou a participação dos jovens e a criação do M.J.C. - Movimento de Jovens Cristãos de Guaçuí/ES e, ainda, instituiu a Missa dos Jovens que passou a ser celebrada todos os sábados, às dezenove horas. Uma missa muita participada não somente pela juventude, mas também pela maioria dos fiéis. Esta iniciativa foi causa de muitas conversões que vieram somar para, paulatinamente, por fim à resistência de alguns católicos que insistiam em manter aquele modelo antigo de Igreja que refletia o período pré-conciliar.
Importante ressaltar a atuação dos jovens que se tornaram o ícones da Igreja daqueles anos setenta e que muito contribuíram para a transformação evangelizadora pela qual passava a Paróquia de São Miguel Arcanjo.
Para substituí-lo, em 01/07/1975, nomeou-se Padre Pedro Fossi que administrou, por curto período, a Paróquia de São Miguel Arcanjo - Guaçuí/ES, sendo que, ao mesmo tempo, era também responsável pela Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes - Celina/Alegre-ES, onde tomara posse em 1971. Em curto espaço de tempo, Padre Pedro Fossi fez uso de todos os recursos pastorais necessários para motivar os fiéis da comunidade e animar todos os Movimentos e grupos existentes na paróquia que acabara de assumir. Para tanto, elaborou um plano evangelizador visando envolver todos os leigos e leigas, particularmente, os jovens. Promoveu caminhadas penitenciais, encontros de jovens, jornadas cristãs, Treinamento de lideranças Cristãs (TLC), encontro de casais, encontro de domésticas, fomentou a catequese, os batismos e, particularmente, a participação de todos na Santa Missa e deu prosseguimento a ação evangelizadora de seu antecessor, continuando assim a celebrar com a juventude, especialmente nas missas de sábado a noite.
Também estimulou a participação dos vicentinos, Damas da Caridade, Apostolado da Oração, bem como, despertou inúmeras vocações para o sacerdócio. Buscou fomentar o aprimoramento e aperfeiçoamento da equipe de cursilhistas de Guaçuí e, posteriormente, incentivou a criação de grupos de adolescentes. Destaca-se, neste período, o valor e a participação das mulheres, que cuidavam dos inúmeros jovens que foram encaminhados para diversos seminários.
Todavia, em 30/03/1976, nosso Bispo Diocesano nomeia a Padre Enio Fazolo como Pároco desta Paróquia e, tão logo tomou posse, ao iniciar seus trabalhos, padre Enio não se precoupou com inovações imediatas, apenas procurou dar continuidade aos trabalhos que haviam sido iniciados por seu antecessor, padre Pedro Fossi. Apesar de tudo, empreendeu, em 16 de agosto de 1976, o início da construção da nova Casa Paroquial e Salão Paqroquial, naquele terreno baldio atrás da Igreja Matriz, cuja obra foi concluída no mês de julho de 1977. Aliás pode-se citar que este foi o seu grande marco, pois, para realizá-lo, padre Enio procurou envolver todas as capelas, pois, ainda não existia a denominação "comunidades" -, como também todos os movimentos: Jovens e Adolescentes, Cursilhistas, Vicentinos, Apostolado da Oração etc, e, ainda, foram realizadas diversas campanhas, rifas e leilões e, principalmente, a "Campanha do Cimento"; e para ser o construtor responsável, ele convidou o respeitado construtor, senhor Olimpio Carvesan.
Apesar de ter sido empossado nesta paróquia em 30 de março de 1976, padre Enio receberá a Provisão de Pároco somente em junho de 1978, período no qual se iniciaram as obras de construção do Lar dos Idosos Frederico Ozanan, cuja iniciativa coube aos vicentinos da Sociedade São Vicente de Paulo, que tinham à frente os abnegados cristãos e confrades: Waldir Lima Aguiar, José Cirilo Sana, José Jabour, Quinzinho Machado, Francisco Silva, Bartô, Amilcar Valentin, Fausto Beber, Juca Gino, senhor Ananias, Jonathas Rodrigues Gonçalves, Manoel da Silva Cunha e muitos outros; e representando a Ala Jovem da SSVP, os jovens: Valmir Silva, João Batista Alves, João Fonseca Leal, Eliomar Ribeiro de Sousa, Reinaldo Rúbio Sicaroni e Miguel Aparecido Teodoro.
Durante os quinze anos que esteve à frente da Paróquia de São Miguel Arcanjo, buscou apoiar de modo muito especial os jovens, pois sempre fez questão de se fazer presente em todos os encontros e orientava-os no sentido de descobrirem suas vocações, tanto para a vida quanto para o sacerdócio. Foi em sua administração que se deu o início e conclusão da obra que resultou na Casa Paroquial e Salão Paroquial.
Uma de suas grandes qualidades era que ele estava sempre aberto para acolher a juventude e não media esforços para apoiá-la em todas as suas necessidades. Exemplo marcante foi o crescimento da grande participação de jovens e adolescentes, principalmente a partir de 1979, período no qual, com sua benção e orientação, permitiu a criação do Movimento Cristão de Adolescentes (MOCA), cujos membros trabalharam frutiferamente a favor das vocações e se colocaram como instrumentos de muitas conversões em toda a paróquia de São Miguel Arcanjo.
Acolhei, como Vigário, a Padre Galeno Martins de Oliveira que,em sua estada conosco, tratou de animar os movimentos de adolescentes e jovens, através dos quais criou e implantou o Festival de Música Sacra, ou Festival de Música Mensagem - como ficou conhecido -, sendo que, o primeiro, aconteceu um ano após ter chegado em nossa paróquia. Foi um grande evento que reuniu representantes de mais de dez paróquias de nossa Diocese.
Tanto padre Enio quanto padre galeno foram transferidos no mesmo mês, ou seja, em dezembro de 1991, para outras paróquias. Respectivamente, o tempo de permanência de ambos nesta paróquia de São Miguel Arcanjo foi de quatorze e sete anos de relevantes serviços prestados à todos os fiéis.
No ano de 1991, a Paróquia de São Miguel Arcanjo – Guaçuí/ES recebeu, de braços abertos, a Pe. Pedro Scaramussa. O grande organizador paroquial que, revestido dos ideais inovadores do Vaticano II, buscou de imediato a organizar, segundo sua filosofia, a Paróquia que viria administrar por cerca de dez anos. Assim, tornou-se o criador das primeiras Comunidades Eclesiais de Base da Paróquia de São Miguel Arcanjo – Guaçuí/ES, pois em cada rua e esquina era possível encontrar também os primeiros grupos de Círculo Bíblico que, atentamente, motivava. Uma das características que lhe era peculiar é que se fazia sempre presente nas inúmeras reuniões, sempre orientando e formando novos líderes cristãos.
Após a criação das centenas de Círculos Bíblicos, tomou como propósito a criação das primeiras Comunidades Eclesiais de Base. Para tanto, regionalizou a Paróquia, dividindo as regiões em oito setores, subdividindo esses setores por número de Círculos Bíblicos. Assim, formaram-se vinte e três Comunidades, das vinte e sete existentes hoje em nossa Paróquia.
Importante frisar que, dentre seus grandes feitos no final do ano de 1993, destacam-se dois: a criação da Escola de Teologia e Pastoral Dom Bosco, que viria iniciar suas atividades no ano seguinte, ou seja, 1994, e que ainda encontra-se em funcionamento, na qual passa cerca de cento e vinte alunos, divididos em quatro turmas anuais, para a formação de novos agentes de pastorais, coordenadores de Círculos Bíblicos e candidatos aos diversos ministérios extraordinários existentes; e, a Pastoral da Saúde que tambem entrou em atividade no respectivo ano de 1994.
Em 1995, no auge de sua administração paroquial, inicia a reforma, recuperação e restauração do Templo da Igreja Matriz. Aquele Templo que foi construído no estilo neo-clássico entre os anos de 1924 a 1928, e que foi inaugurado no ano de 1929. Aliás, este Templo, ainda hoje, é considerado um dos mais belos monumentos históricos do sul do Estado do Espírito Santo
Entretanto, padre Pedro Sacramussa foi considerado pela grande maioria dos fiéis que tiveram a oportunidade de conhecê-lo e com ele conviver, não somente como um padre, mas um grande e fiel amigo de todas as horas, fazendo-se presente em qualquer momento de nossas vidas. Em sua presença e simplicidade percebia-se, com muita singeleza, a presença de Deus, cuja semelhança fomos criados.
Padre Pedro Scaramussa ficou em nossa Paróquia até o ano de 2001 e, para substituí-lo, Dom Luiz Mancilha Vilella nomeou o recém-ordenado Pe Juarez Delorto Secco.
Aos 23 de abril de 2001, Pe. Juarez Delorto Secco foi empossado como pároco e administrador da Paróquia de São Miguel Arcanjo e, no final deste mesmo ano, foram apresentados à Paróquia os seminaristas Juliano de Almeida e Luciano Vial Orcino.
Em sua administração paroquial deu continuidade ao trabalho de evangelização e animação das Comunidades Eclesiais de Base e, para tanto, organizou missões em diversas comunidades e incentivou a participação de leigos e leigas nos inúmeros Círculos Bíblicos existentes em cada CEB's, bem como, prosseguiu no empreendimento que visava a conclusão das obras de reforma e ampliação da Igreja Matriz, iniciadas por seu antecessor, o padre Pedro Scaramussa, cujas obras seriam reinaugurada cerca de quatro anos e meio mais tarde.
Ainda apoiou a formação dos vocacionados ao Diaconado que, posteriormente Candidatos, foram, no dia 21 de dezembro de 2002, ordenados, pela imposição das mãos de Dom Luiz Mancilha Villela, Diáconos Permanentes os srs. Lorival Dutra Miranda e Miguel Aparecido Teodoro.
Foi em sua gestão que teve origem a “Caminhada Penitencial”, que, ainda hoje, é realizada uma vez por ano no Tempo da Quaresma, com saída às cinco horas da manhã, da Comunidade São Miguel (Matriz); e com destino à Comunidade Nossa Senhora da Penha, que se encontra a cerca de oito quilômetros, no Distrito de São Tiago.
Em 2008, padre Juarez, cedeu lugar para a próxima administração que se iniciaria com a chegada do Padre Genivaldo Marcolan Laquini.
REFERENCIAS:
TEODORO, Miguel A. Guaçuí Ensaio & História. Colonização - Desenvolvimento & Cultura - Editora AgBook. São Paulo, 2014.
TEODORO, Miguel A. Monsenhor Miguel de Sanctis Sed sacerdos non extat Guaçuí pontificem magnum, qui penetravit - Editora AgBook. São Paulo, 2014
TEODORO, Miguel A. Pe. Pedro Fossi - O Peregrino - Editora AgBook. São Paulo, 2014.
TEODORO, Miguel A. Por essas Terras de São Miguel Arcanjo... De Capela à Matriz Paroquial. Editora AgBook. São Paulo. 2016.
[1] No Livro de Tombo nº 01, padre Miguel afirma ter recebido de padre Carlos Regathieri os registros da Paróquia. Possivelmente, neste período a paróquia tinha dois padres que por ela respondiam, sendo, o primeiro, padre Bianor o responsável pela administração geral e, o segundo, padre Carlos Regathieri, responsável pelos registros da secretaria, se é que existia uma.