ENTRE RAMOS E MEMÓRIAS
Por: Diácono Miguel A. Teodoro
Há datas que, mais do que serem marcadas no calendário, se gravam na alma. Assim foi este Domingo de Ramos de abril deste Ano Jubilar de 2025, na centenária Matriz de São Miguel Arcanjo, em Guaçuí. Eu poderia tentar descrever a ornamentação, falar das palmas dispostas com delicadeza, dos ramos verdes que abraçavam o altar, ou do perfume discreto das folhas renovando o ar do templo. Mas há belezas que fogem das palavras e só podem ser percebidas com o olhar atento da fé.
Ao adentrar aquele espaço sagrado, tive a impressão de que o tempo havia se curvado diante do Eterno. As paredes centenárias pareciam acolher, em reverência, o brado antigo da multidão em Jerusalém: “Hosana ao Filho de Davi!” E cada ramo ali colocado não era simples ornamento, mas memória viva, testemunha verde de uma fé que atravessa séculos.
Foi obra das discípulas-missionárias que compõem a Equipe de Liturgia da nossa Comunidade São Miguel Arcanjo, que com mãos pacientes e corações inspirados, conseguiu transformar o templo num espaço que respirava oração. E embora a ornamentação tenha durado apenas um dia, sua lembrança permanecerá. Porque a beleza verdadeira é aquela que, mesmo depois de recolhida, continua a falar no íntimo de quem a experimentou.
No próximo ano, quando as cinzas desses mesmos ramos forem traçadas em nossas frontes, talvez alguns de nós se recordem desse instante. E, entre o pó e a palavra, renascerá o convite: “Convertei-vos e crede no Evangelho.” Porque a fé é assim — feita de gestos que passam, mas deixam marcas eternas.
Que venham outros Domingos de Ramos, outras Quartas-feiras de Cinzas, outras mãos generosas e inspiradas. Mas aquele, de 2025, ficará guardado entre os dias em que a beleza se fez oração.
Com um fraternal abração e a benção do
Diácono Miguel A. Teodoro