Domingo de Ramos
Iniciamos nossa caminhada de fé com a “Semana de todas as Semanas”. É tempo de renovação espiritual, tempo de silenciar o coração e permitir que a Palavra de Deus encontre morada em nós. Todos os cristãos são convocados a uma profunda reflexão e a uma verdadeira mudança de vida. Somos convidados a caminhar, passo a passo, com Jesus, que não hesitou em colocar sobre seus ombros o peso de nossos pecados e dores.
A traição de Judas, a prisão de Jesus, o indecoroso julgamento a que foi submetido, as horríveis torturas que sofreu, o escárnio de seus algozes, as atitudes ilícitas das autoridades religiosas de seu tempo, a massificação e a ingratidão do povo, a dolorosa caminhada para o Gólgota, sua crucificação, as ofensas e zombarias — nada disso foi suficiente para impedir que Ele, na mais plena expressão do amor divino, rogasse ao Pai: “Perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.”
E nós, hoje? Será que sabemos o que fazemos? Essa é uma questão que se impõe a todos que se dizem cristãos — não importa a denominação religiosa —, especialmente nesta Semana Santa, tempo propício para olharmos para nossas atitudes, gestos, palavras, relacionamentos, convivência familiar, interesses pessoais e escolhas diárias. Será que, em tudo isso, refletimos nossa fidelidade a Deus, na pessoa de seu Amado Filho, nosso Senhor Jesus Cristo? Ou, como Judas, não o estamos vendendo, a cada dia, por nossas próprias "trinta moedas"?
Cada pecado que cometemos é mais um cravo em suas mãos e pés... cada atitude de indiferença, de desamor e de injustiça é mais um espinho a perfurar sua cabeça. Cada ato de desrespeito à vida, à dignidade do próximo e à presença de Deus em nós é mais uma ponta de lança a ferir o lado do Salvador. Como canta uma velha canção: “Amigo é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito.” Pensemos nisso antes de escolher caminhos que nos afastam de Cristo e de sua proposta de amor.
Apesar de tantas dores, afrontas e sofrimento, o Homem-Deus suportou tudo por amor a cada um de nós. Mas a história não terminou no Calvário. Nesta Semana de todas as Semanas, celebramos também a vitória da vida sobre a morte, da luz sobre as trevas. Ao terceiro dia, Ele ressuscitou! Venceu a morte para nos dar vida nova, para reacender em nossos corações a esperança que não decepciona.
Que, no decorrer desta Semana Santa, possamos contemplar a Cruz de Cristo e, com humildade e coragem, dizer: “Sim, Senhor, perdoe-me! Eu quero te seguir e tornar-me digno de ser um cristão de verdade.” Que a Ressurreição de Jesus ilumine nossos passos e nos faça testemunhas vivas de sua infinita misericórdia.
Amém.
Para saber mais clique aqui e assista nossas vídeo aulas sobre a Quaresma e Círio Pascal...
Deus te guie, ilumine e abençoe.
Fraternal abraço.
Diácono Miguel A. Teodoro
Sobre a Quaresma
Quaresma são os 40 dias que antecedem a celebração da Páscoa e são entendidos, em algumas vertentes do cristianismo, como momento de reflexão e realização de penitências. Os historiadores não sabem muito sobre o que levou ao surgimento da Quaresma, mas sabem que ela foi estabelecida em 325 d.C., durante o primeiro Concílio de Niceia.
Para muitos, a Quaresma pode ter uma duração de 44 ou 46 dias, estendendo-a até a Quinta-feira Santa ou Sábado de Aleluia, respectivamente. A data de início da Quaresma se dá na Quarta-feira de Cinzas, e a definição do início da Quaresma depende da definição da data da Páscoa. A definição da data da Páscoa segue um critério que leva em consideração o equinócio da primavera, no Hemisfério Norte, e as fases da Lua.
Um dos costumes cristãos mais conhecidos, praticado por milhões de pessoas, é a observância da Quaresma. Esse é um período do calendário litúrgico do cristianismo que serve como antecipação e preparação para a Páscoa — a celebração da ressurreição de Jesus e a festa mais popular do cristianismo.
A Quaresma funciona mais como uma preparação espiritual e menos como uma preparação física ou material. Isso porque, nesse período, há o costume de realizar ações de penitência que têm como objetivo santificar o fiel, afastá-lo do pecado e aproximá-lo de Deus. Ao longo do texto, veremos quais são as penitências praticadas nesse período.
Um dos costumes cristãos mais conhecidos, praticado por milhões de pessoas, é a observância da Quaresma. Esse é um período do calendário litúrgico do cristianismo que serve como antecipação e preparação para a Páscoa — a celebração da ressurreição de Jesus e a festa mais popular do cristianismo.
A Quaresma funciona mais como uma preparação espiritual e menos como uma preparação física ou material. Isso porque, nesse período, há o costume de realizar ações de penitência que têm como objetivo santificar o fiel, afastá-lo do pecado e aproximá-lo de Deus. Ao longo do texto, veremos quais são as penitências praticadas nesse período.
questão da duração é apenas uma curiosidade, pois para os cristãos, o mais importante é o significado da Quaresma e o que ela anuncia. Enquanto preparação, os fiéis entendem que se trata do momento mais propício para realização de penitências, porque elas lembram o exemplo do sacrifício de Jesus.
Entre as ações de penitência, está a prática do jejum. Alguns se abstêm de carne vermelha, outros deixam de consumir algum tipo de doce ou de usar redes sociais, por exemplo. As práticas de jejum são inúmeras e vão da escolha de cada indivíduo. A Igreja Católica orienta seus fiéis a reforçarem ações de caridade durante a Quaresma, e muitos deles passam mais tempo fazendo leitura e meditação da Bíblia, além das orações.
Não sabemos muito sobre como a Quaresma se consolidou enquanto prática no cristianismo, mas sabemos que seu estabelecimento na Igreja Católica aconteceu no século IV d.C. O marco do surgimento da Quaresma foi o primeiro Concílio de Niceia. Esse concílio reuniu as principais autoridades da Igreja da época e aconteceu no território da atual Turquia.
O registro desse encontro, escrito em grego, fala da Quaresma por meio do termo tessarakonta, que significa “quarenta”. Além de estabelecer o surgimento dessa tradição cristã, esse evento foi o responsável pela padronização da data da Páscoa. Ficou decidido que a Páscoa seria celebrada no primeiro domingo após a primeira Lua cheia que ocorre depois do equinócio da primavera (no Hemisfério Norte).
Alguns historiadores levantam a hipótese de que a criação da Quaresma se deu por influência de antigos cristãos orientais que faziam jejum dias antes da Páscoa. Uma prática muito comum eram os batismos pascais, e os envolvidos com o batismo faziam um jejum rigoroso. A duração desse ato variava de lugar para lugar. Foi a partir da Alta Idade Média que a Quaresma começou a ser iniciada na Quarta-feira de Cinzas. Essa prática foi estabelecida no pontificado de Gregório I, papa de 590 a 604. Para saber mais sobre a história da Páscoa, clique aqui.
Um detalhe importante da Quaresma é que ela é um costume de católicos, ortodoxos, luteranos e anglicanos. No Brasil, existem todas essas vertentes do cristianismo, sendo que os católicos são os mais numerosos. Outro grupo cristão muito numeroso são os evangélicos, originários do luteranismo, mas eles não observam a Quaresma.
Durante a Quaresma, as igrejas católicas são decoradas com tecidos na cor roxa. Na visão católica, essa cor simboliza dor e penitência, sendo que a primeira remete ao sacrifício de Jesus, e a segunda, aos atos que devem ser praticados pelos cristãos durante esse período. A decoração também tem como objetivo trazer foco para o altar e para o milagre de Jesus.
O termo Quaresma é a forma na língua portuguesa para se referir a esse período do calendário cristão e ele deriva da palavra “quarenta”, cuja origem vem de quadragesima, no latim. Outros idiomas derivados do latim, como o espanhol, o italiano e o francês, têm palavras parecidas para nomear a tradição.
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Deus te guie, ilumine e abençoe.
Fraternal abraço.
Diácono Miguel A. Teodoro