Documentação audiovisual de performance artivista

A performance artivista (artística + activista) parte de uma visita guiada não-oficial à sala 4 do museu para se afirmar como um happening poético que acontece sem ser esperado pelo público ou funcionários do museu. Procura-se visibilizar um tempo de poder sobre o outro, substituindo-o por um outro tempo, de busca de cura, de dignificação, de empatia no que foi vivido por outras pessoas, noutro lugar, noutro tempo. Esse tempo polissémico e multipessoal é um tempo que se aproxima, que nos aproxima, das "huacas".

Ficha técnica

Concepção da performance: Rui Mourão

Autoria do vídeo e som reproduzidos: Ibã Huni Kuin e Jaider Esbell

Performers: António Subtil, Bruno Gonçalves, Eunice Artur e Rui Mourão

Camaramen: Bruno Gonçalves e Rui Mourão

Documentação fotográfica: Susana Alface

Apoio no local: Filipa Cordeiro

Informação sobre os registos audiovisuais

O vídeo projectado durante a performance na sala e nos corpos foi realizado especialmente para este projecto por Jaider Esbell, um dos artistas contemporâneos convidados. A partir do seu lugar de fala indígena, noutro tempo e noutro espaço - os seus - faz uma série de metáforas visuais. Evoca as múmias da sala e o seu poder sagrado por via de objetos inanimados (machadinhas, pedras de moer, artefactos com missangas, etc) que numa crença animista e posicionamento identitário possuem valor emocional, cultural, político e espiritual. Cita o dispositivo museológico da caixa de vidro que encerra as múmias, por via de uma série de vidros que risca com as pedras de crença animista manchadas de sangue. Cita ainda as molduras douradas (em linha no topo da sala) das pinturas dos novecentistas membros e fundadores do museu (incluindo Januário Correia de Almeida que trouxe os restos mortais para Portugal).

Soma-se o som do canto de um outro artista convidado: Ibã Huni Kuin. O seu encantatório canto resulta dum intenso trabalho de pesquisa corpo-imagem que tem desenvolvido no âmbito do MAHKU – Movimento dos Artistas Huni Kuin. É um trabalho entre o laboratorial e o ritual, que noutro tempo e noutro espaço - os seus - imprime vida às inanimadas/animadas pinturas que cria com os seus discípulos. Foi gravado em 2013, no Centro Cultural UFMG, em Belo Horizonte (Brasil) durante a exposição ¡Mira! Artes Visuais Contemporâneas dos Povos Indígenas, produzida pelo Núcleo Transdisciplinar de Pesquisas Literaterras.