DIA DE TAROWEAN
de Rubén Pellejero / Juan Díaz CanalesEdição: Geomais, 2019
ANTÓNIO SANTOS
Após o lançamento da fabulosa obra A Balada do Mar Salgado, em 1967-1969, em Itália, na revista Sgt. Kirk, os leitores de Hugo Pratt interrogavam-se sobre as circunstâncias que tinham levado Corto Maltese a encontrar-se atado a uma jangada à deriva no mar, ao largo da ilha La Escondida., no Pacífico sul.
Cinquenta anos depois, graças à dupla Pellejero / Díaz Canales, com a publicação de Dia de Tarowean, em novembro de 2019, podemos finalmente compreender um dos mais célebres mistérios do Pacífico. De facto, esta obra é uma espécie de prequela, situando-se num tempo da narrativa imediatamente anterior à Balada do Mar Salgado. Evidenciando um grande trabalho de pesquisa e um excelente conhecimento da obra de Pratt, o responsável pelo argumento, Juan Díaz Canales, delicia-nos com mais uma aventura de Corto Maltese, talvez a melhor das três que já realizou.
As aventuras de Corto Maltese surgem em 1967 na obra já citada de Hugo Pratt, e logo conquistaram milhões de seguidores em todo o mundo. Trata-se de um aventureiro romântico, filho de um marinheiro da Royal Navy e de uma cigana de Sevilha, que traçou com uma navalha a própria linha do destino, e cujas aventuras podemos acompanhar, um pouco por todo o globo, em busca de um tesouro escondido, de um amigo… ou de uma causa perdida que é necessário defender.
Curiosamente, Tarowean significa o dia das surpresas, o dia de todos os santos, e é precisamente no dia 1 de novembro de 2019 que é apresentada a obra em Portugal, no festival de BD da Amadora.
Nas palavras de Pedro Cleto, «Este álbum é uma sublime surpresa, um conjunto de pequenas histórias, de paixões e vinganças, de castigos e coincidências, de encontros tardios e reencontros condenados ao afastamento…».
As aventuras de Corto Maltese não poderiam estar em melhores mãos.
A não perder!